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Step 2 From this point and on, the calculation proceeds by repeating steps 1a) to 1f) for each vertical element and by advancing in steps of suitably chosen values of 'W and 'x. The values

5.6 The landslide at Tre-styckevattnet (1990), Sweden

Encerrando o tema das eleições, trazemos alguns exemplos de como a guerra verbal entre os candidatos pode se sobrepor, no noticiário, às informações a respeito das propostas de governo ou aos debates sobre assuntos inerentes à administração pública.28 Estampadas em títulos de capa ou internos, as declarações são, muitas vezes, retóricas agressivas que se prestam apenas à troca de ofensas entre candidatos e aliados, o que suscita reflexões importantes sobre a atuação da imprensa. Alçadas a títulos, as frases bombásticas, ou de efeito, são utilizadas para despertar a atenção do leitor; com isso, porém, o veículo de comunicação corre o risco de se tornar uma peça do jogo propagandístico da disputa eleitoral.

... os jornalistas, que invocam as expectativas do público para justificar essa política de simplificação demagógica (...), não fazem mais que projetar sobre ele suas próprias inclinações, sua própria visão; especialmente quando o medo de entediar os leva a dar prioridade ao combate sobre o debate, à polêmica sobre a dialética, e a empregar todos os meios para privilegiar o enfrentamento entre as pessoas (os políticos, sobretudo) em detrimento do confronto entre seus argumentos, isto é, do que constitui o próprio desafio do debate, déficit orçamentário, baixa dos impostos ou dívida externa... (BOURDIEU, 1997: 134-5)

No dia 11 de outubro de 2002, a Folha de S.Paulo (edição São Paulo/DF) publica na capa do jornal e na capa do Caderno Eleições os seguintes títulos, respectivamente: “Com Lula, Brasil vira Venezuela, diz tucano” e “Serra ataca e diz que país pode virar Venezuela se Lula vencer”, em referência à crise enfrentada por aquele país.

A matéria interna limita-se a expor as acusações de Serra e outros políticos presentes ao comício realizado em Goiânia (GO) na véspera daquela edição, sem dizer o que, no eventual governo do então candidato Lula, poderia causar crise semelhante à da Venezuela ou citar, por exemplo, qualquer tipo de declaração objetiva sobre as propostas do então candidato tucano, a não ser a de que “vamos continuar a mudança segura”. (ULHÔA, 11 out. 2002: Esp. 1)

No dia 12 de outubro de 2002, O Estado de S.Paulo estampa como título da matéria principal da página A9, tida como “nobre” por ser ímpar e, portanto, ter maior visibilidade: “Lula diz que governo faz ‘terrorismo econômico’”. No texto, em alusão à cotação da moeda americana chegar aos quatro reais, o então candidato critica o governo de Fernando Henrique

Cardoso, que, segundo ele, “tem mecanismos para controlar a alta do dólar e não pode ficar brincando de fazer terrorismo econômico”. (PASQUATTO; SCINOCCA; PULITI, 12 out. 2002: A9)

Por maior violência que signifiquem as constantes altas do dólar, o termo “terrorismo” parece-nos despropositado para figurar no título. Entende-se que a notícia seja dada, já que o termo foi utilizado não pelo jornal, mas pelo então candidato; estampá-lo no título, porém, configura uma inversão, já que o mais importante não é a nomeação dada à condução da política econômica do governo FHC, mas, sim, a crítica que se faz a ela e a apresentação de possíveis soluções.

Em outras edições dos dois jornais, a sistemática persiste, sempre com as declarações agressivas alçadas a títulos como se fossem o teor principal da notícia, assim contribuindo para reforçar animosidades e, várias vezes, tão somente subjetividades. Alguns exemplos da Folha (respectivamente, edição São Paulo/DF e edição São Paulo): “Ermírio [de Moraes] ataca ‘covardes’ que mudam de lado” (SILVA, 11 out. 2002: Esp. 4); “‘Fascismo toma o país’, diz Jarbas [Vasconcelos], aliado de tucano” (23 out. 2002: capa). Exemplos do Estado: “‘A equipe econômica não enxerga, é cega’, diz Lula” (ROSA, 18 out. 2002: A4); “Para Serra, maquiagem e fantasia não governam” (19 out. 2002: capa); “Petista acusa Serra de ser preconceituoso” (CORSALETTE, 20 out. 2002: A6); “Serra acusa Lula de partir para ataque pessoal” (KATTAH; SAMARCO, 22 out. 2002: A8); “‘Se PT ganhar, MST vai invadir’, ataca Roriz [Joaquim]” (GUEDES, 22 out. 2002: A13).

