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7. CONCLUSION

7.2 F UTURE RESEARCH

Nesta conclusão, procura-se retomar os principais aspectos do trabalho e lançar sugestões para estudos futuros.

É importante salientar que, no processo de consolidação do setor bancário europeu, os lucros foram incrementados por meio de: a) maior parcela de empréstimos que propiciam maior retorno do que títulos de dívida do governo federal; b) ganhos com a diversificação, pela composição de diferentes grupos de clientes; c) mudanças na orientação gerencial das instituições.

Na Europa, o processo de remoção de barreiras regulatórias criou uma expectativa de realização de fusões e aquisições entre empresas nacionais e internacionais. Entretanto, as fusões e aquisições domésticas foram mais importantes do que as entre instituições de países distintos. A estratégia observada foi a de reestruturação dos mercados domésticos para a formação de instituições nacionais com grande volume de ativos e participação em diversos segmentos, para competir dentro do espaço econômico europeu e preservar o mercado doméstico da competição dos estrangeiros.

De certa forma, a preservação do mercado doméstico também ocorreu na Brasil, dada a reação dos grandes bancos privados. A grande diferença é que, em função da competição, os bancos europeus ganharam eficiência e lançaram-se em estratégias de expansão internacional. No Brasil, o sistema não se consolidou em função de uma maior competitividade e sim para evitar a probabilidade de crises sistêmicas. Sem esta competitividade, a internacionalização dos grandes bancos privados nacionais brasileiros permanece como uma idéia a ser explorada. A internacionalização para a América Latina, por exemplo, é dificultada pela forte presença dos bancos espanhóis. Na Europa, o próprio contexto das mudanças não favorece a entrada de instituições de outras regiões, sobretudo as de menor porte. A Ásia pode ser uma possibilidade, tomando o exemplo da China que, após a integração na OMC, comprometeu-se com a maior abertura de seu mercado a partir de 2005, com possibilidade de controle total de empresas estabelecidas no território chinês por capital estrangeiro. A hipótese de internacionalização dos bancos privados nacionais é uma recomendação para pesquisas futuras.

Um aspecto importante, que não pode ser explorado em outros trabalhos, refere-se à atuação das autoridades de defesa da concorrência. Nos países em que a concorrência é mais efetiva, percebe-se maior atuação destas autoridades na identificação de barreiras potenciais à concorrência, evitando práticas oligopolísticas. No Brasil, a atuação de uma autoridade deste tipo não está ainda bem definida, se deve ser exercida pelo Banco Central ou pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), ou até pelos dois órgãos em conjunto. A regulamentação possui um importante papel neste setor, que, ao ser exercido, pode aumentar o poder de mercado de algumas instituições, sob a ótica de redução do risco de solvência, ou pode permitir maior competitividade, permitindo um fluxo mais eficiente de recursos entre os agentes.

Vale ressaltar também que nem sempre as fusões e aquisições afetam as taxas de juros sobre depósitos e empréstimos bancários. Isso ocorre porque não são todas as fusões e aquisições que aumentam de forma significativa a fatia de mercado das partes envolvidas. As taxas de juros seriam reduzidas se as fusões e aquisições causassem elevações na concentração de mercado em valores suficientemente grandes para violar diretrizes de defesa da concorrência. Em um mercado mais competitivo, as reduções ocorreriam como decorrência da expansão da carteira de empréstimos e dos ganhos de eficiência.

Os efeitos positivos da consolidação financeira estão relacionados à maior eficiência microeconômica, e os negativos estão associados aos maiores riscos macroeconômicos.

Dentre os efeitos positivos, pode-se citar que:

a) a confiança dos depositantes sobre a estabilidade do sistema financeiro aumenta, face à diversificação das fontes de receita dos bancos e da crença em instituições maiores; b) o montante de pagamento processados é reduzido;

c) a compensação interbancária fica mais rápida e eficiente;

d) os mais eficientes no processamento das operações atraem mais recursos; e) acelera-se a adoção de sistemas de pagamento eletrônico;

f) as economias de escala no processamento de informações são obtidas.

Dentre os negativos, tem-se:

a) os custos potenciais no caso de falência de uma grande instituição são maiores; b) os bancos maiores elevam o risco de contágio durante uma crise bancária;

c) os maiores bancos podem priorizar a concessão de crédito para grandes empresas, em detrimento das pequenas empresas;

d) os bancos maiores podem assumir posições de risco desnecessariamente elevadas se contarem com a proteção de governos.

A presença dos bancos espanhóis BSCH e BBVA no Brasil não foi tão forte quanto sua participação em outros países da América Latina. No setor bancário brasileiro, os bancos públicos ainda exercem um papel destacado, são os bancos que mais concedem crédito. Os grandes bancos privados continuaram atuantes no processo de consolidação do setor, adquirindo uma grande quantidade de bancos, num ritmo mais forte do que os espanhóis. Os nacionais têm vantagens na obtenção de resultados em função do melhor conhecimento dos problemas que englobam o setor e em função dos investimentos feitos em tecnologia, iniciados no período em que os ganhos com a inflação ainda eram elevados.

O BSCH está entre os 10 maiores bancos e apresentou bons resultados, principalmente após a aquisição do Banespa. Para os grandes bancos privados nacionais, talvez o Banespa não tivesse sido uma opção tão boa quanto foi para o BSCH, pois a sobreposição de agências seria muito grande.

