4 Dei private jordeigarane
4.1.6 Typologi og kategorisering
O Praça da Alegria foi um programa de longa duração com cerca de 19 anos no ar. O que determinou o seu fim?
O Praça da Alegria teve a maior parte do seu percurso no Porto, onde foi líder de audiências. O programa passou para Lisboa em 2012, e já desde 2010/2011, o Praça da Alegria vinha perdendo audiência e impacto dentro daquilo que é a oferta televisiva dos canais generalistas.
Com a perda progressiva da audiência e da frescura que antes existia, o que se compreende de um programa que estava no ar há 17 anos [ainda no Porto], começou- se a questionar se não era uma marca desgastada. Os programas também funcionam como marcas e como estão muito tempo no ar acabam por funcionar como essas. Equacionou-se na altura se a marca não estaria desgastada e se não era o momento de operar uma renovação profunda e até mesmo de descontinuar o programa. Estas coisas não são consensuais, visto que são programas com uma grande dimensão, peso e longevidade, ainda há mais matéria de reflexão e portanto depois de algumas discussões, decidiu-se que antes de terminar o programa uma hipótese seria mudar a produção e ver se isso se traduzia numa renovação estrutural do programa.
O programa passou para Lisboa, onde houve uma restruturação interna. O Praça de Alegria já no Porto estava a perder o tal desempenho de audiência, como referi anteriormente. A passagem para Lisboa não surtiu o efeito desejado. Se já estava numa curva descendente no Porto, em Lisboa continuou a acentuar-se. A transferência da produção do Porto para Lisboa levou a inúmeras polémicas por parte público do portuense. Por serem um público muito fiel e aguerrido, protestaram de diversas formas, desde vigílias, minutos de silêncio, com câmaras municipais a contestarem... Foi uma bomba que veio fortalecer a polémica e acabou por fragilizar o programa, foi um voto por parte do público do norte: “não queremos saber mais desta praça de alegria que agora é de Lisboa”. Foi entendido como uma fragilização da posição do centro de produção da RTP do norte. O que é certo é que perante todos estes contextos, o Praça de Alegria foi perdendo força.
O daytime, isto é um comentário paralelo, tem vindo a ganhar força estratégica para todos os canais. O daytime são períodos longos da manhã e da tarde, ou seja, é a fatia mais larga do dia dedicada a um único formato. Os programas do daytime, tanto os da manhã como os da tarde, são os que ocupam 2/3h de emissão. O que antigamente eram os programas da manhã e da tarde e iam enchendo um bocadinho a grelha, foi se percebendo, nos últimos anos, que ocupam uma fatia muito importante da programação diária e que contribuem muito significativamente para a guerra das audiências, como se costuma dizer. E portanto, começou-se a perceber que o prime- time, a parte mais importante até do ponto de vista comercial da programação, não era exclusivamente o único espaço de antena a que era preciso dedicar atenção. Existem outros espaços que merecem cada vez mais atenção por parte dos directores de programas.
Concluindo, o que ditou o fim da praça de alegria foi o ciclo normal de um programa televisivo. Não há programas eternos e no fundo o programa cumpriu a sua “visão”, teve quase 20 anos no ar, já tinha perdido a pujança e a liderança adquirida noutros tempos. Houve uma tentativa de dar a volta a isso, não surtiu o efeito desejado e portanto o melhor foi acabar com esta marca, acabar com este programa e dar lugar a um novo.
E como surgiu o novo programa, o Agora Nós?
Percebeu-se que, internamente e ao nível aqui de Lisboa, para garantir um novo programa, este teria de estar cheio de força e de novas ideias. O melhor era ter uma produção com recursos que não existiam cá dentro. Foi feita uma consulta ao mercado e decidiu-se que a Coral, que tem uma experiência e background importante nesta área do daytime, tinha os requisitos necessários para poder fazer este programa. Posteriormente a direcção de programas da RTP em concertação com a Coral (Direcção de Conteúdos e Produção) foram afinando o que poderia ser o conceito. A Coral começou por apresentar a proposta, essa proposta foi posteriormente trabalhada pela direcção de programas até se chegar a um formato que era confortável para ambas as partes. Desta forma, decidiu-se avançar com este novo programa que é o Agora Nós.
Como se procedeu à escolha dos apresentadores neste novo formato?
Houve aqui um factor determinante na questão dos apresentadores: a partida do João Baião que era a figura da manhã juntamente com a Tânia Ribas de Oliveira.
Nesta questão dos daytime não há duvida nenhuma que os apresentadores ditam em absoluto o sucesso ou insucesso dos programas. Aliás, o programa Líder de audiência (Você na TV), é conhecido antes de mais como o programa da “Cristina Ferreira e do Goucha”, mais do que outra coisa qualquer.
