Vitalino (2007), com o objetivo de verificar se os professores dos cursos de licenciatura da Universidade Estadual de Londrina (UEL) têm conhecimento suficiente para incluir alunos com Necessidades Educacionais Especiais (NEE) em suas atividades acadêmicas, aplicou questionário em 178 professores atuantes em 13 cursos de licenciatura da Universidade Estadual de Londrina. Constatou que 84% dos participantes consideraram que não tinham conhecimento suficiente para incluir alunos com NEE.
Iacono (2007, p. 14) em estudo em que busca refletir sobre a formação de professores para Educação Especial no Paraná, destaca que “[...] a formação de professores para esta área, da forma como vem sendo proposta pelo MEC/SEE, constitui-se num apetitoso filão para as instituições formadoras privadas, especialmente porque há uma esmagadora demanda reprimida [...]” que é aparentemente atendida com cursos de pós-graduação lato sensu. A autora em questão também defende que as instituições públicas existentes repensem seu papel social e busquem alternativas para oferecer formação em Educação Especial (IACONO, 2007).
Pereira Jr. (2009), buscando discutir a formação de professores para atender as pessoas com necessidades educacionais matriculadas em escolas públicas do Estado do Paraná, realizou pesquisa bibliográfica e documental e concluiu que os cursos de especialização lato
20 Em outro estudo Deimling (2013, p. 238) também destaca que “a Educação Especial pode, ainda, conquistar mais espaço no currículo desses cursos [Pedagogia], não necessariamente por meio de um aumento do número de disciplinas específicas, mas por meio de conteúdos ou tópicos relacionados ao assunto em outras disciplinas da matriz curricular”.
sensu tem se constituído no principal lócus de formação de professores para Educação Especial no contexto em questão. Conforme Pereira Jr. (2009, p. 151), “[...] cursos de especialização em Educação Especial se proliferaram em todo Estado do Paraná por meio da flexibilização das exigências do Ministério da Educação em relação à modalidade de ensino lato sensu”, extinguindo-se os antigos cursos denominados Estudos Adicionais”. Mas, para Pereira Jr. (2009, p. 152), “[...] apenas fazer um curso de especialização não é suficiente para habilitar uma pessoa a atuar junto ao alunado com necessidades educacionais especiais, é preciso vivência em um sistema de ensino que realmente tenha como perspectiva a educação inclusiva”.
Cruz e Soriano (2010) empreenderam um estudo com objetivo de analisar a perspectiva de professores responsáveis pelo componente curricular Educação Física sobre sua formação profissional para atuação em contextos educacionais inclusivos. Para tanto, desenvolveram um grupo focal que contou com a participação de professoras de Educação Física da rede municipal de ensino de uma cidade paranaense. Nesta pesquisa constataram a insatisfação dos docentes em relação as suas qualificações profissionais para atuação em contextos inclusivos ou em Educação Especial, bem como constataram que a formação continuada com caráter relacional que tenha os professores como protagonistas das reflexões/ações realizadas, pode ser um caminho para diminuir a carência de formação profissional para atuar com os alunos PAEE.
Oliveira (2011), com o propósito de investigar como as universidades paranaenses estão formando os professores para atuarem com alunos com Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD), analisou matrizes curriculares de cursos de formação de professores, buscando identificar disciplinas e conteúdos voltados ao atendimento de estudantes com necessidades educacionais especiais em especial com TGD. Oliveira (2011, p. 5) informa que:
[...] os resultados indicaram que as instituições formadoras de professores ainda precisam rever os currículos dos cursos de licenciatura e pedagogia voltados para a formação de professores que trabalham na educação especial com educandos com TGD, pois não há disciplinas específicas que englobem conteúdos diretamente ligados à área de TGD nos cursos de graduação, e quando há é optativa, ou obrigatória porém muito abrangente.
Toledo e Vitaliano (2012) analisaram a eficácia de um programa de formação de professores numa Escola Estadual de Ensino Fundamental do Estado do Paraná e concluíram que a pesquisa colaborativa constituída como programa de formação de professores pode
melhorar o processo de inclusão dos alunos com DI e ampliar os conhecimentos teóricos e práticos acerca da educação inclusiva. Verificaram também que o trabalho colaborativo desenvolvido entre professores do ensino regular e professores especialistas em Educação Especial é efetivo para favorecer o processo de inclusão de alunos com Deficiência Intelectual.
Viginheski, Silva e Shimazaki (2014) realizaram um estudo sobre a oferta conhecimentos sobre a operacionalização do soroban, para acadêmicos de Curso de Matemática. Os autores concluíram que oportunizar aos futuros professores conhecimentos sobre a utilização do soroban pode contribuir para a efetivação da inclusão de alunos cegos, assim como um ensino de qualidade para todos os alunos.
Em síntese, parece que as pesquisas paranaenses sobre a formação de professores no Brasil são bastante consensuais em suas constatações. Ficou evidenciado que as pesquisas citadas apontam para um quadro em que os professores não se sentem preparados para atuar com os alunos PAEE - “[...] os professores, na sua maioria, se sentem perdidos, sem apoio para o seu trabalho desenvolvido com este tipo de alunado [PAEE]” (ZEPPONE, 2005, p. 76). Outros dados praticamente unânimes entre os pesquisadores: os professores formadores de professores não se sentem capacitados para incluir alunos com necessidades educacionais especiais; as matrizes curriculares dos cursos de formação de professores não apresentam uma estruturação satisfatória para a formação de docentes que irão atuar com os alunos PAEE; os programas governamentais de formação continuada de professores não atendem as demandas formativas dos docentes e/ou apresentam-se como paliativos pouco eficazes para a mudança de prática pedagógica; “o passado teima em deixar marcas no presente” fazendo com que o modelo médico persista, orientando a constituição dos cursos e disciplinas voltadas para preparar os docentes para atuação com os alunos PAEE.
Outro dado revelado pelas pesquisas citadas é o fato de que são poucos os estudos que abordam os cursos de pós-graduação lato sensu em Educação Especial e os que o fazem tendem a focar em apenas um ou dois cursos, sem produzir um panorama mais amplo da realidade dos mesmos. Como estes cursos são um dos assuntos da presente pesquisa, na próxima seção são abordadas definições e normas relacionadas com os cursos de pós- graduação lato sensu.