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7.   DISCUSSION

7.7   T HE  TRANSITION  TO  UNIVERSITY

Na realização desse curso, as duas universidades – UFRN e UERN – vêm enfrentando algumas dificuldades. Inicialmente, essas dificuldades se relacionam ao processo de divulgação do curso e de infraestrutura. Para realizar o cadastramento dos professores na plataforma do curso, a coordenação de tutoria tem dificuldade devido a erros de dados na ficha de inscrição enviada por eles. Há o problema daqueles professores que se inscrevem no curso, mas não se informam de que trata o curso e outros que se inscrevem em dois ou mais cursos, ao mesmo tempo, e não dão conta de realizar os estudos e atividades; e há, ainda, aqueles que se inscrevem, no entanto quase não acessam o e-mail, por isso não têm acesso às informações do curso. Acreditamos esses problemas sejam reflexo de problemas na gestão de políticas de formação continuada, tanto na rede estadual como na rede municipal de ensino do RN.

É verdade que, muitos cursistas têm dificuldades de acessar o ambiente virtual do curso porque dispõem de poucos conhecimentos em informática. Dessa forma, por mais que sejam orientados, têm dificuldades de utilizar as ferramentas para leitura do conteúdo, postagem das atividades, acesso a agenda das atividades, ferramenta de contato com tutor e os colegas de turma, entre outros. Essa falta de familiaridade com a tecnologia pode ser minimizada muito em breve, uma vez que a meta do governo federal de que todas as escolas públicas tenham laboratórios de informática com internet banda larga está próxima de ser concretizada. Esperamos que a presença dessas ferramentas no cotidiano escolar venha mudar essa realidade.

Além de tudo isso, em muitos municípios do Estado do RN, há sérios problemas na conexão de internet, como, por exemplo, o tipo de internet não permite baixar arquivos e programas. No período de chuvas, também, o acesso a internet, em muitos municípios, fica comprometido. Nesses casos, a alternativa para os cursistas vem sendo a utilização de CD com o conteúdo e atividades do curso. Assim, só acessam o curso online, quando é para realizar a postagem das atividades, no entanto, às vezes, exige deslocamento para o município vizinho. Esse tem sido um problema sério, mesmo assim, o governo estadual e os municipais não têm apresentado uma solução plausível. Além do mais, depois que o MEC iniciou o processo de distribuição de internet banda larga nas escolas públicas, os citados governos se eximem de suas responsabilidades nesse aspecto. O problema é que a instalação da internet banda larga é gradativa e, assim, em muitos municípios são penalizados pela demora.

Outro aspecto que tem atrapalhado o desenvolvimento do curso diz respeito ao fato de iniciar uma oferta quase ao final do ano letivo (final do mês de outubro, por exemplo), conforme ocorreu com a segunda e a terceira oferta do Ciclo Básico. Como é o primeiro módulo do curso e, para a maioria dos cursistas, é, também, o primeiro curso realizado na modalidade a distância (mais ainda, em AVA), precisa de tempo para conhecer o ambiente virtual, aprender a utilizar, realmente, as ferramentas do ambiente, mas também precisa se acostumar a gerenciar seus horários de estudos. Porém, parte do estudo do primeiro módulo vai coincidir com a realização das provas das escolas da rede estadual e municipal de ensino. Isso significa que o professor fica sobrecarregado de trabalho, ocasionando atrasos na postagem das atividades do curso e, em muitas vezes, sem tempo para fazê-las. Relacionado a isso, outra dificuldade presente é o fato das atividades do curso de um ano

para outro, retornar no início de fevereiro. Nesse período, os cursistas ainda estão no período de férias. Isso poderia não se constituir um problema, se todos os professores tivessem computador em suas residências, porém isso não é realidade. Sendo assim, muitos necessitam acessar os laboratórios de informática das escolas, porém se encontram fechados por ocasião das férias escolares. Dessa forma, pareceu-nos que, no planejamento para a execução do curso, não foi levado em conta essas questões.

Gostaríamos de enfatizar, aqui, que a formação continuada de professores, na modalidade a distância, deve ser em serviço, preferencialmente. Porém, não é isso o que tem ocorrido com o curso Mídias na Educação, uma vez que o tempo do professor não foi levado em consideração, ao elaborar essa formação docente. O fato de o curso ser ofertado na modalidade a distância, não significa que não devam ser contempladas horas para os estudos, na carga horária do professor. Esse é um sério complicador, pois o professor acaba sendo penalizado, uma vez que não disponibiliza de tempo para os estudos e, como conseqüência dessa situação, muitos deles se evadem.

Palloff e Pratt (PALLOFF & PRATT, 2004. p. 153) afirmam que é preciso considerar o que o aluno quer e precisa num curso a distância online:

[...] comunicação e feedback, interatividade e sentido de comunidade, direção adequada e capacitação para executar as tarefas exigidas. Se copiarmos o que acontece na sala de aula presencial, não atenderemos essas necessidades, causando angústia e frustração aos alunos.

A preocupação dos autores é pertinente, porém não temos identificado que as instituições que elaboram os cursos tenham uma preocupação maior em relação ao que os alunos querem (dos cursos). Salientamos que no RN, as duas universidades têm apontado a evasão como um dos fatores preocupantes, mesmo com as possibilidades de interação que as novas TIC – computador, internet, software, ambientes virtuais de aprendizagem – oferecem, na contemporaneidade. A constatação do índice de evasão neste curso contrasta com a necessidade de formação contínua do profissional da educação e isso se configura uma realidade e uma preocupação.