Sim, sou um ladrão de pensamento
Não, por favor, um ladrão de almas.
Bob Dylan
A “Conclusão” deste estudo poderia ter, dentre outros títulos, “Ilíada e
Companhia”. Isso porque a plagiocombinação, tema central investigado neste trabalho,
é uma estratégia corriqueira há muito tempo utilizado na história da arte
. Já as primeiras
grandes obras literárias do Ocidente, a Ilíada e a Odisséia, foram compilações de
diversas vozes, sistematizadas por Homero
86
. Também a Bíblia, obra máxima da
mitologia cristã, foi fruto de uma técnica de redação parecida, segundo Pierre Lévy.
Ele diz que a Bíblia é um “precursor do hipertexto, sua constituição resulta de uma
seleção (de um sampling!
87
) e de um amálgama tardio de um grande número de textos
de gêneros heterogêneos redigidos em diversas épocas” (1999, p. 152). Da mesma
forma, na obra de Shakespeare a reconfiguração de fontes preexistentes era tão
recorrente que sobre ele pesa a mais grave acusação de usurpador da criação alheia da
história da literatura dramática. “O crítico inglês Malone (...) contou minuciosamente,
com efeito, os plágios do autor de Ricardo III. Em 6043 versos, 1771 foram escritos
por algum autor anterior, 2373 foram refeitos e, de resto, 1899 pertencem a
Shakespeare” (SCHNEIDER, 1990. p. 50).
86 Na obra Prefácio a Platão, Eric Haveloc demonstra como a poesia épica era instrumento
de conservação e transmissão dos costumes e educação gregos: “Ela [a poesia] constitui, em conjunto,
um testemunho didático para a transmissão da tradição” (1996, p. 59). Homero teria sido o responsável
por transcrever todo esse regimento da cultura oral grega nos dois poemas fundadores da literatura
ocidental. Há quem questione a existência do próprio Homero. O historiador e estudioso de assuntos
clássicos Vidal Naquet é um dos maiores defensores da existência do poeta. (Ver VIDAL-NAQUET,
Pierre. O Mundo de Homero. São Paulo: Cia das Letras, 2002.) Há vasta linkografia a respeito. Sugiro
http://www.nomismatike.hpg.ig.com.br/ Mitologia/Homero.html . A discussão sobre a existência de
Homero inspirou, inclusive, um diálogo do Romance da Pedra do Reino de Ariano Suassuna.
Claramente, tanto a Ilíada e a Odisséia quanto a Bíblia e a obra de
Shakespeare não são criações contrafatoras, que usaram de má fé para lesar a
originalidade do trabalho alheio. É cronocentrismo querermos aplicar qualquer alcunha
pejorativa à redação desses textos. Eles estavam submetidos a outros paradigmas de
produção cultural (que, evidentemente, diferiam uns dos outros: não podemos supor
que o contexto da Grécia na Antigüidade Clássica fosse similar ao da Inglaterra
Elisabetana), nos quais a figura do autor não tinha o peso que adquiriu a partir da
supremacia econômica e política da burguesia e do advento do Romantismo, seu
correspondente estético.
A afirmação do sistema capitalista, a partir da Revolução Industrial e da
Revolução Francesa, fez com que a classe proponderante fosse a sustentada pela posse
do capital. Para essa classe, a burguesia, era cara a idéia de propriedade e a garantia
jurídica dessa propriedade. Foi coerente, portanto, que a partir do século XVIII as
legislações sobre a propriedade intelectual e o direito autoral fossem promulgadas.
Essa legislação garantia a inviolabilidade da obra artística, que, assim, podia manter
seu caráter uno e genuíno.
Desde que existe, esta legislação vem sendo questionada tanto por atos
criminosos quanto por atos de desobediência civil, que não reconhecem a legitimidade
desta lei. Com a possibilidade da reprodutibilidade técnica da obra de arte, com a
fotografia e o cinema, a obra de arte perdeu parte de seu valor de culto (em que
autenticidade e originalidade eram elementos preponderantes) em detrimento do seu
valor de exposição, conforme aponta Walter Benjamin. Essa perda da “aura” da obra
de arte justificou ainda mais a violação da legislação autoral por meio da
desobediência civil. Por isso, o início do século XX assistiu a experiências artísticas,
das vanguardas históricas sobretudo, em que a qualidade da obra não estava na
originalidade que um artista, em um suposto momento de inspiração divina, poderia
lhe conferir. Pelo contrário, as colagens dadaístas/surrealistas, os ready-mades de
Duchamp, destacavam o artista da execução do objeto artístico e exigiam dele uma
capacidade de diálogo com o passado, com o repertório cultural da humanidade: “O
colador enfraquece os deuses do Olimpo, separando uns dos outros, rearranjando-os à
sua maneira” (ISMAEL, J. C. “Collage em nova superfície” apud COHEN, 1989, p.
