5.4 En kvantitativ tilnærming som supplement for å synliggjøre og drøfte
5.4.2 Temaet bekymringer for fremtiden: Noen fordelinger av
O mundo está interligado num grande mercado e os cidadãos foram convertidos em consumidores.
(CASTELLS, 1999)
Castellsà àasse e aàdeà a ei aà ateg i a:à N sàsa e osà ueàaàte ologiaà oà
dete i aàaàso iedade:à àaàso iedade .àPa aàsuste ta àsuaàtese,àa es e taà ueàaàte ologiaà não pode edificar-se, os usuários são os que dão forma à tecnologia de acordo com as necessidades, valores e interesses que atribuem a ela.
Além disso, as tecnologias de comunicação e informação são particularmente sensíveis aos efeitos dos usos sociais da própria tecnologia. Segundo o autor, a história da internet fornece-nos amplas evidências de que os usuários, especialmente os primeiros milhares, foram, em grande medida, os produtores dessa tecnologia.
A transformação pela qual passa o mundo é um processo multidimensional, associado à emergência de um novo paradigma tecnológico, baseado nas tecnologias de comunicação e informação, que começaram a tomar forma nos anos 60 e que se difundiram, de forma desigual, por todo o mundo.
Para Castells, a comunicação em rede transcende fronteiras, a sociedade em rede é global e está baseada em redes globais. Assim,
a sua lógica chega a países de todo o planeta e difunde-se através do poder integrado nas redes globais de capital, bens, serviços, comunicação, informação, ciência e tecnologia. Aquilo a que chamamos globalização é outra maneira de nos referirmos à sociedade em rede, ainda que de forma mais descritiva e menos analítica do que o conceito de sociedade em rede implica. (CASTELLS 2006,p.225)
Castells afiança tratar-se de um período histórico caracterizado por uma revolução tecnológica centrada nas tecnologias digitais de informação e comunicação, concomitante com a emergência de uma estrutura social em rede, mas não causadora dela. Essa rede de ligaç esài ideàe àtodosàosà itosàdaàati idadeàhu a a.à Éàu àp o essoàdeàt a sfo aç oà multidimensional que é, ao mesmo tempo, includente e excludente em função dos valores e i te essesà do i a tesà e à adaà p o esso,à e à adaà paísà eà e à adaà o ga izaç oà so ial. (CASTELLS,2006,p.227)
O autor faz alusão ao contrassenso equacionado pela comunicação em rede. O pe íodoàdeàe los oàdasàte ologiasàdeà li e dade 10
, em particular da internet, mas também do conjunto de tecnologias informáticas em rede, de telecomunicação de banda larga, comunicação móvel e de computação distribuída, é também, sob pretexto de terrorismo e pornografia, o momento da obsessão pela segurança. Assim, segundo Castells (2006, p.227), a internet é o meio de comunicação local-global mais livre11 que existe, permitindo descentralizar os meios de comunicação de massa.
Segundo Castells, o conceito de rede aponta para a descentralização dos meios. Constituindo-se numa prática humana antiga, a feitura de redes (conjunto de nós interconectados) ganhou vida nova e foi energizada pela internet. Flexíveis e adaptáveis, as redes se proliferam em todos os domínios da economia e da sociedade, competindo na virtualidade com instituições verticalmente organizadas e burocracias centralizadas e superando-as em desempenho.
Ainda que essa sociedade em redes se difunda por todo o mundo, não chega a incluir todos os cidadãos, visto que são seletivas e restritivas. Para Castells, ela exclui a maior parte da humanidade, embora toda ela seja afetada pela sua lógica e pelas relações de poder que interagem nas redes globais da organização social. Esse aspecto em particular interessa bastante na medida em que se pode observar como no Brasil se ratifica o contexto da exclusão quanto ao uso das mídias em contextos tão diferenciados.
