5 Presentasjon og drøfting av informantenes forståelse
5.1 Utagerende atferd
88 Datada de 9/2/1875, carta de Pio IX sela acordo com o imperador pela soltura dos bispos
comprometendo-se ao levantamento dos interditos contra as irmandades e demais contatos via fio transatlântico (Costa: 1886, 246-248) p
89 RAIOL, Domingos Antonio, barão de Guajará (1900): "Catechese de Indios do Pаrá" in ABAPPtomo
II, pp. 117-183.
90 Padre Júlio Maria desde o império advoga a causa da Santa Sé e da Igreja brasileira, na reública
persiste na caminhada de reformar a igreja e colocá-la em acordo com o novo regime. Não há inovação no diagnóstico da situação do clero e do modo de vivenciar a religião, o descalabro e assombro são próprios de uma formação deficitária do clero, mas não perde a perspectiva de tornar o catolicismo uma religião de sacramento, mesmo sobrevindo às devoções. Religião Católica. Associação Do Quarto Centenário Do Descobrimento Do Brasil. Livro Do Centenário (1500-1900). Vol. I. Rio De Janeiro, Imprensa Nacional, 1901
Seria justo falar em um liberalismo católico? Talvez pudéssemos propor um meio termo entre liberalismo e catolicismo. A hierarquia católica do século XIX era capaz de sacrificar os projetos de retorno ao passado, à idade de ouro quando esta podia projetar o destino humano, mas não a ventura humana como proclamava os livres pensadores. MIRARI VOS ARBITRAMUS é de 183491, primeira encíclica do Papa Gregório XVI no qual declara
inequivocamente que a igreja é contra o liberalismo, discriminando seu caráter ateu, panteísta e racionalista, apoiado numa longa tradição que confirmava na economia moral os direitos e deveres de todos, segundo os princípios de equidade subjacente a harmonia perpetrada na história dos homens desde que deus assim entendeu. Querer pois desestabilizar a ordem natural, o que significa dizer o direito natural em nome de uma economia política fundada nas relações de oferta e procura como forças invisíveis de oferta e procura, mais precisamente reguladas pelo bem comum, que não tem nome, é mera abstração, incontrolável pela instituição encarregada por deus para arbitrar as boas e más filosofias, por isso não pode merecer a chancela positiva da igreja.
A promoção do terceiro estado não podia ser desconsiderada, cada vez mais homens enriquecidos gostariam de ver reconhecidos seus valores matérias e espirituais, entretanto, a sociedade tradicional não era nada afeita à promoção ou mobilidade social aceitando a permanência da sociedade de ordens tal como estava prescrita. Este mecanismo de defesa também será emblemático na igreja da reação à revolução burguesa. Desconsiderando a desestruturação empreendida pelas novas forças sociais, a hierarquia da igreja lança mão de suas interdições para tentar bloquear o contágio promovido pela filosofia da ilustração em suas hostes.
Desde a renascença as sociedades secretas irão proliferar em grande profusão, elas se encarregavam de difundir a cultura humanística e a suscitar o desejo pela investigação e sabedoria; mas a inquisição tornou muito perigosa esse tipo de associação, fazendo com que
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Esta carta é na verdade todo o fundamento da igreja do século XIX, nela constam os tópicos contra os quais a igreja repele a modernidade, a ilustração e o século, síntese rica de Gregório XVI comunicada a seu sucessor “ Encíclica MIRARI VOS a todos os Patriarcas, Primazes, Arcebispos e Bispos do Orbe Católico, sobre os principais erros [até 1832] ... A Rebelião dos ímpios, causa de seu silêncio; Imutabilidade da doutrina e disciplina da Igreja; Defesa do celibato clerical; Caracteres do matrimónio cristão; Condenação do indiferentismo religioso; Delírio da liberdade de consciência; Monstruosidade da liberdade de imprensa; Condenação da rebeldia contra as legítimas autoridades; Males da separação da Igreja e do Estado; Liberdade do mal que certas associações aprego; O remédio desses males está na palavra de Deus; Os governantes devem auxiliar a Igreja; Esperança em Maria- Dada em Roma, em Santa Maria Maior, dia da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria, 14 de Agosto do ano do Senhor de 1832, segundo de Nosso Pontificado. Gregório XVI, Papa.
