A lesão medular traumática gera pujante impacto nos níveis do desenvolvimento humano, não tratamos em condição letal, mas em condições que limitam o paciente em suas mais necessárias demandas, bem como, em seu estilo de vida (MURTA; GUIMARAES 2007).
As principais causas da lesão medular traumática são os acidentes de trânsito, ferimentos com arma de fogo ou acidentes em mergulho. A agressão traumática resulta em uma secção o dilaceração parcial ou completa dos feixes dos nervos da medula espinhal, implicando em perdas sensoriais, motoras, sexuais, Descontrole de esfíncteres da bexiga e do intestino e complicação potencial nas funções respiratórias, térmica e circulatória, espasticidade e dor. (GALVIN ; GODFREY, 2001 p 57)
A medula espinhal se caracteriza por uma massa cilindroide de tecido nervoso situada dentro do canal vertebral e ocupa desde o canal occipital até a segunda vertebra lombar. Esta é achatada no sentido ântero-posterior com um calibre não uniforme por apresentar duas dilatações chamadas de intumescência cervical e intumescência lombar. Tais dilatações correspondem a áreas de conexões com as grossas raízes nervosas dando origem ao plexo branquial e lombossacral que são destinadas a inervação dos membros superiores e inferiores. (CEREZETTI ; NUNES, 2012).
A medula é responsável pela condução nervosa e é o centro nervoso sendo que através dos feixes e fibras realiza o transporte de influxo nervoso e, desta forma a corrente sensitiva chega às regiões periféricas, pelas raízes posteriores, elevando- se ao encéfalo pelos feixes ascendentes. Dentro da corrente motora que vem do encéfalo descendo ao longo da medula pelos feixes piramidais diretos e cruzados, e assim, saindo através das raízes anteriores dos nervos raquidianos, indo aos músculos e realizando a contração sob a influência do impulso nervoso, (CEREZETTI ; NUNES, 2012).
Dentro desse panorama apresentado da formação medular as lesões podem apresentar-se em duas categorias etiológicas, a saber: traumáticas e não traumáticas, sendo a primeira de maior incidência na população adulta mundial. As lesões podem ser tipicamente divididas em: tetraplegia quando acomete o tronco, membros superiores e inferiores e músculos respiratórios e paraplegia que compromete o tronco de maneira parcial ou completa dos menos inferiores. (SOUZA; ARAUJO, 2013).
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As limitações impostas por esta condição diminuem a exposição o organismo a contingencias de reforço positivo e aumentam a possibilidade de sua exposição a contingencias aversivas, com repercussão importante sobre as relações familiares, afetivas, sociais e ocupacionais. (KENNEDY et al, 2000 p 57).
Desta forma, a busca no aprimoramento no tratamento da lesão medular após a segunda guerra trouxe maior alento ao paciente e o avanço nos estudos da psicologia demonstra ser eficientes no trato da recuperação da autoestima e autoconfiança e na reconstrução da imagem quebrada pela perda dos movimentos e perda da liberdade de locomoção.
2.2.3 Consequências diretas da lesão medular
Para Delise (2002) apud Lima e Torres (2014) a Lesão Medular é uma condição onde a pessoa vive uma fragmentação da sua visão corpórea, esta resulta em pujantes limitações das atividades físicas, que resultarão em alterações drásticas nas funções motoras, sensoriais e autônomas do indivíduo, adicionando também, as limitações na sua sexualidade.
A lesão medular gera um pesado conflito psicológico, gerando inúmeras mudanças no aparato da aparência, no funcionamento do corpo e no dia-a-dia da pessoa. Podemos caracterizar como completa ou incompleta o trauma na coluna vertebral. Nas lesões completas há apartação de ação sensitiva e motora, incluindo os segmentos sacrais abaixo do nível do trauma, entretanto já nas incompletas têm- se agravamento de algumas estruturas medulares, deixando outras funcionando, havendo conservação parcial de função sensorial/motora abaixo do nível da lesão. (BARBOSA, 2003)
Desta forma, segundo Lima e Torres (2014) quando o indivíduo tem este quadro de lesão, ele sofre mudanças em inúmeras funções, estas afetam o corpo como um todo, pois compreende-se o ser na esfera biopsicossocial, neste sentido também vê-se grande dificuldade de consentir com esse inesperado momento.
