5 Drøfting
5.7 Oppsummering av studiens funn
5.7.1 Utfordringer og veien videre
O termo investigação qualitativa resultou de um movimento reformista que surgiu no início de 1970, no meio académico (Schwandt, 2006), tendo tido a sua origem nos trabalhos de antropologia, antropologia social e sociologia, sobretudo na escola de Chicago (Cook & Reichardt, 1986). Os seus métodos têm larga tradição na psicologia e nas ciências sociais e ganharam força com o desencanto das investigações de caráter quantitativo, nas primeiras décadas do século XX, porém, nas décadas de quarenta a sessenta, a pesquisa qualitativa perdeu espaço para a quantitativa, possivelmente por esta última apresentar rigor nas suas investigações, por usar técnicas que, segundo Cook e Reichardt (1986), são quase experimentais – testes objetivos de papel e lápis, analises estatísticas multivariadas e estudos de amostragem. Enquanto que nos métodos qualitativos figuram a etnografia, os estudos de caso e técnicas de recolha de dados como a entrevista, a observação naturalista e participante. A falta de consenso entre estes dois tipos de investigação instalou o debate sobre as vantagens de um e outro tipo de investigação, ligados a paradigmas diferentes (entenda-se por paradigma a conceção filosófica global que determina e sustenta o método de investigação); o quantitativo possui uma perspetiva global hipotético-dedutivista, particularista, com objetivos, orientados para resultados, enquanto o qualitativo se sustenta numa perspetiva global fenomenologista, indutiva, estruturalista, subjetiva, orientada para a antropologia social. Em resultado dos debates e das discussões à volta destas duas abordagens, a metodologia qualitativa volta a ter relevância, segundo Santos (2006), por volta das décadas de sessenta e setenta, nomeadamente na sociologia norte-americana e na década de setenta ganha crédito fora das ciências sociais e antropológicas, passando a ser predominante em áreas como a educação, a informação, a comunicação e a gestão. Atravessou alguns momentos históricos, a norte-americana, por exemplo, a partir do século XX, passou, segundo Denzin e Lincoln (2005), os seguintes períodos:
o tradicional – começou no início de 1900 e estende-se até ao final da segunda guerra mundial. Durante este período, a investigação qualitativa está relacionada com a escola de Chicago – rótulo aplicado a um grupo de sociólogos investigadores, do departamento de sociologia da Universidade de Chicago.
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idade moderna ou idade de ouro de 1950 a 1970 – este período ficou marcado por tentativas de formalizar a investigação qualitativa, tentativas estas que se materializaram nas várias publicações – textos e livros. Foi um tempo de grande criatividade.
os anos difusos de 1970 a 1986 – é nesta etapa que surgem os paradigmas qualitativos, métodos e estratégias a utilizar na investigação. Surgem, também, teorias a partir do interacionismo simbólico – construtivismo, investigação naturalista, positivismo e pós-positivismo, fenomenologia, teoria crítica e neomarxista, semiótica, estruturalismo, feminismo e vários modelos raciais/étnicos. É neste período que o modelo naturalista, o pós- positivista e o construtivista que ganham poder, principalmente em educação.
a crise de representação de 1986 a 1990, o quarto momento, surge em consequência da profunda rutura ocorrida em meados dos anos oitenta, altura em que a investigação qualitativa procura novos modelos de validade e representação. Como defende Flick (2002), a investigação qualitativa converte-se, neste período, num processo contínuo de construções de versões diferentes da realidade. A versão apresentada, por alguém, numa entrevista podia não corresponder com a que havia pensado no momento em que ocorreu o acontecimento e podia não corresponder com a versão dada a um investigador diferente com uma questão de investigação, também ela diferente. O investigador, ao interpretar a entrevista e ao apresenta- la com parte dos seus dados, produz uma nova versão. Os leitores, ao lerem os dados, interpretam-nos à sua maneira e criam novas versões do acontecimento. Isto levou a entusiásticos debates metodológicos, nomeadamente sobre a validade dos critérios tradicionais, tendo Denzin e Lincolin (2005) considerado as questões semelhantes à validade, confiança, objetividade e o previamente pensado e tratado como o cerne da discussão e do debate. O que originou a existência de uma tripla crise: a crise de representação, a de legitimidade e a prática da investigação em confronto com as disciplinas de humanidades. Estes três aspetos são codificados em vários termos da teoria social – crítica, interpretativa, linguística, feminista e retórica, aspetos que tornam problemáticas duas assunções chaves da investigação qualitativa: a primeira é que a investigação qualitativa pode estar longe de capturar as experiências vividas – semelhantes experiências são argumentadas, discutidas e são criados textos escritos em resultado da investigação, o que pode levar à crise representacional. A segunda assunção problemática refere-se às regras tradicionais de avaliação e interpretação da investigação qualitativa, ou seja, reenvia-nos para uma crise de legitimação. Esta envolve o reconsiderar termos semelhantes à validação, generalização e
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fidedignidade, e termos conceptuais no pós-positivismo, construtivismo-naturalista, feminismo e interpretativismo.
