Essas estratégias sensíveis e as novas formas de entender o trabalho e a presença dos sujeitos no mundo encontram uma série de constrangimentos na sua implementação. A maioria deles está ligada aos modos como as informações são veiculadas, por exemplo, em veículos de comunicação de massa e mesmo em bibliografias mais tradicionais que partem de uma lógica determinista. Nestes contextos, há uma separação clara e intransponível entre um dentro e um fora, a casa e o mundo. Há também, cada vez mais, um estímulo à individuação no seu sentido mais narcísico, do sujeito que quer seus desejos atendidos e está disposto a pagar por isso. De certa forma, há todo um nicho do design que se alimenta destes sintomas do hipermodernismo. A seguir, darei algumas exemplificações de como essas informações vêm sendo veiculadas, fortalecendo-se em paradigmas do senso comum.
Segundo Prost (1992):
(...) a vida privada não é uma realidade natural, dada desde a origem dos tempos: é uma realidade histórica, construída de diversas maneiras por sociedades determinadas. Não existe uma vida privada de limites definidos para sempre, e sim um recorte variável da atividade humana entre a esfera privada e a esfera pública (PROST, 1992, p. 15).
A esfera privada também é produto da Revolução Industrial tal como o design, e, na medida em que se sofistica ao longo do tempo, torna-se um contexto privilegiado para onde se destinam os produtos e modos de vida elaborados.
A distinção bem demarcada entre vida privada e vida pública passou a ser uma dualidade aplicada e presente no discurso de praticamente todos nós, sendo premissa aos profissionais que propõem design, que se amparam fortemente nesta instância para fundamentarem suas práticas. A especialidade “design de interiores” só pode existir pautada nesta condição.
Não há unanimidade na definição do design de interiores. Para alguns, é sinônimo de decoração; para outros, trata-se de uma ação mais complexa que vai além disso. De todo modo, há, em regra, uma separação clara entre um âmbito de dentro e outro de fora. Um antigo livro de decoração aponta para este entendimento quando
afirma que “no refúgio doméstico é que nos libertamos fisicamente e damos expansão aos sentidos embotados pelas refrações prismáticas urbanas” (SANTOS, 1963, p. 22).
Mas o curioso é que, muito embora esta ideia historicamente construída de casa como refúgio, fortaleza, recanto, ninho e outras metáforas sejam amplamente empregadas (vendidas) há muito tempo, e cuja intenção seja dar a conotação de privativo, exclusivo, discreto, preservado, restrito, íntimo, é possível concluirmos, e uma análise de alguns materiais teóricos a respeito confirma, que a construção deste âmbito se dá em grande parte pautada na necessidade de correspondência a exigências culturais e sociais de comportamento.
Estas exemplificações identificadas em livros e revistas especializadas embasam a proposição de que o design é um potente dispositivo de comunicação, e que o nicho do design que se atém à configuração dos interiores consegue usufruir deste potencial com muita eficiência, pois de forma muito próxima, local.
Em geral, os designers de interiores e os decoradores podem ser considerados, assim, operadores em potencial deste dispositivo, responsáveis por orientarem os seus clientes quanto à relação dos bens materiais adequados de serem obtidos e sua correta configuração no ambiente em questão, seguindo de alguma forma as tendências de mercado na ocasião da deliberação. E a intenção de corresponder a uma tendência em vigor parece muitas vezes se sobrepor à promoção de bem-estar àqueles que aí irão conviver.
Muitos dos materiais escritos que guiam a prática dos mesmos se caracterizam como manuais onde se sugere um passo a passo racional a ser seguido, e que parece partir da escolha de um estilo de decoração predominante, de onde se tomam as decisões (e fazem-se as aquisições).
Ensinar a conhecer e distinguir estilos, orientar na adaptação de acordo com a expressão que se quer dar ao ambiente, ajudar a utilizar e mesclar o clássico fazendo do lar moderno algo mais interessante, mais acolhedor... e belíssimo: eis a finalidade dêste livro.
Nêle fizemos o máximo para expor todos os estilos da maneira mais simples e compreensível, em todos os seus detalhes e características, de modo que se possa conhecer a fundo, e apreciar através dêle, tôda a beleza e o requinte de cada época. Pois é principalmente pela arquitetura e pela decoração que se conhece a maneira de viver, as condições sociais e os hábitos de um povo em uma determinada época (RODRIGUES, 1970, p. 9).