Ao considerar os aspectos que envolvem a inclusão ou a exclusão quando o tema é globalização, uso de mídias e TICs, deve-se avaliar a questão como fortemente relacionada à habilitação para o trabalho, que tem exigido dos candidatos (especialistas ou não) um o he i e toà aisà a a ge teà dessesà usos ,à doà a useioà totalà eà i est itoà dasà tecnologias de informação e comunicação e ainda de idiomas que parecem ser, cada dia mais, instrumentos de locação no mercado de trabalho e manutenção nele. Alguns pré- requisitos, como o domínio das TICs e a competência ampla no uso do idioma inglês, passam a ser a base para a avaliação dos novos profissionais que integram o corpo laboral
10Li e dadeàe t eàaspasàpo ueàhojeàseà elata à asosà e à ueàoà eioà ausaà ap isio a e to àe àdi e sasà escalas que se possa atribuir a essa noção.
11
Toma-seàaàpala aà li e àdoàauto ,à asàp efe e-se compreendê-la como aberta, acessível, franqueada ( e ai daàe lusi a,à oàse tidoàdeà e lus o .
em muitos dos países do mundo. Como um bilhete de embarque ou moeda de circulação, sem essas duas aprendizagens, torna-se impossível ao jovem almejar a empregabilidade média. Esse contexto se concretiza a partir da tecnologia e dos meios de comunicação que, numa linguagem dita universal, agenciam a dominação dos mercados consumidores, olhando o cidadão como um eventual consumidor (ANTUNES, 2004).
Para completar essa diligência da aldeia global, a disseminação do inglês passou a ser a outra forma de dar estrutura de caráter formal, tanto nas negociações financeiras como na ultu aà deà assa,à eà o duzi à à possi ilidadeà deà t a sfo a à oà u doà e à u aà aldeiaà glo al ,à o oà itadoà por Castells. Tanto que, em Teorias da globalização (2002), Ianni afirma:
Oài gl sàte àu aàposiç oàdo i a teà aà i ia,àte ologia,à edi i aàeà o putaç o;à aàpes uisa,à li os,à pe i di osà eà soft a e;à osà eg iosà t a s a io ais,à o io,à a egaç oà eà a iaç o;à aà diplo a iaà eà o ga izaç esà i te a io ais;à aà ultu aà deà assaà eà oà espo te;à eà osà siste asà educacionais, como a língua estrangeira que mais amplamente se aprende. (...) A difusão do inglês é excepcional, tanto em termos de alcance geográfico como no que se refere à profundidade da sua penetração. (IANNI, 2002, p. 138).
Hammel (2002) inicia sua exposição no Congresso Internacional sobre Línguas Neolatinas, ocorrido no México, em 2002, expondo o questionamento quanto à manutenção do inglês como língua hege i aà ouà seà o asà o stelaç esà geopolíti asà eà e o i as à pode à de ol e à dete i adoà tipoà deà e uilí ioà e t eà asà lí guasà oà u do.à Para o autor de muitos textos sobre políticas linguísticas, o século XXI nos surpreende com o aparente fait accompli da glo alizaç oàdoài gl sàeàu aà a glo-a e i a izaç o àe o i a,à política, social, cultural e militar do planeta sem nenhum precedente (com exceção do romano); como nunca antes outro i p io àha iaà o seguidoà aàhist iaàdaàhu a idade.à
A relação entre as línguas do planeta se constitui simultaneamente num componente dinâmico e um reflexo dessa situação. Insiste, então, em questionar quanto à hegemonia do inglês e sua transformação em monopólio ou, como costuma chamar Canclini (2002), o oli guis o à asà iências e tecnologias. Dessa feita, acaba por se tornar irrevogável nos campos cruciais de produção, da ciência e comunicação internacional, como afirmam alguns autores, como Crystal (1997), que, por sua vez, sugere a pequena possibilidade de manter certo pluralismo, ainda que assimétrico, entre as grandes línguas internacionais que se
transformarão em línguas usuais de maneira dinâmica com o surgimento de outras potências, como prevê Graddol (1997).
