2. Literature review
2.1 Entrepreneurship
2.1.1 The entrepreneurial process
Conforme mencionado, o objetivo dos testes de estatística descritiva é possibilitar um melhor entendimento do comportamento das variáveis, por meio de medidas de tendência central e dispersão. Assim sendo, as Tabelas de 1 a 4 apresentam os valores da média, mediana, mínimo, máximo e desvio-padrão, bem como a evolução das médias ao longo dos anos de 2007 a 2010 para os bancos brasileiros e norte-americanos. No caso dos bancos brasileiros (Tabela 1), esses resultados são comparados com aqueles obtidos pelo estudo realizado por Octavia e Brown (2008). Referido estudo foi efetuado para os 56 maiores bancos de países em desenvolvimento entre 1996 e 2005, incluindo 4 bancos brasileiros. Por sua vez, no caso dos bancos norte-americanos (Tabela 3), os resultados obtidos são comparados com o estudo realizado por Gropp e Heider (2010), cuja amostra refere-se aos 200 maiores bancos de países desenvolvidos (USA e Europa) entre 1991 e 2004. Por fim, as Tabelas 5, 6 e 7 apresentam uma comparação entre o Brasil e os Estados Unidos das médias aritméticas de todas as variáveis, percentuais de composição da remuneração dos executivos e preços das ações entre 2007 e 2010, respectivamente.
Conforme observado na Tabela 1, a seguir, verifica-se que, para o Brasil, a média de alavancagem a valor de mercado (ALAVM) é maior que a de valor contábil (ALAVC). Tal fato pode ser atribuído à sobrevalorização dos preços das ações durante esse período. Entretanto, a ALAVC é inferior à média do estudo de Octavia e Brown (2008), o qual ocorreu durante um período anterior à crise sistêmica. Todas as demais variáveis comparáveis são superiores no caso do Brasil, com exceção da oportunidade de crescimento (VMC). Outro aspecto a ser destacado refere-se à proporção de captações via depósitos, a valor contábil (VCDP) e de mercado (VMDP), que são superiores às de não depósitos (VCNDP e VMNDP). Tal fato indica que o risco moral decorrente dos seguros de depósitos ainda possui influência
no nível de risco dos ativos assumido pelas instituições e consequente definição de sua estrutura de capital.
Tabela 1 – Estatística descritiva dos bancos brasileiros
Variáveis Média Mediana Mínimo Máximo Desvio- Padrão Octavia e Média - Brown (2008)
ALAVC 0.861 0.869 0.706 0.939 0.057 0.917 ALAVM 0.899 0.909 0.624 0.977 0.063 0.900 TAM US$ mil 65,343,100 5,112,470 932,146 481,179,000 129,629,000 21,673,590 LUCR 0.092 0.087 (0.009) 0.218 0.038 0.067 VMC 0.960 0.955 0.818 1.132 0.068 1.025 GAR 0.511 0.505 0.235 0.794 0.152 0.435 DIV 0.008 0.008 - 0.022 0.004 dummy RISC 0.046 0.034 - 0.352 0.052 0.004 VCDP 0.606 0.631 0.247 0.885 0.157 nihil VMDP 0.633 0.677 0.259 0.903 0.166 nihil VCNDP 0.256 0.221 0.049 0.608 0.139 nihil VMNDP 0.266 0.239 0.053 0.654 0.144 nihil
COMP US$ mil 115,800 10,030 109 751,871 189,026 nihil
Cresc PIB 0.045 0.056 (0.006) 0.075 0.031 nihil
RM 0.328 0.290 0.204 0.526 0.121 nihil
Por sua vez, a Tabela 2 indica que o ano de 2010 foi aquele que obteve os maiores valores para as variáveis alavancagem a valor contábil (ALAVC), tamanho (TAM) e crescimento do PIB (PIB). O ano de 2009 obteve maiores resultados para as variáveis captações via depósitos para valores contábeis (VCDP) e de mercado (VMDP) e compensação dos executivos (COMP). No ano de 2008, os maiores valores foram obtidos para as variáveis alavancagem a valor de mercado (ALAVM), lucratividade (LUCR), captações via operações de não depósitos para valores contábeis (VCNDP) e de mercado (VMNDP) e retorno de mercado (RM). No ano de 2007, o destaque deu-se para as variáveis oportunidade de crescimento (VMC), garantias (GAR) e risco dos ativos (RISC). No caso da variável pagamento de dividendos (DIV), ela obteve as mesmas médias entre os anos de 2008 e 2010 (0,08%).
