“Eu creio que o momento do atendimento espiritual das pessoas, é para o padre, em primeiro lugar, esta experiência de fé”. Pe. Felipe
Felipe é padre e professor universitário. Possui graduação em filosofia e teologia. Atualmente, está terminando seu doutorado em teologia pastoral. Na sua formação sempre deu uma atenção especial ao tema do aconselhamento espiritual, além de ter realizado esse serviço junto à comunidade, em todas as paróquias pelas quais passou. Eu o conheço há certo tempo e, por vezes, nos encontramos em celebrações litúrgicas ministradas por ele.
Telefonei para Pe. Felipe, a fim de saber do seu interesse em participar desta pesquisa. Ele recebeu com alegria o convite para a entrevista. Entretanto, por ser uma pessoa bastante ocupada e não dispor de muito tempo, perguntou se uma hora seria suficiente e eu respondi que sim. Marcamos a entrevista na casa paroquial onde trabalha.
Pe. Felipe me recebeu de forma carinhosa e descontraída. Conversamos um pouco sobre outros assuntos, antes de começar, e ele se mostrou muito disponível durante todo o tempo. Então, combinei as condições de sigilo e as etapas que teríamos nesse trabalho, esclarecendo que deveríamos nos encontrar novamente para uma devolutiva, na qual eu apresentaria a síntese da entrevista para sua apreciação, alteração ou complementação, caso necessário. Nossa conversa transcorreu num clima tranquilo e alegre. Acabamos por ultrapassar a hora estipulada. Acredito que o envolvimento de Pe. Felipe com a descrição do aconselhamento espiritual e, principalmente dos casos atendidos por ele, tenha contribuído para a continuidade da entrevista que durou aproximadamente uma hora e meia.
Em alguns momentos de nossa conversa, Pe. Felipe fez várias referências à área da psicologia. Isso chamou minha atenção e considero importante apontá-las no decorrer desta análise, pois vão ao encontro da minha investigação.
Ao começar a entrevista, perguntei sobre sua experiência em atender pessoas que buscam por aconselhamento espiritual. Pe. Felipe afirmou que este serviço é vivido, por ele, como uma experiência de fé:
“... É antes de tudo uma experiência de fé. Eu creio que o momento do atendimento espiritual das pessoas, é para o padre, em primeiro lugar, esta experiência de fé. É o momento no qual ele percebe o tamanho da sua fé ou os limites dela (...) Creio ser esta uma experiência de fé, que questiona, mesmo, o nível de fé do padre.”
A visão do aconselhamento pastoral como uma experiência de fé fundamenta o relato de Pe. Felipe que menciona essa concepção, diversas vezes, durante sua entrevista. Segundo ele, no decorrer do processo de aconselhamento, os envolvidos são questionados, a todo momento, acerca da intensidade de sua fé.
Para Pe. Felipe, o aconselhamento espiritual tem como objetivo ajudar o aconselhando a buscar uma relação mais íntima com Deus, aumentando assim a sua fé:
“Se a pessoa procurou a Igreja, ela tem que encaminhar a vida dela pra Deus, eu vou ajudar nisso e tudo mais será acrescentado, desde que a vida dela seja orientada pra Ele, para este relacionamento mais íntimo com Deus.”
A descrição de Pe. Felipe a respeito do trabalho do conselheiro espiritual me remetem às colocações de Barry e Conolly (1999). Para eles, a função específica do aconselhamento pastoral consiste em auxiliar o indivíduo em seu processo de crescimento na relação com Deus. Esses autores colocam esse atendimento como uma ajuda oferecida, com a finalidade de capacitar o indivíduo a prestar mais atenção em seu relacionamento com Ele. Essa ajuda permite que a pessoa não só aumente a sua intimidade com Deus, mas viva as conseqüências desse estreito relacionamento.
