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3.4 The data and empirical evidence

pelos defensores da proposta de reabertura estão vinculadas com a renovação do quadro diretor da AIPOPEC e das novas lideranças políticas que surgiram após o pleito eleitoral de 1996. Ao que tudo indica, o resultado das eleições para prefeitos e vereadores, ocorridas no ano de 1996, influenciou nas decisões que mudariam o curso das ações voltadas para a tentativa de retomada da via. Foram eleitos, pela primeira vez, prefeitos ligados ao PT (em coligação local com o PFL) para as prefeituras de Medianeira e Serranópolis do Iguaçu. O prefeito de Capanema era filiado ao PDT.

Sobre o processo de renovação da AIPOPEC é preciso recuar alguns anos, e destacar que a entidade passou por algumas mudanças quando, em 1992, o engenheiro agrônomo Marcos Rogério Pagani foi eleito pelos prefeitos do Oeste e Sudoeste como coordenador da AIPOPEC, permanecendo no cargo até 1997, quando foi substituído pelo então vice- prefeito de Capanema, Carlos Carboni.

Durante o período em que esteve à frente da coordenação da AIPOPEC, Marcos Rogério Pagani, juntamente com outros mentores, passou a dar um novo perfil às estratégias de reabertura da Estrada do Colono. Quando a estrada foi fechada, em 1986, as declarações tinham uma forma direta e pouco polida, como a do então prefeito de Medianeira, Adolpho Mariano da Costa – “Enquanto não chegarmos com o asfalto até o Rio Iguaçu, nenhum medianeirense poderá dar por terminada a sua caminhada155”. No entanto, ao

longo dos dez anos que se passaram desde a interdição da via, houve uma mudança no discurso da entidade, que procurou acompanhar a importância adquirida pela temática relacionada à preservação da natureza, tanto em nível nacional quanto internacional. Ficou claro que, sem um discurso

conservacionista e um plano que indicasse metas nessa direção para o uso do parque, a reabertura definitiva estaria comprometida.

Em passagem extraída de uma entrevista concedida pelo coordenador da AIPOPEC, Marcos Rogério Pagani, fica patente a mudança do discurso sobre a situação da estrada:

A questão da estrada é o seguinte: argumento para fechar a estrada só teria se fosse para construir um asfalto com um novo traçado, com um novo perfil. Isso seria uma sacanagem com o parque, seria inadmissível. Infelizmente é o argumento que deu origem à ação e trouxe todo esse caos para a região

156.

Em outro trecho da mesma entrevista, o coordenador ressalta a inabilidade do governo do Estado para lidar com a questão, no momento da obstrução da via:

O Estado do Paraná, na época, foi o grande responsável pelo fechamento da Estrada do Colono. O Estado foi muito negligente, muito pouco diplomático, no sentido de sequer receber os ambientalistas e pelo menos ouvir suas demandas sobre aquela questão. O Estado não se dispunha nem a ouvir falar de ecologistas. Os ambientalistas tentaram audiências com o governador, com o DER, na tentativa de buscar um acordo, para ver o projeto, até para que eles pudessem prestar consultoria a um projeto alternativo. O Estado sequer [os] recebeu, nunca deu atenção, preferiu o choque, o confronto com os ambientalistas. Coisa que nós abandonamos como estratégia básica157.

O entrevistado avalia que o endurecimento diante das posições dos ambientalistas, por parte do governo paranaense, dificultou uma saída negociada que poderia resultar na manutenção da estrada aberta sob certas condições. No entanto, segundo nossa avaliação, não é mencionado que o posicionamento do governo estadual era endossado e estimulado pelas lideranças políticas da região naquele momento, que também não tiveram habilidade para obter um entendimento que significasse concessões por parte de todos os agentes interessados na questão.

156 ENTREVISTA: Marcos Rogério Pagani – a vitória da obstinação. Revista Gente do Sul. Francisco Beltrão (PR), Editora Jornal de Beltrão, nº 37, p. 7-12, jun. 1997.

Retornando às mudanças táticas adotadas pela AIPOPEC (o que significa o mesmo que dizer mudanças estratégicas adotadas pelas lideranças políticas da região, atores centrais da entidade), além do teor conservacionista e de preocupação ambiental relativo ao parque, freqüentemente mencionados nos documentos da entidade, assim como nas declarações públicas de seus representantes, uma série de proposições foi colocada em curso. Entre essas, uma das principais refere-se à mudança de advogado que representava os interesses da AIPOPEC (e das prefeituras) junto ao processo judicial em curso, mudança essa que revela certos desentendimentos e disputas internas na Associação. Isso pode ser verificado pelas passagens abaixo, extraídas de uma publicação destinada a fazer apologia da reabertura da Estrada do Colono e viabilizada por políticos solidários à causa.

A primeira decisão importante foi a substituição do advogado, que, durante seis meses, não atendeu à nova coordenação da AIPOPEC, tratando dos problemas com o antigo coordenador, Isácio Donel, de Medianeira, o qual o continuava atendendo como se ainda fosse o coordenador.

Depois de insistir muito para que o atendesse, coisa que [o antigo advogado] não queria fazer, [Marcos Pagani] conseguiu falar com ele dizendo claramente que solicitava uma procuração na intenção de substituí-lo, para que pudesse ter um processo mais ágil no assunto “Estrada do Colono”.

Depois de argumentar muito, conseguiu com extrema dificuldade levar uma procuração com reservas de direito ao atual advogado Pedro Henrique Chavier, o que significa que há um novo advogado na questão. Mas, o anterior continua atuando também. Depois [Marcos Pagani] surpreendeu o antigo advogado, fazendo-lhe uma visita onde conseguiu arrancar uma Procuração sem reservas de direito, sendo importante ressaltar que antes disso teve que assinar uma série de documentos os quais posteriormente geraram uma ação de execução de honorários contra a AIPOPEC. (DALLO, 1998, p. 96-97)158.

Estando corretas as informações relatadas, ficam evidenciadas algumas divergências internas ao movimento de reabertura da estrada, fator que não causa estranheza face aos interesses envolvidos. Diante das relações

158 DALLO, Luciano. Caminho do Colono – vida e progresso. Francisco Beltrão (PR): Francisco Beltrão Grafit, 4ª edição, 1998, p. 96-97. Essa parte do livro foi elaborada a partir de uma entrevista concedida ao autor pelo ex-coordenador da AIPOPEC, Marcos R. Pagani, em 5 de novembro de 1997. Merece ser mencionado que as desavenças relatadas nessa quarta edição foram suprimidas pelo autor na nona edição do mesmo livro, cujo título também foi alterado – DALLO, Luciano. Estrada do Colono – a luta de um povo. Francisco Beltrão (PR): Grafit, 9ª edição, 1999.