Figura 1: “Qual estilo devo escolher?” (TERHUNE, 1944, p. 12).
No trecho abaixo, constam ambas as referências, a de refúgio e propriedade, bem como a de correspondência às tendências e ao consumo:
E vamos ser sinceros: No ritmo acelerado e muitas vezes confuso de hoje, o ambiente pessoal é talvez mais importante do que em qualquer outra época. Cada pessoa, cada família anseia por um refúgio, um lugar para se sentir realmente "em casa", um lugar de consolo e também para diversão com os amigos. E para a maioria de nós, não é suficiente dizer que as aparências não contam. Quer queiramos ou não, nós vivemos em uma era sofisticada, que exige estarmos ciente de todas as comodidades domésticas. Nós ligamos para o que nossos amigos e vizinhos pensam da nossa maneira de viver e não de forma superficial, uma espécie de “status consciente”. É simplesmente uma questão de querer que os outros saibam que estamos conscientes da nossa cultura, parte da cena, como se fosse. Sabemos também que um ambiente compatível, contribui para nos fazer melhor, mais compreensivos (...). Uma casa ou apartamento de aparência interessante estimula nossa imaginação. Ela faz uma criança crescer mais brilhante, mais alerta. Torna as relações familiares mais gratificantes. Ele faz o entretenimento mais estimulante para anfitriões e convidados. Quer queiramos ou não, a nossa casa, pelo menos parcialmente, nos expressar para o mundo. E isso é uma grande e importante condição (HAGUE, 1976, p. 11-12).
E como a frase abaixo complementa, é uma atividade que requer dispêndio de dinheiro, pois está intrinsecamente ligada a consumo:
Você deve preparar-se e sua família para gastar de uma maneira diferente, para gastar mais e ter a longo prazo qualidade e conforto, em vez de prazer a curto prazo. Se você analisar o seu orçamento sem medo e descobrir que você não pode se dar ao luxo de fazer o quarto ou a casa inteira bem, então você deve esperar até que você tenha acumulado o suficiente (HAGUE, 1976, p. 12).
No que diz respeito à história do design no Ocidente, ele é disseminado sobretudo nos séculos XVIII, XIX e XX na Europa. Os países onde o design foi mais praticado e discutido foram a França e os Estados Unidos. Com a propagação dos meios de comunicação de massa, o design expandiu-se e quanto mais cresceu a rede de consumo, maior se tornou a área de atuação dos designers. Sobre a constituição dos estilos consagrados:
Você pode muito bem pensar em cada período como uma época em que as casas, móveis e mobiliário de atendimento foram desenvolvidos ao longo de certas linhas, sob a liderança de designers e artesãos eminentes, até que estes projetos atingiram sua maior perfeição e maior aceitação. Enquanto isso, havia sempre a iminência de um contemporâneo inspirado em desenvolver uma outra ideia e fazer aquele estilo ter sucesso, fazendo esta contínua sobreposição de estilos.
Aprendendo as características de vários estilos você pode facilmente rastrear influências de design de uma geração para a outra, e de um país para outro, embora uma variação de gosto nacional influencie, bem como os toques individuais de um artesão nativo ao tentar imitar os desenhos do seu mestre original. (TERHUNE, 1944, p. 15)
Figura 2: Arranjos nos estilos Clássico, Século XVIII, Moderno, dados conforme muda a estamparia da poltrona (TERHUNE, 1944, p. 109).
Estilo Gótico, Tudor, Jacobino, Elizabeth, Cromwell, Renascimento, Barroco, Estilos Ingleses (cujas subdivisões são Guilherme e Maria, Rainha Ana, Chippendale, Robert Adam, Hepplewhite, Sheraton), Estilos “Luízes” (Luiz XIII, XIV, XV e XVI), Diretório, Regência, Francês Provincial, Império, Biedermeier, Vitoriano, Estilos da América (Primitivo, Espanhol, Português, Brasileiro, Marajoara), Estilo Moderno. Estes seriam alguns dos exemplos que surgem entre as sugestões apresentadas no livro “Os móveis e seus estilos através os tempos”, de 1954. Thomas Chippendale, Thomas Sheraton e George Hepplewhite, por exemplo, foram influentes marceneiros britânicos do século XVIII, de cuja produção derivou-se um estilo de decoração. Thomas Chippendale elaborou até mesmo um guia onde constava sua produção, o que colaborou evidentemente com a disseminação do estilo a que deu origem.
