The functional sequence meets the agreement problem
6.2 The syntactic representation of agreement
As notícias, que são a principal produção intelectual da Rede GTA, não são assinadas por nenhuma pessoa física, e sim por instituições. Também não seguem padrões de redação para jornais impressos e muito menos para jornalismo online. Pinho (2003, p. 184) afirma que “o texto preparado para a internet deve ser 50% mais curto do que aquele escrito para papel”, principalmente pela questão fisiológica do olho humano, que não consegue ler igualmente na tela como se lê no papel, pois é prejudicado pela luz do monitor. No site da Rede GTA, o tamanho dos textos não é padronizado. Percebe-se que alguns textos, os retirados de agências de notícias, são mais curtos, mas no geral, todos são muito extensos e muitas vezes com apresentação de dados em linguagem técnica. Isso pode ser devido à diversidade das instituições autoras e ao fato de os produtores do site contarem com um conhecimento prévio dos usuários.
Essas reportagens deveriam seguir um padrão de publicação que, segundo o editor entrevistado, consiste em citar a fonte do texto e identificar a origem de quem o inseriu (o nome da regional, que tem a senha). Ele reconhece que essas regras não são seguidas e que alterações de textos ocorrem indevidamente, apesar da existência de um Conselho Editorial, e que essas questões estão em debate desde 2005, na tentativa de construir um novo sistema efetivamente mais democrático de atualização da página, mais participativo. No entanto, ele justifica que não há verba para isso ainda. Outra dificuldade é que a maioria das entidades parceiras não possuía acesso à internet até este ano de 2006.
Quando a instituição autora do texto possui site, o link do mesmo é informado no final do texto. Porém, ao seguir este link na matéria “Incêndios
Greenpeace53 e destaque na rede GTA em 31/08/2006, percebemos que algumas palavras foram alteradas, por exemplo, o título da notícia mudou para “Incêndios criminosos destroem Unidades de Conservação no Pará”, o que limita a “Amazônia” dentro do “Pará”. Seguindo essa linha de pensamento para edição sobre a matéria original do Greenpeace, logo no primeiro parágrafo em que está escrito “Na última semana, o fotógrafo Araquém Alcântara documentou para o Greenpeace grandes desmatamentos (...)”, no site da Rede Gta foi suprimido o ‘para o Greenpeace’. No sétimo parágrafo, foi suprimida a função da fonte citada na matéria, pois onde se lê “(...) afirmou Carlos Ritti, coordenador da campanha de Clima do Greenpeace (...)”, na matéria do GTA está apenas “(...) afirmou Carlos Ritti.”. E, ao final do texto, no qual se lê “Para o Greenpeace, é necessário aumentar e equipar o efetivo do Ibama nessas regiões (...)”, a rede GTA anuncia simplesmente: “A análise mostra que é necessário aumentar e equipar o efetivo do IBAMA nessas regiões”. Ou seja, foram suprimidas todas as referências ao autor (Greenpeace).
Essas modificações são possibilitadas pelas operações computacionais, tais como: copiar, colar, cortar, recortar, transformar, filtrar e outras e, mais do que uma operação técnica simplesmente, esse ato implica na desvalorização do Greenpeace (entidade ecológica considerada ‘parceira’) como produtor da informação. Evidencia ainda a apropriação indevida da pesquisa citada por parte do GTA, embora que a reprodução da informação não perca seu significado original (de informar sobre análises de incêndios criminosos).
O fato de o GTA retirar as referências ao Greenpeace no texto (mesmo oferecendo o caminho para a notícia original no final do texto) pode ser um exemplo que reflete um conjunto de mudanças cognitivas perceptíveis da antiga sociedade industrial para a sociedade em rede. Trabalho e lazer, por exemplo, se envolvem, não há uma separação tão distinta quanto há meio século atrás. Autores e leitores também não estão mais separados por rígidas fronteiras e podem ser mais bem denominados como produtores de objetos culturais (textuais ou imagéticos) e seus usuários, ou reprodutores, com
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intenções de produção de sentido diferentes ou iguais. Barthes (BURKE, 1998, p. 23) em seu famoso artigo "The death of the author" oferece uma crítica mais que radical para a idéia do autor como um inventor solitário responsável pelo conteúdo do trabalho. Ele afirmou que texto é uma célula de citações montadas de inumeráveis centros de cultura. No caso das transformações sofridas pelos textos ao serem publicados na seção ‘notícias’ da Rede GTA, algumas vezes nota-se que o ‘novo’ autor (identificado pela instituição – parceiro ou regional, que aparece entre parêntesis antes do texto) também acrescenta dados ao texto original, como é o caso da notícia sobre a carência das comunidades quilombolas no Mato Grosso. A matéria é assinada como “GTA Mato Grosso/Diário de Cuiabá”, no entanto, ao visitar o site do diário em busca da reportagem e comparar a fonte original com a reprodução do GTA, nota-se que foram adicionados vários parágrafos abaixo do texto publicado de autoria do repórter Rodrigo Vargas, com dados históricos, geográficos, antropológicos e, inclusive, a citação de fontes oficiais e populares. Esse processo, se fosse melhor adequado ao meio eletrônico, para potencializar a usabilidade do site, deveria no mínimo ‘hipertextualizar’ o texto, ou seja, separar por módulos distintos e criar novos elos, através de palavras chaves destacadas do texto ou ao final dele.
Essas práticas denotam que o GTA não é apenas um reprodutor de dados provenientes de outras fontes, pois também interage com esses dados, no sentido de acrescentar ou suprimir informações que consideram necessárias, tornando essa prática um ato intencional.
Concluímos que, embora o site do GTA apresente falhas de inadequação à linguagem da internet, que podem resultar no mau uso das ferramentas para democratização da informação nos processos deliberativos de políticas publicas para a Amazônia, sua existência parece apontar o caminho, de maneira um pouco desordenada, para a efetivação dessa possibilidade de uma dia haver maior participação dos povos tradicionais no planejamento de projetos direcionados para a ocupação desse território.
6. O PRODUTOR DE INFORMAÇÃO DA REDE AMBIENTAL: