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A questão “O aluno vivencia experiências relacionadas à violência no decorrer da disciplina, por exemplo, em aulas práticas (estágio)?”, feita com o objetivo de verificar se, na opinião do docente, o aluno tem contato com casos de violência em estágios ou se a abordagem é somente teórica, originou dois agrupamentos de respostas:

IC. A- Vivencia. IC. B- Não vivencia.

A- Vivencia (D1, D2, D3, D4, D5, D6, D7, D8, D9, D11, D13)

DSC: Quem dá essa temática é outra professora, inclusive o local de estágio dela é no SOS

Acão Mulher e Família. Todos os alunos passam um período nesse local, o SOS, então ele vivencia em aulas práticas, em campos de estágio na maior parte das vezes, no estágio no Centro de Saúde também. Eu trabalho localmente, ou seja, durante o estágio, quando alguém

fala de alguma violência sofrida a gente aponta, e no próprio Centro de saúde, se isso aparecer. Não uma violência dirigida, ele convive com histórias de pacientes que tem um pouco essa questão da violência, do paciente agitado, mais agressivo. Uma vez, no estágio, existia um sujeito deficiente mental, ele estava assim agressivo, e isso assustou muito os alunos. Então se eu fiquei com medo, vamos entender o que aconteceu, vamos entender esse medo, vamos entender quem é o sujeito, pois para a gente poder até trabalhar um pouco essa coisa da violência a gente tem que compreender todo o contexto, entender porque que esse indivíduo está agredindo, porque que ele está violento. Recentemente uma paciente nos relatou, ela chegou em surto psicótico... psicótico não, ela estava num quadro de agitação, e aí na interação, na assistência ela falou para nós: “Olha, eu estou vivendo com um cara que me espancou todo o período da gravidez”, e nesse período a mãe falou que ela usava droga também. Mas ela era vítima do cara, do marido, e ela ia perder a guarda da filha, então tinha um contexto que também estava trazendo sofrimento mental, e um deles era essa questão da violência, não era só o uso da droga dela.

IC1. Vivencia, em local específico com vítimas de violência, ou caso o tema apareça em outros estágios.

IC2. Vivencia, pela possibilidade de contato com pacientes agitados, agressivos. IC3. Vivencia, em local específico com vítimas de violência.

IC4. Vivencia, se o tema aparecer durante o estágio.

Formalmente, na UNICAMP, os alunos passam por um campo de estágio específico com vítimas de violência, na Organização Não Governamental (ONG) SOS Ação Mulher e Família, que realiza o atendimento de mulheres e famílias em situação de violência desde 1980 no município de Campinas- SP, por meio de uma equipe multidisciplinar (SOS Ação Mulher e Família, 2011?). De todos os docentes que entrevistamos, de diversas áreas de atuação, este foi o único relato de estágio (disciplina de saúde da mulher) em local específico com vítimas de violência. Outros docentes, das duas instituições pesquisadas, disseram que o aluno vivencia o contato com vítimas de violência nos campos de estágio de maneira geral: hospitais, Centros de Saúde, entre outros, com todas as populações vítimas de violência (crianças, trabalhador, doentes mentais, etc).

Consideramos que haver um local específico de estágio, com vítimas de violência é algo positivo, que deve ser valorizado e ampliado nos currículos de graduação da área da saúde e da enfermagem. Porém, não só locais específicos para atendimento de vítimas de

violência podem ser oportunos para o contato com essas pessoas. Concordamos com a fala dos docentes de que o aluno vivencia casos de violência em outros campos de estágio. As vivências práticas dos alunos são uma ótima oportunidade de se trabalhar diversos assuntos importantes, dentre eles a violência, mas para tal é preciso que os docentes estejam sensibilizados e atentos às oportunidades que podem surgir durante a prática. Por exemplo, um dos docentes relatou que em estágio em local que atende usuários de drogas uma jovem revelou que sofria violência física pelo marido; então a docente destacou que havia a violência associada ao uso de substâncias, e pôde trabalhar a associação dessas questões.

B- Não vivencia (D10, D12, D14, D15)

DSC: As disciplinas, nem uma nem outra, são disciplinas práticas, elas são teóricas só. Eu

não tenho aulas práticas, estágio, isso eu não tenho, porque é teórica né, e ela é pequena. Na saúde mental eu trabalho com as experiências que eles trazem de outros campos, pois aqui eles não tem prática.

IC1. Não vivencia, pois, a disciplina é teórica.

De acordo com as DCN/ENF, além dos conteúdos teóricos e práticos presentes ao longo da formação, os currículos dos cursos de graduação em enfermagem são obrigados a incluir estágios supervisionados (em hospitais gerais e especializados, ambulatórios, rede básica de serviços de saúde e comunidades) (BRASIL, 2001b). Necessariamente, então, todo estudante do curso de enfermagem terá experiências práticas em campo de estágio. Como discutido anteriormente, a violência, pelos relatos dos docentes em nossa pesquisa e pela literatura consultada, faz parte também do currículo informal, estando presente, portanto, nos campos de estágio, sendo fundamental que os docentes estejam preparados para abordar a temática. Os docentes entrevistados por Penna (2005) relataram que praticamente todos os semestres do curso de graduação em enfermagem acontecem situações de violência contra a mulher, seja nos campos de estágio ou em discussões em salas de aula.

Apesar dos relatos de que algumas das disciplinas que abordam a temática da violência serem somente teóricas, houve um entrevistado que referiu trabalhar a questão da violência com as experiências trazidas pelos alunos de outros campos de estágio, o que consideramos como algo positivo que deve se tornar um hábito dos docentes.

5.4.6. Relação entre a aprendizagem do tema na graduação e a prática enquanto