2. Konjunkturutviklingen i Norge
2.7. Utenriksøkonomi
O transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas para as escleroses múltipla e sistêmica trouxe possibilidades promissoras para o tratamento de muitas pessoas que sofrem com a progressão dessas enfermidades. O tratamento, ainda em estágio experimental, destrói as células do sistema imunológico responsáveis pela enfermidade, e as células-tronco transplantadas regeneram um sistema imunológico virgem. Esse novo repertório de células, na presença de autoantígenos, refaz a autotolerância imunológica, semelhante à encontrada na ontogenia normal do sistema imunológico durante o desenvolvimento fetal.
As células utilizadas no transplante, quando são do próprio paciente, são denominadas autólogas, e quando são de outra pessoa são consideradas alogênicas. Um dos maiores problemas que constitui a utilização de células alogênicas em terapias reside no alto índice de mortalidade decorrente à doença do enxerto versus hospedeiro, que se configura quando as células do doador, o enxerto, reagem contra o organismo do paciente, o hospedeiro. Essa doença pode ocorrer mesmo quando o doador das células para o transplante é um irmão ou irmã da pessoa transplantada.
O tratamento experimental com as células-tronco hematopoiéticas tem uma duração média de vinte dias e abrange três fases distintas: o pré-transplante, o transplante propriamente dito e o pós-transplante (OLIVEIRA-CARDOSO, 2009; MATIAS et al, 2011). A primeira fase é caracterizada pelo período no qual o paciente recebe explicações sobre o procedimento de que pretende participar, realiza exames necessários, é avaliado pela equipe ambulatorial e reflete sobre a decisão de participar, ou não, do ensaio clínico. Caso o paciente consinta em se voluntariar, deverá planejar e organizar sua vida pessoal focando sua atenção no tratamento. Para participar, o paciente necessariamente deve ter o acompanhamento de uma pessoa próxima para auxiliá-lo durante sua internação e durante sua recuperação fora do hospital.
54 Após passar por todas essas etapas, inicia-se a fase do transplante. Primeiramente, o paciente é internado por dois ou três dias para receber quimioterapia e, em seguida, passa por avaliações para a coleta das células-tronco. A obtenção de células-tronco hematopoiéticas para transplante, por um longo período, foi realizada por meio de múltiplas aspirações de medula óssea na crista ilíaca superior posterior, com o paciente submetido à anestesia peridural ou geral. Com o intuito de evitar o desconforto associado às múltiplas perfurações ósseas e à necessidade de aparatos cirúrgicos e anestésicos, uma nova forma de coleta das células ganhou destaque, em que o método passou a obter as células no sangue periférico por meio de leucoaférese9. Em condições normais, o número de células-tronco encontradas no sangue periférico é irrisório. No entanto, quando utilizado um fator de crescimento hematopoiético, ou um quimioterápico, consegue-se mobilizar as células-tronco para o sangue periférico e realizar a coleta. As vantagens desse tipo de obtenção de células em comparação com as aspirações de medula óssea consistem no rápido restabelecimento da hematopoese e em evitar o trauma pélvico. Após a coleta das células-tronco por via periférica, estas são selecionadas, congeladas e armazenadas para que, no momento certo, o paciente possa recebê-las novamente. Cabe destacar que uma aspiração de medula óssea subsequente poderá ser necessária caso haja necessidade de suplementar o número de células-tronco colhidas perifericamente.
A etapa seguinte constitui o período de aplasia10 medular, em que há uma indução à imunossupressão11, por meio de altas doses de quimioterapia. Esse procedimento, ao mesmo tempo em que promove a destruição das células do sistema imunológico responsáveis pela enfermidade, diminui a capacidade do paciente de combater infecções e doenças, porquanto a imunidade se reduz a zero. Essa fase pode durar de cinco a seis dias e acarretar efeitos colaterais como vômitos, náuseas, queda dos cabelos, febre, diarreia e sangramento. É chegado o momento do transplante das células-tronco que foram coletadas, selecionadas e congeladas na etapa anterior e, nos dias posteriores ao enxerto das células-tronco. Devido ao fato do paciente estar com a
9 Leucoaférese consiste em uma espécie de diálise pela qual se dá a separação das células brancas e vermelhas do sangue.
10 A aplasia faz com que a medula não produza suficientemente as células do sangue,
provocando problemas como a anemia e infecções graves.
11 Imunossupressão consiste no enfraquecimento da resposta imunológica de uma pessoa, obtida mediante recursos artificiais como irradiação e substâncias diversas.
55 imunidade muito baixa, e suscetível a infecções por falta de glóbulos brancos, é necessário que seja mantido em rigoroso regime de isolamento protetor, até que sua medula volte a produzir todas as células sanguíneas normalmente, o que ocorrerá entre dez e doze dias.
O tratamento é finalizado com a fase pós-transplante, caracterizada pela alta hospitalar, quando o procedimento realizado demonstra-se satisfatório e não apresenta complicações decorrentes do transplante. Cabe apontar que, após a alta, o paciente é monitorado por meio de exames periódicos (OLIVEIRA-CARDOSO, 2009; MATIAS et al, 2011).
É relevante destacar que, para justificar qualquer novo tratamento, como o transplante de células-tronco hematopoiéticas, o risco de morte pela doença deve superar o risco esperado com o tratamento. Também é necessário lembrar que, embora o transplante de células-tronco para as escleroses múltipla e sistêmica tenha trazido novas possibilidades terapêuticas para muitas pessoas que sofrem com a progressão dessas enfermidades, há riscos consideráveis de morbimortalidade presentes no procedimento, tendo em vista que no tratamento o paciente terá seu sistema imuno-hematopoético destruído, ficará suscetível a infecções e sangramentos, até que ocorra a enxertia das células. Sem contar que é esperado que uma pequena parcela dos pacientes faleça em decorrência de complicações diretamente ligadas ao transplante. Somadas a tudo isso, ainda podem ocorrer complicações relacionadas ao enxerto das células incluindo infecções, sangramento, doença hepática veno-oclusiva e falha de enxertia.
Desse modo, ressalta-se que um ensaio clínico não consiste em uma terapia consolidada, ainda está passando por um processo formal de testes clínicos e, como teste, pode demonstrar, ou não, ser eficaz e seguro.
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