O quinto momento, pós-modernismo, decorreu entre 1990 a 1995, foi um período de procura de consenso após as crises anteriores, em que a procura das narrativas se direciona no sentido de responder aos problemas e às situações específicas. Um período em que as narrativas, segundo Flick (2002), têm substituído as teorias e a teorias têm sido lidas como narrativas.
O sexto momento, investigação pós-experimental de 1995 a 2000, é caracterizado pela publicação de textos sobre investigação qualitativa. É durante este período, de grande excitação, que são publicadas revistas, como Qualitative Inquiry e Qualitative Research, comprometidas em divulgar o melhor dos novos trabalhos entretanto realizados. O sucesso, destas investigações, serviram de suporte ao sétimo momento.
O sétimo momento, de 2000 a 2004, debate o futuro da investigação qualitativa, é um período de conflito e de grande tensão.
O oitavo período, a partir de 2005, é a época em que os investigadores estão a ser confrontados com reviravoltas metodológias fortes, associadas à política de Bush para a ciência e ao movimento social baseado em evidências (Denzin & Lincoln, 2005). A discordância data de 2000, quando o presidente Bush veio a público manifestar-se contra a pesquisa científica com células-tronco retiradas dos embriões humanos e quando o governante disse aprovar o ensino do criacionismo em escolas públicas, tendo-se a desavença propagado à Agência Espacial Americana (NASA).
Atualmente, podemos considerar que a investigação qualitativa corresponde a um paradigma que tem como ponto forte a capacidade para desvendar o que acontece no mundo, isto é, examinar o que as pessoas de facto fazem na vida real, em vez de lhes pedir comentários a esse respeito (Silverman, 2009).
Na investigação qualitativa, usam-se métodos de pesquisa para obter detalhes “intrincados sobre fenómenos como sentimentos, processos de pensamento, emoções que são difíceis de extrair ou de descobrir por meio de métodos de pesquisa convencionais” (Strauss & Corbin, 2008, p. 24). Este tipo de investigação privilegia dados que “descrevam pormenorizadamente pessoas, situações e acontecimentos” (Freire, 1999, p. 231). Neste tipo de investigação, a recolha direta de dados ocorre em ambiente natural, constituindo este uma fonte aberta à recolha dos mesmos. Como afirmam Strauss e Corbin (2008), esta metodologia sugere que se considere muito as palavras e as ações das pessoas estudadas.
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Bogdan e Biklen (1994) consideram que o investigador constitui o instrumento principal da investigação. Os pesquisadores introduzem-se, ganham a confiança dos participantes, gastam muito tempo em bairros, escolas, famílias, tentando clarificar as questões no contexto do estudo. Consideram que as ações são mais bem compreendidas no ambiente da ocorrência. Este tipo de investigação, segundo Bogdan e Biklen (1994), tem quatro características:
a) É descritiva, os dados escritos incluem transcrições de entrevistas, fotografias, vídeos, documentos pessoais e notas de campo. Os investigadores não reduzem as muitas páginas dos dados, nada é trivial, tudo tem potencial para os guiar na compreensão do objeto de estudo.
b) Os pesquisadores qualitativos interessam-se mais pelo processo do que, simplesmente, pelos resultados ou produtos.
c) Os investigadores qualitativos tendem a analisar os seus dados de forma indutiva. Os dados não são recolhidos com o objetivo de confirmar ou revogar hipóteses construídas previamente.
d) O significado é de importância vital na abordagem qualitativa. Os investigadores estão interessados no modo como as pessoas dão sentido às suas vidas em estudos educacionais, por exemplo, compreender as opiniões dos pais sobre as razões dos resultados escolares dos filhos. Estas caraterísticas não são expostas, em todos os estudos, com a mesma expressividade. O processo de condução da investigação qualitativa “reflecte uma espécie de diálogo entre os investigadores e os respectivos sujeitos, dado estes não serem abordados por aqueles de uma forma neutra” (Bogdan & Biklen, 1994, p. 51).
