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4 Resultater og analyse

4.3 Tolkning av resultater

Para confecção dos corpos-de-prova dos grupos II, III, IV e V, foi utilizado um dispositivo confeccionado em aço inox de acordo com a especificação da ADA No 19. Esse dispositivo é constituído por um retângulo de 30mm de largura e 25 mm de espessura mais um anel de aço inox. Na base de aço inox se encontram os pontos A B C D (Figuras 1,2,3,4), que servem como pontos de referência para a aferição da estabilidade dimensional (distância AB=10mm, distância BD=5mm). Uma vez que a resina é inserida na matriz, esses pontos são marcados nos corpos de prova. Após a polimerização, com os pontos de referência devidamente impressos, foram feitas as medições: do ponto A ao B (AB), do ponto C ao D (CD), do ponto A ao C (AC) e do ponto B ao D (BD). A distância entre os pontos AB, CD, AC e BD foram medidas 3 vezes cada uma e as médias delas foram tomadas como

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Material e Métodos

5,115 mm

5, 101 mm

referência. Estas distâncias indicam as alterações dimensionais lineares nas regiões central e periférica do corpo de prova (DA SILVA; SALVADOR, 2003).

Como instrumento de verificação das medidas, foi usado um microscópio óptico (Mitutoyo) com aumento de 20 vezes.

Figura 1 - Desenho Base da matriz Figura 2 - Desenho Anel da matriz

Figura 3 - Matriz de Aço Inox Figura 4 - Anel da Matriz

10,057 mm D C B A 10,009 mm

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Figura 5 - Microscópio Óptico Mitutoyo

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Material e Métodos

Figura 8 - Resina Fase Arenosa Figura 9 - Resina Fase Plástica na matriz na matriz

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Figura 11 - Corpo de prova sob pressão

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Material e Métodos

Figura 13 - Corpo de prova de mufla na câmara de pressão

Os corpos de prova de todos os grupos foram mensurados imediatamente

após a polimerização e armazenados em água destilada a 37oC (Figura 7). Novas

mensurações foram realizadas nos intervalos de tempo de uma hora, 24 horas, 7 dias, 1 mês e 6 meses após a polimerização.

Foram realizadas medidas da matriz, e dos corpos de prova logo após a polimerização, para assim comprovar o grau de contração de polimerização sofrido pela resina. Assim, verificou-se que a matriz possuía na distância AB uma medida de 10,057mm, na distância CD uma medida de 10,009mm, na distância AC uma medida de 5,115mm e na distância BD uma medida de 5,101mm (Figura 1). Da mesma forma, foi realizada a medida das distâncias AB, CD, AC e BD dos corpos de prova. Estas medidas foram tomadas 3 vezes cada uma e suas médias foram tomadas como referência. Estas distâncias indicam o grau de contração de cada corpo de prova logo após a polimerização da resina acrílica.

Na mistura da resina acrílica foram utilizados 1,50g de polímero, medido através de pesagem em uma balança (precisão de 0,001g) (Figura 6) e 0,70 ml de monômero, medido através de uma pipeta (proporção equivalente ao volume de 3:1 indicada pelo fabricante) (BASTOS; FERREIRA, 2003). O líquido (monômero) foi

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despejado em um pote Dappen e sobre ele foi dispensado o pó (polímero), sendo misturados suavemente por 5 segundos.

Para o grupo V esperou-se um tempo de 1,5 a 2 minutos após a saturação do conjunto monômero + polímero (fase plástica) em pote Dappen com uma placa de vidro vedando-o superiormente para evitar a evaporação do monômero antes da colocação na matriz de aço inox (Figura 9). Para o grupo IV a matriz de aço inox foi preenchida com resina acrílica imediatamente após sua saturação em pote Dappen (fase arenosa) (Figura 8).

Na confecção dos corpos-de-prova do grupo III (técnica do pincel), o monômero e o polímero foram colocados em potes tipo Dappen, separados. A extremidade do pincel foi umidecida com o monômero e colocada em contato com o polímero. As partículas de pó incorporadas pelo pincel umidecido formaram uma pequena esfera de massa de resina que foi levada ao interior da matriz junto com o anel (Figura 10). Essa manobra foi repetida até que a matriz estivesse completamente preenchida.

