Quando criança Luiz Antônio teve o primeiro contato com as letras através de sua genitora. “Desde pequeno, revelou-se muito inteligente, fazia versos, recitava, discutia com lógica e discursava com eloquência. Era um menino vivo, corajoso, enfim dotado de um espírito contagiante aos que estavam a sua volta.” (TAVARES, 2001, p. 172).
Mudou-se em 1899 para Natal aos nove anos de idade, com a mãe viúva e seus nove irmãos, com o intuito de terminar os estudos primários. Ao chegar à capital residiu em um sobrado localizado na Rua Chile, próximo a Praça do Palácio do Governo. “Teve que enfrentar a vida na sua dura realidade, ocupando empregos humildes, com o intuito de estudar.” (SILVA, 1968, p. 75). As suas primeiras aulas foram com o mestre José Ildefonso Emerenciano, conhecido como professor Zuza. Apesar de ter saído da sua terra natal muito pequeno nunca a esqueceu. Evidenciamos essa relação amorosa através do noticiário no periódico A República, no qual anuncia a visita de Luiz Antônio a sua terra de origem destacando o seguinte: “retirando-se daqui em tenra idade, ele veio encontrar a sua terra materialmente melhorada, louvando o esforço e a dedicação dos que tão patrioticamente tem se empenhado pelo seu desenvolvimento e progresso.” (OS MUNICÍPIOS..., 1914, p. 2).
Mais tarde, ingressou no curso de Humanidades no Atheneu Norte-Rio-Grandense, ainda no prédio da Av. Junqueira Aires, localizado no bairro da cidade Alta. O curso estabelecido pelo Decreto nº 1.041, de 11 de setembro de 1892, compreendia as seguintes disciplinas: Português, Francês, Latim, Inglês, Geografia, História e Matemática, neste ultimo destacando a Geometria, Aritmética, Álgebra, e Trigonometria.
Em seguida, estudou na Escola Normal de Natal, onde fez parte da primeira turma de formandos, em 04 de dezembro de 1910. Nessa referida turma formaram-se,
Luiz Antônio dos Santos Lima, Severino Bezerra de Melo, Manuel Tavares Guerreiro, Anfilóquio Carlos Soares Câmara, Francisco Ivo Cavalcanti, José Rodrigues Filho, Luiz Garcia Soares de Araújo, Ecila Pegado Cortez, Judite de Castro Barbosa, Áurea Fernandes Barros, Olda Marinho, Stela Vésper Ferreira Gonçalves, Beatriz Cortez, Arcelina Fernandes, Guiomar de França, Anita de Oliveira, Francisca Soares da Câmara, Maria Natália da Fonseca, Maria Abigail Mendonça, Maria das Graças Pio, Clara Fagundes, Maria da Conceição Fagundes, Maria Julieta de Oliveira, Maria Belém Câmara, Maria do Carmo Navarro, Helena Botelho, Josefa Botelho. (MORAIS, 2006, p. 75).
Nesse momento, formavam-se vinte e sete alunos, cuja maioria pertencia ao sexo feminino: sete homens e vinte mulheres. Isso evidencia o fato de que na época o magistério era visto como uma extensão da maternidade e considerado uma profissão
predominantemente feminina. Desse modo, a mulher era concebida somente como mãe, esposa e primeira educadora da infância. Nesse contexto, os homens que se empenhavam nessa profissão conseguiam exercer cargos mais privilegiados que as mulheres, tais como, diretores do Departamento de Educação, dos Grupos Escolares, das Escolas Normais, dentre outros. Isso pode ser observado a partir do fato de que a Escola Normal de Natal só teve sua primeira diretora, Chicuta Nolasco Fernandes, 46 anos após sua abertura, em 1952. Após sete gestões masculinas, desde a fundação definitiva da Escola Normal de Natal em 1908 até, 1952, ano de sua posse:
1-Francisco Pinto de Abreu, conhecido pelo zelo e o cuidado com a ordem e a disciplina da Escola; 2-Professor Ezequiel Benigno de Vasconcelos; 3- Nestor dos Santos Lima, professor preocupado com a educação, foi também o sexto presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte; 4-Teódulo Câmara; 5-Luiz Antônio dos Santos Lima, professor, farmacêutico e médico. Começou como auxiliar da cadeira de física, na Escola Normal, passando, logo depois de sua formatura em Medicina, a titular da mesma cadeira; 6-Antônio Gomes da Rocha Fagundes, também Diretor do Departamento de Educação, do Colégio 7 de Setembro, Membro da Liga de Ensino e professor da Escola Doméstica; 7-Clementino Hermógenes da Silva Câmara. (MORAIS, 2006, p. 65).
No mesmo dia da colação de grau houve a celebração de noivado de quatro casais desta turma, dentre eles os professores Luiz Antônio dos Santos Lima e Ecila Pegado Cortez. A referida cerimônia foi presidida pelo Governador do Estado Alberto Maranhão, no Palácio do Governo, que ficava localizado na Praça 7 de setembro, no centro da cidade de Natal. Casaram-se nesta capital Luiz Antônio e Ecila Cortez, fazendo nascer dessa união os filhos Luiz Antônio dos Santos Lima Filho, oficial médico da FAB, falecido em 1945, num desastre aviatório, Nestor dos Santos Lima Sobrinho e a professora Olindina Cortês dos Santos Lima, ex-diretora do Colégio Ateneu Norte- Rio-Grandense. No dia 30 de janeiro de 1921, falece D. Ecila após um parto de um dos filhos do casal (PROFESSORA ECILA CORTEZ, 1921, p. 48-49).
3.1 O magistério
Após diplomado professor primário, Luiz Antônio dos Santos Lima exerceu o magistério em três educandários do Estado, durante as primeiras décadas do século XX,
dentre estes: o Grupo Escolar Augusto Severo, a Escola Normal de Natal e o Atheneu Norte- Rio-Grandense.
No dia 22 de dezembro, Luiz Antônio foi nomeado para reger a cadeira masculina do Grupo Escolar Modelo Augusto Severo (NOMEAÇÕES, 1910). O Governador Alberto Maranhão efetivou-o na cadeira de professor que ele já exercia interinamente. No referido Grupo Escolar ensinou a disciplina de Educação Física. De acordo com o Regimento dos Grupos Escolares do Rio Grande do Norte, a educação física auxiliaria “o desenvolvimento fisiológico das crianças durante as classes, além dos conselhos higiênicos relativos à saúde e a educação dos órgãos dos sentidos.” (RIO GRANDE DO NORTE, 1909, Art. 17 e Art.18, p.7).