4 Resultater
4.4 Utfordringer med inhalasjonsveiledning i praksis
Há quem defina o que é criança mediante uma diferenciação etária entre criança e adolescente, designando criança toda a pessoa até aos doze anos de idade completos.
Contudo e segundo Pinto e Sarmento, não existe um consenso em relação ao limite etário para se deixar de ser criança, sendo que os limites da infância encontram suporte para além do campo legal nas tradições culturais, “ser criança varia entre sociedades, culturas e comunidades, pode variar no interior da fatia de uma mesma família e varia de acordo com a estratificação social,“evariam” com a duração histórica e com a definição dominante em cada época” (in Andrade, 2010, p.54).
A conceção que é constituída sobre a infância é gerada socialmente e historicamente e os papéis desempenhados pelas crianças obedecem à organização social em que a criança está inserida (Henriques, 2009).Segundo o dicionário básico da língua portuguesa (1998), a infância é designada como o primeiro período da vida humana, o período de crescimento da criança que vai desde o nascimento até à puberdade. A criança é diferente de adulto/a sobretudo por não ter o mesmo nível de maturidade. Segundo Kramer (2007) citado por Rodrigues (2012), ao termos em conta o critério idade, observamos normalidades de condutas que representam a criança.
Relacionado com a idade e com o comportamento estão determinados papéis e desempenhos que se esperam que as crianças tenham, contudo estes variam de acordo com outras variáveis como por exemplo a classe social em que a criança se encontra inserida. A base socio económica da família influência fortemente o seu quotidiano e inserção social porque está na base da delimitação dos espaços de interação, das brincadeiras, das tarefas e das atividades em que a criança está envolvida. Como ser economicamente não produtivo necessita da ajuda de pessoas adultas ao nascer e no percorrer da infância e necessita de ser protegida, alimentada e estimulada. Para Rodrigues (2012) a infância na Europa Ocidental foi profundamente alterada entre o século XIII e XVII devido a alguns fatores, como por exemplo, a redefinição do papel da família. A preocupação com a infância só surgiu a partir do século XVII com o desenvolvimento da vida privada familiar, que levou à emergência da infância como grupo social, pois, a família era vista como um lugar em aberto, onde a intimidade da família era débil (idem).
O sentimento em relação à infância nem sempre foi igual ao longo dos tempos. A ideia de infância surge com a sociedade capitalista onde o papel social da criança é transformado.
Na sociedade feudal a criança era vista como depositária de um papel produtivo, porém na burguesia a criança era escolarizada e preparada para uma conduta futura (Rodrigues, 2009).
As alterações na estrutura da sociedade modificaram o conceito de infância e foi divulgada pelas classes dominantes a ideia de infância universal. Mais recentemente no século XX, a alteração da importância social da criança também foi muito acentuada bastando para tal recordar marcos como a Convenção sobre os Direitos da Criança em 1989, a proibição do trabalho infantil em 1973 e a luta contra a mortalidade infantil que depois de bem-sucedida no mundo ocidental passou a perfilar-se como um dos objetivos do milénio porque permanece um problema em países menos desenvolvidos.
Segundo Rodrigues, a valorização da criança no mundo ocidental moderno acarretou dois sentimentos que são duas disposições opostas. A primeira é ao que a autora chama de “paparicação”(Rodrigues, 2009, p. 15) dos adultos para com as crianças por considerarem a criança ingénua e espirituosa, a segundo relaciona-se com a moralização e a educação afável pelo indivíduo adulto, visto que a criança é encarada como um ser imperfeito e incompleto.
Existe assim um processo em que as crianças participam das relações sociais. As crianças procuram participar nessas relações sociais, pois essas relações são parte integrante do seu crescimento. Nessa relação os adultos possuem uma representação de imperfeito/inacabado das crianças, sendo essa característica da essência infantil e que leva o adulto a exercer uma dominação sobre a criança. Essa autoridade é social e reproduz as formas de autoridade de uma dada sociedade.
Outra interpretação é a de que a criança não é vista ainda como indivíduo social, usufruindo unicamente de um papel secundário nas relações sociais, onde o desenvolvimento da criança é visto como um desenvolvimento cultural segundo as hipóteses da criança, em vez de ser determinado pela origem social (Rodrigues,2009).
As conceções sobre o educar tradicional e a moderna detêm diferenças. Na tradicional, a essência da criança é diluída e a tarefa da educação é basicamente disciplinar e incutir regras à criança através da intervenção direta do adulto. A moderna concebeu a natureza da criança como inocente e a educação procura sobretudo auxiliar e proteger a natureza infantil, protegendo a sua autenticidade (idem). Ambas estas conceções se inscrevem nos chamados “velhos paradigmas da infância” onde predomina o paternalismo face a estas e a menoridade das mesmas (Sarmento, 2004). Estes paradigmas são ainda vigentes, mas coexistem com o novo paradigma da sociologia da infância em que a criança é considerada como ator social
com um possível papel interventivo na sociedade. Na vida quotidiana práticas dos diferentes paradigmas intersetam-se frequentemente e as condições sociais de existência das crianças são hoje bastante complexas (Sarmento, 2004; Fontes e Ferreira, 2008).
Segundo Saramago (1994) existe uma noção de infância importante de ser desmistificada e debatida, a ideia de que a infância não é parte integrante do trajeto social dos agentes e que as crianças são apenas atores sociais principiantes. Contrariamente esta autora defende que a análise da infância como uma trajetória social dos agentes é tão promissora como outros grupos sociais, como por exemplo, a juventude porque todas as trajetórias sociais dos agentes fortalecem um conjunto de relações sociais e de significados que vão gerar campos de afinidade, sendo que essas afinidades são geradas através de práticas comuns compartilhadas pelos agentes que estão presentes em determinados segmentos desse trajeto social.
Os atores sociais ao atuar geram representações e práticas a partir das suas particularidades, capacidades e possibilidades para essa intervenção, logo, o grupo infantil contêm um combinado complexo de práticas e representações que são exclusivas do trajeto social dos agentes e a sua não análise implica a perda de informação sobre os trajetos. Assim, Saramago compreende a infância como sendo relacional, dinâmica e interativa. A infância é edificada por um sistema complexo de relações; é um processo de construção social contínuo, sendo por isso considerado um processo dinâmico. A identidade é constantemente reedificada em todos os momentos dessa trajetória social dos agentes de forma flexível e simbolicamente ambígua, onde acontece uma administração e uma reconstituição distinta e contínua relativamente aos atributos identitários por parte dos atores, mediante a complexidade das situações sociais em que estão incluídos, é portanto, um processo plural, onde há uma pluralidade de identidades sociais, logo, não existe uma noção de identidade única e permanente, é também interativa, pois, em cada ação sucede-se um conjunto de atributos identitários que são fundamentados nos diferentes trajetos sociais introduzidos nos agentes e na posição que detêm na estrutura social, sendo que existem contextos de socialização e de sociabilidade.