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T ILGJENGELIGHET

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3. OPPHAVSRETT OG DISTRIBUSJON

4.2 T ILGJENGELIGHET

Os principais achados deste estudo foram i. ETCC anódica aplicada na área somatossensorial primária esquerda melhorou o desempenho dos participantes no teste de discriminação de dois pontos independentemente da área da mão avaliada e da distância entre os dois pontos em comparação a ETCC catódica e placebo, ii. para os cegos congênitos, a ETCC anódica resultou em melhor desempenho em comparação a ETCC catódica e placebo (p=0,02) e ETCC catódica resultou em pior desempenho quando comparada a ETCC placebo durante Textura 1, iii. para os cegos adquiridos não foram observados efeitos entre as condições de estimulação, iv. para

os sujeitos com visão preservada, a ETCC catódica resultou em pior desempenho durante Textura 1 em comparação com a ETCC anódica e placebo, v. para esse mesmos sujeitos, a ETCC anódica resultou em melhor desempenho em comparação a ETCC catódica.

Esses resultados mostram que a ETCC anódica, aplicada na área somatossensorial primária esquerda, produz um efeito benéfico no desempenho da discriminação de dois pontos e da discriminação de textura, assim como a ETCC catódica tem efeito prejudicial no desempenho da discriminação de texturas em cegos congênitos e indivíduos com visão.

Estes resultados estendem achados prévios sobre o efeito neuromodulatório da ETCC no córtex somatossensorial e seu efeito em tarefas de percepção tátil (ROGALEWSKI et al., 2004; GRUNDMANN et al., 2011), diminuição da percepção de dor – efeito antinociceptivo (ANTAL et al., 2008), no aumento do limiar de percepção e de dor tanto em voluntários saudáveis quanto em pacientes com quadro de dor central crônica (FREGNI et al., 2006a; 2006b).

Dessa forma, os efeitos da ETCC, no presente estudo, vão de encontro aos efeitos obtidos com EMT, conforme demonstrado por Ragert et al., (2007) que aplicaram a EMT na área somatossensorial e mostraram melhora no desempenho de discriminação de dois pontos. Além disso, esses resultados somam-se aos achados de Merabet et al., (2004) que demonstraram capacidade da EMT em prejudicar o desempenho de julgamento de asperezas sem prejudicar o julgamento de distâncias quando aplicada em área somatossensorial; em nosso caso ETCC catódica prejudicou de forma significativa apenas o teste de discriminação de textura, mas não o de discriminação de dois pontos.

Merabet et al., (2004) sugeriram com base nos efeitos de dupla-dissociação com relação a desempenho de aspereza e distância que em deficientes visuais há uma participação diferenciada do córtex somatossensorial e do córtex occipital, respectivamente. Nesse sentido, o córtex somatossensorial seria crucial para discriminação de textura, mas não de distância entre pontos e o córtex occipital seria crucial para discriminação de dois pontos e não para discriminação de textura. O termo crucial aqui empregado refere-se ao efeito deletério na função avaliada caso uma área cerebral específica seja virtualmente lesionada com o uso, por exemplo, de EMT. Ou seja, a inibição com o uso de EMT em córtex occipital resultou em comprometimento de habilidade de discriminar distâncias entre pontos, ou seja, essa área é crucial para processar esse tipo de informação.

Nessa direção, apesar de não termos um grupo de ETCC em occipital, nosso achados podem ser entendidos em conjunto aos dados de Merabet et al (2004). O fato

da ETCC anódica melhorar a discriminação de dois pontos e da ETCC catódica não piorar o desempenho dessa tarefa pode sinalizar que o córtex somatossensorial contribui para essa função – a modulação facilitatória gera um incremento na função – mas não é crucial para ela – a modulação inibitória não prejudica o desempenho, ou seja, outras estruturas cerebrais são capazes de sustentar o desempenho dentro do esperado.

Ao mesmo tempo, o fato da ETCC anódica melhorar a discriminação de textura e da ETCC catódica piorar o desempenho dessa tarefa pode sinalizar que o córtex somatossensorial contribui para essa função – a modulação facilitatória gera um incremento na função – e é crucial para ela – a modulação inibitória prejudica o desempenho de maneira que outras estruturas cerebrais não são capazes de sustentar o desempenho dentro do esperado.