61). Os deuses que iluminavam a inspiração do artista romântico perderam força e o
artista ganhou autonomia material, ele era capaz de rearranjar o passado a seu favor.
Com isso, uma lógica alternativa à dos direitos autorais ganha corpo. Essa
nova lógica retoma as motivações das obras pré-românticas, como a Ilíada ou Hamlet:
mais do que o indivíduo, seria a coletividade a detentora do direito sobre a produção
cultural. Isso significa que ela poderia dispor e compartilhar criações individuais, sem
se preocupar com a afirmação de um mito romântico como o do autor. Essa lógica
alternativa, utópica, altruísta, baseada no compartilhamento do saber, da informação e
da criação entra em embate direto com a propriedade, uma das bases do sistema
capitalista. Essa oposição se dá entre as forças produtivas e as relações de
produção/propriedade.
Apesar do capital ter tido historicamente ampla vantagem nesse embate, a
interconexão mundial dos computadores e, sobretudo, as novas relações sociais que
daí decorrem acrescentam novos ingredientes nessa oposição.
A apropriação de material cultural, sua reconfiguração e distribuição são
extremamente facilitadas. Com alguns comandos de computador uma informação pode
trafegar de um espaço virtual a outro. Eventuais barreiras nesse trajeto costumam ser
facilmente transponíveis, já que a world wide web
88
tem uma estrutura em que a
sonegação de informações pode ser burlada por hackers, usuários piratas da rede. A
interconexão mundial dos computadores tende a gerar, segundo o professor Richard
Barbrook, um modelo econômico baseado no presente (gift economy), no
conhecimento como bem comunitário. Para o filósofo Hakim Bey, o ecossistema da
web é aberto e não-hierárquico. Pierre Lévy o considera o “universal sem totalidade”.
88 Ver Glossário.
Ainda que esses discursos guardem conotações utópicas, o acesso a uma
enorme quantidade de informações é efetivamente impulsionado pela tecnologia (e
aqui há um porém, já que quantidade de informações não significa necessariamente
qualidade). Este acesso, a conversão destas informações em dígitos e a possibilidade
de livre transmissão telemática destas informações são os elementos técnicos que
condicionam as relações sociais que neste trabalho foram chamadas de cibercultura.
Esse conceito não está restrito à compreensão de fenômenos circunscritos ao mundo da
internet ou da informática. Diferentemente, apóia-se sobretudo nas possibilidades de
relações em rede, em que cada um dos usuários forma um nó autônomo, capaz de
receber, transformar e emitir informações. Logo, a cibercultura é um momento
histórico em que a possibilidade de reconfiguração de fragmentos culturais é
potencializada.
Mais do que isso, as cópias de arquivos digitais diferem das cópias
analógicas na sua perfeição: um arquivo digital é exatamente igual à sua cópia. É por
isso que o público tende a querer novamente exercer a sua liberdade de cópia, alienada
quando a legislação de direitos autorais fora implantada. A questão que se impõe sobre
essa liberdade é a ma fé que pode emergir de seu abuso. A contrafação é um delito que
surge da impossibilidade de se distinguir o uso da cópia como elemento criativo do seu
uso para o dolo.
O artista que exerce criativamente esta liberdade de cópia e de
reconfiguração na produção de sua arte retoma a discussão política sobre a oposição
entre propriedade e força produtiva. O poder rotula-o de plagiário. Ele pode
reconfigurar esse rótulo e proclamar-se, como Tom Zé faz, “plagiocombinador”.
O plagiocombinador é um intérprete, um articulador de referências, um
revisor do passado. Sua atividade é entrópica, lúdica e profundamente política. A
escolha pela estratégia de plagiocombinação denota opções éticas que se transformam
em conteúdo da obra de arte.
hábil compilador de fragmentos culturais preexistentes, pode servir de emblema para o
dramaturgo da cibercultura.