Existe uma grande importância cedida pelos espectadores, não só aos apresentadores individualmente, mas à dinâmica que se gera entre eles. Ainda por mais, criou-se agora as duplas de apresentadores em todos os canais. Neste momento, não tem de haver um bom apresentador, nem uma boa apresentadora, têm de ser ambos muito bons individualmente mas tem de ter uma grande dinâmica e uma grande química e isso existia efectivamente entre a Tânia e o Baião. Com a partida do Baião que é de domínio público ficou aqui um hiato que era necessário preencher. A Tânia assegurou, e muito bem, o resto da temporada sozinha. Foi uma aposta ganha, a própria direcção de programas da RTP o reconheceu.
Com este novo formato impunha criar-se uma nova dupla. Sabíamos que não era uma missão fácil, porque tínhamos a referência do Baião que era muito forte. Ora para ser alguém que viesse para o lugar do Baião, não podia ser um sucedâneo, tinha de ser alguém que se afirmasse pela diferença e que tivesse um outro perfil. Cada pessoa tem uma determinada identidade e estar à espera de uma cópia nunca dá resultado. Não sei precisar ao certo como surgiu o nome do José Pedro Vasconcelos, mas surgiu. E foi considerado pela Direcção de Produção que poderia ser uma aposta interessante. Tinha de se arriscar. Foi feito o convite ao Zé Pedro que já demonstrava interesse. Torna-se importante que as pessoas mostrem empenho para assumirem um desafio e realmente estamos todos muito satisfeitos com a dupla.
É uma dupla que se acaba de formar e terá de ter o seu percurso. Há alguns factores que nos levam a crer que é uma dupla de sucesso. Eles têm uma boa química, uma óptima cumplicidade, claro que pode haver alguma assimetria quanto à experiência da Tânia e do Zé Pedro. A Tânia apresentou o Praça de Alegria durante cerca de 7 anos. E antes disso já apresentava o Portugal no Coração. A própria Tânia diz, com alguma graça, quando soube que tinha de trabalhar com o João Baião: “Por amor de Deus,
vão-me agora pôr um actor de revista ao lado”. A dupla resultou e foi uma história de amor, como toda a gente conhece.
O Zé Pedro é uma pessoa que trabalha muito e se prepara. Ele consegue muito facilmente passar de um registo divertido e irreverente para um estilo sério e de perguntas/conversas mais intimistas que o day-time também exige, uma vez que são espaços que se querem emocionalmente intensos e próximos das pessoas, não se pode estar sempre na palhaçada.
O Zé Pedro Vasconcelos vinha de uma formato completamente diferente, “o 5 para a meia-noite”, direccionado para um público mais jovem e diferente daquele que segue os programas da manhã? Haverá uma procura por novos públicos?
Não foi o que ditou a escolha. O grande objectivo com o Zé Pedro no início foi fazê-lo demarcar-se do seu registo mais conhecido, o “5 para a meia-noite”, o tal estilo mais irreverente e humorístico, que fazia umas patifarias em situações públicas, etc. E foi- lhe recomendado que se distanciasse disso. Naturalmente que é bom em qualquer novo programa ter uma cara fresca com algum sentido de humor, energia, com capacidade de ir buscar novos públicos. Mas o mais importante é fidelizar um público que já existe. Os programas, quer da manhã quer da tarde, têm um determinado target, e idealmente há que fidelizar esse público que já “pertence” a essa duas fachas e de preferência captar a atenção de novos públicos também. Não se pode é hipotecar aquilo que já existe na esperança de ir buscar novos públicos porque esses poderão ou não aderir.
O porquê da escolha do nome Agora Nós para este novo formato?
A escolha do nome do programa foi dificílima, durou cerca de um mês e havia listas com centenas de nomes. Várias pessoas tentaram sugerir nomes, desde a Coral, direcção da RTP até vários departamentos como o Centro de Inovação da RTP deram sugestões para nomes mas não tinha aparecido um com que todos tivessem sentido que era “o tal”. Certo dia houve uma reunião, em desespero de causa, e houve alguém da RTP que disse Agora Nós e no momento em que essas palavras surgiram, soaram bem.
O Agora Nós tinha um duplo sentido que nos pareceu muito interessante: 1º prendia- se com o próprio conceito do formato que tinha a ver com proximidade do público, um
programa que quer ir ao encontro das pessoas e trazê-las para o estúdio, ir às suas casas, às suas vidas e trazer a dimensão humana e actual para dentro do programa e nesse sentido o nome é “Agora é a nossa, vossa vez”; 2º tinha algum arrojo/atrevimento, “Agora é a nossa vez”, a nossa vez de propor um novo formato e acabou por ser consensual.
