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Utdanningssystem og IKT- utdanningenes innpasning i dette

3 Danmark

3.1 Utdanningssystem og IKT- utdanningenes innpasning i dette

Após tecermos algumas considerações sobre as principais configurações do Polo de Confecções do Agreste Pernambucano, em que procuramos dar um enfoque maior ao município de Toritama, iremos, nesse momento, buscar abordar alguns elementos que poderão contribuir para a compreensão da constituição deste Polo e a sua inserção na dinâmica capitalista.

Conforme foi observado, o surgimento das primeiras unidades produtivas que posteriormente conformaram o Polo de Confecções do Agreste de Pernambuco, não se constituiu vinculado diretamente à dinâmica capitalista, mas foi se entrelaçando com esta à medida que foi se desenvolvendo. O início desta atividade basicamente se configura num cenário de tentativas a saídas de um quadro de pobreza e desolação, em que homens e mulheres, em sua maioria da zona rural, em meio às dificuldades de sobrevivência e a partir de iniciativas individuais e pontuais, partiram para a produção artesanal de pequenas peças de vestuários e de utilidades domésticas para vender nas feiras locais existentes, tendo como aporte apenas a mão-de-obra familiar. Eram confecções bastante simples feitas com alguns retalhos conseguidos em meio aos restos da produção têxtil de Recife e costurados com máquina de costuras manuais de uso doméstico. Portanto, seu surgimento só foi possível devido à criatividade e à persistência, estimuladas pela tenaz luta cotidiana pela sobrevivência em meio a condições adversas, refletindo assim um caráter empreendedor desses indivíduos, que lhes possibilitou progressivamente ter acesso a um padrão de consumo diferenciado, bem como inserir-se em uma dinâmica propriamente capitalista, conforme afirmou Véras de Oliveira (2011a).

Assim, um dos primeiros pontos a se observar em relação às dinâmicas que envolveram a constituição deste Polo consiste na conversão de grande parte de sua população rural em urbana, construindo assim uma nova frente social e econômica diversa da até então existente, mas impregnada de hábitos e costumes locais e rurais, como a naturalização do trabalho familiar na busca pela sobrevivência do conjunto da família. Assim, a articulação entre o rural e o urbano se estabeleceu e se reafirmou sob complexas relações, que envolvem as novas atividades referidas ao segmento de confecções e as antigas atividades historicamente inseridas na dinâmica da agricultura

142 de subsistência, conforme abordou Bezerra (2011). Agregando elementos a essa discussão, Véras de Oliveira (2011a) afirma que:

A constituição do Pólo se fez, assim, sob uma dinâmica relação entre o rural e o urbano. De um lado, é flagrante a intensa urbanização sofrida pelas principais cidades do Pólo, resultante da concentração de populações vindas das áreas rurais e urbanas do entorno e de outras regiões, assim como oriundas dos fluxos migratórios de retorno do Sudeste - e de atividades produtivas, comerciais e de serviços, sobretudo referidas às confecções, mas também relacionadas com outros setores da economia, atraídas pelas novas oportunidades criadas. Por outro lado, particularmente a ampla disseminação da prática do trabalho faccionado e domiciliar possibilitou em parte a preservação dos espaços rurais, ao mesmo tempo em que colocou sob novos padrões suas conexões com o espaço urbano (VÉRAS DE OLIVEIRA, 2011a, p.37).

Embora as primeiras iniciativas da formação deste Polo tenha se dado em meados do século XX, período no qual as políticas de desenvolvimento industrial no Brasil estavam se voltando para o Nordeste através de ações vinculadas a SUDENE, quando se priorizou o grande capital como principal mecanismo para proporcionar a integração entre esta região e as regiões mais desenvolvida do país, este não se beneficiou dessas ações. Tampouco obteve vantagens em meio à guerra fiscal que se instaurou entre os estados nordestinos na década de 1990, após o esgotamento da política de industrialização regional conduzida por intermédio da SUDENE, conforme enfatizou Lima (2002).