Na investigação qualitativa, como em qualquer outro tipo de investigação é, ainda, necessário o desenvolvimento de um plano, que mais não é do que a estratégia que diz respeito à forma como a investigação é programada, isto é, à forma como são adequadas as estruturas conceptuais e as opções metodológicas ao contexto empírico da investigação (Afonso, 2005). O planeamento do estudo inclui um conjunto flexível de diretrizes que vinculam, em primeiro lugar, os paradigmas teóricos, as estratégias de investigação e, em segundo lugar, os métodos para recolha de materiais e dados empíricos. Este processo da investigação (planeamento) serve para situar o investigador no mundo empírico, relacionando-o com os indivíduos, com os grupos, com as instituições específicas e com os grandes volumes de materiais interpretativos, incluindo arquivos e documentos. Podemos dizer que uma estratégia de investigação compreende um conjunto de habilidades, suposições
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e práticas que o investigador leva a cabo ao passar do arquétipo para o mundo empírico. As estratégias de pesquisa dão início aos modelos da interpretação (ibidem) e ligam o investigador aos métodos específicos de recolha e de análise de dados empíricos. As estratégias implementam e apoiam paradigmas em terrenos empíricos específicos, ou em práticas metodológicas específicas, tais como a transformação de um caso em objeto de estudo (Denzin & Lincoln, 2006). É necessário desenhar o plano do estudo que leva à operacionalização da estratégia e que envolva a “caracterização e justificação do uso de técnicas e instrumentos, a caracterização dos sujeitos participantes, assim como a do dispositivo e a dos procedimentos” (Afonso, 2005, p. 62).
É igualmente importante a definição das questões orientadoras. Elas terão que ser formuladas de forma a proporcionar uma especificação do método de investigação apropriado, pois existem grandes áreas de sobreposição entre os vários métodos. Questões do tipo Como e Por que são mais explanatórias e levarão, possivelmente, ao uso dos estudos de caso, eventualmente porque essas questões “lidam com os veículos operacionais que necessitam de ser traçados ao longo do tempo, mais do que as meras frequências ou incidências” (Ying, 2010, p. 30). Como defende Flick (2005), as questões são um dos problemas com que o investigador tem de lidar ao longo do estudo. No início, quando da conceção do estudo, no desenho do plano de investigação, durante o trabalho empírico, na escolha dos casos, nos métodos de recolha de dados, na elaboração dos guiões das entrevistas, na interpretação dos resultados. Quanto menor for a clareza na formulação das questões, maior é o risco de o investigador ser confrontado com grandes quantidades de dados, cuja interpretação é difícil. É necessário ideias claras sobre a natureza do problema a resolver para garantir a justeza das decisões metodológicas – a que métodos se tem de recorrer para responder às questões?, é efetivamente possível estudar com esses métodos o tema da investigação? E o método escolhido é adequado para responder às questões colocadas?, questões específicas elaboradas a partir de uma questão geral, pois de um modo sintético a elaboração das questões de investigação de obedecer a uma questão geral a partir da qual se formulam questões mais específicas.