Os prejuízos são visíveis nos reflexos psicológicas, sociais e econômicas, no entanto, isso já é de se esperar, já que as pessoas com LM tendo em vista as emoções variantes entre desamparo, fraqueza, depressão, rejeitam o novo modo de vida, a autoimagem distorcida e a insegurança, destarte, irão aturar as dolorosas e
123 abruptas mudanças. Tudo isso, gera no paciente emoções negativas de insegurança, temor e ansiedade, que são bem difíceis de corrigir.
Torna-se visível diante do fenômeno da doença, a alteração de todo o escopo de vida do indivíduo, mas não somente ele, mas te todo o seu entorno familiar. Nestes quadros, o indivíduo tem uma clara percepção de que sua vida muda, esta vai desde o aparato físico, de forma assustadora, até a mudança de hábitos, outrora saudáveis e que agora são influenciados pela situação deficiente e incapaz. (LIMA; TORRES, 2014).
Para Lima e Torres (2014) quando o paciente adiciona todos esses eventos e entende que houve uma mudança na vida, que neste momento suas capacidades estão limitadas e que depende de terceiros, gera então um profundo sentimento de pesar e uma extensa dificuldade de acolher o momento, pois encontra-se diante de barreiras difíceis de serem vencidos, muitos não conseguem ressignificar esse período fazendo pensar até mesmo na morte.
A identidade é composta por um conjunto de elementos biológicos, psicológicos e sociais que servem para expressá-la. Esses elementos, além de caracterizar e identificar o indivíduo, também faz a sua representação simbólica.
Ciampa (2001) compreende a identidade como um procedimento de transformação metamorfósica permanente na qual o espaço temporal cingi distintos momentos e distintos fatores, estes passam a influi nas relações que o indivíduo estabelece com o meio e suas relações interpessoais.
Os autores Lima e Torres et al (2014) postulam que as pessoas com lesão medular completa e incompleta encontram objeções ao estabelecer suas alianças relacionais no aspecto interpessoal, tudo ocorre em função do déficit que a sociedade encontra para tratar essas diferenças, como também, a forma de enfrenta-las, tudo isso gera uma intimidação a ética e a moral.
Os profissionais da área psicológica propõem a importância da contextualização do corpo com a deficiência no processo de reversão dos rótulos gerados, esta ação gera uma mudança gramatical, ou seja, os nomes e adjetivos igualam o indivíduo à deficiência comumente.
De acordo com Lima e Torres (2014) o labor da reabilitação do indivíduo com lesão medular poderá ser mais eficiente e produtivo quando houver uma equipe
124 multidisciplinar, todos empenhados na melhora e na qualidade de vida do lesado medular.
Verifica-se o constrangimento, a humilhação e o mal-estar psicológico e social ocasionado pelo estigma e também pelo preconceito resultante, onde as pessoas referem-se ao indivíduo não pelo nome, mas sim tomando-se como referência a marca que possui, sendo rotulado e desqualificado, gerando sentimentos de inferioridade e depreciação que agravam ainda mais a sensação de inadequação e rejeição do meio, levando a deterioração da identidade. (BERTO; BARRETO, 2011 p 179).
Segundo Puhlmann (2000) acredita-se naquilo que favorece e impulsiona o paciente, este é o seu ambiente, pois através dele é possível construir formas efetivas nas adaptações do lesado, em suas ordens orgânicas e psicológicas, na socialização e na reabilitação afetivo-sexual. É fundamental o trabalho em sintonia da equipe multiprofissional, este processo eficiente se da a compreensão que cada um tem de si, a forma como dividem os resultados favoráveis e contrários e como eles envolvem a família do lesado, pois será a família o grande aporte do paciente.
É a partir deste trabalho híbrido, onde há partilhas de conhecimentos e experiências, que pode-se garantir um atendimento eficiente onde a Psicologia ganha destaque no processo de resignação e resgate dos valores pessoais e da autoimagem do paciente.
2.3 O papel da Psicologia no tratamento de paciente com lesão medular que