A pesquisa realizada com 10 profissionais da mídia local e quatro profissionais responsáveis pela comunicação (fontes) dos órgãos oficiais (bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Rodoviária Federal), revelou que todos aderiram ao aplicativo WhatsApp como meio de comunicação entre fontes e imprensa. Tornou-se uma ferramenta importante para aproximar e agilizar a relação entre as instituições oficiais que são importantes fontes de informação e a mídia em geral.
Os pontos positivos citados pelos profissionais que participaram da pesquisa são mais contundentes que os aspectos negativos que se limitam a forma como o aplicativo é utilizado. Gabriel (2013) aponta exatamente para esta
questão quando do uso das novas tecnologias, ao enfatizar que o importante não é a tecnologia em si, mas como e o que fazemos com ela para que efetivamente resulte em melhoria a vida das pessoas, das organizações e da sociedade. A preocupação de alguns participantes da pesquisa e dos especialistas é genuína dado que o aplicativo deve ser uma das ferramentas de interação e comunicação, mas deve ser utilizada com parcimônia e regras éticas.
A agilidade no contato e no envio de informações é destaque quanto aos pontos positivos de todos os investigados. Prado (2011) explica que o profissional da mídia precisou adaptar-se as mudanças provocadas pela tecnologia, entre elas o encurtamento do deadline e a forma como se relacionar e definir suas fontes, inclusive aderindo ao jornalismo aberto ou colaborativo, onde as pessoas podem enviar pautas, informações ou ainda somar a notícia com envio de imagens e vídeos.
Ferreira (2014) em pesquisa na redação do Jornal Extra conseguiu definir esse processo de mudança provocado pelo WhatsApp. O modelo de trabalho precisou ser reestruturado: logo que a notícia é recebida e com alguma confirmação oficial, deve ser publicado na rede online, no formato de um flash, em texto curto e com informações preliminares. Em seguida a equipe deve aprofundar-se na pauta, apurando os fatos, buscando alguma informação inédita ou exclusiva e, após ter captado material, deve-se então fazer a cobertura aprofundada e analítica da notícia. Durante esse período a notícia prévia publicada online deve ser atualizada com informações pertinentes. Para isso os contatos devem ser imediatos e bem organizados, especialmente com as fontes oficiais para que a credibilidade se mantenha mesmo com a necessária agilidade de comunicar os fatos.
Outro ponto a ser analisado no estudo diz respeito a relação entre a imprensa e os órgãos oficiais, especialmente de segurança pública. Há, tradicionalmente uma relação de interdependência entre a mídia e os órgãos de segurança pública, pois um depende do outro para realizar suas funções: de um lado a mídia que tem nesses órgãos oficiais pauta de interesse público e de grande alcance e, por outro lado, as instituições oficiais, no caso, de segurança pública, que tem na mídia a possibilidade de aproximar-se da sociedade e capitanear informações a partir daquilo que é divulgada na mídia (RAMOS; PAIVA, 2007).
O contato da mídia com os setores responsáveis pela Polícia e pelos Bombeiros é cotidiano, acontecendo diversas vezes ao dia. Com o advento das tecnologias e, especialmente do WhatsApp, essa relação foi facilitada e aprofundada, dado que, os canais formados entre o jornalista e os profissionais da área de segurança permitem que a informação chegue em tempo real, tanto de um lado como de outro.
Cabe destacar que essa relação não se mantém apenas via aplicativo, o contato pessoal, as visitas in loco e a investigação sobre as pautas devem ser mantidas regularmente e são facilitadas, pois, como o profissional não precisa dispender tempo para buscar a ocorrência inicial, que é transmitida via WhatsApp pelas fontes, podendo então, consumir seu tempo em aprofundar com competência a investigação da notícia, que é o que vai fazer a diferença nesse competitivo mundo tecnológico, em que todos podem postar notícias, porém, ainda são os profissionais gabaritados que podem efetivamente fazer a matéria jornalística.
O novo processo, portanto, é de interatividade, participação e integração entre profissionais e empresas de comunicação e mídia, fontes oficiais e a população em geral que participa ativamente da notícia, tendo como ferramenta do processo os meios tecnológicos de comunicação e relacionamento.
Como já descrito, as redes fomentadas pela tecnologia vieram para provocar mudanças para o jornalismo (CANCLINI, 2003) e, trazem mais aspectos benéficos aos profissionais e meios de comunicação, do que pontos negativos, superando inclusive, a abertura da comunicação a todos que podem divulgar e até elaborar notícias (GABRIEL, 2013). O WhatsApp ampliou as formas de comunicação, com as fontes e com o leitor ou espectador da notícia, apresentando- se como uma ferramenta eficaz, como bem delineada na pesquisa e corroborada pela teoria (JENKINS; FORD; GREEN, 2013; NASCIMENTO; ARAÚJO; SOUSA, 2016).
8 CONCLUSÃO
A pesquisa realizada apontou para a mudança na forma como o jornalismo é realizado com o advento das mídias sociais, assim como das relações entre os profissionais do jornalismo e as empresas de mídia, com o cliente, com as fontes e com a própria reportagem.
Todas as etapas do processo de produção da notícia sofreram influência das novas tecnologias e pontam para um caminho sem volta, já que a tecnologia tende a se aprimorar indefinidamente.
Entendemos pelo estudo, que os benefícios do uso do aplicativo WhatsApp na relação com as fontes são diversos e maiores que os aspectos negativos e entre outros destacam-se a agilidade no envio e recebimento da informação; a possibilidade de estar conectado com a pauta ou a notícia em tempo real, independentemente do local onde o profissional esteja; a eliminação da necessidade de se deslocar ou telefonar ao local da fonte diversas vezes ao dia. Hoje os profissionais podem focar mais na qualidade de sua informação e menos em disputar com a concorrência matérias em primeira mão ou exclusivas.
De outro ponto, deve-se estar atento para a forma como a ferramenta é utilizada: os grupos formados pelas fontes e pelos jornalistas devem ser oficiais e ter regras e condutas éticas; o profissional de imprensa deve aproximar- se da sociedade pessoalmente, e disso criar pautas inovadoras e gerar opiniões diferentes.
O WhatsApp assim como os demais meios tecnológicos, deve ser tratado pelo que é, ferramenta útil ao trabalho jornalístico e não como um substituto da personalidade que o jornalismo, a reportagem, a investigação jornalística, a pauta e a notícia em si.
REFERÊNCIAS
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