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As tecnologias sociais (TS) têm se destacado no contexto de educação em saúde no Brasil, principalmente nas políticas educacionais da Estratégia de Saúde da Família (ESF). Caracterizando um movimen- to organizador e criador de ideias populares ou científicas, visam gerar alternativas para educação em saúde nas áreas de complexa abordagem e nos segmentos populacionais diferenciados, a fim de atender à demanda social. Apesar de não serem classificadas como políticas públicas, ou passíveis de aplicação em qualquer cenário, a produção de TS vem pos- sibilitando uma crescente produção em ciência e aplicação desta na me- lhoria do desenvolvimento social.

A educação profissional e a docência em saúde estão diretamen- te relacionadas à produção de TS, pois os agentes de educação, seja ela formal ou em saúde, deveriam entender os educandos como agentes crí- ticos, problematizadores do conhecimento, atores coletivos, plenos de historicidade; não como atores da subordinação e da dominação intelec- tual. A abordagem sociocultural preconizada por Paulo Freire, onde o homem cria cultura, recria sua história, modifica o mundo e se modifica - modificador de seu status quo -, ratifica esta percepção sobre educa- ção em saúde e reflete estão fato de ela não se restringir às instituições escolares, mas também aos processos sociais, engajados por homens e mulheres na luta por suas libertações (MARTINS; STAUFFER, 2007, p.160-165).

A educação sexual, sexualidade, reprodução e educação em saú- de são temas que se inter-relacionam e são interdependentes na aborda- gem educacional. Em vista disso, dentre as tecnologias sociais disponi-

bilizadas em formato de artigos e periódicos no repositório institucional Arca (Fiocruz), por exemplo, encontra-se vasta gama de materiais que disponibilizam a experiência de diversos profissionais de saúde no que tange à prática em educação em saúde voltada as temáticas abordadas. Estas produções científicas, classificadas como produção de tecnologias sociais leves de educação em saúde, possibilitam o aprendizado e a in- terlocução entre diferentes profissionais da área da saúde, possibilitando a globalização do conhecimento produzido.

Dentre revisões de literaturas e artigos teóricos, o destaque fica por conta das TS que valorizam a prática como modelo de aprendiza- gem,ou seja, percepções das práticas realizadas, como por exemplo, no artigo de Ruzany (2013). O artigo aborda as dificuldades encontradas na autoaprendizagem sobre interculturalidade e saúde de adolescentes e jovens. Nesta temática, evidencia a dificuldade dos profissionais de saúde em lidar com as peculiaridades de cada sujeito e com as diferenças inerentes a uma população diversa culturalmente. Contudo, assinala a possibilidade de mudanças relevantes no atendimento multidisciplinar e melhora na eficácia da atenção integral,apontando a sensibilização dos profissionais de saúde, no sentido de diminuir o abismo gerado pela di- ficuldade de compreender o outro, comouma alternativa para este viés.

Outro exemplo é o artigo de Cicco (2012), que aborda o ensi- no das doenças sexualmente transmissíveis (DST) através de um estudo qualitativo e uma perspectiva socioantropológica. Levantando a questão de que estratégias de prevenção inspiradas em atividades ou programas não são suficientes para promover mudanças nas práticas sexuais e de relacionamento dos indivíduos, o trabalho se propôs a compreender as potencialidades e os limites do ensino das DSTs, assim como sugerir no- vas técnicas de abordagem da temática, sugerindo aproximá-la do con- texto social do adolescente.

Como TS, além da abordagem prática propriamente dita, atra- vés de grupos operativos edinâmicas de grupo, também encontra-se a criação para espaços de diálogos em escolas ou comunidades através da criação de jogos. Abordando temáticas amplas e selecionadas atra-

vés da demanada da comunidade, os jogos educativos sobre sexualidade e autoconhecimento, doenças sexualmente transmissíveis, assim como teatros educativos sobre questões-tabu, como por exemplo: AIDS, gravi- dez na adolescência, vacinação contra HPV, entre outras, são formas de educar em saúde, seja ela sexual ou reprodutiva.

De maneira geral, todos os trabalhos abordam a importância do diferencial em se trabalhar saúde. O caráter transversal de educação em saúde, onde a educação escolar, juntamente com afluente renovação do profissional e o caráter particular atribuído a cada população sobre o método de abordagem a ser utilizado, relacionando-o ao bom senso e conhecimento do profissional atuante neste ínterim, são a chave para a obtenção de resultados mais positivos na educação em saúde para aquela comunidade.

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