Considerações finais

As reflexões advindas da interpretação dos dados coletados e analisados na presente pesquisa levam-nos a perceber mais claramente como a imprensa, instituição de grande valia para qualquer sociedade democrática, pode, porém, a partir da opção - intencional ou não - que faz por determinados procedimentos para a construção da notícia, transformar- se em porta-voz não de informações minimamente isentas, mas, sim, de sua visão particular dos fatos.

Um desses procedimentos, utilizados para afirmar as escolhas da imprensa, é a inversão, apontada nesta pesquisa sob diversos ângulos, todos eles congruentes com o estabelecimento de novos sentidos para os fatos e a busca de adesão do receptor à versão adotada.

Uma conjunção de fatores é responsável pela presença de inversões nas matérias jornalísticas. O dia-a-dia, repleto de pressões pela busca do “furo”, pela velocidade requerida, pela imposição dos superiores e pela concorrência, pode levar os profissionais-jornalistas a delegar ao segundo plano um maior cuidado com a produção da notícia. Quando isso ocorre, o resultado é a apresentação da informação ocultada, descontextualizada, fragmentada, espetacularizada, às avessas.

Mesmo cientes da impossibilidade de apreensão absoluta do “real”, acreditamos que o conhecimento dos estudos dos teóricos aqui apresentados pode contribuir para desvelar o cotidiano da prática jornalística e, ao fazê- lo, iniciar um processo de inquietação seguida de ação, tanto por parte dos receptores quanto dos produtores da notícia.

Se a sociedade conhece os mecanismos que atuam na produção da notícia, pode passar a melhor percebê-los, a duvidar do que vê, lê ou ouve, a refletir com pensamento próprio, a exercer sua criticidade, a exigir seu direito de ser efetivamente bem informada.

De seu lado, o profissional-jornalista pode, consciente da existência destes mecanismos, tentar se libertar e garantir sua maior autonomia.

Compartimos a reflexão que faz Bourdieu (1997: 78-79), ao destacar a “esperança de eficácia” presente em uma análise sociológica sobre o jornalismo: “... elevando a consciência dos mecanismos, ele [o sociólogo] pode contribuir para dar um pouco de liberdade a pessoas que são manipuladas por esses mecanismos, quer sejam jornalistas quer telespectadores”.

Evidentemente, nossa pesquisa é uma pequena amostra dentro da complexidade do tema. Assim, não esgota o assunto, e nem pretendeu fazê- lo, sendo apenas um passo na direção das - estas sim - grandes contribuições dos teóricos da comunicação e da cultura.

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CERCADO pela família, Silvio tenta voltar à normalidade. Contigo!, São Paulo, n.º 1453, 22 jul. 2003, p. 16-23.

COM LULA, Brasil vira Venezuela, diz tucano. Folha de S.Paulo, São Paulo, 11 out. 2002, capa.

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EM NOVA pesquisa, Serra cresce e se isola em 2º. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 3 out. 2002, p. A6.

‘FASCISMO toma o país’, diz Jarbas, aliado de tucano. Folha de S.Paulo, São Paulo, 23 out. 2002, capa.

FOLHA se manteve equidistante no 2º turno. Folha de S.Paulo, São Paulo, 25 out. 2002. Caderno Eleições, p. Esp. 12.

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LEIA amanhã pesquisa Datafolha para presidente e governador de SP.

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LEITOR reconhece cobertura apartidária. Folha de S.Paulo, São Paulo, 25 out. 2002. Caderno Eleições, p. Esp. 12.

‘LE MONDE’ critica governo FHC e analisa a chegada do PT ao poder.

Folha de S.Paulo, São Paulo, 25 out. 2002. Caderno Eleições, p. Esp. 12.

LULA continua com 49% dos válidos, contra 22% de Serra. Folha de

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LULA mantém 49%; Serra vai a 22%. Folha de S.Paulo, São Paulo, 3 out. 2002, capa.

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LULA tem 45% e Serra vai a 21%, diz pesquisa. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 3 out. 2002, capa.

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Anexo 1 - Os sem-terra existem?

Anexo 1 - Os sem-terra existem?

Anexo 1 - Os sem-terra existem?

Anexo 1 - Os sem-terra existem?

Anexo 1 - Os sem-terra existem?

Anexo 1 - Os sem-terra existem?

Anexo 1 - Os sem-terra existem?

Anexo 1 - Os sem-terra existem?

Anexo 1 - Os sem-terra existem?

Anexo 1 - Os sem-terra existem?

Anexo 1 - Os sem-terra existem?

Anexo 1 - Os sem-terra existem?