Deve-se ainda levar em consideração que a região onde este polo se desenvolveu não se configurava como uma região metropolitana, que poderia oferecer certos benefícios a um desenvolvimento industrial, mas se formou numa região marcada por municípios, a princípio, de pequeno porte, num cenário de pobreza e devastação em meio às secas contínuas, onde a principal atividade econômica desenvolvida estava voltada para a agropecuária e para a agricultura de subsistência, como toda região do semiárido nordestino. Portanto, a partir de iniciativas individuais, sem a intervenção de qualquer política pública, este Polo vai se conformando, conforme abordou Cabral (2007):

A formação do aglomerado se deu de forma autônoma, sem que, pelo menos diretamente, em sua trajetória, houvesse intervenções de políticas públicas determinantes [...] Personagens pioneiros, no município de Santa Cruz do Capibaribe, ajudaram a construir um novo território, com novos significados sociais, econômicos e políticos, numa área que, a principio, de outra forma estaria condenada à estagnação, como ocorre com a maioria dos municípios do semi-árido nordestino (CABRAL, 2007, p. 234).

143 Em consonância com esta colocação, Véras de Oliveira (2011a) comenta que:

O Polo não foi senão resultado da ação “espontânea”, “autônoma”, de

homens e mulheres habitantes da região, movidos pela necessidade de buscar alternativas às adversas condições de trabalho e de vida a que sempre estiveram submetidos. Com o seu desenvolvimento, no entanto, foi estabelecendo conexões com os mercados capitalistas (na venda de produtos, na compra de insumos, na busca de crédito, na demanda por serviços diversos etc.) e, consequentemente, com as dinâmicas de acumulação de capital, em suas diversas escalas de realização. Ao mesmo tempo, vem crescendo o envolvimento de instituições públicas e privadas, dotando o Polo de processos mais sofisticados de interações internas e externas (VÉRAS DE OLIVEIRA, 2011a, p. 31).

Portanto, podemos perceber que mesmo este Polo tendo originalmente se formado através de experiências dos habitantes locais na luta pela subsistência e na busca por uma inserção no trabalho, o mesmo não se eximiu, ao longo de sua trajetória, de aderir aos impulsos de modernização e racionalização, o que proporcionou transformações em seu ambiente social e produtivo, indo em direção a uma articulação cada vez maior com a dinâmica capitalista.

Observando o Polo sobre este prisma, sobressai a importância de analisá-lo, considerando, portanto, como uma experiência que se constituiu pelo menos na sua

origem nos “interstícios não ocupados pelas formas de organização da produção capitalista”, mas que estão, potencialmente ou efetivamente, a sofrer contínuos

deslocamentos pela ação dessas últimas (CACCIAMALI, 1982, p.26). Nesse sentido, ao longo de seu desenvolvimento, o setor informal característico do início deste Polo foi sendo destruído, criado e recriado, seguindo uma lógica própria de expansão, inserindo- se em moldes capitalistas.

Concordamos, assim, com Véras de Oliveira (2011a) ao afirmar que “sob as condições iniciais da constituição deste Polo, não haveria acumulação”. Apenas

quando este passa a se submeter a uma relação redefinidora junto à dinâmica capitalista, consegue, portanto, partir para um processo efetivamente de acumulação de capital.

À medida que este Polo foi se afirmando como oportunidade de trabalho, de consumo e de investimento, ao longo de sua trajetória, verificou-se que este possibilitou uma crescente diferenciação entre as unidades já estabelecidas, tanto no setor produtivo quanto no comércio e serviços (no que se refere à magnitude dos mercados alcançados, ao tamanho e composição das unidades produtivas e comerciais, ao montante de recursos mobilizados, ao número de trabalhadores envolvidos, ao processo de

144 assalariamento, entre outros); assim como uma diversificação crescente e aperfeiçoamento da qualidade dos produtos ofertados, com o intuito de atender a públicos mais diversos, mais exigentes (VÉRAS DE OLIVEIRA, 2011a).

Embora não se tenha dados estatísticos específicos sobre a realidade deste Polo, além da pesquisa coordenada por Raposo e Gomes (2003), as diversas investigações que se delinearam ao longo das últimas décadas pelos estudiosos deste Polo têm indicado a forte tendência de crescimento e expansão de suas atividades comerciais e produtivas, conforme também confirmamos em nossa pesquisa de campo, através dos relatos e da observação.