Tradicionalmente, a história do design entende as diferentes experiências como provenientes de um período político-cultural específico ou de uma dada localização geográfica. Elas davam origem a um estilo, que em geral se configura como uma receita, um modelo a ser implementado e sem grandes possibilidades de adaptação, o que os descaracterizam:
Como você estudou esses estilos de períodos você provavelmente já se perguntou, "O que fazer quanto a todos os móveis se vê e que são muito diferentes de qualquer coisa mostrada aqui? Onde ele pertence e o que posso fazer sobre isso?" Francamente, na maioria dos casos, nada. Na adaptação de móveis para o conforto moderno, cadeiras estofadas, por exemplo, muitas peças incorporam novas características, sem perder suas características originais e boas proporções gerais. São ativos de boas-vindas à vida moderna e contabilizadas numa boa decoração. Há muitos outros, no entanto, que tornaram-se tão distorcidos e híbridos que lhes falta todo o sentido de um bom design, e raramente merecem a sua consideração. Não é porque eles não têm qualquer carimbo de qualquer período determinado, mas por causa do fato de que eles são em si mesmos estranhos (TERHUNE, 1944, p. 55).
Muitas vezes estes estilos são mesclados, na medida em que seguir à risca um deles requer, como dito, alto investimento de dinheiro e de dedicação, tanto em sua organização quanto em sua manutenção. Mas a impressão é que se fazem presentes compondo a decoração, seja em maior ou menor grau, tais estilos consagrados, e que quanto mais “pura” uma decoração, mais esta é enaltecida:
Já não se decoram apartamentos, mesmo que grandes, num só estilo. Já não se decoram casas, mesmo que suntuosas, num estilo único. Há variedade de estilos numa mesma decoração de interiores. É claro que, em ocasiões especialíssimas (decoração de residências palacianas, de embaixadas, ou residências presidenciais), ainda é possível usar-se apenas um estilo único, sem contudo permitir o vetusto das cores, que devem ser um tanto modernas, mas claras. Deve-se não permitir a entrada daquele toque de velharia; mas sim o toque de distinção e “finesse” (RODRIGUES, 1970, p. 181).
Esta orientação de obedecer às diretrizes postuladas por estilos, caracterizados por serem tendências “inabaláveis”, fixadas, ainda é encontrada sendo veiculada nos tempos atuais, sendo sugerido que o processo deva partir destas certezas:
Quanto ao estilo, ele pode variar de acordo com seu criador e o cliente. Um decorador parece um estilista de moda, porque imprime seu gosto ao ambiente. A opinião do cliente, seus sonhos de casa ideal e como ele pretende viver no espaço combinam com o estilo do decorador ou do arquiteto, de comum acordo (TERRA; RODRIGUES, 2000, p. 14).
O que a existência destes estilos e os manuais que os sistematizam evidenciam é que a constituição da casa, fator determinante para o desencadeamento de modos de vida relacionados, é muito influenciada por diretrizes que não partem de uma organização própria, local. A partir dessas descrições, parece que tudo se pauta pela padronização de estilos, escolas, norteadores de comportamentos.
As revistas de decoração são as que mais colaboram com isso. O que se nota é a propagação de tendências. São elas que correspondem à proliferação de modos de vida, fundamentados mais por comportamentos compatíveis do que por estilos rigidamente constituídos. Com uma regularidade que pode ser anual, semestral ou orientada pelas estações do ano, em geral, tais tendências são de antemão provisórias e previamente são estabelecidos o seu início e seu fim.
“A liberdade é a grande aposta”3, sugere uma destas revistas, e na sequência nos informa sobre as quatro tendências de se morar, ou melhor, de se viver, em voga no ano que vem: “refúgio bucólico”, “casa-ateliê”, “romântico profundo” e “intimista orgânico”. E, obviamente, para se viver desta forma, só estando cercado pelo cenário coerente, compostos por itens específicos e numa disposição válida.