Pe. Felipe salientou que o aconselhamento espiritual se diferencia de outros tipos de ajuda, porque o padre é visto pela pessoa do aconselhando como um enviado de Deus. De acordo com ele, o padre conselheiro deve, no decorrer do atendimento, ocupar tal lugar, para que o aconselhamento pastoral não corra o risco de ser vivido pelos participantes como um encontro puramente humano:
“A única saída que eu vejo até esse momento da minha vida é essa, se colocar junto à pessoa, como alguém que a pessoa acredita ser um enviado de Deus, no caso, e você também tem que assumir esse lugar, de enviado de Deus, porque, ao contrário, o aconselhamento espiritual vai se tornar algo puramente humano. Eu não diria que vai se tornar uma experiência... um tratamento psicológico, porque o padre não teria as habilidades suficientes para podermos dar este nome à conversa. Mas cai no puramente humano....”
Pe. Felipe discrimina o aconselhamento espiritual de um atendimento psicológico, pela diferença da formação, pelo domínio das habilidade técnicas do psicólogo e pelo papel único que o padre assume junto do aconselhando como um representante de Deus e da Igreja. Ao comentar as especificidades do aconselhamento espiritual, Giordani (1985) coloca que o conselheiro espiritual “deve recordar que é um representante, um porta-voz, um mensageiro de Deus; este princípio lembra, ainda, ao sacerdote que sua função é a de ser ‘ponte’ que oferece aos irmãos a possibilidade de encontrar-se com Deus” (p. 61). Segundo Giordani (1985), o aconselhamento pastoral encontra a sua plenitude quando os participantes adquirem consciência de que estão diante de Deus e podem contar com a participação Dele.
Pe. Felipe enfatizou que, em sua prática de atendimento, procura escutar a Deus e o seu aconselhando, simultaneamente:
“Qual é a minha experiência pessoal? Enquanto a pessoa vai falando, em muitos casos, eu vou rezando (risos), eu vou ouvindo por um lado e conversando com Deus, por outro, porque sem Deus é muito difícil ter uma palavra de alento para a maioria das pessoas que procuram orientação espiritual”
A possibilidade de escutar a Deus, através da manifestação do Espírito Santo, nos leva a ver que o aconselhamento pastoral envolve tanto aspectos humanos quanto divinos. De acordo com Pe. Felipe, os aconselhandos “depositam na pessoa do padre uma esperança enorme”, desproporcional às suas capacidades e habilidades. Por isso, o padre conselheiro deve se espaldar na graça de Deus e deixar um espaço para que ela se manifeste. O aconselhamento espiritual conta com a presença de Deus em seu meio, como seu membro, uma vez que sua presença e suas ações são sentidas e reconhecidas pelos envolvidos.
Giordani (1985) e Angeli (2008) ajudam a compreender a presença de Deus, na situação do aconselhamento espiritual, ao afirmarem que este se configura como uma relação triádica ou triangular, na qual Deus é sempre um terceiro participante. Neste sentido, Pe. Felipe diz que caso o padre esqueça de se colocar no lugar de representante de Deus, como aquele que O escuta a todo momento, não estará vivendo o aconselhamento espiritual como uma relação triangular. O sacerdote estará excluindo Deus, ao invés de contar com a sua presença.
Quando questionado acerca do objetivo do aconselhamento espiritual e do que pode ser feito para ajudar a pessoa que procura por ele, Pe. Felipe disse que o
principal objetivo é ajudar a pessoa a confiar mais em Deus, “incentivá-la à fé, à perseverança, à confiança absoluta em Deus, acreditar que para Deus nada é impossível” e, num segundo momento, ajudá-la a dar alguns passos, o que é visto por ele como secundário, mas igualmente importante. Trata-se de ajudar o aconselhando a se aproximar mais de si mesmo, das pessoas e do seu mundo:
“O primeiro objetivo é unir a pessoa de maneira mais íntima com Deus. Este é o primeiro objetivo. Antes de dar qualquer dica para a pessoa, eu tenho que ajudá-la a confiar mais em Deus. E depois, num segundo plano, como algo em si de menor valor, mas também necessário nesse aconselhamento espiritual (...) eu vou estar ajudando a pessoa, a partir do que ela falou. Não interessa muito o que ela falou, em primeiro plano, eu vou ajudá-la a confiar em Deus, seja qual for a história. Nesse segundo plano, a partir do que ela falou, eu vou orientá-la a dar alguns passos. Mas não passos, no sentido de resolver aquele problema dela, porque ela é que tem que resolver. Mas, alguns passos, sobretudo no sentido de se aproximar mais de Deus, de se aproximar mais das pessoas, que de repente poderão ajudá-la, e de si mesma, naquilo que for possível, necessário e importante (...) São estes quatro pontos. O primeiro é o movimento em direção a Deus. Como Deus não pode ser visto, aí, de maneira palpável, a orientação que vem a seguir, vai ser a respeito da própria pessoa, das pessoas que vivem ao redor dela e do mundo dela, do círculo de interesses e das coisas que ela vê no dia-a-dia, por onde anda.”