Os corpos-de-prova do grupo II foram confeccionados através da manipulação da resina acrílica em pote Dappen, a qual foi inserida na matriz junto com o anel. Esse conjunto foi então posicionado contra uma placa de vidro e estabilizado com elásticos. O conjunto matriz-anel + placa de vidro foi levado à polimerizadora por 15 minutos (Figura 11).

Para confecção dos corpos-de-prova do grupo I foi utilizada a base da matriz de aço inox mais 10 matrizes de silicona iguais ao anel da matriz utilizada nos grupos II, III, IV e V Estas matrizes de aço junto com o anel de silicona foram incluídas em uma mufla (Figura 12). A resina acrílica foi então manipulada conforme descrito anteriormente para os grupos II e quando atingiu sua fase plástica (1,5 a 2 minutos após sua saturação em pote Dappen) foi inserida na mufla. As muflas foram prensadas numa prensa hidráulica e colocadas em uma câmara de pressão (aquecimento em água a 70ºC por 10 minutos) (Figura 13). Os corpos-de-prova foram retirados após esfriamento nas muflas em temperatura ambiente, pelo processo laboratorial de rotina.

Os resultados obtidos foram agrupados em tabelas de acordo com as distâncias medidas em função da técnica utilizada e do tempo decorrido após a confecção dos corpos de prova. Aplicou-se o teste de Tukey com significância de 5%.

53 Resultados

5 RESULTADOS

5.1 Distância AB

A tabela 1 indica a distância em milímetros AB onde se observam as médias que foram registradas desde a hora 0 de manipulação das resinas acrílicas até os dias 1, 7, 15, 30, 90 e 180 tanto para os Grupos I, II, III, IV e V.

Tempo (t) Média Grupo I Média Grupo II Média Grupo III Média Grupo IV Média Grupo V 0 9,9994 10,0072 10,0008 9,9797 9,9857 1 9,9940 10,0061 10,0049 9,9984 9,9932 7 10,0012 10,0052 10,0084 9,9980 9,9926 15 10,0168 10,0306 10,0371 10,0095 10,0167 30 10,0154 10,0266 10,0373 10,0102 10,0201 90 10,0237 10,0438 10,0291 10,0100 10,0109 180 10,0245 10,0332 10,0349 10,0098 10,0185

Tabela 1 - Valores médios da distância (mm) entre os pontos AB. Tempo expresso em dias.

O Gráfico 1 indica a mudança na estabilidade dimensional em relação aos primeiros dias até o dia 7 e como chega a estabilizar-se após esse dia.

Gráfico 1 - Mudanças na estabilidade dimensional e estabilização

Tempo (días)

54 Resultados

5.2 Distância CD

A tabela 2 indica a distância em milímetros CD onde se observam as médias que foram registradas desde a hora 0 de manipulação das resinas acrílicas até os dias 1, 7, 15, 30, 90 e 180 tanto para os Grupos I, II, III, IV e V

Tempo (t) Média Grupo I Média Grupo II Média Grupo III Média Grupo IV Média Grupo V 0 9,9990 9,9853 9,9883 9,9770 9,9606 1 9,9875 9,9783 9,9902 9,9522 9,9680 7 10,0009 9,9919 10,0010 9,9809 9,9883 15 10,0153 10,0119 10,0490 10,0124 10,0320 30 10,0106 10,0151 10,0689 10,0210 10,0213 90 10,0111 10,0104 10,0525 10,0112 10,0199 180 10,0099 10,0157 10,0764 10,0192 10,0211

Tabela 2 - Valores médios da distância (mm) entre os pontos CD. Tempo expresso em dias.

O Gráfico 2 indica a mudança na estabilidade dimensional em relação aos primeiros dias até o dia 7 e como chega a estabilizar-se após esse dia.