Tabela 2 – Médias aritméticas dos bancos brasileiros entre 2007 e 2010
Variáveis 2007 2008 2009 2010 2007 a 2010
ALAVC 0.847 0.861 0.863 0.874 0.861
ALAVM 0.854 0.942 0.894 0.908 0.899
Colchão de capital próprio –
valor contábil (11%) 0.043 0.029 0.027 0.016 0.029 TAM US$ mil 43,362,084 49,669,007 75,566,451 92,774,952 65,343,100
conclusão Variáveis 2007 2008 2009 2010 2007 a 2010 LUCR 0.082 0.128 0.081 0.076 0.092 VMC 0.997 0.914 0.968 0.962 0.960 GAR 0.537 0.515 0.500 0.493 0.511 DIV 0.007 0.008 0.008 0.008 0.008 RISC 0.060 0.037 0.055 0.031 0.046 VCDP 0.606 0.573 0.628 0.616 0.606 VMDP 0.615 0.626 0.653 0.640 0.633 VCNDP 0.241 0.288 0.235 0.258 0.256 VMNDP 0.239 0.316 0.241 0.269 0.266
COMP US$ mil 94,207 56,308 156,898 155,786 115,800
COMP per capita US$ mil 3,619 2,292 8,319 7,893 5,531
Cresc PIB 0.061 0.052 (0.006) 0.075 0.045
RM 0.273 0.526 0.308 0.204 0.328
No caso dos Estados Unidos, a Tabela 3 indica que as médias de alavancagem a valor de contábil (ALAVC) e a valor de mercado (ALAVM) são próximas. Entretanto, a ALAVC é inferior à média do estudo de Gropp e Heider (2010), o qual ocorreu durante um período anterior à crise sistêmica. As médias das variáveis deste trabalho são superiores às médias do estudo de Gropp e Heider (2010), com relação à garantia (GAR), risco dos ativos (RISC) e valor contábil (VCDP) e de mercado (VMDP) para as captações via depósitos. Todas as demais médias das variáveis são superiores para o trabalho dos referidos autores. Interessante destacar que, no caso do trabalho de Gropp e Heider (2010), o volume de captação de recursos via operações de não depósitos, tanto a valor contábil (VCNPD), quanto a valor de mercado (VMNDP), eram superiores à via operações de depósito. Todavia, esse fato não se verificou neste estudo, indicando que os seguros de depósitos permanecem com um papel relevante na definição da estrutura de capital dos bancos durante o período próximo à crise sistêmica.
