3 METHODS
3.10 Q UANTIFICATION OF GENE EXPRESSION
Na década que medeia 1987 e 1997 Mercedes de los Reyes Peña e Piedad Bolaños Donoso (1989a, 1989b, 1989c, 1991, 1998) trabalharam sobre o Pátio das Arcas e produziram uma extensa compilação de informação com recurso a documentação inédita. Juntamente com o Arquitecto Juan Buendía realizaram a primeira proposta de planta dos pisos deste teatro e a sua investigação culminou na elaboração e reconstrução virtual do Pátio das Arcas, em conjunto com a equipa de investigação do Centro de Estudos do Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Camões, Reyes Peña, Bolaños Donoso, Ruesga Navarro & Palacios, 2015).
Em 1989 escreveram os dois artigos que ditaram o primeiro passo para o estudo deste pátio, começando por coligir todos os documentos e fortuna crítica que encontraram sobre o Pátio das Arcas - Teófilo de Braga, José Maria Nogueira, José Ribeiro Guimarães, Matos Sequeira, Eduardo Freire de Oliveira, entre outros - regimentos sobre as comédias e alguns documentos do Arquivo da Torre do Tombo, com destaque para 1) a escritura (1593) da compra do terreno para a construção do teatro por Fernão Dias La Torre a D. Diniz de Alencastro (Fig. 55), (ANTT/HSJ/Liv. 1187, ff. 135r e 135v)19; 2) o Tombo
incompleto, de 1696 (ANTT/HSJ/Liv. 1186); 3) e a escritura de 24 de maio de 1707 onde
consta a descrição do espaço teatral do Pátio das Arcas após o incêndio de 1697 (ANTT/HSJ/ Liv. 1099) (Bolaños Donoso & Reyes Peña, 1989a: 170 - 172).
Com base nos dados adquiridos publicaram o artigo intitulado El Patio de Las
Arcas de Lisboa a finales del siglo XVII: comparación com el corral castelhano, onde
transcrevem parte destas escrituras, somando-lhes a fortuna crítica de José Maria Nogueira, José Ribeiro Guimarães e Gustavo Matos Sequeira, propuseram o desenho esquemático dos pisos do Pátio das Arcas à data de 1696 (Fig. 56-60). Comparando a construção teatral portuguesa com os corrales de comédias espanhóis, referem que se “trata de una importantíssima proyección del teatro áureo español en território português, que, a nuestro juicio, debe tener cabida en la historia teatral de ambas naciones” (Bolaños Donoso & Reyes Peña, 1989a: 167).
Figura 55 - Planta de implantação do Pátio das Arcas propostas por Mercedes de los Reys Peña e Piedad Donoso (1593) (Reyes Peña & Bolaños Donoso, 2007).
Figura 56 - Planta de implantação do Pátio das Arcas propostas por Mercedes de los Reys Peña e Piedad Donoso (1696) (Reyes Peña & Bolaños Donoso, 2007).
Figura 57 - Planta do piso térreo do Pátio das Arcas propostas por Mercedes de los Reys Peña e Piedad Donoso (1696) (Reyes Peña & Bolaños Donoso, 2007).
Figura 59 - Planta do piso 2 do Pátio das Arcas propostas por Mercedes de los Reys Peña e Piedad Donoso (1696) (Reyes Peña & Bolaños Donoso, 2007).
Figura 60 - Planta do piso 3 do Pátio das Arcas propostas por Mercedes de los Reys Peña e Piedad Donoso (1696) (Reyes Peña & Bolaños Donoso, 2007).
Admitindo uma influência directa tomaram algumas decisões na definição do espaço teatral lisboeta, cruzando as novas informações documentais com os estudos sobre os corrais de John Allen, Shergold, Sentaurens, entre outros (Bolaños Donoso & Reyes Peña, 1989b). Esta influência confirma-se no artigo intitulado La Reconstruccion del
Patio de Las Arcas de Lisboa tras el incendio de 1697, onde propõem as plantas
esquemáticas do pátio, citando um novo documento do livro de receitas do Hospital Real (transcrito por Guimarães, 1876) entre 1699-1700, onde consta uma sucinta descrição dos pisos do pátio que comparam directamente com o Corral de la Monteria de Sevilha (Bolaños Donoso & Reyes Peña, 1989c: 456-458). Em 1991 compilam os artigos supracitados na publicação Cuadernos de teatro clássico (Bolaños Donoso & Reyes Peña, 1991) onde os reproduzem com algumas modificações e novas informações. Assim, fazem um novo avanço nos desenhos do pátio, pois a proposta do espaço teatral após o incêndio abandona os desenhos esquemáticos para passarem a ser mais pormenorizados, tendo sido desenhados pelo Arquitecto Juan Buendia (Bolaños Donoso & Reyes Peña, 1991: 311-313) (Fig. 61-64). Este trabalho de investigação culminou na realização de um modelo tridimensional em conjunto com o já mencionado Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras de Lisboa (Camões, Reyes Peña, Bolaños Donoso, Ruesga Navarro & Palacios, 2015).