Anexo 2 - Silvio Santos: a morte como espetáculo

Anexo 2 - Silvio Santos: a morte como espetáculo

Anexo 2 - Silvio Santos: a morte como espetáculo

Anexo 2 - Silvio Santos: a morte como espetáculo

Anexo 2 - Silvio Santos: a morte como espetáculo

Anexo 2 - Silvio Santos: a morte como espetáculo

Anexo 2 - Silvio Santos: a morte como espetáculo

Anexo 2 - Silvio Santos: a morte como espetáculo

Anexo 2 - Silvio Santos: a morte como espetáculo

Anexo 2 - Silvio Santos: a morte como espetáculo

Anexo 2 - Silvio Santos: a morte como espetáculo

Anexo 2 - Silvio Santos: a morte como espetáculo

Anexo 2 - Silvio Santos: a morte como espetáculo

Anexo 2 - Silvio Santos: a morte como espetáculo

Anexo 2 - Silvio Santos: a morte como espetáculo

Anexo 3 - Imprensa na disputa eleitoral

· Em pauta, a interpretação dos números

Anexo 3 - Imprensa na disputa eleitoral

· Em pauta, a interpretação dos números

Anexo 4 - Imprensa na disputa eleitoral · O apoio no discurso alheio

Anexo 5 - Imprensa na disputa eleitoral · A informação em último lugar

Anexo 5 - Imprensa na disputa eleitoral · A informação em último lugar

Anexo 5 - Imprensa na disputa eleitoral · A informação em último lugar

Anexo 5 - Imprensa na disputa eleitoral · A informação em último lugar

Anexo 6 - Imprensa na disputa eleitoral · Vale-tudo verbal

Anexo 6 - Imprensa na disputa eleitoral · Vale-tudo verbal

O Estado de S.Paulo, 12 out. 2002, p. A9.

Anexo 6 - Imprensa na disputa eleitoral · Vale-tudo verbal

Folha de S.Paulo, 11 out. 2002, p. Esp. 4.

Anexo 6 - Imprensa na disputa eleitoral · Vale-tudo verbal

O Estado de S.Paulo, 18 out. 2002, p. A4.

Anexo 6 - Imprensa na disputa eleitoral · Vale-tudo verbal

O Estado de S.Paulo, 20 out. 2002, p. A6.

Anexo 6 - Imprensa na disputa eleitoral · Vale-tudo verbal

O Estado de S.Paulo, 22 out. 2002, p. A13.

Glossário

ABERTURA - Texto de introdução ou de apresentação de uma matéria. É, geralmente, diagramado em corpo maior que o da própria matéria.

BOX - Espaço, geralmente delimitado por fios, com informações adicionais às de uma matéria jornalística.

CADERNO - Cada uma das partes separadas do jornal, com um determinado número de páginas e enfoque (política e economia, esportes, cultura etc). Os jornais publicam também, com freqüência, cadernos relativos a assuntos especiais.

CHAMADA - Pequeno titulo e/ou resumo de uma matéria, publicado geralmente na primeira página de jornal ou na capa de revista, com o objetivo de atrair a atenção do leitor e remetê-lo para a matéria completa, apresentada nas páginas internas.

CORPO - Dimensão dos tipos de letras usados na composição dos textos e títulos. É medido pela quantidade de pontos tipográficos.

DIAGRAMAÇÃO - Ato ou efeito de diagramar (distribuir graficamente os elementos, como textos, títulos, ilustrações etc). Projeto gráfico.

EDIÇÃO - Conjunto dos exemplares de uma única tiragem de jornal ou revista, ou cada emissão de um noticiário de rádio ou TV.

EDITORIAL - Texto jornalístico opinativo, escrito de maneira impessoal e publicado sem assinatura, referente a assuntos ou acontecimentos locais, nacionais ou internacionais de maior relevância. Define e expressa o ponto de vista do veículo ou da empresa responsável pela publicação (jornal, revista etc) ou emissão (programa de televisão ou de rádio).

FONTE - Procedência da notícia. Todos os documentos e pessoas de onde um autor de trabalho jornalístico, literário, técnico ou artístico extraiu informações para sua obra.

IMPRENSA - Conjunto dos jornais e revistas de um lugar ou de determinada categoria, gênero ou assunto (ex.: imprensa carioca, imprensa nanica, imprensa esportiva, imprensa católica, imprensa marrom).

O mesmo que jornalismo.

P. ext., o conjunto dos processos de difusão de informações jornalísticas por veículos impressos (jornais e revistas - imprensa escrita) ou eletrônicos (rádio e televisão - imprensa falada e televisada) etc.

Conjunto dos jornalistas.

MANCHETE - Título principal, composto em letras garrafais e publicado com grande destaque, geralmente no alto da primeira página de um jornal