Tabela 3 – Estatística descritiva dos bancos norte-americanos
Variáveis Média Mediana Mínimo Máximo Desvio- Padrão e Heider (2010) Média - Gropp
ALAVC 0.896 0.902 0.794 0.943 0.031 0.926
ALAVM 0.885 0.885 0.721 0.986 0.062 0.873
TAM US$ mil 273,258,000 70,360,400 3,572,150 1,768,559,659 469,519,339 641,000,000
LUCR 0.018 0.020 -0.057 0.072 0.023 0.051 VMC 1.018 1.001 0.890 1.289 0.089 1.065 GAR 0.424 0.363 0.194 0.947 0.191 0.266 DIV 0.004 0.002 0.010 0.053 0.007 dummy RISC 0.058 0.049 0.000 0.239 0.039 0.036 VCDP 0.818 0.811 0.702 0.912 0.047 0.685 VMDP 0.809 0.803 0.603 0.977 0.075 0.646 continua
conclusão
Variáveis Média Mediana Mínimo Máximo Desvio- Padrão e Heider (2010) Média - Gropp
VCNDP 0.078 0.074 0.006 0.217 0.050 0.241
VMNDP 0.076 0.071 0.007 0.209 0.049 0.227
COMP US$ mil 107,595 60,013 438 458,498 104,354 nihil
Cresc PIB 0.005 0.010 -0.027 0.029 0.021 nihil
RM 0.256 0.226 0.161 0.412 0.100 nihil
A Tabela 4 indica que o ano de 2010 foi aquele que obteve os maiores valores para as variáveis tamanho (TAM), garantia (GAR) e crescimento do PIB (PIB). O ano de 2009 obteve maiores resultados para as variáveis alavancagem a valor de mercado (ALAVM), risco (RISC) e captações via depósitos a valor contábil (VCDP) e de mercado (VMDP). No ano de 2008, os maiores valores foram obtidos para as variáveis alavancagem a valor contábil (ALAVC) e retorno de mercado (RM). No ano de 2007, o destaque deu-se para as variáveis lucratividade (LUCR), oportunidade de crescimento (VMC), pagamento de dividendos (DIV), captações via operações de não depósitos a valor contábil (VCNDP) e de mercado (VMNDP), bem como compensação de executivos (COMP).
Tabela 4 – Médias aritméticas dos bancos norte-americanos entre 2007 e 2010
Variáveis 2007 2008 2009 2010 2007 a 2010
ALAVC 0.898 0.903 0.895 0.886 0.896
ALAVM 0.837 0.895 0.911 0.895 0.885
Colchão de capital próprio
– valor contábil (8%) 0.022 0.017 0.025 0.034 0.024
TAM US$ mil 246,675,415 274,674,189 277,157,474 294,523,229 273,258,000
LUCR 0.039 0.022 0.001 0.010 0.018 VMC 1.079 1.014 0.986 0.994 1.018 GAR 0.392 0.416 0.439 0.447 0.424 DIV 0.010 0.003 0.002 0.002 0.004 RISC 0.043 0.070 0.083 0.035 0.058 VCDP 0.798 0.809 0.837 0.828 0.818 VMDP 0.744 0.802 0.852 0.837 0.809 VCNDP 0.101 0.093 0.058 0.058 0.078 VMNDP 0.094 0.093 0.059 0.058 0.076
COMP US$ mil 126,893 91,283 122,638 89,564 107,595
COMP per capita US$ mil 20,226 14,986 13,605 16,234 16,263
Cresc PIB 0.020 - (0.027) 0.029 0.005
RM 0.161 0.412 0.272 0.180 0.256
Por fim, é igualmente importante destacar que, para todos os anos, houve um excesso de capital próprio, tanto para os bancos brasileiros (Tabela 2), quanto para os bancos norte- americanos (Tabela 4). No Brasil, a maior média foi obtida no ano de 2007 (cerca de 4%),
enquanto nos Estados Unidos, o maior excesso ocorreu em 2010 (cerca de 3%), ou seja, o percentual do patrimônio líquido em relação ao capital total do banco foi superior ao índice da Basiléia II de 11% - no caso do Brasil - e 8% - no caso dos Estados Unidos. Todavia, esse colchão é uma mera aproximação, podendo ser ainda maior, visto que, no cálculo do mencionado índice, são considerados percentuais específicos relacionados às contas dos níveis 1 e 2 de capital próprio (vide Quadro 4). Significa dizer que a condição sine qua non de excesso de capital próprio foi atendida para aplicação da teoria e testes ora realizados.
