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XII. - Penger og kréditt
9 Til og med 150: 148 100
Esta dificuldade acontecia pelo fato dele não ter passado pelo concernimento com a devida ajuda ambiental de que precisava para tal. B certamente sentia que poderia causar danos à sua mãe, porém seu problema era não encontrar um ato reparatório dos mesmos. Ele temia que ela não suportasse certas atitudes dele que envolviam sua destruição:
Paciente: “um fato muito importante é que minha mãe não sabia de meus sentimentos porque havia alguma coisa que eu não ousava contar a ela, pois envolveria sua destruição”. Pausa. “Minha única esperança naqueles dias era crescer de repente e evitar uma porção de situações desagradáveis (...)” (Winnicott, 1972, p. 192).
A dificuldade em manifestar um ato agressivo, por causa da possibilidade de destruição que ele implicava, levava-o a realizar ataques de forma indireta, por meio do sarcasmo. B diz: “Um dos elementos do sarcasmo e da sátira é o duplo sentido que a outra pessoa não pode perceber; eu visualizo pessoas feridas realmente machucadas pelo sarcasmo. É mais eficaz que um ataque direto e, assim, eu tento ferir dessa forma” (ibid., p. 163). O fato de não ser impulsivo de forma direta e não lidar com a agressividade se relaciona com a idéia de que sua mãe não suportaria ser atacada.
Aliada a essa condição, de dificuldades com sua própria impulsividade pessoal para com a mãe, havia uma situação de um encontro mal sucedido com o pai. Este não emergia como uma figura paterna que pudesse colocá-lo numa posição de confrontação, como um rival, oferecendo oposição real e consistente. Como B não teve esse pai como uma figura para viver a experiência de rivalidade, ele teve a difícil tarefa de exercer, ele mesmo, um autocontrole sobre os instintos. Sem o apoio necessário das figuras parentais, neste momento de elaboração da própria impulsividade, ele diz:
Às vezes sinto como se estivesse mesmo carregando meu pai comigo. Quando digo que estou zangado comigo quero dizer é que meu pai está zangado comigo. Quando digo que estou discutindo alguma coisa comigo mesmo, é meu pai e eu que estamos discutindo. Às vezes sinto quase como se eu fosse meu pai (ibid., p. 165).
Diante de um pai que não se ocupou dos seus impulsos, liberando-o de seu autocontrole, B observa suas dificuldades de ser agressivo:
Paciente: “Não consigo lembrar de ter realmente feito tal coisa. Eu certamente queria fazê-lo. Era difícil atingi-lo porque ele não mostrava nenhuma resistência”. Analista: “Ele era contra a idéia de oposição”. Paciente: “Se eu acertasse meu pai ele se fecharia. Ele simplesmente não estaria presente. É diferente de brincar onde a agressão pode entrar” (ibid, p.167).
Winnicott, em “Natureza Humana” (1988), coloca que: “(...) no relacionamento triangular, o ódio pode aparecer livremente, desde que o que é odiado seja uma pessoa que pode se defender” (Winnicott, 1988, p. 54). Como na relação com seu pai ele não encontrou uma oposição consistente para viver momentos de rivalidade e uma figura que pudesse se defender, a situação triangular não pôde ser acessada.
Somou-se a esta história a morte real de seu pai, não sendo possível a configuração de um ambiente que proporcionasse a B as condições necessárias para entrar em rivalidade edípica, muito embora já estivesse em posição de elaborar a própria instintualidade na relação transferencial com Winnicott. Nesta última, o paciente sinalizava sua incapacidade de elaboração da rivalidade para com o pai, não pela resistência às interpretações do seu analista, mas pelo fato de não estar preparado para acessar relações interpessoais em seu caráter genital.
Havia ainda outras questões envolvendo a instintualidade que precisavam ser elaboradas antes que a genitalidade, de caráter edípico, e as questões inerentes a esta fase, pudessem entrar no jogo transferencial. Winnicott coloca para o paciente:
Analista: “Parece que, ao se aproximar da idéia de um confronto com o pai, você se viu novamente diante da questão de saber se esse confronto valia ou não a pena. Como seu relacionamento com a sua mãe não era forte o suficiente nem o suficientemente fundamentado, a fraqueza da relação fez-se sentir-se novamente” (o paciente estava sonolento).
Paciente: “Eu não estava realmente dormindo. Fiz uma pausa porque você estava indo depressa demais. Como não estava conseguindo acompanhá-lo, eu parei. Foi uma reação a sua rapidez” (Winnicott, 1972, p. 223).
A impossibilidade de vivenciar a rivalidade da relação edípica demonstra, finalmente, que a neurose, como uma aquisição do processo de amadurecimento, não pôde ainda acontecer, muito embora, na relação transferencial com Winnicott, estas questões já fossem apontadas.
Com isto, podemos observar que, no aparecimento de uma neurose, devemos considerar, de um lado, uma mãe viva sustentando uma relação com a criança, pela qual ela aceita seus ataques instintuais. De outro lado, um pai que se coloque como uma figura que possa ser confrontada e que possa se defender.
Como no caso B não houve um ambiente familiar que pudesse propiciar essa situação de ser agressivo com a sua mãe e de se colocar em uma posição de confronto com o seu pai, estas dificuldades se repetiram na relação tranferencial com Winnicott. A neurose como uma conquista já era algo que estava sendo vislumbrado na relação paciente-analista no final desse segundo momento de análise, contudo, os momentos clínicos destacados neste trabalho tiveram por objetivo tornar mais evidente que a rivalidade edípica só pode ser alcançada a partir do desenvolvimento pleno dos níveis infantis mais precoces e, também, a partir da elaboração dos instintos na fase do concernimento.
Sabemos que na teoria winnicottiana o concernimento é a ante-sala das relações edípicas. Na segunda metade do concernimento já começa a se configurar a relação triangular com a presença do pai por seus próprios direitos. A situação desses atendimentos no caso B se encaminha, na transferência com Winnicott, para a vivência das rivalidades edípicas e, portanto, para a possibilidade de desenvolver uma neurose. No entanto, a neurose como uma aquisição do processo de amadurecimento é algo que não está garantido. Como vimos a conquista de uma posição dentro do triângulo edípico e o acesso à rivalidade com a figura parental, depende de uma boa elaboração da instintualidade na relação dual com a mãe e da presença de um pai que se coloque numa posição de rival.