• No results found

7.3 Nærmere om virksomheten

7.3.2 Tilsyn

A vida representa crescimento e transformações contínuas, às quais todos os seres vivos estão submetidos.

Todo o ser vivo passa por um processo de envelhecimento, desde o nascimento. Este processo é um fenómeno universal e individual, pois todos envelhecemos de uma forma específica e mediante fatores múltiplos e complexos. Os fatores biológicos, sociais e psicológicos variam de pessoa para pessoa, não ocorrendo em simultâneo, nem estando necessariamente relacionados.

Netto e Pontem (2000), citados por Figueiredo (2007, p.32) referem que,

“o processo de envelhecimento biológico refere-se às transformações físicas que reduzem a eficiência dos sistemas orgânicos e funcionais do organismo,

22 traduzindo-se numa diminuição progressiva da capacidade de manutenção do

equilíbrio homeostático que, em condições normais, não será suficiente para produzir perturbações funcionais. Quando este diclínico é muito significativo, ocorre uma importante redução da reserva funcional, colocando o idoso mais vulnerável ao surgimento de doenças crónicas que podem levar a alterações na capacidade funcional, ameaçando a sua autonomia e independência”.

Saldanha (2009, p.11) defende que do ponto de vista biológico,

“o envelhecimento é caracterizado pela diminuição progressiva mais ou menos rápida e de intensidade variável da capacidade funcional do organismo, diferente de órgão para órgão e de tecido para tecido, cuja velocidade de progressão depende de fatores hereditários, ambientais, sociais, nutricionais e higieno-sanitários”.

Embora o envelhecimento seja um fenómeno universalmente conhecido pelos biólogos nenhuma das definições atuais está cientificamente comprovada e aceite. Porém sabe-se que é um fenómeno multidimensional resultante da ação de vários mecanismos: “disfunção do sistema imunológico, programação genética, lesões celulares, modificações ao nível da molécula do ADN e controlo neuro-endócrino da atividade genética” (Mailloux- Poirer, 1995, p. 99).

Dentro das teorias gerais existentes para explicar o processo de envelhecimento biológico, Mailloux-Poirier (1995,) juntamente com outros autores, destaca algumas delas:

 Teoria imunitária: Com a idade o sistema imunitário vai sofrer transformações, deixando de ser capaz de reconhecer as suas próprias células, levando à sua destruição e deixando de identificar os organismos invasores. A perda da imunidade provoca então uma perda do controlo, por parte dos vírus latentes, ou uma insurreição originada por fenómenos de autoimunidade.

 Teoria genética: O envelhecimento é um processo definido geneticamente e está biologicamente programado. Hayflick (1984, citado por Mailloux- Poirer, 1995) demonstrou que certas células do corpo humano, quando cultivadas em laboratório, se dividem em 50 vezes, mas cessam lentamente a sua divisão e acabam por morrem.

23 Para vários investigadores o envelhecimento é, portanto, uma consequência da deterioração da informação genética necessária à formação das proteínas celulares.  Teoria do erro na síntese proteica: Os investigadores referem que alterações da

molécula de DNA levam a erros na informação genética, impedindo, a produção de proteínas essenciais à sobrevivência, logo o envelhecimento seria consequência da morte celular.

 Teoria do desgaste: O organismo humano comporta-se como uma máquina e o seu desgaste provocaria anomalias, daí advindo uma paragem no mecanismo (Sacher, citado por Shock, s.d. 1977, citado por Mailloux-Poirier, 1995).

 Teoria dos radicais livres: o envelhecimento e a morte celular advém da peroxidação dos lípidos provocada pelos radicais livres não saturados, transformando-os em substâncias nefastas que envelhecem as células, de acordo com Harman, (citado por Shock,1977, citado por Mailloux-Poirier 1995).

 Teoria Neuro-endócrina: O sistema endócrino funciona em harmonia com o sistema nervoso de forma a manter a homeostase do organismo e são as alterações na produção hormonal que provocam as mudanças associadas ao envelhecimento.

Para Birren e Zarit (1985, citados por Figueiredo, 2007, p 32) “o envelhecimento biológico, senescência, é um processo de mudança no organismo, que com o tempo diminui a probabilidade de sobrevivência e reduz a capacidade biológica de auto-regulação, reparação e adaptação às exigências ambientais.” No entanto, a senescência não é sinónimo de doença, mas sim um processo normal de deterioração biológica geral que aumenta a vulnerabilidade do indivíduo à doença, já que se caracteriza pela redução fisiológica dos órgãos e sistemas, o que implica a diminuição da capacidade de adaptação do organismo face às alterações do meio ambiente.

Tal como o envelhecimento a outros níveis, a nível biológico, a evolução é variável, sendo que, de um modo geral, os tecidos perdem alguma flexibilidade e os órgãos e os sistemas reduzem a qualidade e a agilidade das suas funções. É neste sentido que se afirma que o envelhecimento humano biológico se dá ao nível dos órgãos, dos tecidos e das células, e que as alterações que se verificam nos vários aparelhos e sistemas não têm a mesma velocidade de declínio, sendo o padrão de declínio bastante heterogéneo entre os diversos órgãos (Pimentel, 2001, p.60).