Para examinar legitimidade da plagiocombinação na produção do texto
dramatúrgico e espetacular contemplei, neste trabalho, três espetáculos relevantes para
a cena teatral curitibana dos últimos sete anos: “R”, de Fernando Kinas; “Estou te
escrevendo de um país distante”, de Felipe Hirsch; e “Arrastom”, de Adriano
Esturilho. Esses espetáculos tinham em comum a estratégia de construção de texto
baseada no reaproveitamento e reconfiguração de material preexistente.
Os espetáculos selecionados para análise são representantes da cibercultura.
Todos fizeram pequenas alusões à internet e, muito mais do que isso, encadearam as
suas propostas estéticas através de um raciocínio hipertextual, exigindo dos
espectadores essa qualidade de percepção. No entanto, os espetáculos não eram on-
line, isto é, não aconteceram em tempo real, pela internet, ou dependeram de alguma
tecnologia de acesso para sua fruição.
Cada um dos espetáculos guardava sua especificidade no trato com a
estratégia dramatúrgica de plagiocombinação, relacionada diretamente com a
motivação ideológica que levou cada um dos diretores-plagiocombinadores à sua
escolha. Assim, “R” adotava a estratégia pelo seu potencial revolucionário, pela
ruptura que representava com um formato instituído de teatro. “Estou te escrevendo de
um país distante”, por sua vez, utilizava a estratégia por sua ligação com a memória,
com a subjetividade das articulações de referências e pelo efeito parodístico. Ainda,
“Arrastom” assumia a plagiocombinação por seu aspecto iconoclasta, lúdico e
anárquico.
O motivo pelo qual projetos tão diferentes (inclusive nas suas premissas
estéticas e ideológicas) adotaram a mesma estratégia de construção de texto se
relaciona com a idéia de desobediência civil, com a opinião latente dos espetáculos de
que o respeito a figura do autor e à sua estrutura de suporte é anacrônica. Ainda que
sejam distintas as motivações de cada um dos diretores-plagiocombinadores, todos
corroboram a opinião de Kinas, cuja base está em Vitez: “o artista contemporâneo tem
o direito e até o dever de trabalhar com o material cultural produzido previamente”.
Para Esturilho, os cânones devem ser pichados, desrespeitados e desestabilizados; para
Hirsch, a articulação dos referenciais revela a assinatura do artista; e para Kinas a
estratégia plagiocombinatória pode redundar em revolução das formas e das relações
sociais. As diferentes aproximações à estratégia de plagiocombinação (revolução,
memória, iconoclastia) e as diferentes linhas condutoras de cada espetáculo (teoria da
relatividade, febre de Hamlet, manifesto contra a felicidade) mostram a maleabilidade
oferecida por essa estratégia e confirmam a hipótese de que a plagiocombinação já não
pode mais ser vista como uma atitude contraventora, mas como uma estratégia criativa
legítima da produção artística na cibercultura.
As diferenças entre os espetáculos, no entanto, provocam questionamentos
sobre a estratégia de construção de texto. “R” era um espetáculo engajado, afinado
com as proposições brechtianas e com a ideologia marxista. Tanto que sua motivação
ideológica era a revolução. Apesar de não ter o mesmo compromisso ideológico com o
marxismo, “Arrastom” era filiado à corrente inaugurada por “R” na cena teatral
curitibana. Cabe lembrar que “Arrastom” estreou quatro anos depois de “R”, e que os
envolvidos nas montagens eram de “gerações” diferentes. Na sua lista de plágios,
“Arrastom” inclusive prestava homenagem a Fernando Kinas. Ainda que pelo viés da
molecagem e da iconoclastia, “Arrastom” também advogava, como “R”, uma ruptura
no status quo teatral. E ambos usavam a plagiocombinação para transferir do indivíduo
para o coletivo o mérito pela criação artística.
O espetáculo de Felipe Hirsch, “Estou te escrevendo de um país distante”,
contudo, tinha orientação política muito diferente. A subjetividade da memória do
artista criador era a motivação ideológica, não flertando com o marxismo de “R”.
“Estou te escrevendo” não era revolucionário. Só adotava uma estratégia anti-
proprietária por almejar uma maximização da subjetividade do indivíduo criador. Isso
quer dizer que, segundo Felipe Hirsch, o artista deveria poder dispor de todo o
repertório da humanidade porque a articulação que ele faria desse repertório na sua
obra seria única.
Curiosamente, apesar dos fins serem distintos, o meio, a estratégia, é a
mesma. A plagiocombinação reúne tanto o indivíduo livre para articular sua memória
e referências quanto a humanidade que compartilha um repertório comum. A
cibercultura abriga ambos, oferecendo uma estrutura em rede e não hierárquica, em
que as relações podem se dar de maneira horizontalizada.