O BBVA desinvestiu, vendendo sua posição para o Bradesco, mas manteve uma pequena participação no capital deste banco, ocupando uma cadeira no Conselho de Administração. Não se descarta a possibilidade de uma retomada de investimentos no futuro, principalmente se a economia brasileira apresentar sinais de desenvolvimento continuado.

ANEXOS

Anexo 1 – Principais Mudanças Institucionais no Setor Bancário

Medida Data Descrição

Plano Contábil das Instituições do Sist. Financeiro (Cosif)

Junho/1994 Unificação das Instituições financeiras em um mesmo plano contábil

Resolução Bacen nº 2099

Agosto/1994 Estabelece de limite mínimo de capital para constituir banco, bem como limites adicionais conforme o grau de risco dos ativos.

Medida Provisória nº 1179

2º trimestre/95 Cria incentivos fiscais para a incorporação de instituições financeiras.

Medida Provisória nº 1182

2º trimestre/95 Amplia os poderes do Banco Central, visando a realização de ações preventivas saneadoras do sistema financeiro.

Resolução 2208 Novembro/95 Institui o Proer, visando assegurar a liquidez e a solvência do sistema.

Resolução 2211 Novembro/95 Regulamenta o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para o titular de depósitos, em caso de insolvência da instituição financeira.

Resolução 2212 Novembro/95 Dificulta a constituição de novas instituições financeiras e cria incentivos para a fusão, incorporação e transferência de controle acionário.

Medida Provisória 1334

Março/96 Institui a responsabilidade das empresas de auditoria contábil, em caso de irregularidades na instituição financeira.

Resolução 2302 Julho/96 Obriga os bancos com dependência ou participação societária em instituições financeiras no exterior a apurarem os limites

operacionais com base em dados financeiros consolidados. Aumenta o limite de capital mínimo para a constituição destes bancos. Amplia os poderes investigatórios do Banco Central para as dependências dos bancos no exterior.

Resolução 2303 Julho/96 Permite às instituições financeiras cobrar tarifas pela prestação de serviços.

Medida Provisória 1514

Agosto/96 Cria o Proes, com a finalidade de sanear o sistema financeiro público estadual.

Resolução 2390 Maio/97 Cria o Sistema Central de Risco de Crédito, obrigando as instituições financeiras a identificar e informar o Banco Central sobre clientes que possuam saldo devedor superior a R$ 50.000,00.

Resolução 2399 Junho/97 Aumenta o capital mínimo das instituições financeiras, elevado de 8% para 10% dos ativos ponderados pelo risco.

Resolução 2493 Maio/98 Possibilita aos bancos venderem parte ou toda a carteira de crédito a sociedades anônimas de objeto exclusivo (Companhias

Securitizadoras de Créditos Financeiros)

Resolução 2554 Dezembro/98 Obriga as instituições financeiras a apresentarem ao Banco Central programa para a implantação de sistemas de controles internos, em concordância com o Comitê de Basiléia.

Fonte: Oliveira, Gesner “DEFESA DA CONCORRÊNCIA E REGULAÇÃO: O CASO DO SETOR BANCÁRIO”, 2000 EAESP/FGV

Anexo 2 – Regulamentação – O sistema CAMEL

Nos EUA, desde 1978, é adotado um sistema preventivo para verificar a saúde financeira dos bancos. Este sistema, chamado CAMEL permite aos supervisores examinar os bancos e tomar ações em determinadas circunstâncias.

O “Office of Currency Comptroller” classifica todos os bancos que estão sob supervisão do FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation), através do sistema de classificação uniforme de bancos, o CAMEL, criado em 1978. É interessante citar o significado das siglas de CAMEL e a forma de mensuração:

C: Capital adequacy – o capital do banco é avaliado em termos do tamanho do banco e da composição de seus ativos e passivos, dentro e fora do balanço. Também chamado de “Equity Capital ratio”, em 2002 demonstrava uma média de 9.24 e quanto maior, mais forte e estável o depositário.

A: Asset quality – também chamado de ROA (Return on Assets). A média em 2002 era de 1,37. Os empréstimos são qualificados como bons, fora do padrão, duvidosos ou perda.

M: Management ability – avaliação da administração e do corpo diretivo. Competência, integridade, vontade e conformidade com as regulamentações bancárias são pontos verificados.

E: Earnings – é feita uma avaliação da tendência de lucros, bem como o nível relativo aos pares. Objetivo de verificar o impacto da geração interna de fundos no capital do banco. É chamado ROE (Return on Equity). A média em 2002 para os bancos americanos examinados foi de 14,85.

L: Liquidity – O órgão regulador examina as condições de crédito, a volatilidade dos depósitos, os compromissos de empréstimos e outras exigências contingenciadas contra o banco, capital, ações de ativos líquidos e a habilidade do banco de obter fundos rapidamente. A média em 2002 foi de 87,61. Também chamada de taxa de empréstimos líquidos sobre depósitos. Quanto menor a relação de empréstimos sobre os depósitos, mais liquidez o depositante possui.

S: Sensitivity to market risk – utilizado a partir de Janeiro de 1997, reflete a impacto que as alterações em taxas de juros, câmbio, preços de commodities e preço de ações têm nos ganhos ou no capital econômico.

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