A Tabela 5 tem por objetivo comparar as médias aritméticas, entre 2007 e 2010, das amostras dos bancos brasileiros e norte-americanos. Observe-se que os Estados Unidos possuem as maiores médias para as variáveis alavancagem a valor contábil (ALAVC), tamanho (TAM), oportunidade de crescimento (VMC), risco (RISC), captações via depósitos a valor contábil (VCDP) e de mercado (VMDP) e compensação de executivos (COMP). No caso do Brasil, ele possui as maiores médias para as variáveis alavancagem a valor de mercado (ALAVM), lucratividade (LUCR), garantias (GAR), pagamento de dividendos (DIV), captações via operações de não depósitos a valor contábil (VCNDP) e de mercado (VMNDP), crescimento do PIB (PIB) e retorno de mercado (RM).
Tabela 5 – Comparação entre as médias aritméticas dos bancos brasileiros e norte-americanos
Variáveis Brasil USA Diferença (USA - Brasil)
ALAVC 0.861 0.896 0.034 ALAVM 0.899 0.885 (0.015) Colchão de capital próprio 0.029 0.024 (0.004) TAM US$ mil 65,343,100 273,258,000 207,914,900 LUCR 0.092 0.018 (0.073) VMC 0.960 1.018 0.058 GAR 0.511 0.424 (0.088) DIV 0.008 0.004 (0.003) RISC 0.046 0.058 0.012 VCDP 0.606 0.818 0.212 VMDP 0.633 0.809 0.175 VCNDP 0.256 0.078 (0.178) VMNDP 0.266 0.076 (0.190) COMP per capita US$ mil 5,531 16,263 10,732 Cresc PIB 0.045 0.005 (0.040) RM 0.328 0.256 (0.071)
A Tabela 6, por sua vez, tem por objetivo apresentar os percentuais de composição das remunerações dos executivos dos bancos brasileiros e norte-americanos durante o período de
análise - 2007 a 2010. Observe-se que o componente de remuneração baseada em ações e opções possui maior média percentual para os executivos dos bancos brasileiros (86.14%), que para os dos bancos norte-americanos (68.80%). Verifica-se, ainda, semelhante superioridade percentual dos bancos brasileiros (11.44%), com relação ao componente de remuneração fixa sobre os bancos norte-americanos (4.31%). Quanto ao componente de remuneração variável, a situação é oposta aos demais componentes, os bancos norte- americanos (26.89%) possuem média percentual superior aos bancos brasileiros (2.41%). Por fim, vale destacar o fato de que, no ano de 2008, os bancos brasileiros tiveram o menor percentual de remuneração baseada em ações e opções (79.99%) e o maior percentual de remuneração fixa (19.45%)
Tabela 6 – Comparação entre os componentes de remuneração dos executivos dos bancos brasileiros e norte-americanos
Anos 2010 2009 2008 2007 Média
Composição da
remuneração (%) BR USA BR USA BR USA BR USA BR USA
Remuneração fixa 7.26 5.07 5.62 5.74 19.45 3.70 13.44 2.72 11.44 4.31 Remuneração variável (1) 4.79 25.93 3.96 26.36 0.56 28.13 0.35 27.15 2.41 26.89 Remuneração baseada em ações e opções 87.95 69.00 90.43 67.90 79.99 68.16 86.21 70.13 86.14 68.80 Total 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100
Obs.1: A remuneração variável é composta por benefícios pós-emprego, benefícios motivados pela cessação do exercício do cargo, bônus e outras formas de compensações variáveis.
Por fim, a Tabela 7 apresenta as médias dos preços das ações em dólares norte-americanos para bancos brasileiros e norte-americanos, entre 2007 e 2010. O ano de 2008 apresentou o maior valor para as ações dos bancos norte-americanos e o menor valor para as ações dos bancos brasileiros.
Tabela 7 – Comparação entre as médias de preços das ações de bancos brasileiros e norte-americanos
Bancos - USD 2010 2009 2008 2007
Norte-americanos 29.04 26.79 55.68 35.79
Brasileiros 10.96 9.14 3.35 7.96