Isso nos reporta mas uma vez a Tlön, o planeta fantasiado por Borges. Nesse
ambiente idealista, não só a identidade é um atributo coletivizado como o sujeito do
conhecimento é uno. Portanto, coletivismo e subjetivismo em Tlön são rigorosamente
a mesma coisa. Por isso não faz sentido pensar sobre plágio como algo criminoso.
Nem em autoria como algo sagrado. Albert Einstein, Tom Zé, Pierre Lévy, Fabio
Salvatti, Fernando Kinas, Adriano Esturilho, Felipe Hirsch e Hamlet são, em Tlön
(isso é, aqui), a mesma pessoa. “Todos os homens que repetem uma linha de
Shakespeare são William Shakespeare.”
GLOSSÁRIO
Este glossário tem a intenção de esclarecer os principais termos técnicos
utilizados nesse trabalho, em especial os associados à cibercultura. Os que possuem
um * foram retirados do livro Cibercultura, exatamente do Glossário elaborado pelo
tradutor Carlos Irineu Costa (LÉVY, 1999).
Beat – Batida, em inglês. Aqui se refere às unidades rítmicas utilizadas em
música eletrônica.
Bit – Contração de Binary Digit. Unidade de codificação e digitalização. Sua
linguagem é binária, ou seja, sua notação numérica admite o 0 e o 1.
Bugs – Termo inglês usado para “insetos”. Designa problemas que impedem
que o software ou o hardware funcione corretamente.
Byte – Conjunto de 8 bits, que é o espaço de memória necessário para
codificar um caractere alfabético.
CD-ROM – Compact Disc Read Only Memory – Literalmente, “memória
somente para leitura em CD”. Um compact disc usado para armazenar e reproduzir
programas e dados de computador em vez de áudio digital. Capazes de armazenar até
740 Mb, os CDs usam a tecnologia do laser para armazenar uma grande quantidade de
informações em uma mídia barata, resistente e duradoura.*
Download/Upload – Download, ou “carga”, é o processo pelo qual um
arquivo (ou grupo de arquivos) é transferido de um computador remoto para uma
máquina local. Em outras palavras, toda vez que você clica em um link para copiar um
programa da Internet para sua máquinas, está fazendo um download. Upload é o
processo contrário, no qual um usuário transfere arquivos da sua máquina para a
Internet.*
E-mail – Correio Eletrônico. O e-mail é um conjunto de protocolos e
programas que permitem a transmissão de mensagens de texto (que podem também
conter qualquer tipo de arquivo digital, como imagens ou som) entre os usuários
conectados a uma rede de computadores. Com a disseminação da Internet, o e-mail
tornou-se uma forma prática e rápida de comunicação.*
Fractal – Termo criado em 1975 por Benoit Mandelbrot para descrever uma
classe de formas caracterizada pela irregularidade mas que, ao mesmo tempo, evocam
um padrão regular. Os fractais têm diversas peculiaridades, como, por exemplo, o fato
de qualquer secção de um fractal, quando ampliada, ter as mesmas características do
todo. Atualmente, são amplamente usados em computação gráfica para a criação de
texturas, superfícies e paisagens com aparência extremamente realista.*
Hacker – Especialistas em computação capazes de burlar sistemas de
segurança de programas e redes. Há grupos específicos de hackers, como os crackers,
os phreakers e os cyberpunks.
Hardware – Qualquer componente físico de um computador. A palavra
hardware poderia ser livremente traduzida como “equipamento”. Na categoria de
hardware enquadram-se monitores, teclados, placas-mãe, mouses, scanners, modems,
discos rígidos, etc.*
Um hipertexto vincula as informações contidas em seus documentos (ou
“hiperdocumentos”, como preferem alguns) criando uma rede de associações
complexas através de links.*
Internet – O nome Internet vem de internetworking (ligação entre redes).
Embora seja geralmente pensada como sendo uma rede, a Internet na verdade é o
conjunto de todas as redes e portais que usam protocolos TCP/IP. Note-se que a
Internet é o conjunto de meios físicos (linhas digitais de alta capacidade,
computadores, roteadores, etc.) e programas (protocolo TCP/IP) usados para o
transporte da informação. A Web (WWW) é apenas um dos diversos serviços
disponíveis através da Internet, e as duas palavras não significam a mesma coisa.