Este crescimento torna-se perceptível ao verificarmos a quantidade de novas unidades produtivas que surgem a cada momento, espalhando-se ao longo de suas áreas urbanas e também rurais, bem como através das conexões que se estabelecem entre a produção e a venda de seus produtos para outros mercados, o que tem impulsionado uma sensível alteração dos padrões do produto final, com agregação de valor e melhoria da qualidade, instituindo algumas estratégias de venda que vão além das vendas nas feiras locais. Assim, foram utilizando novos mecanismos de comunicação46 para atingir públicos cada vez mais distantes, inserindo-se numa dinâmica mais globalizada e também se submetendo a uma concorrência mais global, além de estarem formando parcerias que não se limitam ao espaço geográfico, conforme foi relatado por alguns empresários locais. É nesse contexto de “inovação informacionais e tecnológicas”, que segundo Castells (2006):

A tecnologia da informação possibilita a recuperação descentralizada dessas informações e sua integração simultânea em um sistema flexível de elaboração e estratégias. Essa estrutura internacional permite que pequenas e médias empresas se unam a empresas maiores, formando redes capazes de inovar e adaptar-se constantemente. [...] As informações circulam pelas redes: redes entre empresas, redes dentro de empresas, redes pessoais e redes de computadores. As novas tecnologias de informação são decisivas para que esse modelo flexível e adaptável realmente funcione. (CASTELLS, 2006, p. 222-223)

Por outro lado, também vem se destacando a compra de insumos como: máquinas, equipamentos, tecidos, aviamentos, bem como conhecimento técnico especializado, em outros mercados regionais, nacional e internacional, conforme abordou Véras de Oliveira (2011a).

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Principalmente com o uso da internet, onde as empresas um pouco mais estruturadas abrem sites para a divulgação de seus produtos.

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A convergência da trajetória do Pólo em direção à dinâmica capitalista foi, no entanto, acontecendo a partir da associação desses processos endógenos com outros exógenos, desencadeados por uma cada vez mais intrincada relação do primeiro frente aos segmentos que constituem a cadeia produtiva têxtil e de confecções, assim como frente aos setores que com esta tem interfaces (a exemplo dos fornecedores de máquinas e equipamentos). Tais vínculos foram se estabelecendo por meio das relações com fornecedores de matérias-primas e de equipamentos, com grandes compradores, com prestadores de serviços nas áreas de técnica de produção, de gestão, de marketing, com instituições de crédito etc. (VÉRAS DE OLIVEIRA, 2011a, p. 52)

Assim, cada vez mais o Polo tem se imbricado na dinâmica do capitalismo globalizado, adaptando formas de acumulação flexíveis às condições de produção e comercialização locais, portanto, interferindo e sendo interferido nesse processo, onde o local e o global acabam se complementando, gerando um contexto novo de relações sociais e produtivas (SANTOS, 2000; SANTOS, 2005, IANNI, 2006); principalmente quando nos referimos a uma realidade singular como a do Polo do Agreste Pernambucano, que em meio a relações complexas possibilita a combinação contraditória e integrada de práticas visivelmente informais com as atuais inovações técnicas informacionais, organizacionais e de infraestrutura.

O caráter contraditório desta relação se revela à medida que as atividades informais ao mesmo tempo em que têm proporcionado a dinâmica deste polo, também têm se configurado como entrave a sua inserção na lógica propriamente capitalista, conforme abordou Véras de Oliveira (2011a):

A persistência da informalidade, como um elemento característico da dinâmica do Polo, se, por um lado, tem facilitado a reprodução dos empreendimentos, de diversos portes, assim como tem propiciado o surgimento de um circuito superior, cuja dinâmica se orienta para a acumulação, por outro lado, vem inibindo uma incorporação mais ampla dos empreendimentos locais à dinâmica capitalista. (VERAS DE OLIVEIRA, 2011a, 54)

Outro elemento caracterizador dessa contradição está relacionado à imbricação de estratégias de sobrevivência, com base no trabalho informal, com discursos e procedimentos tipicamente empresariais, conforme abordou Pereira Neto (2001). Todavia a maioria dos estabelecimentos de porte menor apresentam dificuldades de

incorporarem posturas mais racionais, concernentes à “cultura capitalista”, formulando

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e na visão de futuro do empresário, inexistindo procedimentos formais e sistemáticos

para esse fim.” (LUCENA e OLIVEIRA, 2006, p.07)

Contribuindo com essa discussão, Véras de Oliveira (2011a) afirma que:

A disseminação de elementos da cultura capitalista na dinâmica do Pólo, se esboça (embora com limites e contradições) quanto à adoção de práticas de organização e gestão das atividades produtivas e comerciais, também se manifestam (e de modo bastante presente) quanto à incorporação de padrões de consumo tipicamente capitalistas. As atividades do Pólo, na medida em que se constituem em um segmento da indústria da moda, fomentam e se beneficiam da difusão de tais padrões comportamentais. Com isso, suscitam, entre empreendedores de diversos portes, mas também entre os trabalhadores (enquanto criadores e, sobretudo, reprodutores de tendências da moda - em muito, ditadas pela grande mídia), assim como entre os consumidores

(“sacoleiros” e outros tipos), a incorporação dos valores que lhes são próprios

(de uma cultura capitalista/consumista) (VERAS DE OLIVERIA, 2011a, p.56).