elas entrassem numa profunda clandestinidade graças à atmosfera de desconfiança instalada pelo clima de perseguição às heresias religiosas ou aos descobrimentos científicos que desqualificavam o saber difundido pela doutrina da igreja e estavam sendo comprovadas pelas grandes navegações, observações astronômicas, fisiológicas e anatômicas, nos seus campos respectivos. Na virada do século XVIII ao XIX as sociedades secretas ainda reúnem em sua volta o mito de conspiração sobretudo quando associados aos processos de revoltas de independência e unificação dos estados, particularmente, a maçonaria. Se rosas cruzes, templários, ou carbonarios, clubes republicanos como a jovem Itália, jovem Polônia, ou jovem Hungria podiam ser acusados de rebeldes a influencia da igreja92, esta não podia mais fazer uma sanção prática como a perseguição desses grupos, pois fora desprovida de organismos dotados de recursos específicos para esse fim, restando fazer a recusa moral pelas opções empreendidas por tais.
O culto ao senhor do universo era visto como uma opção aberta contra a crença divina alardeada pelo catolicismo, sem contar com difusão de práticas e rituais de sacrifícios de animais associados aos, sabat eram veiculados, como portadores de doutrinas demoníacas como estava estabelecida nos manuais de demonologia, devendo o crente católico afastar-se desse covil sob pena de entregar sua alma a danação eterna, velho anátema para um romântico desiludido com a doutrina cristã diante das expectativas de plena satisfação anunciadas com a redenção da revolução industrial que se fazia sentir desde sua aurora entre as classes burguesas ou em vias de aburguesamento. O pensamento liberal tinha na busca da felicidade um princípio que fizera descer a terra o horizonte de expectativas, não mais seria preciso esperar a redenção nos céus, ainda na terra se poderia conquistar uma salvação material contra a miséria material e espiritual sob o signo da liberdade de empreender e investigar. Desse modo, muitos católicos puderam trasladar ao campo liberal sem necessariamente terem de abandonar a batina, mas tendo de justificar muitas de suas composições para não serem lançados à apostasia93. Nem
sempre deu certo. A hierarquia da igreja foi muito intolerante com aqueles que ela julgou estarem de fato fora de qualquer dos parâmetros estabelecidos por esta para estabelecer a interlocução com o campo liberal. Para por termo a contenda, a liderança da igreja optou por centralizar o clero ao régio governo de Roma, sobretudo nas questões espirituais, enquanto no plano material haveria várias indeterminações de como se devia proceder.
92Marx, Karl E Engels, Friedrich, Manifesto do Partido Comunista – 1848.
http://www.culturabrasil.org/manifestocomunista.htm. HOBSBAWM,Eric. A Era do Capital (1848- 1875). São Paulo: Paz e Terra, 1982, p.46.
93 Os padre Arraes, Guilherme Dias, Albuquerque e Eutichio foram castigados por D. Macedo por não
desobedecerem ao bispo ao não se afastar da maçonaria e continuarem defender suas convicções em Liberal do Pará (Costa: 1888,. 286).
A diversidade de processos nos paises demonstrava a impossibilidade prática de um único modelo, eis que se arvora o modelo diocesano como uma mediação concreta para efetivação da multiplicidade de arranjos entre estado e igreja monitorados pela intervenção das nunciaturas, sem deixar os antitestes a sua própria mercê, ao mesmo tempo confiando no controle exercido pela reforma espiritual em execução na igreja com a centralização política. Mas para isso era preciso convencer, uma vez vencida a oposição a já mencionada centralização política, que é também dogmaticamente espiritual, era preciso cuidar do campo de semeio bem como as sementes, mas isso não seria efetivo se não considerassem a atenção com os semeadores. Apontá-los como liberais ou modernos foi uma das formas da hierarquia católica identificada com esse projeto de centralização para esvaziar a legitimidade dos discursos e praticas de clérigos, sobretudo, mas não só estes; todos que consideram a validade do liberalismo são acusados de fomentarem condições para o secularismo avançar e derreter a segurança oferecida pela cultura religiosa católica. Desse modo são conjugadas ações de controle e combate com alguns flertes com a cultura moderna como, por exemplo, a noção de prosperidade já salientada com a concentração de riqueza advinda da revolução industrial.