Fazendo uma comparação simplificada, a Internet seria o equivalente à rede telefônica,
com seus cabos, sistemas de discagem e encaminhamento de chamadas. A Web seria
similar a usar um telefone para comunicações de voz, embora o mesmo sistema
também possa ser usado pra transmissões de fax ou dados.*
Link – Freqüentemente traduzido como “vínculo”, um link é uma conexão
entre dois elementos em uma estrutura de dados. Os links permitem a navegação
dentro de um documento hipertextual (ou hipermídia). Na Internet, um link é qualquer
elemento de uma página da Web que possa ser clicado com o mouse, fazendo com que
o navegador passe a exibir uma nova tela, documento, figura, etc.*
Modem – Modulator DEModulator (modulador/demulador). Equipamento de
telecomunicações que permite a um computador transmitir informações digitais
através de linhas telefônicas comuns (sejam elas digitais ou analógicas). Os modems
convertem a informação digital armazenada nos computadores em uma freqüência de
áudio modulada, que é transmitida pela linha telefônica até um outro modem, que
executa o processo contrário, reconvertendo a informação para seu formato digital
original.*
MP3 – Método de compressão digital de arquivos (principalmente de áudio).
A sigla vem de MPEG 1 – Layer 3. A Moving Picture Experts Group (MPEG) foi
organização que desenvolveu o padrão de compressão, baseado em estudos da
Universidade de Erlangen, na Alemanha. O MP3 é capaz de compactar os arquivos de
áudio em 10% (em média) do seu volume original.
On line / Off line – Literalmente, “conectado” e “desconectado”. Num
sentido um pouco mais amplo, on line designa operações (ou documentos) em rede.
Open Source – São softwares com o “código aberto”, ou seja, são passíveis
de modificações pelos próprios usuários. O open source gera uma filosofia de
aprimoramento e personalização dos softwares, e é comum encontrar versões
“melhoradas” ou “adaptadas” de alguns programas disponíveis para download. O
programa mais popular com open source é o Linux, um sistema operacional que é o
principal rival do hegemônico Windows.
P2P – (ou peer-to-peer, parceiro a parceiro) Plataforma de compartilhamento
de dados em que uma informação sai diretamente de um computador pessoal para
outro, sem passar por um servidor.
Sampler – No meio musical, equipamento ou programa destinado à gravação
de sons analógicos, seu processamento por meios digitais e posterior reprodução, em
geral sob o controle de um teclado musical. Os samplers são capazes não apenas de
reproduzir com exatidão outros instrumentos previamente gravados, mas também
podem, através dos loops, reproduzir infinitamente uma passagem musical, tal como
um compasso de bateria ou todo um trecho de uma música.*
Site – Um conjunto de páginas da Web que façam parte de um mesmo URL,
ou “endereço”. A idéia de site está relacionada à idéia de “local”, o que na verdade é
um tópico complexo em se tratando de um espaço virtual criado por uma rede
distribuída que lida com hiperdocumentos. Creio que a maneira mais simples de
entender “site” é pensar que um site corresponde a um hiperdocumento, com todas
suas imagens, vínculos e referências, mesmo que esse hiperdocumento possa ter,
potencialmente, o tamanho e a complexidade de uma grande enciclopédia.*
Software – Um programa de computador. O software consiste de um
conjunto de instruções em linguagem de máquina que controlam e determinam o
funcionamento do computador e de seus periféricos.*
WWW – Abreviação de World Wide Web. Geralmente chamada apenas de
Web, foi desenvolvida originalmente nos laboratórios do CERN, em Genebra.
Atualmente o desenvolvimento da Web é supervisionado pelo World Wide Web
Consortium (www.w3.org). De forma simplificada, a Web pode ser descrita somo um
sistema hipermídia para a recuperação de informações através da Internet. Na Web,
tudo é representado como hipermídia e os documentos estão ligados através de links a
outros documentos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASCENSÃO, José de Oliveira. Direito autoral. Rio de Janeiro: Renovar, 1997.
BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, 1992.
BARTHES, Roland. “A morte do autor” in O rumor da língua. São Paulo: Brasiliense,
1988.
BENJAMIN, Walter. Obras Escolhidas - Magia e Tecnologia, Arte e Política. São
Paulo: Brasiliense, 1994.
---. Obras Escolhidas II – Rua de Mão Única. São Paulo: Brasiliense, 1995.
---. Obras Escolhidas III – Charles Baudelaire, um lírico no auge do