Apesar de Denzin e Lincoln (2006) consideraram que toda a investigação é interpretativa, é guiada por um conjunto de crenças e de sentimentos em relação ao mundo e ao modo como este deveria ser estudado e compreendido, Schwandt (2006) defende que a filosofia interpretativista parte de um ponto de vista interpretativo, que diferencia a ação social e humana do movimento dos objetos físicos, pois a primeira é inerentemente significativa. Na
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abordagem naturalista interpretativa, os investigadores estudam os seus objetos nos seus cenários naturais, tentando compreender e interpretar os fenómenos considerando os significados que as pessoas lhes conferem. Estes pesquisadores utilizam uma variedade de práticas interpretativas interligadas, na esperança de atingirem uma melhor compreensão do assunto investigado. É uma atividade “situada que localiza o observador no mundo” (Denzin & Lincoln, 2006, p. 17). Como defende Silverman (2009), permite analisar o que acontece naturalmente nos ambientes estudados a partir de tópicos de pesquisa definidos nas conceções relativas aos problemas sociais. Assim, para que uma ação social seja entendida, e usando as palavras de Schwandt (2006), investigador deve compreender o significado que constitui essa ação. Considerar que uma ação humana é significativa é sinónimo de dizer que esta possui um certo conteúdo intencional. Um sorriso pode ser interpretado como carinhoso ou forçado, da mesma forma que o levantar de um braço pode ser entendido, dependendo do contexto, como votar, pedir permissão para intervir ou mesmo chamar um táxi. Para compreender o significado de uma ação ou para assegurar o que se entende por uma determinada ação, é necessário que se interprete de um modo específico o que os agentes estão a fazer. É neste sentido que Lessard-Hébert, Goyette e Boutin (2005) defendem que a abordagem interpretativa tem por objetivo geral da pesquisa o mundo humano enquanto criador de sentido. Assim sendo, a pesquisa qualitativa interpretativa tem por finalidade a compreensão do significado, da interpretação das ações realizadas pelos próprios agentes. Com frequência esta liga-se “implicitamente, aos acontecimentos que lhes dizem respeito e aos comportamentos que manifestam (que são definidos em termos de acção)” (p. 175). Os autores consideraram existir quatro modelos interpretativos: positivista/pós-positivista; interpretativista-construtivista; crítico (marxista, emancipatório) e feminista-pós-estrutural. Entre as estratégias mais comuns da abordagem, qualitativa interpretativa, estão os estudos etnográficos, a investigação-ação, os estudos biográficos e os estudos de caso.
O estudo de caso, como método de pesquisa, é utilizado, em muitas situações, com o objetivo de contribuir para o conhecimento de fenómenos individuais, grupais, sociais, políticos e organizacionais. Como diz Lüdke e André (2005), o caso deve ser sempre delimitado, os seus contornos bem definidos, porque podem existir casos similares, embora o caso seja sempre distinto porque tem um interesse próprio, que resulta daquilo que ele tem de único e de particular.
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Os estudos de caso devem ser usados, quando se pretende estudar algo singular, que tenha valor em si mesmo. Lessard-Hérbert, Goyette e Boutin (2005) consideram que o estudo de caso ocupa no continum, a posição extrema, onde o campo de investigação é:”
Menos construído, portanto o mais real; O menos limitado, portanto o mais aberto;
O menos manipulável, portanto o menos controlado” (p. 169).
É uma estratégia de investigação qualitativa empírica. Utiliza-se para investigar um fenómeno contemporâneo, em profundidade e no seu contexto real, especialmente quando os limites entre o facto e o contexto não são claramente evidentes. É um método de pesquisa comum na psicologia, na sociologia, na ciência politica, na antropologia, na administração, na enfermagem, na educação e até em economia, por exemplo, quando a estrutura de um determinado setor industrial ou a economia regional é investigada. Em todas estas situações, o desenvolvimento da pesquisa surge da necessidade e do desejo de entender os fenómenos sociais complexos. O estudo de caso permite, aos investigadores, escolherem características holísticas e significativas dos eventos da vida real; comportamentos de pequenos grupos; processos organizacionais e administrativo; o desempenho escolar, etc. (Yin, 2010). Este tipo de investigação pode incidir sobre uma pessoa, uma organização, um programa de ensino, uma coleção, um acontecimento particular ou um simples depósito de documentos. Em investigação educacional pode ser aplicado a um aluno, a um professor, a uma classe, a um projeto curricular, a uma determinada política educativa (Flores, 1994). Como defende Yin (2010), existem estudos de caso que vão além da investigação qualitativa, usam uma mistura de evidências qualitativas e quantitativas. A única exigência é, como diz Flores (1994), que possua um limite físico e social que lhe confira identidade própria. Para Bogdan e Biklen (1994), grosso modo, o estudo de caso pode ser representado por um funil, correspondendo a extremidade mais larga ao início do estudo. Os investigadores procuram locais, pessoas que possam ser objeto de recolha de dados e de estudo. “Procuram indícios de como deverão proceder e qual a possibilidade de o estudo se realizar” (p. 89). À medida que vão conhecendo o objeto em estudo, os seus “planos são modificados e as estratégias seleccionadas” (p. 90).