Pe. Felipe afirmou que o relacionamento íntimo com Deus passa necessariamente pela construção de um relacionamento novo com o mundo interno, o mundo humano e o mundo circundante do aconselhando. Para ele, a pessoa “precisa ter um contato novo consigo mesma, com as outras pessoas e com o mundo para que ela consiga caminhar em direção a este relacionamento fecundo e necessário com Deus”. Sua colocação fundamenta-se na primeira carta de São João (4, 20-21):
“O pano de fundo do aconselhamento espiritual pode ser visto lá na carta de São João: ‘Se você não consegue amar ao irmão que você vê, muito menos a Deus, que você não vê’. A pessoa tem que ter um relacionamento novo com tudo o que está ao seu redor e consigo mesma, para depois conseguir um relacionamento mais intenso com Deus. Se eu não tenho um bom relacionamento com as obras criadas por Deus, que estão ao meu redor, a começar por mim mesmo, eu não vou conseguir este contato com o Criador em si. Como quando olhamos para uma obra de arte... se nós não conhecemos uma obra de arte, não temos muito o que falar do artista!”
De acordo com Pe. Felipe, uma das contribuições do aconselhamento espiritual para a pessoa que o busca, situa-se na ampliação de seu modo de ver a vida e o
seu próprio sofrimento. Pe. Felipe acredita que, cabe ao sacerdote, no exercício do aconselhamento, ajudar a pessoa a enxergar a realidade de forma mais ampla: “meu objetivo, enquanto conselheiro espiritual, é ajudar a pessoa a mudar o foco (...) Ajudar a pessoa, não a mudar o foco, mais que isso, a ampliar o foco, para que ela enxergue a realidade como um todo”. Seu pensamento guarda semelhança com o de Clinebell (2007), que expõe que o conselheiro pastoral é aquele que leva a pessoa a abrir o seu olhar para toda a beleza que está à sua volta, o que despertará nele coragem e vontade de continuar seguindo em frente.
Pe. Felipe mencionou que um dos exemplos mais comuns, em sua experiência, é o de mães que têm vários filhos e que estão muito preocupadas com um, em especial. Essas mulheres vão se fechando cada vez mais em um dos filhos, deixando pouco a pouco de ver os outros que estão bem. É esperado do conselheiro espiritual que ajude a mãe a ser solidária com aquele filho que apresenta dificuldade, sem se esquecer dos outros que também precisam de sua atenção e carinho.
Pe. Felipe salientou que as pessoas que estão sofrendo tendem a ver os aspectos negativos da vida e acabam desprezando tudo de bom e belo que está a sua volta:
“(...) É uma tendência das pessoas no momento de crise, olhar somente para aquilo que não dá certo. Se elas andam pelas ruas, elas só vêem violência, perigo de assalto... Se elas vão viajar, elas já vão pensando que podem ter um acidente, isso ou aquilo... E esquecem de tudo mais de bonito que está acontecendo a sua volta”.
O padre conselheiro deve compreender o estado de ânimo da pessoa que procura ajuda espiritual e auxiliá-la a ampliar sua forma de ver a situação pela qual está passando. Dessa forma, o aconselhando poderá tomar consciência de suas aspirações e recursos para buscar o caminho que leva à plena realização de seu relacionamento com Deus.
