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Ulike veier til en langsiktig balansert utvikling

Befolkning, pensjoner og offentlige finanser

Boks 6.4 Hvor mye måtte skattene øke for å finansiere økningen i folket- folket-rygdens utgifter?

6.7 Ulike veier til en langsiktig balansert utvikling

Nesta categoria destacamos elementos que as professoras abordaram no ques- tionário, evidenciando a inserção do tema relações étnico-raciais como imprescindível e necessária para iniciar a mudança social a partir da desconstrução de estereótipos. A articulação entre a capoeira e as Ciências proposta pelo projeto possibilitou tais discus- sões. Foram selecionados dois trechos que exemplificam estes elementos:

Trabalhar com as relações étnico-raciais no espaço escolar ajuda a mudar a visão de mundo, nas formas de pensar e agir. Contribui na superação de preconceitos arraigados em nosso imaginário social e que tendem a tratar a cultura negra e afri- cana como exóticas e carregadas de sofrimento e miséria (Professora Mariana). Acredito que num projeto desse porte a equipe uniu esforços para mostrar aos alu- nos que a África é uma “nação” que carrega uma imensa riqueza cultural, étnica, linguística, artística, bem como uma história tão complexa como a que reconhe- cemos em uma Europa e Estados Unidos. Mostramos para as crianças que neste continente não existe só miséria, fome, doenças graves (como muitos ainda veem). Uniu os esforços na luta contra o racismo, como também na consolidação da de- mocracia e da cidadania e da igualdade social e racial (Professora Camila).

Nos trechos citados é possível constatar que na opinião das professoras é neces- sário considerar a temática das relações étnico-raciais no espaço escolar a fim de con- tribuir com a ampliação de discussões no âmbito da cultura que valorizem diferentes saberes. Outro aspecto relevante observado no trecho da professora Camila é a ques- tão que demarca a predominância de uma cultura eurocêntrica como hegemônica e as possibilidades de ver a cultura africana de maneira positiva, confrontando uma visão de fixidez desta em padrões de hostilidade que a restringem a mazelas e intempéries

Neste contexto, Verrangia e Silva (2010) preconizam o trabalho crítico com as re- lações étnico-raciais e o seu potencial para desconstrução de estereótipos, sugerindo a inserção de atividades que abordam questões de caráter social e cultural, além de dis- cussões que permeiam o conceito de raça humana e que muitas vezes, pelo modo como são trabalhadas, acabam por reforçar o racismo.

A Ciência aqui seria compreendida como uma subcultura e uma maneira de abor- dar a realidade entre tantas outras sem desconsiderar seu viés ideológico, contudo como prática social que atina para a cidadania no sentido político e efetivo da palavra, corroborando neste processo de ensino reflexivo. A esse respeito, Paula e Lima (2007 p. 3) argumentam que

[...] o ensino focado apenas nos produtos das Ciências inibe diversas contribuições potenciais da educação escolar para a formação de sujeitos críticos e capazes de exercer alguma autonomia intelectual para superar a tendência da cultura contem- porânea de pasteurizar identidades e privatizar os problemas humanos, retirando sua dimensão social e econômica.

Verifica-se que a formação do professor numa perspectiva intercultural do ensino de Ciências permitiria o cruzamento de fronteiras culturais sem forçar uma assimilação etnocêntrica da Ciência (CREPALDE; AGUIAR JÚNIOR, 2014).

CONCLUSÕES

À guisa da inserção da educação para as relações étnico-raciais no espaço escolar, respaldadas pela obrigatoriedade da Lei 10639/03, o projeto Capociência, adota a ca- poeira como ferramenta para estabelecer uma interface entre as relações étnico-raciais e as Ciências, configurando-se numa abordagem inovadora, visto que esse tipo de pro- posta comumente é vinculado ao currículo das disciplinas de História, Arte e Literatura.

