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A década de 90 foi marcada pelo crescimento das redes comerciais de computadores nos Estados Unidos e pela explosão da variedade de aplicações

314 O funcionamento da Web evidentemente envolve outras etapas e especificidades técnicas que, em

vista do escopo e natureza deste trabalho, não são aqui abordadas.

315 Tim Berners-Lee,Frequently asked questions. Disponível em: <http://www.w3.org/People/Berners-

relacionadas à Internet colocadas no mercado. Antes restrita à comunidade acadêmica e a órgãos governamentais, a Internet tornou-se um conjunto de redes abertas ao público.

A popularização da Web gerou o aumento na oferta de navegadores (browsers), incluindo o Mosaic, o Netscape Navigator e o Internet Explorer. A Internet definitivamente internacionalizou-se e assumiu caráter comercial. Empresas e entidades dos mais diversos ramos, incluindo grandes jornais e outros veículos de comunicação, passaram a criar sites para divulgar suas atividades, produtos e serviços na Web. Ferramentas de busca como Yahoo! e Google surgiram para facilitar a localização do conteúdo disponível na Web. O e-mail passou a ser explorado comercialmente. Popularizaram-se as aplicações de comunicação em tempo real, como o ICQ, de criação e hospedagem de sites e blogs, como o Geocities, o Blogger e o Wordpress, e de intermediação de comércio eletrônico, como Amazon e eBay.

Foi também durante a década de 90 que o Brasil se interligou à Internet. Embora no final dos anos 80 já houvesse no País “alguns embriões independentes de redes, interligando grandes universidades e centros de pesquisa do Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre aos Estados Unidos”,316 a conexão com a Internet, propriamente dita, com uso do TCP/IP, veio a ocorrer em 1991. Naquele ano, a primeira rede acadêmica no Brasil, a ANSP (Academic Network at São Paulo), inicialmente restrita ao Estado de São Paulo, foi conectada à Internet a partir da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).317

O ano de 1995 marcou o início da abertura da Internet comercial no Brasil, com o governo deixando clara sua preferência pela exploração dos serviços da Internet pela iniciativa privada. Motivados pela “necessidade de informar à Sociedade a respeito da introdução da Internet no Brasil”, o Ministério das Comunicações e o Ministério da

316 Disponível em: <http://www.rnp.br/rnp/backbone-historico.html>. Acesso em: 14 jul. 2014.

317 Demi Getschko, que à época trabalhava no Centro de Processamento de Dados da Fapesp, assim

resumiu o episódio: “A história da Internet no Brasil começa no final dos anos 80, mais precisamente em setembro de 1988, quando uma conexão internacional dedicada e perene ligou a então ainda incipiente iniciativa brasileira de redes acadêmicas ao mundo. Seus primeiros usuários, pesquisadores, alunos e professores, tiveram acesso à maravilha do correio eletrônico, a bases de dados no exterior e, mesmo, ao acesso a computadores em laboratórios de pesquisa. Não era, ainda, a Internet. A esta só nos conectamos em 1991, quando os primeiros pacotes TCP/IP foram trocados entre a Fapesp e a Fermilab, um laboratório de Física de alta energia em Batavia, Illinois, EUA” (Demi Getschko, Internet – colaboração e mudança, p. 7).

Ciência, Tecnologia e Inovação, emitiram uma Nota Conjunta,318 em maio de 1995, por meio da qual esclareceram que o provimento de serviços comerciais da Internet ao público em geral deveria ser realizado, preferencialmente, pela iniciativa privada.319 Com isso, a possibilidade de acesso à Internet foi estendida a todos os setores da sociedade brasileira.

No início do século XXI, o acesso à Internet tornou-se realidade para considerável parcela da população mundial. O comércio eletrônico consolidou-se definitivamente. Os sites de relacionamento, também chamados de redes sociais, como MySpace, Orkut e Facebook, atingiram números extraordinários de usuários. Surgiram o Skype, aplicação de transmissão de voz sobre IP, o YouTube, site de exibição de vídeos inseridos pelos usuários, e o Twitter, em que os usuários podem divulgar mensagens limitadas a 140 caracteres. O acesso à Internet e a navegação na Web deixaram de ser feitos exclusivamente por meio dos tradicionais computadores conectados por fios a uma rede, tornando-se possíveis a partir de telefones celulares – os

smartphones –, tablets, videogames, televisores e dispositivos GPS.

No ano de 2013, mais de 2,7 bilhões de pessoas usavam a Internet, o correspondente a 39% da população mundial, conforme estimativa da International Telecommunication Union (ITU), agência especializada em tecnologia da informação e comunicação das Nações Unidas.320 No final de março de 2013, o Facebook atingiu a marca de 1,11 bilhão de usuários ativos mensais ao redor do planeta.321 No Brasil, levantamento do Ibope Media indicou 102,3 de milhões de pessoas com acesso à Internet no primeiro trimestre de 2013.322 Deste total, 56,4 milhões de pessoas foram

318 Disponível em: <http://cgi.br/regulamentacao/notas.htm>. Acesso em: 14 jul. 2014.

319 A participação das empresas e órgãos públicos no provimento de serviços da Internet deveria ocorrer

de forma apenas complementar, limitada às situações em que fosse “necessária a presença do setor público para estimular ou induzir o surgimento de provedores e usuários”.

320 ITU World Telecommunication/ICT Indicators database. Disponível em: <http://www.itu.int/en/ITU-

D/Statistics/Documents/facts/ICTFactsFigures2013.pdf>. Acesso em: 14 jul. 2014.

321 Facebook Reports First Quarter 2013 Results. Disponível em:

<http://files.shareholder.com/downloads/AMDA-NJ5DZ/2457039884x0x659277/9dd48ebc-8f88- 4271-9f37-7a1ae072e423/FB_News_2013_5_1_Financial_Releases.pdf>. Acesso em: 14 jul. 2014.

322 Ibope, Número de pessoas com acesso à internet passa de 100 milhões, 10 jul. 2013. Disponível em:

<http://www.ibope.com/pt-br/noticias/Paginas/Numero-de-pessoas-com-acesso-a-internet-passa-de- 100-milhoes.aspx>. Acesso em: 14 jul.2014.

classificadas como usuários ativos, isto é, que haviam acessado a Internet ao menos uma vez nos últimos 30 dias.

A Internet e a Web assumiram relevante papel na disseminação do conhecimento e tornaram-se instrumentos para a mobilização política e social. De campanhas políticas a protestos contra governantes, todas as grandes manifestações populares têm, atualmente, em alguma medida, atos preparatórios ou desdobramentos na Internet. Hoje, e cada vez mais, ao lado dos tradicionais meios de comunicação social (imprensa, televisão e rádio), a Internet desempenha proeminente função na circulação da informação jornalística.