• No results found

5. DISSENY I DESENVOLUPAMENT DE LA PROPOSTA

5.1. CONTEXT ON ES DESENVOLUPA

Segundo Machado e Cristovão (2006, p. 555), o interesse pela Sequência Didática geralmente é justificado pelas seguintes razões:

- a SD [Sequência Didática] permitiria um trabalho global e integrado; - na sua construção, considerar-se-ia, obrigatoriamente, tanto os conteúdos de ensino fixados pelas instruções oficiais quanto os objetivos de aprendizagem específicos;

- ela contemplaria a necessidade de se trabalhar com atividades e suportes de exercícios variados;

- ela permitiria integrar as atividades de leitura, de escrita e de conhecimento da língua, de acordo com um calendário pré-fixado;

- ela facilitaria a construção de programas em continuidade uns com os outros;

- ela propiciaria a motivação dos alunos, uma vez que permitiria a explicação dos objetivos das diferentes atividades e do objetivo geral que as guia.

Para que as especificidades da Sequência Didática sejam bem compreendidas, Dolz et

al (2004, p. 108) consideram quatro pontos cruciais:

1. Os princípios teóricos subjacentes ao procedimento.

2. O caráter modular do procedimento e suas possibilidades de diferenciação.

3. As diferenças entre os trabalhos com oralidade e com escrita.

4. A articulação entre o trabalho na sequência e outros domínios de ensino de língua.

Quanto aos princípios teóricos, devem-se considerar três características que permeiam o procedimento Sequência Didática: as escolhas pedagógicas, as escolhas psicológicas e as escolhas linguísticas.

As escolhas pedagógicas consistem na implementação de uma avaliação formativa, no fato de a Sequência se inserir em um projeto que proporciona aos alunos ocasiões de escrever ou de tomar a palavra e, finalmente, pelas oportunidades de realização de atividades diversificadas, em vista da apropriação dos instrumentos e noções, adaptadas às exigências de diferenciação do ensino. Do ponto de vista das escolhas psicológicas, a atividade de produção de textos escritos ou orais é trabalhada em toda sua complexidade discursiva, oferecendo a oportunidade de desenvolver um trabalho de reflexão sobre a linguagem e os recursos linguísticos. Segundo Dolz et al (2004, p. 109), o procedimento tem como finalidade transformar o jeito de falar e de escrever dos alunos “[...] no sentido de uma consciência mais ampla de seu comportamento de linguagem em todos os níveis (por exemplo: escolha de palavras, adaptação ao público, colocação da voz, organização do conteúdo etc)” e esta mudança só acontece devido a uma variedade de instrumentos de linguagem propostos aos alunos para estruturar textos, argumentar, topicalizar informações etc. Já as escolhas

linguísticas são trabalhadas na perspectiva textual e discursiva, de modo a se adaptarem às

diversas situações de comunicação como às formas dadas pelos gêneros.

O segundo ponto crucial refere-se ao caráter modular do procedimento e suas possibilidades de diferenciação. Conforme Dolz et al (2004, p. 110), a modularidade é um

princípio geral no uso das Sequências Didáticas. O procedimento, por favorecer processos de observação e de descoberta pelos próprios aprendentes, também permite que estes trabalhem em seus próprios ritmos e conforme suas próprias necessidades. Em outras palavras, em uma SD leva-se em consideração a heterogeneidade dos alunos, o que constitui a base do princípio de diferenciação pedagógica, apresentando-se atividades diversificadas

[...] selecionadas, adaptadas e transformadas de acordo com as necessidades dos alunos, dos momentos escolhidos para o trabalho, da história didática do grupo e da complementaridade em relação a outras situações de aprendizagem da expressão, propostas fora do contexto das seqüências didáticas (DOLZ et al, 2004, p. 110).

