4. Empiri og analyse
4.3 Utfordringer i lys av informasjonsoverflod
A Província Tocantins, localizada na região central do Brasil, constitui um conjunto de orógenos caracterizados por cinturões de dobras e empurrões denominados faixas Brasília, Paraguai e Araguaia, Arco Magmático de Goiás e correlatos, cujo desenvolvimento remonta às orogêneses do Pan-africano/Brasiliano, resultantes da convergência e colisão dos crátons Amazônico a oeste, São Francisco-Gongo a leste, e Paranapanema ao sul – atualmente encoberto pela Bacia do Paraná – (HASUI, 2012; PIMENTEL et al., 2011; VALERIANO et al., 2000, 2008).
A Faixa Brasília situa-se na porção oriental da Província Tocantins e na borda oeste do Cráton São Francisco (Fig. 1). Em geral, as unidades sedimentares e metassedimentares da Faixa Brasília apresentam deformação tectônica e metamorfismo progressivamente mais intensos e crescentes para oeste. O grau de metamorfismo varia de sedimentos com metamorfismo incipiente em área cratônica para metamorfismo de fácies anfibolito e/ou granulito na porção ocidental da faixa móvel.
No segmento sul da Faixa Brasília, a deformação e o metamorfismo associados são mais intensos. Neste segmento, os Grupos Araxá, Canastra, Ibiá e Vazante se envolveram em um sistema complexo e imbricado de nappes e empurrões indicando transporte tectônico de grande amplitude, na ordem de dezenas a centenas de quilômetros, o que faz com que as relações estratigráficas entre estas unidades de rocha e, até mesmo sua organização estratigráfica interna, sejam difíceis de serem desvendadas com exatidão (PIMENTEL et al., 2001).
Figura 1 - Domínios tectônicos e principais estruturas da Província Tocantins. Fonte: DELGADO et al., 2003, p. 283.
2.1.1 Grupo Canastra
O Grupo Canastra compreende uma importante unidade estratigráfica Mesoproterozoica gerada em ambiente marinho raso de plataforma, metamorfizado em baixo grau e afetado por zonas de empurrão (HASUI, 2012, p. 307). É constituído por associação de rochas metassedimentares típicas de margem passiva (DELGADO et al., 2003), com predominância de quartzitos e filitos e, subordinadamente rochas carbonáticas e carbonáceas, metamorfizadas em fácies xisto-verde (DARDENNE, 2000). Na porção indivisa do Grupo Canastra, há predominância de quartzitos, de coloração branca e granulação fina, com intercalações métricas locais de filitos sericíticos (CHÁVES et al., 2008), além de metarenitos, grafita-xistos, quartzo-xistos, filitos carbonosos, metassiltitos, metargilitos, metamargas, metacalcários e ardósias em menor escala (HASUI, 2012, p. 302).
A frequência crescente de quartzitos no topo desta unidade sugere um megaciclo regressivo. O transporte de sedimentos ocorreu de leste para oeste, o que sugere que as fontes crustais Paleoproterozoicas se originaram no Cráton São Francisco a NNE de suas áreas expostas atuais (PIMENTEL et al., 2001). O que segundo Pimentel et al. (2001) é compatível com a sugestão de que este grupo representa uma sequência de margem passiva formada após o rifteamento de uma massa continental (Rodínia?) em algum tempo entre 1,2-0,9 Ga.
O Mesoproterozoico foi uma era em que a massa continental existente se sujeitou a distensão, gerando riftes e formação de uma margem passiva na borda oeste do Cráton São Francisco, em que se deu a acumulação de pacotes sedimentares [...], que viriam a ser termotectonizados no Evento Brasiliano (RODRIGUES et al., 2010).
2.1.2 Grupo Araxá
Os metavulcanossedimentos Neoproterozoicos do Grupo Araxá são variados, com predominância de paragnaisses, xistos diversos (xistos granadíferos, xistos grafitosos, hornblenda-xistos, micaxistos, xistos feldspáticos, xistos ferruginosos, quartzo-xistos, talco- xistos, clorita-xistos), quartzitos e filitos, com intercalações subordinadas de anfibolitos, metaultrabasitos, metavulcânicas félsicas, formações ferríferas, metaconglomerados e metacarbonáticas (HASUI; HARALYI, 1991; HASUI, 2012).