Gráfico 2 - Mudanças na estabilidade dimensional e estabilização

Tempo (dias) Di stâ n ci a (mm )

55 Resultados

5.3 Distância AC

A tabela 3 indica a distância em milímetros AC onde se observam as médias que foram registradas desde a hora 0 de manipulação das resinas acrílicas até os dias 1, 7, 15, 30, 90 e 180 tanto para os Grupos I, II, III, IV e V

Tempo (t) Média Grupo I Média Grupo II Média Grupo III Média Grupo IV Média Grupo V 0 5,0005 4,9967 5,0090 4,9899 4,9747 1 5,0000 5,0003 5,0058 4,9965 4,9885 7 5,0007 5,0005 5,0099 4,9901 5,0001 15 5,0338 5,0263 5,0180 5,0151 5,0157 30 5,0423 5,0304 5,0248 5,0189 5,0144 90 5,0291 5,0305 5,0243 5,0119 5,0169 180 5,0323 5,0257 5,0198 5,0181 5,0121

Tabela 3 - Valores médios da distância (mm) entre os pontos AC. Tempo expresso em dias.

O Gráfico 3 indica a mudança na estabilidade dimensional em relação aos primeiros dias até o dia 7 e como chega a estabilizar-se após esse dia.

Gráfico 3 - Mudanças na estabilidade dimensional e estabilização

Tempo (dias)

Distância

(mm

56 Resultados

5.4 Distância BD

A tabela 4 indica a distância em milímetros BD onde se observam as médias que foram registradas desde a hora 0 de manipulação das resinas acrílicas até os dias 1, 7, 15, 30, 90 e 180 tanto para os Grupos I, II, III, IV e V

Tempo (t) Média Grupo I Média Grupo II Média Grupo III Média Grupo IV Média Grupo V 0 5,0910 5,0143 5,0881 5,0756 5,0943 1 5,0913 5,0213 5,0983 5,0645 5,0935 7 5,0815 5,0145 5,0951 5,0803 5,0807 15 5,1085 5,1159 5,1346 5,1921 5,1929 30 5,1111 5,1206 5,1416 5,1987 5,1940 90 5,1132 5,1212 5,1377 5,1930 5,1925 180 5,1078 5,1259 5,1334 5,1986 5,1998

Tabela 4 - Valores médios da distância (mm) entre os pontos BD. Tempo expresso em dias.

O Gráfico 4 indica a mudança na estabilidade dimensional em relação aos primeiros dias até o dia 7 e como chega a estabilizar-se após esse dia.

Gráfico 4 - Mudanças na estabilidade dimensional e estabilização

Tempo (dias)

Distância

(mm

57 Resultados

Foram observados os tempos em relação as técnicas nas diferentes distâncias (A B, C D, A C, B D). Observamos que as alterações dimensionais aconteceram entre os tempos iniciais de armazenagem 0 – 1 – 7 dias. Nos dias15, 30, 90, e 180 dias posteriores não foram observadas mudanças no comportamento, isto acontecendo com todas as técnicas utilizadas.

Foi aplicado o teste de tukey para identificar se existe diferença estatisticamente significante nos pontos medidos em relação ao tempo agrupando as técnicas

5.5 Distância AB .

Tabela 5 indica o teste de Tukey para os diferentes tempos na medida AB, agrupando as técnicas, cujos resultados não tem diferença estatisticamente significante. Tempo (dias) Média (mm) 0 9,994 a 1 9,999 a 7 10,001 a 15 10,024 b 30 10,022 b 90 10,021 b 180 10,023 b

Tabela 5 - Letras iguais indicam os tempos que não apresentam diferença estatística entre si.

5.6 Distância CD

Tabela 6 indica o teste de Tukey para os diferentes tempos na medida CD, agrupando as técnicas, cujos resultados não tem diferença estatisticamente significante.

58 Resultados Tempo (dias) Média (mm) 0 9,982 a 1 9,975 a 7 9,992 a 15 10,028 b 30 10,024 b 90 10,027 b 180 10,021 b

Tabela 6 - Letras iguais indicam os tempos que não apresentam diferença estatística entre si.