A palavra cenário é, inclusive, muitas vezes aplicada, como em afirmações tais como “sem dúvidas esse mix de elementos servem de base para a construção do cenário de vida de seus clientes”4. E isso pressupõe a substituição dos componentes deste ambiente na medida em que se queira “encenar” algo diferente.
Neste mesmo número da revista comentada, lemos “da casa-contêiner ao apartamento neoconcretista, uma seleção de projetos que falam sobre a nova estética urbana de morar” (p. 97). E sobre esta, lemos mais adiante que “apartamento paulistano arquitetado por (...) traduz a estética contemporânea de morar: rigor modernista, sotaque cosmopolita, pimenta vintage e os dois pés no futuro” (p. 116), ou seja, são dadas pistas sobre do que se trataria esta “estética” hoje em vigor (ou isso torna ainda mais complicada a questão). O que podemos concluir é que não se tratam mais de estilos fechados.
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Revista Casa Cláudia, Editora Abril, novembro de 2012.
Figura 3: Foto do apartamento descrito anteriormente. Mais descrições dadas: “O apartamento (...) é uma nesga de seu estilo pop e sui generis que cabe em qualquer lugar do mundo”, “com sede de espaço, os moradores encomendaram ambientes mais amplos, com materiais atemporais e efeito impactante (...)”, e “espaços generosos e poucas setorizações deixam o layout mais dinâmico, uma releitura da integração que é a cara da nova estética da vida urbana, marcada por matéria-prima tecnológica (cimento queimado, corian, limestone).”
Ainda que o termo “atemporal” seja encontrado em muitas das descrições de ambientes projetados hoje em dia, e que isso pareça ser um dos fundamentos da nova “estética de morar”, é interessante analisar e concluir que estas tendências que delineiam a nova estética são praticamente sempre constituídas por fragmentos de estilos expressos pelos objetos escolhidos, ou seja, são atemporais possivelmente porque são híbridos, ainda que cada item em si possa ser conotado como emergente de um contexto específico (logo, nunca atemporal).
“Assentada sobre as rochas da Joatinga, no Rio de Janeiro, a casa (...) exibe formas modernas e conteúdo atemporal rasgados para a paisagem desconcertante” (p. 123). “(...) concordamos em elencar materiais multifuncionais e estabelecer uma decoração minimalista, apenas com peças curingas” (p. 125). Estas são descrições de
outra casa de decoração atemporal, contida no mesmo número da revista citada, o que supostamente significa que é uma casa que não “cai de moda” fácil.
Figura 4: Foto da casa descrita anteriormente.
De fato, há sempre uma correspondência com estilos em alguma medida devido aos itens que os compõem e à procedência destes, combinados muitas vezes de uma maneira já prevista. Lemos ainda sobre a casa em questão acima: “(...) buscamos inspiração no japonismo, a exemplo dos painéis e dos espaços livres, e na arquitetura parisiense Haussmaniana, expoente do século 20, que reforça a amplitude do recinto como seu ponto máximo (...)” (p. 126). A decoração, e mesmo o design de interiores, se apegam ainda hoje ao termo “estilo” de forma marcante para conduzir suas práticas.
Figura 5: Foto da decoração de uma casa pautada num estilo específico. Revista Kaza, Editora Ação, novembro de 2012, p. 135.
“(...) Para decorar esse paraíso particular, sinta-se livre”, lemos numa destas publicações5. “Não temos mais de escolher: é permitido ser retrô e futurista, homem e mulher, minimalista e barroco... A ideia é transformar suas referências em um estilo”, sendo que “os espaços serão cada vez mais flexíveis, e os móveis, multiuso”. São afirmações da pesquisadora holandesa Li Edelkoort, nesta mesma reportagem (p. 96). Depoimentos como estes mostram que a noção de “estilos” ainda prevalece, embora estes sejam dispostos de forma a incitar modos de vida que se alternam.
O design dos produtos e o dos ambientes que os reúnem se mostram enquanto dispositivos de comunicação potentes para a incitação destes modos de vida, algo que se verifica por meio da consulta a estes materiais de divulgação em massa. Se os estilos fossem empregados com rigor, não permitiriam inserções frequentes, ou seja, reformulações e a troca dos objetos que as sustentam. Logo, nada mais viável do que
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estimular a liberdade e personalização na constituição destes contextos, ainda que o que se queira, na realidade, seja movimentar a economia via venda de produtos.
