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4.5.2 Type problem
O processo de partilha do conhecimento construído na escola intensifica a etapa inicial de construção do conhecimento a partir da constituição de um ambiente de colaboração e da aprendizagem coletiva, descentralizando todas as possíveis formas de aprender. Tavares (2010, p. 47) afirma que a gestão precisa “incentivar a comunicação e encorajar seus funcionários a essa comunicação” de modo a propiciar novas aprendizagens, assim como, um conhecimento voltado para a ação. As entrevistas realizadas demonstraram que a socialização – que segundo Takeuchi e Nonaka (2008, p. 254) “é o processo que cria conhecimento tácito a partir de conhecimento tácito através da partilha de experiências” – é o primeiro modo de conversão que inicia a espiral do conhecimento e é um ponto frequente na escola campo de pesquisa. Dessa forma, é possível perceber a existência de espaços articulados para a partilha dos conhecimentos construídos na escola, como é possível verificar nas falas a seguir.
Primeiro a gente reúne o conselho para que os conselheiros possam dar suas sugestões, porque cada conselheiro, ele aprende e ele também ensina (EC2). Mensalmente nos reunimos a fim de aliarmos nossas estratégias, na busca de proporcionar mais qualidade na prestação do nosso serviço, né? (EF2). É mais ou menos por aí, porque a gente faz dia de segunda, terça e quinta os estudos por área do conhecimento e uma vez por mês todo mundo junto (EG2).
Esses momentos de partilha de conhecimentos possuem grande relevância e influenciam diretamente nos resultados da instituição, pois, à medida que os sujeitos conseguem aprender juntos, comungando de objetivos comuns, evoluem e criam os resultados pretendidos. Nesse sentido, Senge (2013, p. 34) cita que nas organizações aprendentes “a aspiração coletiva ganha liberdade e as pessoas aprendem continuamente a aprender juntas”, o
que torna a criação de espaços para discussão e troca de experiências fundamental. A fala a seguir trata dessa temática.
[...] na nossa função que é administrativa, infelizmente ficou um pouco escasso isso, durante muito tempo. Agora, já há uns dois, três meses, a gente tá se encontrando frequentemente; mensalmente a gente já tá tendo o encontro. E a partir desses encontros a gente já percebe uma certa evolução, uma certa produção que antes não tava havendo (EF1).
Ao relatar que os encontros que abrangem sua área é uma prática recente na escola, é possível perceber, no discurso do entrevistado, que essa ainda não se trata de uma ação consolidada, embora se reconheça a importância desses momentos para a melhoria dos processos, ao citar a ocorrência de avanços em função da nova prática. A ampliação de reuniões a áreas antes não contempladas, torna-se um indicador de que a escola vem repensando suas ações no sentido de ampliar a participação através de espaços de diálogo. Além disso, é importante salientar que o conhecimento também pode ser partilhado em situações informais, como citam os entrevistados.
[...] a maneira que a gente mais usa, que a gente partilha é a conversa diária, é a conversa informal que a gente mais utiliza (EF2).
Os momentos de estudo, acontecem às vezes de maneira informal e às vezes formal (EP4).
Assim, planejamento formal, não tem, mas a frequência tem. Como eu já disse, tem a frequência semanal e tem a mensal (EG2).
É possível captar, através do que dizem os entrevistados, que a informalidade ainda prevalece nos encontros para partilha de conhecimentos, podendo a escola avançar mais no planejamento e sistematização de formas de compartilhamento de experiências e trocas de conhecimentos em todos os departamentos da instituição, já que esses momentos fazem parte da rotina da escolar.
Outra forma bastante significativa de partilhar conhecimentos é o intercâmbio, item especificamente contemplado nas entrevistas. Nessa direção, perguntou-se à gestão e aos professores a respeito das oportunidades de intercâmbio promovidas pela escola ou mesmo pela Secretaria de Educação. Obteve-se o entendimento de que essas oportunidades ocorrem anualmente no âmbito do estado e limitam-se às Escolas de Referência em Ensino Médio e às Escolas Técnicas do Estado. Já no âmbito escolar e municipal, aparece a ocorrência de Feiras
Pedagógicas. As falas a seguir demonstram que quando se propõe um intercâmbio à escola, se habilita a participar.
A gente tem mostras pedagógicas, as escolas de referência todo ano têm amostras pedagógicas, então a gente se prepara, geralmente é no mês novembro pra início de dezembro, aí a gente, entre todos os projetos vivenciados, a gente já escolhe. Hoje a gente já tava discutindo dois projetos que provavelmente, se não surgir outros já são de grande potencialidade (EG1).
A Secretaria de Educação através do site. Mas pela GRE, basicamente nada, que é mais próxima nossa. Pela GRE nada. Pela Secretaria de Educação, também promove um fórum anual para escola, mas é anual, dois dias, uma vez por ano (EP1).
A gente faz feiras só da escola, como também o município faz feiras pedagógicas que a gente participa (EP2).
Uma oportunidade anual de intercâmbio promovida pela Secretaria de Educação é citada na segunda fala, que é enfática ao relatar o fato da Gerência Regional de Educação (GRE) não apresentar propostas de intercâmbio. Quanto ao site, também mencionado pelo mesmo entrevistado do corpo docente, aparece como uma oportunidade, mas não fica claro se é utilizada comumente na instituição. É pertinente notar que não há entusiasmo expresso no discurso em foco, diferentemente do que é demonstrado na fala do entrevistado gestor, ao se tratar da mostra pedagógica, reportada também como fórum. A participação em feiras pedagógicas, tanto no âmbito escolar como municipal, traduz-se em experiências válidas de partilha e intercâmbio de conhecimentos.
Ainda no que se refere à partilha de conhecimentos, discursos demonstram tratar-se de uma ação cotidiana que ocorre naturalmente na escola, inclusive no que se refere à análise de resultados e avaliação coletiva do trabalho realizado, situando informações em um dado contexto, a fim de transformá-las em novos conhecimentos. Assim, compreende-se que o conhecimento é uma informação processada por indivíduos (ANGELONI, 2003), sendo imprescindível que se trabalhe com as informações no intuito de modificar práticas. As falas abaixo, do gestor e de um professor, esclarecem como esse processo se efetiva na escola.
Eu não consigo fazer nada em segredo; se der certo eu partilho, se não der, eu partilho do mesmo jeito, troco experiência, ofereço (EP1).
E a gente foi descobrindo, ou quando a gente fazia determinada ação, avaliava, dá certo, não dá, a forma de avaliar, a gente já mudou bastante, acho que umas três ou quatro vezes a forma de aplicar avaliação, e a gente vai vendo a que dá certo, a que tem mais retorno e aí a gente vai construindo conhecimento e a gente vai partilhando entre a gente (EG1).
Dessa forma, os sujeitos entrevistados compreendem a necessidade de compartilhar o que sabem, interagir com o conhecimento de outros e, assim, construir novos conhecimentos. A partir desse entendimento, fica evidenciado que, no campo de pesquisa, as pessoas estão abertas à partilha de conhecimento e participam de forma prazerosa de momentos de diálogo e trocas de experiências promovidos pela instituição, ou mesmo por outros órgãos. Contudo, essas práticas podem ser implementadas no sentido de consolidar o planejamento e sistematização desses encontros, além de fortalecer os âmbitos da gestão, professorado e estudantes, de modo que a escola se prepare para, através das aprendizagens individuais, construir a aprendizagem organizacional.