Pe. Felipe comentou que há momentos em que o padre abre o leque de visão da pessoa e ela volta a fechá-lo; ele abre novamente e ela fecha mais uma vez. Trata-se de um movimento semelhante ao de um sanfoneiro, ao abrir e fechar seu instrumento musical. Mas, não tem outro jeito, esta é uma das tarefas do conselheiro e ele deverá fazê-la quantas vezes for necessário para que a pessoa se transforme:
“Este é o desafio, que eu vejo, na vida espiritual e creio ser também, o do campo psicológico. Às vezes, a gente abre o leque da visão da
pessoa e ela volta a fechar, você abre e ela fecha de novo... (sorri e gesticula, abrindo e fechando as mãos).”
Leidilene: “Como sanfona?” (risos)
“É uma verdadeira sanfona! (risos). Mas não tem saída. Você tem que ajudar a pessoa a abrir o leque.”
Este trecho em que Pe. Felipe coloca o trabalho do conselheiro espiritual como próximo do fazer psicológico me chamou a atenção, não só por seu tom descontraído, mas principalmente pelo seu conteúdo. O compromisso com a ampliação do campo perceptivo do aconselhando é visto, pelo colaborador, como uma semelhança entre o aconselhamento espiritual e o aconselhamento psicológico. Ao comparar o gesto que Pe. Felipe fazia com as mãos, ao tocar de um sanfoneiro, eu não tinha dimensão da riqueza daquela analogia. Tenho uma tia que toca acordeon, um instrumento semelhante à sanfona. Ainda muito jovem conheci o som deste instrumento e passei a admirá-lo. É um instrumento pesado que exige muito manejo e tato com as mãos para tocar. Penso que o manejo que o sanfoneiro tem com as mãos, é o que um conselheiro precisa ter com as palavras.
Pe. Felipe ressaltou que, independente do tempo de duração do atendimento ou do número de encontros, espera-se, do padre-conselheiro, que mantenha o foco do diálogo em Deus. Assim, ele não correrá o risco de fazer do aconselhamento espiritual uma receita de bolo, comentou Pe. Felipe: “Você precisa se esforçar para manter este foco em Deus, se não você vai cair na tentação de... fazer como se estivesse ensinando uma receita de bolo (risos)”.
Ele revelou, ainda, a importância de citar relatos bíblicos ou exemplos comuns do dia-a-dia, considerando sempre o nível de escolaridade da pessoa e sua capacidade de abstração. O uso deste material ajuda a centrar o foco em Deus:
“É preciso estar citando referências bíblicas, se for o caso, dependendo do grau de formação da pessoa, é preciso citar alguns exemplos da vida, do dia-a-dia, dependendo do nível acadêmico, aí, da pessoa com quem a gente está conversando. É preciso que você faça uso de algum instrumental para segurar o tema, aí, junto de Deus”
O Evangelho apresenta-se como uma fonte confiável de reflexão tanto para o sacerdote como para o leigo. Através da Bíblia, eles têm acesso aos inúmeros exemplos deixados por Jesus Cristo que podem ajudar o aconselhando a repensar suas próprias atitudes e condutas. Para Corti (2002), a observação cuidadosa das atitudes de Jesus Cristo e dos ensinamentos bíblicos fundamenta o que chamou de paradigma evangélico. Trata-se da utilização de citações bíblicas, da alusão a
parábolas e relatos extraídos do Evangelho, no decorrer do aconselhamento espiritual.
A entrevista de Pe. Felipe me fez lembrar dos momentos em que recorri ao aconselhamento espiritual. Em todas essas ocasiões, pude contar com citações de parábolas ou trechos bíblicos que me ajudaram a refletir sobre meu próprio sofrimento, ora comentados pelo padre conselheiro, ora sugeridos para leitura e meditação. Acredito que o uso da Bíblia, como um recurso, para que as experiências do aconselhando sejam examinadas à luz do Evangelho, faz com que o aconselhamento possua uma linguagem própria, repleta de metáforas. Isso possibilita a construção de outras metáforas ou significados, podendo ajudar o indivíduo a compreender os possíveis significados da situação em que está vivendo.