A atitude dos bispos que se colocaram contra ao decreto da infalibilidade papal têm sido apontada como um prenúncio da cultura liberal agindo contra o interesse da igreja. Ao lado dessa interpretação podemos compreender também a elasticidade da significação que atribuo a cultura católica ao tornar possível a convivência com diferentes modos de experimentar não só a religião mas também o século94. Opção pelo conservadorismo apregoado pelos adversários da igreja não se ajusta de modo harmônico, e na longa trajetória da igreja, a composição de um mosaico bastante complexo de diferentes experiências do catolicismo numa mesma convivência religiosa lhe servia de substrato para confiar na lenta absorção das formas de aparência mais radical como, por exemplo, é o caso das ondas místicas recorrentes.
Sem necessariamente deixar de temer ao liberalismo, havia ao lado da igreja uma razoável prova de sua capacidade de direção ao subordinar formas rebeldes como as ordens mendicantes sem dispensar seu modo de experimentar a religião, bem como de atrair para sua área de influencia aqueles tocados por esse modo de ser católico. Somente uma história de longa duração pode conferir inteligibilidade à igreja católica, pois se ela não tinha total segurança quanto ao sucesso de sua operação contra a modernidade, podia ao menos se fiar na construção de um campo católico capaz de interpor uma barreira à avalanche que ameaçava desfigurar a organização social e espiritual. Todos têm sua importância, entrementes, sobre o clero tenha recaído a tarefa de organizar, selecionar e preservar a si das influencias do século.
94 D. Macedo Costa enviou 84 volumes de diferentes ―obras (...) e scientificas‖, sem especificar, para
fazerem parte da biblioteca publica que pretendia fundar em Belém. CÓDICE 1439. OFICIOS AS AUTORIDADES DO BISPADO. APEP.
Ignácio Dullinger, cônego suíço-alemão, bastião teórico da negação do poder infalível do papa junto a Stroyssmayer95, Ketteler96, Hefele97, Dupanloup98 lideraram o protesto contra a
aprovação da infalibilidade papal, até na imprensa ressoaram seus clamores por uma organização mais piedosa da igreja contando com o convencimento e subordinação do clero à hierarquia, aproveitando-se da fragilidade das instituições do estado em busca de legitimação concorrendo coma a força moral e espiritual da igreja seria suficiente para selar os compromissos de reforma material sem as turbulências vivenciadas com as revoluções. Esta não foi a opção seguida. Ao decretar a infalibilidade papal, o núcleo da santa Sé quer demonstrar a superioridade de sua condição frente aos seus irmãos apóstolos dos quais necessita para empregar seu programa de retorno à Idade de Ouro do catolicismo. Os vários bispos contrários ao uso da infalibilidade não eram tão somente por acentuar a questão do poder de elevar a condição de dogmas um corpo de crença eleita pelo núcleo da santa Sé, na pratica implicava no esvaziamento da cátedra dos outros prelados, forçando-os a submissão. Preferiam os bispos uma abordagem diacrônica sobre a modernidade de modo a descobrir e cobrir diferentes religiosidades do supracatolicismo na sua forma mais universal, sem necessariamente render-se ao liberalismo ou as formas proscritas por Pio IX nos Erros do Secularismo como: ateísmo, racionalismo, materialismo, panteísmo, tradicionalismo e outros. Conjugar diferentes experiências católicas estava na pauta da hierarquia, e ausência de consenso fica patente na ausência de 57 bispos a aprovação final do Concílio Vaticano sobre essa matéria99. Determinada
a cátedra prima de Roma, fica reservado ao papa o direito de exceder em termos de ensinamento
95 Na revista católica de grande circulação no Brasil a referencia a Srosstmayer reconhece sua negativa
quanto a aprovação do decreto de infalibilidade papal, mas somente quanto da oportunidade dessa confirmação e não uma oposição doutrinária propriamente. Sua recusa diz respeito ao trabalho de aproximação empreendido por este com as igrejas católicas do oriente poderia ser um óbice ao intento do Bispo na Eslovênia, mas posteriormente entra em consonância com a igreja, contudo seu discurso no próprio concílio de 2/6/1870 atesta quão grave era contenda. (Pergunte e Responderemos. Mar, 2002, 477).