5.7 Distância AC

Tabela 7 indica o teste de Tukey para os diferentes tempos na medida AC, agrupando as técnicas, cujos resultados não tem diferença estatisticamente significante. Tempo (dias) Média (mm) 0 4,995 a 1 4,998 a 7 5,000 a 15 5,021 b 30 5,021 b 90 5,026 b 180 5,022 b

59 Resultados

5.8 Distância BD

Tabela 8 indica o teste de Tukey para os diferentes tempos na medida BD, agrupando as técnicas, cujos resultados não tem diferença estatisticamente significante. Tempo (dias) Média (mm) 0 5,072 a 1 5,073 a 7 5,070 a 15 5,153 b 30 5,148 b 90 5,153 b 180 5,151 b

Tabela 8 - Letras iguais indicam os tempos que não apresentam diferença estatística entre si.

Foi aplicado o teste de tukey para identificar se existe diferença estatisticamente significante nos pontos medidos em relação aos grupos.

5.9 Distância AB

Tabela 9 indica o teste de Tukey para os diferentes grupos na medida AB, agrupando os tempos, cujos resultados não tem diferença estatisticamente significante.

60 Resultados Grupos Média (mm) I 10,017 a II 10,021 a III 10,021 a IV 10,016 a V 10,015 a

Tabela 9 - Letras iguais indicam os grupos que não apresentam diferença estatística entre si.

5.10 Distância CD

Tabela 10 indica o teste de Tukey para os diferentes grupos na medida CD, agrupando os tempos, cujos resultados não tem diferença estatisticamente significante. Grupos Média (mm) I 10,004 a II 10,001 a III 10,003 a IV 9,999 a V 10,001 a

Tabela 10 - Letras iguais indicam os grupos que não apresentam diferença estatística entre si.

5.11 Distância AC

Tabela 11 indica o teste de Tukey para os diferentes grupos na medida AC, agrupando os tempos, cujos resultados não tem diferença estatisticamente significante.

61 Resultados Grupos Média (mm) I 5,019 a II 5,015 a III 5,015 a IV 5,011 a V 5,013 a

Tabela 11 - Letras iguais indicam os grupos que não apresentam diferença estatística entre si.

Distância BD

Tabela 12 indica o teste de Tukey para os diferentes grupos na medida BD, agrupando os tempos, cujos resultados não tem diferença estatisticamente significante. Grupos Média (mm) I 5,109 a II 5,105 a III 5,118 a IV 5,113 a V 5,119 a

Tabela 12 - Letras iguais indicam os grupos que não apresentam diferença estatística entre si.

Todas as técnicas apresentaram comportamento parecido: todas sofreram uma contração de polimerização inicial, mas depois sofreram uma alteração dimensional do dia 0 ao dia 7 independentemente da técnica utilizada.

62

Resultados

Após 7 dias todos os corpos de prova chegaram a estabilizar-se sem apresentar alterações dimensionais com diferença estatística significante.

65 Discussão

6 DISCUSSÃO

O uso das próteses provisórias durante longos períodos é justificado por ser a reabilitação oral um tratamento multidisciplinar, consistindo de diversas etapas antes da instalação da prótese definitiva. As restaurações provisórias confeccionadas de forma direta ou indireta são empregadas, da mesma maneira, durante os tratamentos complementares, tais como, ortodônticos, endodônticos e periodontais, e por isso, sua utilização pode ser exigida por períodos prolongados, em alguns casos por meses e até anos. Em algumas circunstâncias, o plano de tratamento protético definitivo somente deve ser formulado depois de completado o tratamento periodontal, que inclui desde terapias preliminares, consistindo de raspagem, curetagem, motivação em higiene oral até terapias cirúrgicas avançadas.

A importância das próteses provisórias no tratamento reabilitador oral é inquestionável. Os materiais utilizados para a execução destas restaurações, entretanto, são críticos com relação à longevidade, que está diretamente relacionada à estabilidade desses materiais, principalmente quando estas são requeridas durante tratamentos prolongados. A técnica de manipulação da resina acrílica e as condições de polimerização são alguns dos fatores que influenciam nas propriedades desse material afetando seu desempenho clínico.

A falha da restauração provisória através da instabilidade dimensional poderá ocasionar problemas como infiltração bacteriana no dente preparado. Ao apresentar uma alteração no vedamento cervical, o tecido gengival sofre uma inflamação que, além de danosa aos tecidos orais, nos dificultará na hora da moldagem, prova da infra- estrutura, cimentação, ou seja, nas diversas etapas clínicas do trabalho protético. Isto nos leva à necessidade de substituição das coroas provisórias antes do final do tratamento, gerando custos e tempo clínico adicionais.