A presença de rochas vulcânicas intercaladas aos metassedimentos do Grupo Araxá sugere que a crosta continental esteve em regime de distensão litosférica, mas que não chegou a formar crosta oceânica (VALERIANO; SIMÕES, 1997). O cavalgamento com vergência para o Cráton São Francisco e a rápida exumação desta unidade no segmento sul da Faixa Brasília preservou um gradiente metamórfico invertido de média a alta pressão, variando de fácies xisto-verde à transição de fácies anfibolito-granulito (PIMENTEL et al., 2011; VALERIANO et al., 2004; SEER et al., 2001, 2013). De acordo com Pimentel et al. (2001) e Piuzana et al. (2003), o Grupo Araxá apresenta padrões bimodais de idades indicando mistura de proveniência de fontes cratônicas Paleoproterozoicas e fontes juvenis Neoproterozoicas (Arco magmático de Goiás exposto na área mais a oeste da Faixa Brasília). Os sedimentos teriam sido depositados em ambiente marinho profundo e acumulados em bacia de retroarco e/ou antearco entre ca. 0,9-0,7 Ga, recebendo sedimentos de ambos os lados. Com o fechamento da bacia, estes sedimentos foram intercalados e misturados. Isto significa que parte deste grupo pode estar correlacionada com os sedimentos de margem passiva dos Grupos Canastra e Paranoá, mas apresentando outras partes mais jovens derivadas da erosão do Arco Magmático de Goiás.
2.1.3 Grupo Bambuí
O Grupo Bambuí é a principal unidade metassedimentar Neoproterozoica da Província Tocantins (PIMENTEL et al., 2011), sendo que suas características estruturais e tectônicas estão intrinsecamente relacionadas ao desenvolvimento e estruturação das faixas móveis Brasília e Araçuaí, situadas, respectivamente, nas bordas ocidental e oriental do Cráton São Francisco.
Os metassedimentos Neoproterozoicos do Grupo Bambuí constituem-se, essencialmente, por ardósias e rochas metacarbonáticas indicando que a região sofreu dobramentos localizados e empurrões, bem como, metamorfismo de fácies xisto-verde (HASUI; HARALYI, 1991). Metapelitos e rochas carbonáticas deste grupo complementam a sucessão regional de rochas pré-cambrianas (CHÁVES et al., 2008).
A sucessão de rochas deste grupo ocupa toda a porção mais a leste da Faixa Brasília e cobre extensas áreas do Cráton São Francisco, estendendo-se por cerca de 1000 km de extensão na direção norte-sul e por aproximadamente 400 km de largura na direção leste- oeste.
O ambiente deposicional, iniciado no Neoproterozoico – era marcada por intensa atividade tectônica, possibilitando o embaciamento de extensas áreas acolhedoras de pacotes sedimentares e vulcanossedimentares em bacia de antepaís, como resposta flexural ao soerguimento orogenético da Faixa Brasília (HASUI, 2012, p. 304) – evoluiu de glacial, litorâneo, supralitorâneo e de águas rasas de profundidades, no geral, crescentes para oeste, com posterior metamorfismo de incipiente a baixo grau e deformação de dobramentos e cavalgamentos com vergência para o Cráton São Francisco. A idade de deposição desta unidade é presumida como tendo se iniciado por volta de 900 Ma e se estendido até após 740
Ma (HASUI, 2012, p. 308). Nos limites externos, os estratos foram afetados pela deformação epidérmica que afetou as áreas marginais do Cráton do São Francisco durante a orogênese Brasiliana/Pan-africana (LIMA, 2011).
O Grupo Bambuí sobrepõe-se ao Grupo Paranoá, do qual é separado por incorformidade pelos diamictitos glaciais da Formação Jequitaí. Esta formação é constituída por uma associação de rochas (quartzito, granito, gnaisse, calcário, dolomita, siltito) de matriz argilosa e, subordinamente, lentes de siltito e arenitos arcoseanos (PIMENTEL et al., 2011). O término do episódio de glaciação foi determinante para o desenvolvimento de um ambiente marinho, no qual sucedeu a sedimentação pelítico-carbonática da base do Grupo Bambuí.