96 SACK, Pe Juan Carlos. Apostolado Veritatis Splendor: O "Discurso anti-Infalibilidade do Papa"do bispo Strossmayer. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/3133. Desde 22/11/2004.
97 Martina, Giacomo. História da Igreja: De Lutero aos nossos dias.III. São Paulo: Loyola, 1996 p.255-
281.
98Alberigo, Giuseppe. História dos Concílios Ecumênicos. São Paulo: Paulus, 1995 - 2ª ed
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Anti-infabilistas: Darboy de Paris, Dupanloup de Orleans, Kettler de Maguncia, Hefele de Rottenburg, Dinkel de Augsburgo, Schwarzenberg de Praga, Rauscher de Viena, Strossmayer de Dyákovo em Eslovênia, Kenrick de Saint Louis; Infabilistas: Dechamps de Malina, Maning de Westmisnter, Pio de Poitiers, Martin de Parderborn, Senestrey de Rastibona, Grasssen de Brixen. Almeida, Tito Franco de. A Igreja no Estado: estudo político-religioso. Rio de Janeiro: Typographia Perseverança; Marinho, Joaquim Saldanha, A Egreja e o estado / Ganganelli Rio de Janeiro : Typ. Imp. et Const. de J. C. Villeneuve, 1873.
de religião inclusive aos seus pares, impedindo a estes formarem pontes por demais autônomas em relação à coluna vertebral da igreja confiada ao trono absolutista de Pedro.100
O PAPA-REI101 era uma realidade efetiva na Itália do século XIX, as funções de chefia do estado não eram meramente protocolares, com a assistência de ritos cerimoniais e fluxogramas da igreja, esta era antes de tudo uma prática comum da sagração do poder político já bastante difundido desde da ratificação do absolutismo. Sobre seu cetro e coroa respeitava a pena de morte e vida para seus súditos, a cobrança de impostos, a manutenção da segurança, o controle da migração, em suma, tarefas de governo que chegavam mesmo ao clímax com a aviltação da paz ou da guerra. Ação de estado tinha a igreja com todos os outros estados, aquela altura as nunciaturas faziam a representação diplomática na salvaguarda dos interesses da igreja fossem de natureza econômica ou política.
Nem em Roma, a igreja acompanha os passos da revolução, as concessões políticas aos liberais não era algo que permitisse a igreja tergiversar quanto as possíveis alianças com aqueles que delimitavam e testemunhavam um ultimato ao modelo de religião oficial do estado. Tal como em outros paises em que ainda permanecia essa instituição da união, o estado italiano recentemente entronizado defrontava-se com a demanda de ter de responder ao fogo da igreja, mas não só no território da Península Itálica, o orbe católico conviveu com esta tensão.
Apenas em Roma, a hierarquia da igreja investe a uma antecipação da revolução e tenta colocar-se adiante dos acontecimentos e estabelecer Roma como a sede de um estado, Itália,
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Na Inglaterra do XIX há um processo de atração entre os católicos e os anglicanos, mas sob a autoridade de Pio IX não há concessões do governo da igreja, devendo os membros originários da igreja separada submeterem sua vocação aos preceitos católicos como estava inscrito na Sé de Roma. O pastor Newmam teve de percorrer esse périplo para ter validado seu compromisso com o catolicismo ao demonstrar suas crise como prova da retidão da igreja, ao combater as muitas facetas experimentadas pelo catolicismo como o excesso de interpretação do arianismo como fundamento precoce do liberalismo cristão, oportunidade em que a razão invade a fé e passa a miná-la até destruí-la. Os conhecimentos naturais a partir de Maimônides e S. Tomás de Aquino, asseverado pelo controle que o Vaticano deveria exercer, para não permitir a quebra na unidade doutrinal já ameaçada desde o tradicionalismo de Bonald e do Lammenais da primeira fase foram objeto de discussão e dissuasão de Newman na sua conversão. Todas as formas de interpretação católica deveriam ser tributarias dos ensinamentos de Roma devendo então recorrer a Sé para validar sua experiência dentro da convivência católica. Para discutir o catolicismo de Newman veja: Penido, Pe. M. Teixeira Leite. O Cardeal Newman. Petrópolis: Vozes, 1946. Welliason, Claude. Grandes católicos 1943 (662-75).