Figura 62 - Planta do piso térreo do Pátio das Arcas propostas por Mercedes de los Reys Peña e Piedad Donoso (1707) (Reyes Peña & Bolaños Donoso, 2007).
Figura 63 - Planta do piso 1 do Pátio das Arcas propostas por Mercedes de los Reys Peña e Piedad Donoso (1707) (Reyes Peña & Bolaños Donoso, 2007).
Figura 64 - Planta dos pisos 2 e 3 do Pátio das Arcas propostas por Mercedes de los Reys Peña e Piedad Donoso (1707) (Reyes Peña & Bolaños Donoso, 2007).
O interesse por este trabalho é evidente e a investigação das autoras permitiu-nos dar continuidade ao estudo deste pátio, entre os séculos XVI e XVII, o principal na cidade de Lisboa. O nosso primeiro desafio foi revisitar a documentação20 que as autoras tinham consultado, o que se revelou difícil, em função da mudança de cotas no Arquivo da Torre do Tombo. Porém, essa pesquisa com cotas inseguras levou-nos ao encontro da mesma e de nova documentação21, que estudámos e interpretámos, cruzando a sua informação com a fortuna crítica de modo a complementar a história do Pátio das Arcas, e a sua longevidade centenária.
20ANTT/HSJ/Liv. 1187, Escritura de 1593, f. 135r e 135v; ANTT/HSJ/ Liv. 1186, Tombo incompleto dos
bens e prazos de Lisboa (1696); ANTT/HSJ/ Liv. 1099, Auto de Medição devizão e comfrontação do Pátio das Comédias com todas suas pertenças e cazas à fase da Rua das Arquas de que está de posso o Hospital Real de todos os Santos desta Cidade cito na freguesia de Santa Justa. (1707).
21 Archivo Regional de la Comunidad de Madrid, Fondo Diputación, legajo 5222, expediente 16c,
Reglamento de el Hospital Real de la Ciudad de Lisboa hecho en el año de 1632, Cap 23. Los Mordomos
de las Comédias; ANTT/HSJ/Cx. 273, mç. 1, 14A, Alvará régio concedendo ao Hospital o privilégio de se
não poderem representar comédias senão nos lugares que o provedor e oficiais do mesmo hospital assinalarem, 1588; ANTT/HSJ/ Liv. 1124, Escritura de 1591, ff. 278v – 283v; ANTT/ FF/ Juiz Inspector
Outra autora que trabalhou sobre as plantas deste pátio foi Maria Alexandra Gago da Câmara, em 1991, na dissertação de Mestrado intitulada Os Espaços Teatrais na
Lisboa Setecentista. Subsídios para o estudo da Arquitectura Teatral (editada em 1996
pelos Livros Horizonte com o título Lisboa: Espaços teatrais setecentistas).
Partindo da investigação realizada por Mercedes de los Reyes Peña e Piedad Bolaños Donoso, Gago da Câmara (1991) faz um levantamento sobre os pátios das comédias lisboetas e cria um modelo do Pátio das Arcas, apresentando uma proposta de planta antes e depois do incêndio de 1697 (Fig. 65-71). Luís Soares Carneiro aponta na sua tese Teatros de Raiz Italiana (2002) algumas questões sobre as opções arquitectónicas dos modelos propostos por Gago da Câmara. Iremos problematizar, no subcapítulo 5.6.1, as interrogações críticas colocadas pelo arquitecto Soares Carneiro, dando respostas com base na investigação e na nossa sugestão de desenho da estrutura arquitectónica do Pátio das Arcas que, realizada à luz da documentação (ANTT, HSJ, Liv. 1186), difere da proposta apresentada pela autora.
Figura 65 - Planta de implantação proposta por Maria Alexandra Gago da Câmara (1591-1755) (Câmara, 1992).
Figura 66 - Piso térreo do Pátio das Arcas propostas por Alexandra Gago da Câmara (1696) (Câmara, 1992).
Figura 68 - Piso 2 do Pátio das Arcas propostas por Alexandra Gago da Câmara (1696) (Câmara, 1992).
Figura 69 - Piso 3 do Pátio das Arcas propostas por Alexandra Gago da Câmara (1696) (Câmara, 1992).
Figura 70 - Pisos térreo e 1 do Pátio das Arcas propostas por Alexandra Gago da Câmara (1707) (Câmara, 1992).
Figura 71 - Pisos 2 e 3 do Pátio das Arcas propostas por Alexandra Gago da Câmara (1707) (Câmara, 1992).
5.2. Arquitectura perecível versus arquitectura duradoura: evolução de um