Portanto, podemos reafirmar, acostada nas diversas pesquisas já realizadas sobre o Polo de Confecções do Agreste e em nossa inserção naquele universo, que este Polo a cada dia tem se imbricado com a dinâmica de acumulação capitalista não só local mas global, embora que de forma contraditória e tortuosa, conforme comentou Véras de Oliveira (2011a, p. 58), desde os momentos iniciais de seu desenvolvimento, à medida que foi se estabelecendo, “monetarizando-se, mecanizando-se, expandindo-se e se

articulando com a cadeia produtiva têxtil e de confecções”, possibilitando a formação de “vínculos com o sistema bancário, integrando novas tecnologias, novas práticas de

gestão, novas estratégias de marketing,” gerando “novos espaços comerciais” bem como utilizando-se de “novos instrumentos de venda (como o cartão de crédito)”,

associando “um importante processo de diferenciação interna (nas atividades produtiva,

comercial e de serviços)”. Todos esses elementos têm respaldado a concentração/acumulação de capital, neste Polo, favorecendo a inserção de padrões de consumo mais gerais em suas marcas e modelos, disseminados massivamente através da

“nova cultura capitalista globalizada”.

Embora esse Polo não se constitua como um dos centros mais dinâmicos da economia brasileira, tampouco se configure através de utilização de processos produtivos e organizacionais mais modernos, mas ao contrário, está localizado em uma região periférica e estabelecido sobre características que o assemelha muito mais com o

“atraso”, tem apresentado nexos expressivos com a nova dinâmica da acumulação

147 neste item, além de apresentar questões instigantes sobre as condições do trabalho atual e suas relações. É, portanto, nesse sentido que nós mergulhamos a investigar as configurações do trabalho a domicílio em Toritama, discussão esta que trazemos nos capítulos 4 e 5 desta tese. Antes, porém, no capítulo seguinte estaremos abordando alguns aspectos teóricos sobre o trabalho, trabalho a domicílio e família, perpassando pelas questões das relações de gênero que se configuram neste universo, a fim de podermos assim dar sustentabilidade a nossa análise posterior.

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CAPÍTULO 3

TRABALHO E FAMÍLIA NO CONTEXTO DA PRODUÇÃO DOMICILIAR

A discussão teórica que envolve o trabalho como atividade fundante do ser social não se configura uma temática nova, encontrando-se entre as principais obras dos clássicos da sociologia. Entretanto, atualmente, frente às transformações ocorridas em meio às inovações tecnológicas, organizacionais e o crescimento do desemprego, este debate tem tomado novas proporções. Estas mudanças têm levado alguns autores a questionarem a centralidade da categoria trabalho no pensamento social, contudo, este posicionamento não é unânime, pois mesmo em meio a essas transformações por que ele vem passando nos tempos atuais, outros estudiosos vêm salientando o quanto o trabalho continua sendo uma categoria central na vida social dos sujeitos.

No itinerário bibliográfico que seguimos para a construção deste trabalho e para a interlocução que estabelecemos, sobretudo com pesquisadores da sociologia do trabalho no Brasil, cada vez mais fomos encontrando elementos que nos levaram a reafirmar a pertinência da segunda perspectiva para o entendimento da realidade que procuramos estudar.

Neste capítulo, buscamos trazer alguns posicionamentos teóricos que consideramos relevantes sobre o debate acerca da relação existente entre trabalho, família, e relações de gênero, no contexto da produção domiciliar. Com esse intuito, neste primeiro item, resgatamos algumas perspectivas sobre a categoria trabalho entre os teóricos clássicos da sociologia, salientando seu papel estruturante na sociedade, procurando focar nosso olhar sobre suas contribuições para o entendimento das transformações vividas no mundo do trabalho contemporâneo.

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