Como refere Sousa et al., (2004, p.24), “uma das modificações mais relevantes ocorre na composição global do corpo, caracterizada pela diminuição da massa magra, aumento da

24 proporção de gordura e diminuição de água no corpo.” Consequentemente, com estas alterações físicas aumentam os riscos da diabetes, perturbações cardiovasculares, osteoporose e cancro do cólon e da mama, assim como, a diminuição da capacidade funcional, do peso e água corporal.

Para além destas consequências, o envelhecimento biológico passa por uma série de alterações ao nível do paladar e do olfato, ao nível da visão, da audição, alterações do sono (oscilações), alterações da temperatura, do peso e do metabolismo, alterações das necessidades energéticas e ao nível da sexualidade. Ocorre ainda, a redução da estatura que cria um efeito de desproporção, pois os braços e as pernas mantêm o comprimento normal, mas o tronco encolhe, o aparecimento de rugas e embranquecimento, secura, descamação e palidez na pele, acentuação das proeminências ósseas, ossos dos maxilares, maçãs do rosto, órbitas, nariz, orelhas, agravamento da perda de cabelo que se torna menos espesso e volumoso, lentificação do crescimento das unhas e estrias (Sousa, et al., 2004).

Deste modo, no processo de envelhecimento são atingidos todos os sistemas importantes do organismo, e o efeito destas mudanças nos contextos ambientais específicos modifica os comportamentos dos indivíduos, tratando-se, no entanto, de processos normais, e não de sinais de doença. De facto, a saúde não desaparece logo que chega a velhice, pois esta não é sinónimo de doença. Contudo, as pessoas ao envelhecerem, têm maiores probabilidades de sofrer de doenças ou incapacidades.

Ao nível do sistema nervoso central, as modificações descritas na literatura, e apresentadas por Fontaine (2000, p.38), são as seguintes: atrofia do cérebro (perda de peso e diminuição de volume); aparecimento de placas senis; degenerência nerofibrilar; diminuição da neuroplasticidade; mortalidade neuronal; rarefacção e enriquecimento dendríticos.

O envelhecimento conduz a diversas alterações nos aparelhos: respiratório (afeções mais comuns: pneumonia, tuberculose), cardiovascular (afeções mais comuns: enfarte do miocárdio, insuficiência cardíaca, hipertensão arterial, angina, anemia), músculo-esquelético (afeções mais comuns: osteoporose, osteoartrose, artrite reumatóide, fracturas), nervoso (doenças vasculares cerebrais, doença de Parkinson) e urinário (afeções mais comuns: incontinência urinária, infeções, hipertrofia benigna da próstata), endócrino (afeções mais comuns: colecistite, obstipação) (Berger & Mailloux-Poirier, 1995).

De facto, envelhecer aumenta consideravelmente o risco de doenças e a prevalência de doenças crónico-degenerativas. O envelhecimento tem sido associado à ocorrência de várias patologias crónicas que influenciam o modo de viver e o processo de envelhecimento,

25 predispondo-a a uma maior vulnerabilidade e fragilidade e, consequentemente, a um comprometimento da qualidade de vida.

Na realidade, as pessoas idosas, apresentam uma incidência significativa de situações crónicas. A Direção Geral de Saúde (2004), refere que a prevalência de algumas doenças crónicas aumenta significativamente com a idade. Entre essas doenças crónicas, encontram-se as doenças neurodegenerativas, nomeadamente a doença de Parkinson, em que a prevalência aumenta de 0,6% aos 65 anos para 3,5% aos 85 e mais anos e a demência, em que a prevalência aumenta de 1% aos 65 anos, para 30% aos 85 anos de idade.

De acordo com Squire (2005) pode ainda ocorrer com o avançar da idade, uma diminuição da mobilidade, pois os percursos das pessoas idosas vão diminuindo progressivamente, e muitas vezes ficam limitados a uma divisão da casa, ou até mesmo à cama. Deste modo, as dificuldades motoras tornam as distâncias mais longas, e o que antes estava perto fica agora mais distante.

De facto, existem diversos fatores que podem conduzir a pessoa idosa à cama, e não são apenas os fatores fisiológicos que resultam das alterações neurológicas, osteoarticulares e cardiovasculares. Entre estes, existem os fatores psicológicos como o medo de cair, as situações de depressão, os fatores ambientais tal como, a falta de estímulos. Esta imobilização pode causar no idoso acamado estados degenerativos, como por exemplo úlceras de pressão, atrofia dos músculos, problemas respiratórios devido à diminuição da ventilação pulmonar, entre outros, que se podem desenvolver rapidamente e serem de muito difícil recuperação.

De um modo geral, o envelhecimento biológico é o processo vital em que, com a passagem do tempo de vida, o organismo sofre um conjunto de alterações de declínio da sua força, disposição e aparência, as quais não têm que ser necessariamente incapacitantes. A diminuição das capacidades físicas e sensoriais (audição e visão), para além das mentais, potencia um decréscimo do bem-estar e aumenta o sentimento de vulnerabilidade, determinando a condição psicológica e social das pessoas idosas.