5.2 H OW IS THE RELATION BETWEEN MUTUAL TRUST AND INTER - ORGANIZATIONAL LEARNING IN A
5.2.2 The importance of face to face interaction
Nessa fase inicial da carreira e envolvida num processo de reflexão na e sobre a ação, a professora constrói o significado do contrato didático à medida que vai elaborando o seu plano de ensino e refletindo sobre ele em seu diário. Os planos de ensino - construídos no tempo - aula após aula - alimentam os planos posteriores. Revelam “conversações” de uma ação com a ação seguinte, entremeadas de justificativas e explicitação de objetivos, não se resumindo a uma seqüência linear de tópicos soltos. Envolvem um “pensar com antecedência”, “um projetar” sobre o que pode ser o processo de ensino aprendizagem com seus/suas alunos/as e um "rever" o acontecido e as reações dos/as alunos/as frente àquele plano.
A avaliação e o planejamento cotidiano ajudam o/a professor/a a recriar sua própria prática. Quando estão ligados intimamente com ela e são revistos e refeitos com freqüência, servem de oportunidade de reflexão e avaliação, formando uma base para ser usada em outro anos, evitando ter que começar tudo do marco zero (WARSCHAUER, 1993).
A professora resgata um plano de ensino elaborado dois anos antes, como um ponto de partida para inspirar o trabalho desse semestre (apêndice C). Esse material facilitou o trabalho da professora, principalmente porque tinha que iniciar as aulas no dia seguinte à atribuição de classes. Com esse apoio, a professora sentiu-se preparada para a primeira aula, no sentido de estabelecer um contrato didático com os/as alunos/as e apresentar os conteúdos gerais da disciplina daquele semestre.
Apresentação rápida da professora; Início da construção do contrato didático:
O que espero desta experiência; minhas expectativas (que eu possa contribuir para maior aprendizagem; que seja prazerosa; significativa; interessante; formadora);
O que espero dos alunos - participação responsável; compromisso; dedicação; presença nas aulas;
Avaliação – qual o sentido dela. Podemos evitar o esquema antigo de “vou fazer o básico para obter nota” e “vou controlar meus alunos e conseguir respeito pela nota”; serão adotadas diversas estratégias de
avaliação de ensino-aprendizagem (debates; relatórios; pesquisas; questionários dissertativos; atividades em grupo e individual);
incentivo a leitura – pasta com livros e artigos trazidos pelos alunos e professora, para empréstimo. Em eventuais aulas serão cedidos momentos de leitura “livre” dos artigos da pasta.
Mestrado – explicar rapidamente, já que falei sobre isso na última aula, para os poucos alunos presentes;
Este contrato é mutável na medida em que amadurecemos nossa relação, na medida em que os alunos trazem sugestões e críticas.
Plano de ensino do semestre (conteúdos gerais), com breves comentários sobre cada temática. (seguindo esquema do livro didático) Questões:
a) Como as características são passadas dos pais para os filhos? b) Como se explica uma criança de olhos azuis numa família com olhos castanhos? (Diário, 08 fev. 2002, p. 3)
A professora enfatiza já no primeiro contato com os/as alunos/as suas expectativas em relação à disciplina, ao seu papel e aos papéis esperados do/a aluno/a como forma de construir o ambiente desejado para o desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem. Ela indica os elementos de participação e responsabilidade sobre esta participação como fundamentais para o desenvolvimento dos/as alunos/as e da disciplina. O/a aluno/a tem que estar presente, e mais que isso, participar das aulas com dedicação e iniciativa. A professora também assume um papel de compromisso com seu trabalho quando explicita que deseja que esta disciplina seja significativa para todos/as. A avaliação também ganha um sentido aparentemente novo para os/as alunos/as, nesta apresentação – ela não representa uma nota, mas a progressão das aprendizagens e o desempenho dos alunos/as e professora.
O incentivo à leitura também reforça a perspectiva de atuação responsável do/a aluno/a para com o próprio processo de aprendizagem, dando coerência à proposta do contrato didático. Outros conteúdos relacionados à formação mais integral dos participantes, ao desenvolvimento de habilidades e procedimentos (discutidos no capítulo 7 e 8) são considerados no processo de ensino.
O livro didático parece servir de suporte à professora quando tem que selecionar tópicos diante do rol de conteúdos da área da Biologia. No momento de definir o plano semestral, a professora declara (no diário) ser uma tarefa difícil ter que definir "o que é bom ou não" para seus/suas alunos/as. Como e com que critérios deve o/a professor/a escolher os conteúdos? Quais destes conteúdos são essenciais aos alunos do ensino médio, ou neste caso, para o ensino noturno supletivo? Gil-Pérez e Carvalho (2000) apontam a necessária aprendizagem do/a professor/a a selecionar conteúdos adequados que "proporcionem uma visão atual da ciência e sejam acessíveis aos alunos e suscetíveis de interesse" (p.24). Porém, isto envolve um conhecimento profundo da matéria, e sua
aquisição não é possível, obviamente, no período breve da formação inicial, exigindo uma preparação contínua dos/as professores/as em toda a carreira docente (op. cit).
A professora também registra no “contrato didático” o seu caráter de flexibilidade - "ele é mutável na medida em que os alunos trazem sugestões e criticas”. Contém uma abertura ao incremento e ao abandono de ações, conteúdos, estratégias etc. no percurso das aulas. Portanto, faz o convite para que os/as alunos/as se impliquem no processo e a ajudem a construir a disciplina e ao mesmo tempo coloca a sua disponibilidade para cumprir os compromissos assumidos.
O contrato de trabalho é re-construído em todo o semestre, na medida em que os/as alunos/as respondem, implícita ou explicitamente, aos convites e aos acordos conduzidos pela professora.