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de 909 - 1171

(Magreb, Egito, Síria. Reivindicavam ser Califas)

MAMELUCOS

de 1250 - 1517

(Egito e Síria)

OTOMANOS

de 1281 - 1922

(Turquia, Síria, Iraque, Egito, Chipre, Tunísia, Argélia e Arábia Ocidental))

AIÚBIDAS

de 1169 - 1260

(Egito, Síria, parte da Arábia Ocidental) Dinastias que dominaram a Síria

tendência isolacionista, acabam por sofrer perseguição por parte de libaneses, sírios e israelenses.

Ainda, sob o domínio do sultanato dos Mamelucos (1250-1517) que ocorreu a migração de xiitas para o Líbano. Eles saíram da Síria, do Iraque e da Península Arábica para a parte norte do Vale de Bekaa e região de Kisrawan, à noroeste das montanhas de Beirute. Em 1260, os xiitas se juntaram aos drusos e se rebelaram diante dos mamelucos que estavam lutando contra as Cruzadas Européias e os Mongóis (em Ain Jalut, na Palestina). A rebelião durou até 1308, quando os mamelucos conseguiram vencer os cruzados, os mongóis e, ainda, repeliram a revolta dos xiitas e drusos. Para evitar uma represália ainda mais violenta por parte dos mamelucos, os xiitas abandonaram Kisrawan e se refugiaram no sul do Líbano. (Collelo, 1987)

Como conseqüência direta da alternância de dominações que a região do Monte Líbano sofreu, sua economia também foi tendo as características modificadas. Se, durante o período em que esteve sob domínio dos mamelucos a produção da seda – cultivada principalmente na região do Shouf – não recebia grande estímulo e era destinada ao mercado interno, haja vista que os mamelucos estavam mais interessados no comércio de pimenta e especiarias16, bem mais lucrativo –, a realidade local modificou-se com a conquista otomana.

Esse processo de mutação econômica foi percebido, principalmente, nas últimas décadas do século XVI, quando ingleses, alemães e franceses, além de outras companhias mercantes européias, tiveram a possibilidade de estabelecerem-se na região e aquecer o comércio local. A repercussão direta dessa transformação deu-se na produção e comercialização da seda, que, imediatamente, sofreu uma grande valorização por conta das disputas travadas pelos europeus em prol da exclusividade. (Salibi, 1988: 104) Por outro lado, o processo de valorização da seda também trouxe um histórico de disputas e modificação das relações entre cristãos e muçulmanos.

A seda, que primeiramente era cultivada na região drusa do Shouf e Kisrawan, não mais conseguia comportar a demanda européia. Os líderes regionais dos clãs Maan, primeiramente, e depois Shihab, abriram suas propriedades para a entrada dos maronitas provenientes do norte, que passaram a cultivar o commodity como meeiros. Sob o domínio druso, a região de Kisrawan, que inicialmente era dominada pela família maronita Hubayshe, foi doada aos Khazins, também maronitas mas subservientes aos interesses drusos. Pouco a pouco a família Khazin foi transformando-se na maior autoridade regional e suplantou os

16 Tais produtos eram trazidos das Índias e os mamelucos utilizavam os portos da província (Monte Líbano) para

Hubayshes; grande parte de seu poder também adveio da aproximação com a França, que passou a considerá-los amigos e delegar-lhes sua proteção. Outras ações de destaque, ainda, ocorreram sob o manto dos Maans e Shihabs. Os Khazins passaram a expulsar os xiitas da região de Kisrawan, através de batalhas ou impondo-lhes seu poderio econômico. O resultado imediato, e que repercutiria na condição política futura desse séqüito religioso, foi a atração de mais maronitas para a localidade e crescimento de seu poder regional. Também, o surgimento da aversão aos maronitas por parte dos xiitas, que foram degredados de sua região natal.

O progresso econômico vivenciado pelos habitantes do Monte Líbano, assim como o início da busca por uma identificação nacional na região, está ligado, diretamente, à política implementada pelos otomanos, a qual permitia que os povos sob seu domínio mantivessem sua religião e cultura – exceção feita aos xiitas, que eram perseguidos, efetivamente, no Egito e, ocasionalmente, em outras localidades –, isso é, contanto que não ferissem as Leis islâmicas e coletassem os impostos para o Império. Dessa maneira, a região que abrange o atual Líbano, na ocasião integrante da chamada Grande Síria, passou a vislumbrar a real possibilidade de tornar-se uma província autônoma. A prática otomana delegava à autoridade local a responsabilidade por cumprir as obrigações impostas pelo sultão, traduzia-se, assim, numa relação de confiança e lealdade entre o suserano e o vassalo.

Os otomanos organizaram a convivência da maioria com as minorias por meio do sistema de millets, ou seja, de nações religiosas: cada comunidade religiosa tinha sua autonomia interna reconhecida e funcionava como uma nação não-territorial, ou seja, uma pessoa jurídica coletiva, uma corporação dispersa, livre em seus regulamentos internos, participando das trocas econômicas com as outras comunidades e cujo líder espiritual era responsável frente ao sultão pelo bom comportamento de seus correligionários. (...) O sistema consociacional17 dos

millets permitia a coexistência de vários grupos dentro de uma mesma estrutura político- econômica. As seitas tinhas seus preconceitos recíprocos e pouco socializavam entre si, mas, em geral, mantinham a paz entre si. (Demant, 2004: 60)

17 A teoria consocionalista explica como sociedades plurais, religiosas ou etnicamente segmentadas, conseguem

uma estabilidade “democrática” pela mobilização de suas populações dentro de “pilares” verticais que as organizam separadamente (em partidos políticos, sindicatos, escolas, hospitais, clubes, etc), de maneira que as comunidades não tenham muito contato entre si, e as decisões políticas sejam tomadas por suas respectivas elites com base em uma “chave” consensual de partilha do poder e dos recursos. A teoria é associada ao nome do cientista político holandês-americano Arend Lijphart, que a desenvolveu nos anos 60 baseado no caso da Holanda: The Politics of Accommodation: Pluralism and Democracy in the Netherlands, University of Califórnia, 1976. Em seu Democracy in Plural Societies: A Comparative Exploration, Yale University, 1980, aplicou o conceito também a outras sociedades como a Bélgica, a Áustria e o Líbano, entre outras. (Demant, 2004: 400)

Um segundo fator também possibilitou essa semi-autonomia. No período final da guerra entre os mamelucos e os otomanos pela conquista da Síria (1516), o sultão Selim I (1516-20) contou com o auxílio do Emir da província libanesa, o druso Fakhr al-Din I (1516- 44), para lutar ao seu lado contra os mamelucos. Como prova de gratidão e reconhecimento, foi concedida a semi-autonomia à província e sua administração à principal família feudal18 drusa da região, os Maans (1120-1697) e depois, aos Shihabs (1697-1842), muçulmanos sunitas. A supremacia desses clãs durou até meados do século XIX, período em que ocorreram novas transformações políticas – que serão abordadas a seguir – no Monte Líbano e as potências européias passaram a exercer maior influência junto a governantes locais, ao mesmo tempo em que o império otomano perdia seu poder de atuação.