O terceiro ponto crucial remete para as diferenças entre os trabalhos com a escrita e com a oralidade. A Sequência Didática é aplicável tanto à modalidade oral quanto à escrita, mas há diferenças entre esses dois casos. Dolz et al (2004) consideram três diferenças que eles julgam importantes: 1) na atividade escrita, o autor pode refazer, revisar, retrabalhar o seu texto. O texto permanece provisório durante algum tempo, pois a escrita deve ser corrigida no final. Já na atividade oral, a palavra é pronunciada de uma só vez e, a fala, de certa forma, é corrigida antecipadamente em atividade de preparação; 2) pelo fato de o texto escrito poder ser considerado permanente e exteriorizado, próprio comportamento de linguagem, pode-se refletir, por meio dele, sobre o modo de fazer ou de escrever um texto. O processo de exteriorização também existe na oralidade, mas o texto oral imediatamente desaparece e, por isso, torna mais difícil uma análise posterior para a compreensão e observação do seu modo de funcionamento, a não ser que se usem recursos de gravação.

Com relação às situações que estão envolvidas na escrita, destaca-se a possibilidade de observar o comportamento de linguagem de outras pessoas, por meio de textos de referência. Assim, o texto escrito por qualquer pessoa, inclusive pelos alunos, passa por uma análise profunda, por comparação e pela crítica.

O quarto e último ponto dizem respeito à articulação entre o trabalho na Sequência e outros domínios de ensino de língua. As Sequências Didáticas têm como finalidade o aperfeiçoamento das práticas de escrita e de produção oral e estão centradas na aquisição de procedimentos e de práticas.

[...] Ao mesmo tempo em que constituem um lugar de intersecção entre atividades de expressão e de estruturação, as sequências não podem assumir a totalidade do trabalho necessário para levar os alunos a um melhor domínio da língua e devem apoiar-se em certos conhecimentos, construídos em outros momentos (DOLZ et al, 2004, p. 114).

Por este motivo, os autores da proposta recomendam que sejam levados em consideração os seguintes pontos:

 A adoção de uma perspectiva textual nas Sequências Didáticas implica considerar os diferentes níveis da produção de textos, o que pode ser efetuado mediante diversas “atividades de observação, de manipulação e de análise de unidades linguísticas”, no decorrer da Sequência Didática. Dolz et al (2004, p. 114) afirmam que é, essencialmente, no nível da textualização que o trabalho nessas Sequências se torne complementar a outras abordagens.

 O tratamento de questões de gramática e de sintaxe (relativas à sintaxe da frase, à morfologia verbal ou à ortografia) não está diretamente integrado às atividades da Sequência Didática, porém, os problemas provenientes desses domínios que são encontrados nas produções dos alunos possibilitam uma abordagem específica em atividades paralelas ou posteriores à sequência.

 Os problemas relacionados à ortografia que são encontrados nos textos produzidos não estão relacionados diretamente à natureza dos gêneros textuais, pois “[...] mesmo que certas unidades linguísticas sejam mais frequentes em certo gênero de texto e possam, dessa maneira, favorecer mais facilmente grafias incorretas, as regras ortográficas são as mesmas em todos os textos” (DOLZ et al, 2004, p. 116).

 Um dos princípios básicos da Sequência Didática é a revisão ou refacção de textos produzidos pelos alunos. Neste momento, é comum a preocupação (tanto por parte do aluno, quanto por parte do professor) com os erros ortográficos do ponto de vista da nomenclatura gramatical. Porém, o lugar da revisão ortográfica é preferencialmente no final do percurso, após outros níveis textuais terem sido aperfeiçoados. “[...] Isso não só permite centrar os esforços em problemas textuais, mas também evita sobrecarregar o aluno com a correção de palavras ou de passagens que serão suprimidas” (DOLZ et al, 2004, p. 118).

Na realidade, é necessário que cada Sequência seja organizada a partir de um projeto de apropriação das dimensões no qual o gênero é constituído, caso se queira trabalhar com um

gênero textual objetivando estabelecer uma relação entre as capacidades de linguagem dos alunos, as práticas de referência e a complexidade textual (ver GUIMARAES et al, pg. 61).