Havia um formato semelhante, suponho que italiano, que reproduzia um bocadinho o ambiente de uma praça pública e um elemento do centro de produção da RTP do Porto pensou “isto era giro para um programa da manhã”: um espaço de esplanada/café que temos muita tradição em Portugal. Aí surgiu o conceito.
Eu acho que o nome Praça de Alegria surgiu do Goucha, primeiro apresentador do programa e também porque existe uma quer no Porto como em Lisboa, e a decisão foi unanime.
Quais os apresentadores que já passaram pelo Praça da Alegria?
A ordem foi a seguinte: Ainda no Porto, Manuel Luís Goucha e Anabela Mota Ribeira e, mais tarde, o repórter Hélder Reis. Logo depois, Sónia Araújo (inicialmente bailarina) saltou para a co-apresentação juntamente com Manuel Luís Goucha. Com a saída de Manuel Luís Goucha para a TVI, o programa é apresentado por Sónia Araújo, Jorge Gabriel e Hélder Reis (responsável pela grande curva de ascensão do programa). Em Lisboa, o programa foi apresentado por Tânia Ribas de Oliveira e João Baião. Com a saída deste, a Tânia ficou a apresentar o programa sozinho.
O que difere o programa Agora Nós do anterior, Praça da Alegria?
O Agora Nós esta mais centrado em histórias de vida, com mais produção, mais recursos que se traduz num trabalho de pesquisa mais minucioso que é necessário para encontrar estas histórias. Portanto, o Agora Nós centra-se mais em casos de vida, sejam eles mais inspiradores, sejam eles de pessoas que necessitam de apoio/ajuda, que denunciem determinadas situações ligadas à maternidade, à deficiência física, e são histórias que se querem constituir como exemplos para esclarecer o público sobre a forma de lidar em determinadas situações.
Nós sentimos que as pessoas gostam de seguir estas histórias, porque ou se revêm e se projectam nelas ou acabam por sentir que recebem informação útil, por exemplo, o
caso de uma violência doméstica. A ideia não é só mostrar a história de vida de uma pessoa que tenha sido vítima de violência doméstica, é também perceber quais são os enquadramentos legais, jurídicos, psicológicos que se podem ter em atenção para se fazer face a um problema semelhante. E toda a gente conhece alguém que tenha passado por problemas deste tipo.
O Praça de Alegria era um programa mais centrado em questões ditas de Serviço Público. Era um programa muito rubricado (muitas rubricas). Tinha cerca de 3 rubricas por dia, enquanto agora existe 3 ao longo da semana. Era um programa muito vocacionado para dar sugestões e dicas às pessoas (saúde, beleza, alimentação, nutricionismo, agenda, economia, questões jurídicas), muito vocacionado para este consultório das dicas e levava muito em conta aquilo que é a agenda do país, espectáculos, filmes, actores que fazem parte da produção da estação, e por vezes tinha algumas histórias de vida, mas não era esse o foco. É talvez a grande diferença.
Com o surgimento de programas de outros canais, com histórias de vida, influenciou para o decréscimo da audiência na RTP?
Talvez. Quando estamos a falar de programas desgastados, por mais operações de maquilhagem que se façam, cria-se na cabeça das pessoas uma determinada ideia, o já visto, e eu acho que a praça estava nesse momento. O ideal era terminar. Mais do que perpetuarmos renovações do programa, o que era necessário era criar um novo formato com uma nova linguagem, com um novo grafismo, uma nova imagem e muito embora haja o privilegiar destas histórias, destes casos reais, é um programa que está inserido numa estação de serviço público como é a RTP 1. Portanto, campanhas de solidariedade, assuntos de responsabilidade social, agenda cultural, parcerias que existem (com o cinema, teatro, televisão) também aqui encontram eco e têm visibilidade.
O facto deste programa se assemelhar a outros de canais privados, não perde a definição de Serviço Público?
Eu acho que a preocupação da produção do programa é ir ao encontro daquilo que o público quer e gosta, sem deixar de prestar serviço público. É nesta gestão que o programa se vai construindo. Agora mesmo com alguns temas de âmbito criminal, que
às vezes aparecem, é sempre com o objectivo de depois oferecer as tais ferramentas de como lidar com o desaparecimento de um filho, que ferramentas legais existem para que possamos fazer alguma coisa, … Não é contar a história por si só, é a partir dessa história fornecer informação para que pessoas com situações idênticas saibam como lidar.