Coroas provisórias tem a função de estabilizar o preparo dentário, a oclusão e ajudam a prevenir a exposição da estrutura dental ao meio bucal enquanto ainda está sendo confeccionada a coroa definitiva. Nos ajudam também a determinar o paralelismo e término de coroas, ajudam a devolver oclusão em pacientes com perdas dentárias, protegem o complexo dentino – pulpar, previnem migração dental e sobretudo permitem a devolução da estética. As coroas

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Discussão

provisórias servem também nas avaliações fonéticas do paciente para verificar o comprimento de dentes anteriores e se não existe escape de ar ao falar sons silibantes. É fundamental na estabilização de dentes que se encontram comprometidos periodontalmente mas que em conjunto com outros dentes podem ser ferulizados formando um polígono e assim sejam preservados no tratamento reabilitador definitivo.

A avaliação de propriedades mecânicas como a estabilidade dimensional das resinas acrílicas para coroas provisórias, ainda é escassa na literatura, sobre tudo no que se refere a estudos longitudinais. Porém, a relevância clínica dessa matéria é inquestionável, o que justifica estudos que visam melhoras na qualidade dessas resinas acrílicas.

Por conta de existirem poucos trabalhos na literatura a metodologia foi adaptada de outros trabalhos. A maioria de trabalhos encontrados sobre estabilidade dimensional são referentes a Prótese Total por isso, a metodologia aqui utilizada se aproxima mais a pesquisas de prótese total. Isto dificultou a comparação dos resultados do presente estudo com outros trabalhos na literatura.

Os poucos estudos que testam a estabilidade dimensional em coroas provisórias existentes na literatura na verdade testam é a contração de polimerização e não a estabilidade dimensional. Balkenol 2008, por exemplo não observou a estabilidade da resina ao longo do tempo, acompanhando-a somente até 60 minutos após a mistura. A falta de um acompanhamento por períodos mais prolongados dificulta a comparação.

No nosso trabalho não foi utilizado um grupo controle já que todas as técnicas foram submetidas às mesmas condições e comparadas entre si. Todos os corpos de prova foram submersos em água destilada, o que representa mais a condição clínica onde se encontrariam as coroas provisórias na boca.

As alterações dimensionais neste estudo foram observadas nos primeiros 7 dias independentemente da técnica a ser utilizada, o que comprova nossa hipótese nula já que não existe diferença na estabilidade dimensional ao se mudar a técnica de confecção após os primeiros 7 dias (Tabelas 9, 10, 11 e 12). Em todas as técnicas a estabilidade é mantida até depois de 6 meses independente da fase em que foi utilizada a resina e a técnica de manuseio.

Os Corpos de prova encontrados nos artigos onde avaliou-se alteração dimensional em Prótese Total não podem se comparar ao nosso pelo tamanho do

67 Discussão

nosso corpo de prova que é menor para se equiparar com o tamanho de uma coroa provisória principalmente com a região do término cervical que é a onde se precisa de maior estabilidade dimensional da nossa resina. Nos outros textos ou artigos da nossa revisão os corpos de prova são feitos para representar uma dentadura e por isso os corpos de prova apresentam um tamanho de 5 a 6 cm.

Além disso, as técnicas observadas nas outras pesquisas onde foi estudada a estabilidade dimensional foram diferentes pois representam as utilizadas para próteses total. No caso a mais utilizada e pesquisada é a técnica de polimerização em microondas. Tal técnica ainda não foi testada para confecção de coroas provisórias. Em muitos dos trabalhos da nossa revisão verificamos também que um outro tipo de monômero,o de polimerização lenta é utilizado, o que também dificulta comparações.

