2 Ozone measurements and trends 1979-018
2.2 Trends for Oslo 1979-2018
Neste capítulo, iremos olhar para os diferentes tipos de pais que podemos encontrar no meio escolar, conhecer o tipo de interacção que existe entre estes e a escola, o que procuram, as suas necessidades e as suas reservas. Não queremos, com isto, compartimentar os pais ou as atitudes dos mesmos face à escola. O que faremos de seguida será um exercício teórico, enquadrando o melhor possível os diferentes encarregados de educação que poderemos encontrar nos nossos estabelecimentos de ensino. Por outras palavras, tentaremos definir um perfil mais ou menos fiel de pai. Sabemos, desde já, que a participação dos pais nas escolas nunca foi tão interventiva, incisiva, reivindicativa face aos valores que transmite, à sua organização, ao seu funcionamento, como hoje. É, sem dúvida, como refere Stoer & Silva (2005), os encarregados de educação “indicam um novo posicionamento face à escola que se relaciona com o facto de os pais se reclamarem não tanto na base de igualdade e de representatividade, mas mais na base da diferença e da identidade”. Nesta base, existem claramente tipos de pais ou, se quisermos, formas de os pais se relacionarem com a escola. Poderemos, então, apontar para os seguintes tipos:
2.2.1.1 - Pai Colaborante
Este será um encarregado de educação que tem como principal objectivo responder às exigências da escola no sentido de cumprir deveres perante a instituição. São encarregados de educação de “cidadania atribuída”, mantendo com a escola uma relação de aceitação e considerando-a e ao Estado como responsáveis pela escolarização e socialização dos seus educandos. (Stoer & Silva, 2005). Trata-se de pais preocupados
em satisfazer as necessidades e as exigências das escolas, cumprindo os deveres perante esta. Nos dias de hoje, ao nível de sala de aula/escola, este é o tipo de pais mais frequente, pais mais distantes ao nível dos conhecimentos culturais e linguísticos da escola, em relação ao pai parceiro.
2.2.1.2. - Pai Parceiro
Este pai assume-se como pró-activo em relação à escola, exigindo que esta também tome em conta as especificidades locais. Estes pais são considerados de “cidadania reclamada”88, uma vez que reclamam perante a escola uma educação diferenciada, consoante a sua localização geográfica, situação socioeconómica e outras. São, no fundo, fiscalizadores da pedagogia e das ofertas que a escola tem para os alunos, questionando como esta pode ser melhorada, para benefício dos mesmo, não se coíbindo de avançar com ideias e projectos para esse fim. Logicamente que este tipo de pai não se rege pelas leis estatais, mas sim pelas regras para uma lógica prática em benefício do aluno.
Se, ao nível de sala de aula/escola, este não é o pai característico, no que diz respeito à discussão de políticas educativas da escola, do Ministério da Educação ele domina, pois está mais familiarizado com a cultura e linguística da escola. Depreendemos, portanto, que serão encarregados de educação com maiores níveis de cultura. Na realidade, são os pais fiscalizadores da pedagogia realizada nas escolas e no Ministério. Ser pai-parceiro significa perguntar à escola o que é que esta pode oferecer para poder fazer avançar o projecto individual ou grupal em causa, independentemente de lógicas estatais e/ou do mercado. Portanto, serão encarregados de educação exigentes ao nível do que é ensinado, dos fins para que se destinam os conteúdos, os projectos, enfim, pais de “cidadania reclamada”. Esta sua característica é passível de gerar tensão entre a escola e as famílias. No entanto, parece-nos que esta “reconfiguração”, apontada por Stoer & Silva (2005), a nível escolar, das famílias e da sociedade de uma forma geral, levará a uma qualificação da escola e da sociedade.
2.2.1.3 - Pai Indiferente/Adverso
A característica principal deste encarregado de educação é, como a sua designação indica, a indiferença. Será, sobretudo, mais do que adverso, indiferente, ou seja, olha a escola como algo que não diz respeito, nem aos seus educandos nem a si próprio. Este pai está particularmente presente no norte rural e semi-rural (Stoer & Silva 2005). Constituíam a maioria dos encarregados de educação que podíamos encontrar nas nossas escolas antes do 25 de Abril de 1974 e que, aos poucos, foram evoluindo para “pais responsáveis”, ou seja o panorama actual. Os pais com estas características “têm pouco ou nenhum contacto com a escola” (Davies 1989), manifestando a sua hostilidade, mais pela sua ausência da escola do que pela sua presença, mas também pela relevância da escola no percurso de vida dos seus educandos. Incluem pessoas ligadas à agricultura e também membros de comunidades étnicas mais ou menos guetizadas (Cortesão e Pinto89), fugindo portanto, das normas culturais e linguísticas da escola.
2.1.1.4 - Pai Abordável
Segundo Stoer & Silva (2005), “é um pai que está próximo das normas culturais e linguísticas da escola mas que, no entanto, tem muito pouco contacto com a escola e não se mostra muito disponível para esse contacto.” Será um encarregado de educação que vê na escola algo de relevante, mas por duas razões lhe está distante. Olha a escola como algo distante, que não lhe diz respeito, embora reconhecendo nela um pilar importante da sociedade. Por outro lado, observa a escola como algo que lhe está garantido, bem como a educação dos seus filhos. De forma simples e linear, inclui progenitores que interferem menos nas competências e deveres de professores e das escolas, procurando também não serem chamados para as competências e deveres de encarregado de educação. Não obstante esta atitude aparentemente indiferente face à escola, apoiam e incentivam as atitudes positivas dos seus filhos ao nível dos comportamentos e das aprendizagens, pois desta forma não serão chamados à escola.
2.2.1.5 - Pai consumidor/cliente
Estes pais enquadram-se numa visão neoliberal de educação. São pais colaboradores, que tendem em transformar-se em consumidores e se orientam com a oferta de mercado (qualidade dos estabelecimentos de ensino, rankings de escola, etc.), para benefício próprio e/ou do aluno, com um olhar prático sobre o mercado em detrimento da sua possível intervenção na escola. Claro está que, actualmente, ainda estamos longe desta realidade, principalmente porque a maioria das famílias não está em condições (de ordem social, económica e cultural) para assumir esta situação, sem contar com a falta de condições a nível legislativo. Os encarregados de educação com estas características defendem, como salientam Chubb e Moe (Bóia:93), que “ é fundamental a liberdade dos pais e dos alunos poderem escolher a escola da sua eleição. Usando uma expressão em voga, é urgente proceder ao ‘empowerment’ (concessão de poder) dos pais. Não faz sentido que seja o próprio sistema a determinar o estabelecimento de ensino que o aluno deve frequentar, (…) a imposição de uma escola aos alunos ofende o princípio da livre concorrência e da livre escolha.”Podemos concluir claramente que os pais colaboradores e os pais parceiros também são “pais responsáveis”, uma vez que nenhum deles se demite do acto de educar o seu filho e participar na escola. Dão sobretudo valor às crianças, enquanto homens e mulheres do amanhã, virados para valores de cidadania, nas vertentes sociais, morais e políticas, apesar de cada ter um papel interventivo diferente nas escolas.
Diagrama III – Configurações de Pais/Encarregados de Educação