101 D. Macedo costa escreve uma monografia ―Pontifice e Rei‖, na qual tenta demonstra os privilégios do
ocupante da cadeira de Pedro para governar espiritualmente e temporalmente a igreja, como conseqüência as ações e elaborações de teóricos que tinham por objetivo limitar a autoridade do papa deveriam ser vistas como um atentado à questão santa por impedir o direito consagrado não apenas na tradição, mas no preceito da igreja para dirigir os católicos, logo, a possibilidade da igreja dialogar com o século estavam bastante limitadas pelo visão a priori do catolicismo quanto ao seu sentido e percepção de um ser único até frente aos outros entes políticos da sociedade civil.
federal, presidida por PIO IX, assentado em uma constituição liberal fruto da primavera dos povos de 1848. Mas a luta entre o reino do Piemonte e Áustria faz com que se radicalizassem as propostas e o movimento da hierarquia não é nada ousado para encabeçar a luta em Roma e vanguardear a política de formação de um estado nacional, caso optasse por esta linha esvaziaria seu próprio discurso e prática, sendo então ultrapassado pelos revolucionários que se despedem da igreja como aliada e proclamam a República; o papa foge vestido de padre e só volta pelo apoio das tropas da França, ficando para a igreja e os clérigos a pecha de contra-revolucionários e reacionários comprometidos com a manutenção da tradição que privava os italianos de estarem em pé de igualdade com as outras nações que lideravam o mundo. Contudo ainda não era chegada à hora da vitória da unificação italiana, perto de trinta anos seriam necessários para se articular um campo de forças capaz de desalojar a igreja do poder político do estado.
A inviolabilidade da figura papal e de seu séqüito, com as dependências do palácio do Vaticano, Latrão e Castel Gandolfo era tudo a que ficaria reduzido Pio IX, sem mais seus: exércitos, corpo de policia, justiça, moeda, fronteira, bandeira. Desse modo, o papa não mais podia apresentar-se como o Papa-Rei, fora despojado definitivamente dos instrumentos de poder efetivo que lhe conferiam uma condição política de domínio sobre um território e sua população, restava-lhe apenas os utensílios e artefatos cuja lembrança remetia ao passado no qual o papa era o único soberano dos territórios papais; é importante destacar que o papado é a figura política melhor a encarnar o regime absolutista. Esmagado pelas forças italianas e sem poder recorrer aos aliados que tinham seus próprios problemas como era o caso de Napoleão III, sendo acossado do poder na França; enquanto na Áustria, Francisco José tentava manter o equilíbrio de um império supranacional, Pio IX não se entrega como um guerreiro vencido tenta fazer de sua derrota uma arma pra levantar católicos do mundo inteiro para virem em socorro do santo padre. Dizia-se preso do estado italiano e segundo reproduz LLORCA 102(1960:651)
‖vivió como preso em el Vaticano , a merced de las limosnas de los católicos de todo el mundo‖.
A exposição das dores da igreja como um poder subordinado ao estado ficou patente com as continuas reclamações de párocos e sobretudo da hierarquia contra o que achava ser uma limitação ao livre desempenho da consciência católica. Fosse Portugal ou Brasil, a igreja ainda retém formalmente sua estrutura colada ao estado. Recordemos, no caso brasileiro, o privilégio de religião oficial do império consagrado nos art. 5° da Constituição brasileira de 1824, herdando o instrumento do regalismo da tradição portuguesa que consagrou o regime de dependência do Padroado pelo qual a igreja era súdita do soberano rei, que em troca protegia a
102LLORCA, Bernardino, S.J.; VILLOSLADA, R. Garcia, S.J.; MONTALBAN, F. S., S.J. Historia de la
Iglesia Catolica: en sus cuatro grandes edades: antigua, media, nueva, moderna. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos – BAC, 1960.
religião contras as investidas das heresias e do islão que constantemente tentavam subtrair território e influência sobre o que anteriormente era cristão. Na expansão portuguesa, a empresa colonial contou com fundos e recursos materiais e espirituais para empreitarem no Novo Mundo