Neste trabalho, pretendeu-se analisar e apresentar os impactos do BIM sobre os processos de orçamento, planejamento e controle em empresas construtoras, tendo como objetivo secundário a representação esquemática dos impactos proporcionados pelo BIM em um fluxo genérico dos processos estudados. Para isto, o método de pesquisa foi decomposto em quatro etapas de estudo: compreensão do BIM, fluxo dos processos, estudo de campo e impacto sobre os fluxos dos processos. Estas etapas formaram o embasamento para alcançar os resultados que permitiram entender mais claramente a importância e influencia do BIM.
A utilização dos sistemas BIM no processo de orçamento se mostra muito vantajosa, em comparação com o tradicional, tendo a exatidão e a extração automática dos quantitativos como principal contribuição. Isto se dá pela maior harmonia entre o projeto e suas informações, gerada através da configuração de parâmetros e inter-relações dos objetos no modelo. Com isso é possível estabelecer um banco de dados seguro para extração dos quantitativos, como também de todas as informações necessárias às demais fases do ciclo de vida do empreendimento.
A capacidade de ser o repositório de informações unido à visualização em três dimensões contribui para melhor leitura e interpretação dos projetos e especificações. Com isso, é possível tornar o BIM um grande aliado para o aumento do grau de confiabilidade e diminuição de erros e inconsistências das planilhas orçamentarias. Outra contribuição importante do BIM para esta etapa é a possibilidade de simulações de custos, decorrentes dos conceitos de parametrização e orientação a objetos contidos nos sistemas BIM. Estes conceitos otimizam a alteração de projeto ou especificações, permitindo a criação de várias configurações projetuais para o empreendimento, auxiliando as empresas na escolha da opção mais viável economicamente e financeiramente.
Em relação aos processos de planejamento, os conceitos e métodos presentes na modelagem 4D trazem importantes subsídios para o desenvolvimento do produto edificação e, consequentemente, para as empresas. Este fator é fruto da vinculação entre as informações de projeto com as de prazo, estabelecidas por meio da combinação entre o modelo 3D e as técnicas tradicionais de planejamento. Isto contribui para os gestores de empreendimentos entenderam mais facilmente a tendência evolutiva das atividades de produção, no que correspondem aos prazos e aos fluxos.
Assim, os sistemas BIM se transformam em mais uma ferramenta de elaboração, visualização e análise das decisões para criação do planejamento. A inserção do caráter espacial nas avaliações dos planos é a melhor funcionalidade proposta pela tecnologia, onde proporciona uma melhor visualização e escolha da estratégia de ataque, do sequenciamento das atividades e dos fluxos de trabalho, como também oferece ganho de qualidade na alocação dos recursos de produção. Estas melhorias proporcionam um incremento de produtividade com a diminuição de tempos de espera decorrentes da resolução problemas de projeto ou má elaboração do planejamento.
O impacto nos fluxos de planejamento mostrou que o BIM é compatível e pode abranger os três níveis de planejamento, tendo como foco de análise uma unidade base ou o empreendimento como todo. Isto expõe a possibilidade de simular e visualizar novos cenários de planejamento envolvendo os níveis de longo, médio e curto prazo, oferecendo maiores informações aos gestores para basear a tomada de decisão. Entretanto, o nível de detalhamento do modelo tem que estar condizendo com a exigência dos níveis menores de planejamento, requerendo maior esforço de modelagem dos projetos.
No que tange o processo de controle, os sistemas BIM se mostram poucos impactantes, não tendo aderência direta aos sistemas de medição de desempenho das empresas. A medição dos dados para o controle da variação de desempenho ainda é realizado de forma tradicional pelas empresas estudadas, onde o BIM não participa da criação e análise de indicadores de desempenho, obtendo contribuição limitada para apresentação da performance quanto a sua evolução real. Neste contexto, a plataforma se apresenta apenas como ferramenta auxiliar no comparativo entre previsto e realizado, apresentando claramente os objetivos e as
metas a serem atingidas ou, quando necessário, auxiliando nas simulações de análise do replanejamento.
Para a adoção do BIM, as empresas têm enfrentando algumas dificuldades. O estudo de campo apresentou os problemas com recursos humanos, à interoperabilidade, a falta de colaboração e o alto custo da implantação da tecnologia como as mais relevantes. Estes problemas podem ser mitigados com a elaboração de um bom plano de implantação da plataforma, onde deve esta contido a verificação da necessidade de consultoria; análise, seleção e treinamento da mão de obra; implantação da infraestrutura necessária (redes, hardwares e softwares) e a elaboração e estruturação da nova metodologia de processos da empresa.
O objetivo do plano de implantação não deve visar só o auxílio aos agentes internos da organização, mas toda a cadeia da construção que estará envolvida no desenvolvimento do empreendimento. Este maior envolvimento de todos os agentes é uma das peças fundamentais para o êxito da plena utilização da plataforma, pois todos devem conhecer as regras e princípios da tecnologia. Só desta maneira é possível gerar informações com alto grau de confiabilidade, ajudando na criação e na utilização do modelo.
Com esta pesquisa foi possível determinar os impactos do BIM nos processos de orçamento, planejamento e controle de obras, como também os requisitos de trocas de informações básicos necessários entre estes processos. Um aspecto a ser destacado no desenvolvimento dos fluxos e dos requisitos de troca foi a consideração apenas de um informações retiradas da literatura, não sendo estudado um caso real. Deste modo, pode haver a necessidade de estabelecer outros intercâmbios de informações importantes para o pleno desenvolvimento dos processos estudados, merecendo um estudo técnico e pratico aprofundado de casos reais.
As etapas da pesquisa apresentaram que com o BIM é possível obter com facilidade um maior número de informações para os processos estudados do que utilizar os documentos tradicionais sem a devida sinergia. A funcionalidade da extração automática de quantitativos, da visualização em três dimensões e da resolução de conflitos trazem maior exatidão e confiabilidade para as informações necessárias para os processos de orçamento, planejamento e controle, fazendo do BIM um forte aliado.