Em tempos de globalização, segundo Hammel, parece que alguns princípios de alteridade e heterogeneidade se perderam para dar lugar a uma interpretação reduzida da produção acadêmica. Isso porque, em alguns meios acadêmicos, só é possível publicar artigos, teses e investigações na língua inglesa. Assim, se justifica o monolinguismo científico do inglês com o seguinte raciocínio: como todas as línguas são iguais e o princípio da universalidade permite separar a forma do conteúdo, pode-se expressar tudo o que for científico de uma só vez na língua universal das ciên ias,à oà i gl s .à áà justifi ati aà aio à seria a importância de veicular as informações a todos e, por consequência, implementar a ideia de uma língua franca que regularia essa possibilidade de democratização das informações e do saber.
Entretanto, para Hammel, o processo não termina nesse ponto. A crescente hegemonia de uma única língua debilita o princípio formal de igualdade entre as línguas e, para que isso ocorra, são atribuídas qualidades intrínsecas de superioridade estrutural à língua inglesa, como, por exemplo, mencionando a sua gramática fácil, sua maior flexibilidade para neologismos, etc. Para Hammel, isso nada mais é que a formação de um processo ideológico bastante conhecido na sociolinguística e explicitado amplamente por Phillipson (2001), que aponta o imperialismo linguístico como a forma de legitimar esse discurso.
Para Phillipson (2001), é muito importante definir o imperialismo linguístico como um o ju toàdeàp ti asàeàideologiasàe à ueàaàlí guaà àutilizadaà o oà eioàpa aàefetua àeà mante àu aàalo aç oàdesigualàdeàpode àeà e u sos .àNasàpala asàdoàauto à p. ,à u aà ezà que a língua inglesa é também amplamente utilizada no estabelecimento de elos supranacionais e internacionais, o imperialismo lingüístico que a caracteriza opera globalmente como um meio chave nas relações centro-pe ife ia .
Para Hammel, a suposta supremacia do inglês carece de uma base objetiva, entretanto opera como um construto ideológico muito poderoso nos discursos oficiais, no senso comum, etc. Há boas razões epistemológicas para pensar que a redução da atividade
científica de uma variedade de línguas a uma somente afeta o desenvolvimento da ciência e, certamente, afetará muito mais no futuro. Isso porque se deve considerar que se restringiriam os modelos, as propostas e as soluções para certos problemas. Tal redução, principalmente nas ciências sociais e humanas, poderia causar consequências muito negativas no que diz respeito à riqueza, originalidade e avanço da ciência. Além disso, importa destacar que o conteúdo que se diz em uma língua é sempre diferente do que se expõe em outra, bem como a forma como se diz.
Em estudos bastante relevantes, como argumenta Hammel, algumas investigações sobre as línguas e sociedades não ocidentais retomaram certos postulados do relativismo cultural como um novo marco conceitual que inclui as categorias de discurso e de gramatização. Estudiosos mostram, de uma forma muito convincente, como povos diferentes desenvolvem e sistematizam seus conhecimentos dêiticos, mas também científicos e técnicos de maneira radicalmente diferente do ocidente e estreitamente ligados à estrutura gramatical e discursiva de suas línguas, como expressão de seu mundo sociocultural.
Esse tipo de estudo ratifica o fato de que não se deve postular uma total independência entre as ciências e as línguas em seu desenvolvimento ou aplicação. A metáfora da língua como instrumento neutro nos ilude, pelo menos parcialmente, como diz
Ha el.à Do i a os àduasàouà aisàlí guas,à asàasàlí guasàta à osàdo i a ,à o oà
foi amplamente apontado por meio da analise do discurso em Foucault (2001), Maingueneau (1998), Pêcheux (1995), que iluminam o caráter ideológico das construções nos discursos que escapa ao indivíduo.
Assim, pensar em uma língua que tenha maior neutralidade ou que seja mais simples é algo que nos remete a uma construção discursiva que se propõe a conferir poder entre as lí guasà deà fo aà hege i aà eà ga a ti à u à espaçoà fa o el à à hege o iaà e à seusà múltiplos sentidos.