Segundo Pe. Felipe, após ter seu campo perceptivo ampliado, a pessoa deverá escolher o melhor caminho a seguir, no intuito de resolver seu conflito. Se o padre tentar resolver o problema para o aconselhando, estará impedindo que esse se responsabilize por sua vida. Além disso, caso o aconselhando tome o que o conselheiro disse como uma orientação ou um conselho e não for bem sucedido em sua ação, o grande responsável será o padre e não a pessoa que o procurou. Frente ao pedido do aconselhando, o máximo que o sacerdote pode fazer é enumerar várias possibilidades para que a pessoa escolha uma delas. Dessa forma, estará resguardando a liberdade e a responsabilidade da pessoa em questão:
“Eu não posso falar para ela: ‘Faz isso que está resolvido’. Se eu falar isso significa que se ela se der mal, a responsabilidade será minha. Isso é uma falta de ética profissional, sem limites. Então eu devo ajudar a pessoa a abrir o horizonte e depois, mesmo que ela insista que quer soluções, que quer opções, você pode falar para ela: ‘Olha, você pode fazer isso, pode fazer isso, pode fazer isso (conta na ponta dos dedos). Agora se você vai fazer A ou B ou C, ou não vai fazer nenhuma dessas coisas, esta é uma questão sua, né?’ É importante que a gente respeite a liberdade de escolha da pessoa. Ninguém pode ser carregado à força para nada de bom, nesta vida.”
O aconselhamento espiritual é visto por ele como uma prática alicerçada sobre um profundo respeito à pessoa humana e, principalmente, à sua liberdade de escolha. Sua concepção está em consonância com a visão de homem sustentada pela Igreja Católica que afirma ser ele o único responsável por seu progresso pessoal.
Papa Paulo VI (1967) afirma: “O homem não é verdadeiramente homem a não ser na medida em que, senhor de suas ações e juízos, é autor do seu progresso, de acordo com a natureza que lhe deu o Criador, de que assume livremente as possibilidades e exigências” (p.16). O homem é visto pela Igreja Católica como um ser em constante progresso, livre e responsável por suas escolhas, o qual se desenvolve segundo as possibilidades advindas da natureza que Deus lhe concedeu. Como podemos ver, é esta a visão que sustenta o trabalho pastoral de Pe. Felipe.
Para ele, tudo o que acontece com o homem tem a ver com o bom ou mal uso da sua liberdade, senão de maneira completa, pelo menos em partes, tem a ver com as suas opções de vida. “Quem não sabe lidar com essa liberdade, traz problemas para si e para muita gente ao seu redor”, acrescentou ele, ao dizer que a liberdade é o maior dom que Deus concedeu ao ser humano.
Papa João Paulo II (1993), também fala sobre isso, ao dizer que somos frutos de nossas próprias escolhas: “Somos, de certo modo, os nossos próprios pais ao criarmo-nos como queremos e, pela nossa escolha, dotamo-nos da forma que queremos” (p. 92). Penso que Pe. Felipe não só estudou o pensamento de todos estes autores, mas interiorizou esses conhecimentos de alguma maneira.
Ao final da entrevista, Pe. Felipe sintetizou tudo o que disse, afirmando que: “O aconselhamento espiritual, para mim, de acordo com a minha experiência nesta área, tem o objetivo de manter a pessoa o mais próxima de Deus possível, e ‘próximo’ no sentido de ‘intimidade’ mesmo; que ela consiga se religar a Deus, de alguma forma. A partir daí, tendo isso como objetivo, como foco principal, o aconselhamento espiritual segue com a intenção de ampliar a visão de mundo da pessoa, não que ela focalize algo de diferente daquilo que ela está focalizando, mas que ela consiga olhar para outros pontos da vida dela, que são pontos sadios, acho que a gente poderia dizer assim... pontos bons, agradáveis, para ela conseguir, de certa forma, ter uma visão maior, para ela conseguir estar um pouco melhor consigo, com o mundo, com Deus. E eu faço isso através de alguns mecanismos, dentre eles, citando referências bíblicas, contando histórias da vida cotidiana, para estabelecer um diálogo bem cotidiano, próximo à realidade da pessoa que procurou por mim. O diálogo é adaptado a cada realidade”.
Pedi, então, que descrevesse um caso de aconselhamento espiritual, realizado por ele. Pe. Felipe contou que, logo no início de sua vida consagrada, foi procurado por uma senhora, de aproximadamente 35 anos, vítima de um medo muito grande,
que ele não conseguia compreender. O padre disse que foi algo que teve que