No nosso trabalho observamos que todas as mudanças foram obtidas nas primeiras 24 horas e até no máximo os 7 primeiros dias, que é o tempo crítico da resina acrílica. Com estes resultados observamos que não importa a técnica utilizada no manuseio da resina acrílica para a confecção do provisório nem a fase em que se encontra a resina acrílica para sua utilização, pois o resultado é o mesmo: ela apresenta a maior mudança na sua estabilidade dimensional nas primeiras 24 horas sendo que mesmo após 6 meses de armazenagem as mudanças não são significantes estatisticamente (Tabelas 9, 10, 11 e 12). Após 24 horas a resina acrílica chega a estabilizar-se sem ocorrer mais mudanças na sua estabilidade dimensional. Pesquisas em andamento no Departamento de Prótese da FOB-USP têm demonstrado que quando o quesito se refere a rugosidade e porosidade as técnicas e a fase da resina acrílica influenciam sobremaneira o resultado.

Como observamos, nossa pesquisa é uma das primeiras a serem realizadas sobre estabilidade dimensional de resinas acrílicas para coroas provisórias. A grande maioria de testes de estabilidade dimensional são direcionadas a confecção de próteses totais e não para avaliar as coroas provisórias. Isto serviu de incentivo para a realização do trabalho já que a estabilidade dimensional é uma característica importante uma vez que muitos dos tratamentos de reabilitação oral demoram em média 6 meses e, nos casos de precisar um tratamento multidisciplinar com Ortodontia ou Periodontia, muitas vezes o tratamento demora 1 ano ou mais.

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Discussão

Como visto através da revisão de literatura, outros fatores, além da técnica de manipulação da resina podem influenciar na estabilidade dimensional das resinas acrílicas: a espessura da resina e o tamanho dos corpos de prova. Bastos (2005) realizou um trabalho de verificação da resistência flexional de resinas acrílicas para provisorias adicionando diferentes tipos de reforços. A própria adição desses de reforços pode também interferir na estabilidade dimensional e assim deveria ser objeto de estudos posteriores.

Outro fator que está relacionado às características mecânicas e físicas da resina acrílica é a sorção de água. Esta influencia diretamente na estabilidade dimensional das coroas provisória, mas mesmo assim observamos que esta característica não é muito pesquisada (SKINNER, 1949). Sabe-se que algumas técnicas para confecção de coroas provisórias podem favorecer o surgimento de porosidades no interior do material, o que o tornará mais susceptível a absorver líquidos do meio bucal. Essa característica é responsável, em grande parte, pela alteração na coloração do material, devido à absorção de corantes presentes nos alimentos e aceleração do processo de degradação da resina, além de favorecer a proliferação de microrganismos, responsáveis por processos inflamatórios do periodonto e surgimento de odores indesejáveis com o passar do tempo, que se traduzem em inconvenientes clínicos que podem comprometer o sucesso da restauração definitiva.

Os fluidos infiltrados no material agem como um plastificante, fazendo com que as propriedades mecânicas dos polímeros sejam prejudicadas (RIZZATI- BARBOSA, 1995). Além disso, a sorção de água é também responsável por alterações dimensionais e instabilidade de cor como já foi observado anteriormente.

A sorção de água está intimamente relacionada com a solubilidade das resinas acrílicas quando são expostas a um meio úmido (ANTONOPUOLOS, 1978). O polímero do metacrilato não é solúvel em água e, portanto a solubilidade apresentada por este material é devida basicamente pela presença de monômero residual e aditivos solúveis em sua composição. O monômero residual é gradualmente liberado pelo material após sua polimerização deixando espaços que posteriormente serão preenchidos por líquidos, corantes e fluidos presentes no meio bucal. Assim, uma alta solubilidade não é uma característica desejável para a resina acrílica, especialmente quando utilizada na confecção de coroas provisórias.

69 Discussão

A polimerização das resinas acrílicas à base de Polimetilmetacrilato (PMMA) é uma reação de adição que requer a ativação de um iniciador, tal como o peróxido de benzoíla, que pode ser degradado de diversas maneiras, o calor é uma delas (polimerização térmica), ou pela adição de um ativador químico (autopolimerização), como é o caso da resina acrílica utilizada neste estudo (CORRÊA, 1993). A polimerização é então seguida pela conversão do metil metacrilato MMA em poli(metilmetacrilato) PMMA (processo de polimerização). No entanto, no processo combinado entre as técnicas de manipulação e o tipo de polimerização da resina acrílica a conversão do MMA em PMMA não é completa e resulta em uma determinada quantidade de monômero residual no polímero