“O apartamento do designer e stylist italiano (...), em Milão, é um daqueles lugares ecléticos, em que a mistura dos estilos clássico e contemporâneo resulta em ambientes estimulantes ao olhar”, é a descrição presente na página 110 de outro volume de uma influente revista de decoração6. Existe um mercado para decorações feitas em um estilo único e puro (como a descrita abaixo), mas no geral o hibridismo é a tendência, o que, como posto, não extingue os estilos consagrados, pilares convenientes, apenas os ressignifica.
Figura 6: Foto da decoração de uma casa pautada num estilo específico. Revista Casa Vogue, Editora Globo Condé Nast, novembro de 2012, p. 185.
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Quanto à descrição da decoração executada na casa acima retratada:
O arquiteto (...) valeu-se de ricos materiais, móveis e adornos antigos e uma
boiserie do século 18 para dar alma a esta casa. Nesse imponente tributo ao
neoclássico francês, há espaço para um toque de Brasil – na arte e no jardim (p. 180).
O arquiteto (...) se diverte enquanto trabalha. Principalmente quando viaja à Europa com seus clientes fiéis para fazer as compras de móveis e objetos: “É uma curtição!”. Desta vez, a “brincadeira” foi longe. A bagagem que trouxe para decorar uma de suas recentes casas palacianas – uma construção de 2.500 m2 no Jardim Europa, em São Paulo – veio ainda mais recheada. Nos contêineres, lotados de antiguidades dos séculos 18 e 19 (e peças de meados de século 20), chegou a boiserie original de um hôtel particulier, também do século 18, localizado no 7º arrondissement, em Paris. E que veio revestir inteiramente toda a casa que leva sua assinatura, erguida no lugar da que foi demolida. Do projeto arquitetônico, dentro do mais puro neoclassicismo francês urbano, como ele gosta, aos interiores totalmente tradicionais, o arquiteto cuidou de tudo.
“Elaborei um ‘programa janseniano’ (refere-se a Maison Jansen, um renomado fabricante francês de móveis que existiu por cerca de cem anos a partir de 1880), com espaços absolutamente estabelecidos para cada atividade”, afirma (...). Assim, a propalada integração contemporânea dos diversos ambientes, aqui, não tem vez (...) (p. 187).
Os estilos, ou o que se desdobra deles, podem ser identificados pelos comentários de arquitetos, designers e decoradores selecionados por uma rede de móveis planejados para aparecerem com destaque em revistas7 especializadas. Assim, quando questionados a respeito do estilo que seguem, observamos respostas do tipo: “identifico-me mais com o contemporâneo pois sou partidária das linhas retas e também procuro integrar ao máximo os ambientes dos meus projetos”; “priorizar a estética com as melhores soluções técnicas e funcionais para cada ambiente”; “contemporâneo e minimalista. Elaboro projetos funcionais, criativos e personalizados”; “eclético e moderno sem abrir mão de atender o sonho e o desejo do cliente”; “contemporâneo”; “linhas retas e ambientes limpos sem deixar de priorizar a identidade do cliente”; “a nossa experiência profissional demonstra que o grande desafio é conciliar o mix de estilos e deixar cada projeto com a cara do cliente”; “contemporâneo e sofisticado”; “misturo os vários tipos de estilo e principalmente procuro passar o lifestyle dos clientes para o projeto. Os clientes são a minha maior fonte de inspiração”; “arquitetura contemporânea com pinceladas clássicas”.
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Como se vê, parece não existir muita precisão entre os próprios profissionais sobre o que seria cada estilo e a função do design. Este processo ocorre, literalmente, “de fora para dentro” e sem qualquer dinamicidade:
Livros e artigos de revistas costumam seguir um de dois caminhos: eles enfatizam a abordagem esteticamente elevada com palavras como "elegância", "sabor" e "ambiente" cogitadas por descuido ou eles seguem um caminho inferior, ou seja, de que decoração é simplesmente uma questão de colocar os ingredientes juntos, como fazer um bolo. Como na maioria dos empreendimentos, a abordagem sensata de sucesso está em algum lugar entre esses extremos. Não há dúvida de que nas mãos de poucos, os designers de decoração verdadeiramente talentosos podem representar uma forma de arte.