Retornando ao tema inicial da globalização, Philipson (2002), em seu texto sobre Línguas internacionais e direitos humanos internacionais, considera que a globalização não
essa impressão. Nova para o autor é a abrangência e a profundidade da penetração global das culturas. Ao considerar o tema do inglês como língua internacional e hegemônica, indica a imagem da superioridade do inglês e de sua adequação como língua franca12 como um ideario antigo, perseguido pelos líderes da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos. Modificada pelo tempo, houve condução do processo, as maneiras de distribuir esse discurso, a intensificação de produtos de mídia, a ideia de que modernização é igual ao uso de internet (TICs) e do uso do inglês como indispensável ao processo.
Ao dissertar sobre a hegemonia linguística internacional do inglês, Philipson (2001) considera óbvio que as hierarquias linguísticas em nível internacional não se relacionem diretamente com forças nacionais demográficas. Dá o exemplo do alemão, que tem o maior número de falantes nativos que qualquer grupo linguístico na UE, o maior mercado interno e a mais forte economia e apresenta tímida representação como idioma internacional, além disso, há poucos indícios de que possa, algum dia, competir com o inglês.
Outro fator que alavanca o ensino do inglês é o aprendizado de línguas estrangeiras ueà atifi aàaàhie a uiaàli guísti aài te a io al.àOàauto àe e plifi a:à pa aàpode à o peti à no mercado mundial, estados cujas línguas são interlínguas rivais, como a França e a Alemanha investem muito no aprendizado do inglês, em seus sistemas de educação, ainda
ueàoài gl sàsejaà istoà o oàu aàa eaçaàaosà alo esà ultu aisàeàli guísti os. à13.
Além disso, a produção científica está cada vez mais controlada pelo inglês. Considerando-se o discurso acadêmico, em vários contextos disciplinares e universitários, há somente uma possibilidade de publicação de textos e pesquisas, e pelo fato de o inglês ter status consolidado também nessa área, coexiste uma hierarquia de paradigmas de pesquisa que frequentemente se encontra legitimada, praticamente sem possibilidade de modificação.
Para Philipson, o que ainda corrobora essa hegemonia é o fato de essa ser a língua de mais ampla aparição nas imagens dos anúncios de corporações multinacionais e de sua
12 Não somente como língua franca tem-seà o eadoàoài gl s,à asà o oà língua internacional, inglês global, i gl sà i te a io al ,à et .,à ueà eto a à oà se à i te ç o à o ti ua e teà oà seuà a te à glo aliza te à eà hegemônico.
asso iaç oà o à oà su essoà eà oà hedo is o,à ue,à po à suaà ez,à s oà efo çadosà po à u aà ideologia que glorifica a língua dominante e estigmatiza outras, sendo esta hierarquia racionalizada e internalizada como normal e natural, e não como a expressão de valores e i te essesà hege i os .à Pode-se, inclusive, tomar como exemplo o fato de os jovens brasileiros possuírem gravados em seus iPods, iPads, iPhones, celulares, etc., uma coleção de músicas, vídeos, conteúdos de toda ordem na língua inglesa, fato pouco comum em qualquer outro idioma, mesmo o nacional.
Assim, torna-se muito importante conhecer e reconhecer como se implementam as diversas políticas linguísticas em muitos países do mundo, também no Brasil, e como o crescimento de um idioma se estabelece de forma hegemônica, dotando-o de um poder comparável ao poder econômico, já que, como diz Jameson(2001) e Ianni (2002), em tempos de globalização estes setores (campos) acabam imbricando-se e constituindo fontes de poder. A língua se constitui como o instrumento ou a ferramenta de dominação e regulação de modelos sociais, culturais, linguísticos, influenciando, de maneira acentuada, a Educação. Se o capital, a língua, as tecnologias e a mídia se constituem como entidades que ditam as regras do fazer econômico, obviamente serão aspectos norteadores dos sistemas educacionais. Sem dúvida alguma, observam-se, nos processos educacionais, alguns efeitos dessa globalização que são mais profundas que a simples inserção das TICs no contexto escolar e a inclusão do inglês como língua estrangeira para a maior parte dos países da comunidade europeia e para os países em desenvolvimento. Na próxima seção, ressalta-se como se estabelecem tais consequências e suas relações com o modelo de escola e dos protagonistas que dela participam diante desse contexto social e político.