5 Valg av modell, lovstruktur og
6.7 Saksbehandlingsregler
6.7.5 Taushetsplikt og
Embora relevantes, as abordagens utilizadas nos estudos até agora analisados, mais centradas nas facetas quantitativas, consideram as experiências de trabalho dos adolescentes como sendo homogéneas e igualmente válidas4. Procurando ultrapassar, em termos de análise, as limitações inerentes a esta perspectiva, iremos de seguida dar conta dos estudos que relacionam as facetas qualitativas das experiências de trabalho (ex. autonomia, oportunidades de aprendizagem, relações sociais) com o desenvolvimento de carreira dos jovens. Stern e colaboradores (1990), num dos estudos mais citados neste domínio, verificaram que características do contexto de trabalho, como as oportunidades de aprendizagem e o desafio físico, se relacionam positivamente
4 Segundo Barling e Kelloway (1999), se nos basearmos na literatura e nos estudos empíricos levados a cabo neste domínio, somos obrigados a retirar duas conclusões: a) os jovens não são um grupo
com a motivação intrínseca. No mesmo sentido surgem os resultados de um outro estudo conduzido por Stern e colaboradores, em 1997, no qual as análises de regressão revelaram que, depois de controlado o efeito das variáveis sócio-demográficas dos alunos, as oportunidades de aprendizagem e o desafio físico predizem a motivação para o trabalho. Loughlin e Barling (1998), num artigo já anteriormente referido, encontraram relações significativas entre a qualidade do trabalho (autonomia, variedade) e o cinismo perante o trabalho, o envolvimento no trabalho e a motivação intrínseca. Ainda neste estudo, a maturidade vocacional surge positivamente associada com o conforto experimentado no desempenho dos papéis relativos ao trabalho. Mortimer e colaboradores (1996) verificaram que os desafios que conduzem ao desenvolvimento de competências estão associados com a importância atribuída aos valores, tanto intrínsecos como extrínsecos. Recorrendo aos dados do YSD (Youth Development Survey), Call, Mortimer e Shanahan (1995) concluíram que o sentimento de competência está associado a qualidades como a supervisão e as oportunidades de progressão ou de aprendizagem oferecidas no contexto de trabalho. Por sua vez, Feldman e Weitz (1990), procurando esclarecer o contributo dos factores individuais, interpessoais e organizacionais no sucesso das experiências de trabalho, constataram que características do trabalho, como as oportunidades para lidar com os outros, a autonomia, a identidade de tarefa e a variedade de tarefas, têm uma influência significativa no desenvolvimento vocacional dos jovens. Num estudo com cerca de 165 estudantes universitários, Brooks e colaboradores (1995) apuraram que a qualidade do contexto de trabalho, nomeadamente a variedade de tarefas, as oportunidades de relacionamento com os outros e o feedback, surge significativamente associada à cristalização do auto-conceito vocacional. Todavia, características como a autonomia, a identidade de tarefa, e as oportunidades para fazer amizades, não apresentam relações
Segundo os autores, os resultados encontrados oferecem algum suporte à proposição de que a qualidade das experiências de trabalho influencia alguns dos construtos do desenvolvimento vocacional. Baseando-se na abordagem sócio-cognitiva da carreira (e.g., Lente et al., 1994, 1996, 2002), Lubbers, Loughlin e Zweig (2005) desenvolveram um estudo longitudinal com uma amostra de 195 jovens estagiários, no qual, com recurso a equações estruturais, confirmaram que o desempenho medido no momento dois (T2) resulta da percepção da qualidade do trabalho (autonomia, identidade de tarefa, variedade de tarefas, feedback) avaliada no primeiro momento (T1). Carless e colaboradores (2003) oferecem um contributo importante neste domínio, quando verificam que as actividades de preparação, como a escolha do local de estágio e o acompanhamento do supervisor, são o mais robusto preditor dos níveis de satisfação dos alunos.
Concluindo, os estudos que acabámos de analisar demonstram a relevância da experiência de trabalho no desenvolvimento vocacional dos jovens. No entanto, se por um lado as evidências empíricas conferem algum suporte à ideia de que a experiência em contexto real de trabalho pode favorecer o desenvolvimento vocacional, por outro lado, ficam ainda por esclarecer alguns aspectos que, do nosso ponto de vista, são particularmente relevantes na clarificação desta questão. Em primeiro lugar, falta alargar a análise do efeito das qualidades da experiência de trabalho (ex. autonomia, variedade de tarefas, oportunidades de aprendizagem) a um maior número de construtos do desenvolvimento vocacional, uma vez que aquilo que os adolescentes aprendem nos primeiros contactos com o mundo de trabalho parece ter um efeito determinante nas suas futuras motivações e atitudes de carreira (Loughlin & Barling, 1999). Em segundo lugar, importa esclarecer melhor, não apenas os efeitos mais imediatos, mas também o impacto que a experiência de trabalho pode ter no desenvolvimento vocacional a longo prazo (e.g., Mihalic & Elliott, 1997). Por último, no seguimento da expectativa teórica
avançada pelas abordagens sócio-cognitivas da carreira (e.g., Lent et al., 1994, 1996, 2002), e a exemplo do estudo de Lubbers e colaboradores (2005), urge esclarecer o papel mediador das variáveis auto-referentes, como a auto-eficácia, as expectativas e os objectivos de carreira, na relação entre a qualidade da experiência de trabalho e o desenvolvimento vocacional, uma vez que estes construtos são considerados uma expressão da agência individual neste domínio do desenvolvimento pessoal.
4.2.4. Síntese
Parece-nos que grande parte dos estudos empíricos que procuraram relacionar a qualidade das experiências de trabalho com o desenvolvimento global e vocacional dos estudantes (e.g., Brooks, et al., 1995; Carless & Prodan, 2003; Creed & Patton, 2003b; Greenberger et al., 1982; Loughlin & Barling, 1998; Stern et al., 1990) não foram suficientemente conclusivos, tendo em consideração a expectativa teórica de que a experiência de trabalho afecta claramente o desenvolvimento vocacional dos adolescentes. Será por esta razão que Creed e Patton (2003b), Frone (1998), Skorikov e Vondracek (1997), entre outros autores, sugerem que a investigação neste domínio deve passar a interessar-se por relacionar os diversos indicadores do desenvolvimento vocacional com a natureza (qualidades contextuais) das experiências de trabalho. Neste sentido, nos próximos pontos do presente capítulo, iremos analisar mais especificamente o efeito das experiências de trabalho e da sua qualidade nos processos vocacionais de exploração, tomada de decisão e compromisso de carreira.