Lüdke e André (2005) consideram que as características do estudo de caso, por vezes, soberpõem-se às caraterísticas gerais da investigação qualitativa, mas destaca cinco:
Os estudos de caso visam a descoberta – existe um quadro teórico que serve de estrutura básica, de esqueleto, a partir do qual os novos aspetos, os novos elementos são
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acrescentados à medida que o estudo se desenvolve. Esta caraterística é essencial à investigação, pois o conhecimento da realidade faz-se e refaz-se constantemente.
O estudo de caso enfatiza a interpretação de um determinado contexto – para que exista uma apropriação mais completa do objeto a estudar é preciso ter em linha de conta o contexto em que este se situa. Para se compreender melhor as ações, os comportamentos, as perceções e as interações é necessário o seu relacionamento com a situação específica do objeto.
Os estudos de caso procuram retratar a realidade de forma complexa e profunda – com o estudo de caso, o investigador procura revelar a multiplicidade de dimensões presentes na situação ou problema. É uma abordagem que enfatiza a complexidade de situações.
O estudo de caso usa uma variedade de fontes de informação – o investigador recolhe dados em diferentes momentos, em situações variadas e com diferentes informantes. Assim, se o estudo for feito numa escola, o “pesquisador procura fazer observações em situações de aula, de reuniões, de merenda de entrada e de saída das crianças…” (p. 19). Com a variedade de informações, proveniente de várias hipóteses, ele poderá cruzar dados e confirmar ou rejeitar hipóteses, descobrir dados novos.
Os estudos de casos revelam experiência transmitida e permitem generalizações do tipo naturalistas – os dados do investigador são elaborados de forma a que o leitor possa fazer as suas generalizações.
Os estudos de caso procuram representar as diferentes e, por vezes, conflituantes opiniões presentes numa situação social – quando a situação ou objeto estudado suscitam opiniões divergentes, o investigador, ao trazer para o estudo as divergências de opiniões, revela, também o seu ponto de vista, deixa aos leitores do estudo a possibilidade de tirarem conclusões sobre esses aspetos. Exemplo desse facto é ao ajuizar-se sobre um novo sistema de avaliação implantado nos cursos de formação de docentes, o investigador procurar recolher a opinião de uma gama variada de alunos desses cursos, incluindo os grupos mais ou menos críticos, poderá entrevistar os professores desses cursos procurando propositadamente os que estão a favor e os que estão contra e, possivelmente, incluirá o seu próprio juízo sobre essa inovação. Esta orientação é sustentada pelo facto de que a realidade pode ser vista sob diferentes perspetivas, sem que nenhuma seja mais verdadeira do que outra. Assim, dá-se ao leitor os vários elementos e pontos de vista, deixando-lhe a hipótese de formular a sua própria opinião.
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Os dados e relatos do estudo de caso utilizam uma linguagem e uma forma mais acessível relativamente aos outros relatórios de outras investigações – os dados deste tipo de investigação podem ser apresentados de uma variedade de formas, como a dramatização, desenhos, fotocópias, colagens, discussões, etc. Os dados escritos apresentam de uma forma geral um estilo informal, narrativo, ilustrados por citações, descrições ilustradas por figuras. Os investigadores preocupam-se em apresentar e transmitir de forma clara e bem articulada o caso que vai sendo construído durante o estudo e concretiza-se enquanto caso no final.
Outro aspeto que caracteriza o estudo de caso é o desdobramento de novas relações e conceitos, mais do que a verificação e a comprovação de hipóteses previamente estabelecidas. Facilita a compreensão do leitor sobre os fenómenos estudados (Flores, 1994). Tal como nos outros métodos de pesquisa, existem vários tipos de estudos de casos; estudos exploratórios, descritivos ou explanatórios. Cada tipo de estudo tem as suas características específicas e, apesar de existirem sobreposições entre eles, ao escolher o caso deve prestar-se