Nesse contexto, os questionários analisados que objetivavam, a priori, a avaliação do projeto, assim como o processo de formação das professoras participantes, demons- traram a construção do discurso acerca das relações étnico-raciais em interface com as Ciências.

As ideias apresentadas no decorrer da construção das categorias revelaram am- pliação da visão de mundo no tocante à cultura africana e afro-brasileira, dando um passo adiante para o rompimento de estereótipos relacionados a aspectos culturais e ao entendimento sobre dinâmica de transformação desses elementos, contrapondo uma visão essencialista e estática acerca das culturas. Houve ainda a possibilidade de enfoque aos conteúdos escolares trabalhados de modo interdisciplinar, evidenciando o diálogo dos saberes numa perspectiva intercultural.

O estranhamento inicial das professoras ao se depararem com a conexão propos- ta pelo projeto entre a educação em Ciências e a educação para as relações étnico-ra- ciais a partir da capoeira, estimulou-as a identificar possíveis pontes interculturais, le- vando-as a sistematizar as diferentes maneiras de organização dos saberes e percursos de aprendizagem pertencentes a cada um destes universos, primando pela negociação desses sentidos. Desse modo, a perspectiva intercultural para abordar a temática visou ao diálogo entre as culturas científica e popular, a fim de contribuir para o rompimen- to de visões preconceituosas e de valorização da cultura, promovendo a aprendizagem científica e cultural concomitantemente.

A reafirmação e a identificação da diferença cultural entre o campo da construção do conhecimento na perspectiva da ciência e do campo do conhecimento tradicional via capoeira, demonstrado mediante o aprofundamento de pesquisas em torno de ambas as abordagens, revelaram uma demarcação. Esta fronteira excede o reconhecimento e a garantia de que estas esferas possam manifestar-se e coexistir comungando do mesmo espaço e tempo, respeitosamente, haja vista os dissensos, relações de conflito e poder produzidas factualmente entre estes domínios.

O percurso de desenvolvimento do projeto também possibilitou essa compreen- são, dada a análise das diferentes concepções de conhecimentos contempladas na his- tória e a maneira pela qual estes saberes se entrecruzaram, podendo coexistir, ainda que apresentem naturezas e campos de significação distintos. O Quadro 2, a seguir, mostra essa dinâmica e a relação que paulatinamente foi sendo compreendida pelas educadoras e expressas na narrativa, na interação entre os personagens, conforme o projeto avançou.

Quadro 2 – Percursos de Aprendizagem

Capoeira Ciência Escolarizada

Conhecimento de Matriz Afro-Brasileira Conhecimentos Científicos

Memória Construção de Modelos

Ancestralidade Empirismo

Oralidade Escrita

É possível observar saberes com peculiaridades específicas e que foram se eviden- ciando conforme as professoras davam continuidade à construção da narrativa, materia- lizando-a em ações e inevitavelmente em seus discursos, auxiliando para a concretude de cada conhecimento. O personagem representante da ciência escolarizada apresen- tava ao seu amigo quilombola, por meio de registro num cartaz, a sistematização de uma “pirâmide alimentar”, por exemplo, ao referir-se aos conteúdos que havia recebido na escola acerca de hábitos de alimentação saudáveis na disciplina de Ciências. O per- sonagem residente no quilombo evocava a memória e histórias orais, contadas pelos membros mais antigos de seu território para explicar suas crenças e hábitos cotidianos.

A partir deste vínculo ocorre a possibilidade de produzir conexões e sentidos transformativos, cuja reciprocidade apresenta uma indeterminação da verdade (a ve- racidade dos fatos não corresponde apenas a uma forma de entender e ver o mundo).

A pretensão é romper com a sobreposição e verticalização entre os diferentes ti- pos de conhecimento para que nessa ruptura surja a oportunidade de abrir-se para a novidade, ou seja, conhecer mediante outro ponto de vista uma outra potente e frutífe- ra realidade que agregue e gere mudanças construtivas numa relação que se constitua na interface da diferença e com solidariedade.

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