É interessante notar que os efeitos observados em textura são válidos para pessoas com visão preservada e pessoas com cegueira congênita. Não foram observados efeitos em pessoas com cegueira adquirida. No caso da discriminação de dois pontos, não foram observados efeitos de interação com Grupo, ou seja, os efeitos da ETCC foram semelhantes entre pessoas com visão normal ou com deficiência visual. Assim, os efeitos diferenciados da ETCC devem estar fundados em função do efeito neuroplástico decorrente da perda visual em associação com o tipo de estímulo a ser analisado

Assim, cabe uma comparação entre as modalidades de estímulos táteis analisados. Guest & Spence (2003), por exemplo, sinalizam que a adequação de uma modalidade sensorial não é meramente função da capacidade discriminativa de apenas uma única modalidade sensorial, mas sim, a adequação da modalidade pode desempenhar um papel na determinação do sentido mais apropriado para determinada tarefa. Além disso, a contribuição que um sentido faz sobre outro, depende da natureza da tarefa. Logo, a visão pode ser mais adequada para tarefas que determinam a densidade espacial de texturas, enquanto o tato pode ser mais apropriado para tarefas que requerem julgamento de aspereza.

Nesse sentido, Roland et al., (1998) descrevem que a aspereza e a distância - elementos de um padrão de textura - são dicas importantes por acrescentarem informações sensoriais tanto para a visão quanto para o tato, uma vez que as superfícies contêm pequenos desvios e elementos que não podem ser discriminados, embora deêm a percepção de rugosidade ou de textura (percepção microgeométrica). Já o comprimento, área e curvatura estão relacionados com as formas dos objetos, (propriedade macrogeométrica).

No presente estudo, a percepção de aspereza, uma propriedade microgeométrica, foi testada mostrando melhor desempenho na percepção de texturas e de distâncias nos deficientes visuais congênitos, quando comparados aos participantes com visão. No entanto, não encontramos diferenças significativas em relação a essas discriminações entre o grupo de deficientes visuais congênitos e o de adquiridos.

Isso pode estar relacionado com o remanejamento das funções corticais devido ao tempo de perda visual. Sadato et al., (2002) demonstraram que a ativação da área visual primária ocorreu durante a leitura de Braille em cegos que perderam a visão antes dos 16 anos, ao passo que essa ativação foi suprimida em cegos que perderam a visão após os 16 anos. Isso sugere que os primeiros 16 anos de vida representam um período crítico para uma mudança funcional da área visual primária de processamento de estímulos visuais ao processamento de estímulos táteis.

Nessa perspectiva, pode-se dizer que o processo de reorganização funcional parece se dar de maneira diferente entre os deficientes visuais adquiridos e os congênitos. Além de ser um processo individual, dependente do tempo e idade da perda, como da experiência anterior e posterior a perda. Outra questão importante, que pode ter grande influência na neuroplasticidade, é o motivo da perda, no sentido de que algumas pessoas perdem abruptamente a visão e outras a perdem lentamente, podendo ser essa em meses ou anos.

Amedi et al., (2005) relatam que essas mudanças neuroplásticas implicam não só no processamento realizado pelos sentidos remanescentes, mas também nas funções cognitivas superiores, tais como linguagem e memória.

Na nossa amostra, o grupo com deficiência visual adquirida teve média de 15,8 anos de perda total da visão. Entretando, o tempo para a perda total foi variável não controlada no presente estudo e está relacionada a patologia associada. Assim, a realização de novos estudos com deficientes visuais adquiridos que busquem explorar os efeitos da ETCC aplicada em outras áreas corticais, bem como, em diferentes tarefas de percepção táteis controlando esta variável são necessários para responder essas questões e observar possíveis efeitos neuromodulatórios.

Outro fator que pode ter influenciado está relacionado com a idade dos participantes apresentada na caracterização da amostra. A média de idade dos participantes com visão foi de 23,8 anos, 45 anos nos deficientes visuais adquiridos e 46,6 anos nos congênitos. Entretanto, apesar das diferenças de idade entre o grupo de deficientes visuais e o grupo com visão, o único efeito observado para os grupos e não relacionado à ETCC, revelou que o grupo com deficiência visual congênita apresenta melhor discriminação em comparação ao grupo dos que enxergam. Não

foram observadas diferenças significativas com o grupo de deficientes visuais adquiridos.

Vale ressaltar que esse efeito só foi observado para a análise exploratória no teste de discriminação de dois pontos, onde a variável dependente foi à porcentagem de acertos para as medidas realizadas apenas na primeira falange de cada dedo. Esse efeito pode estar relacionado com a maior experiência e dependência tátil dos indivíduos deficientes visuais congênitos e com a reorganização cortical apresentada pela perda visual (AMEDI et al., 2007; MERABET et al., 2005).

Além dos efeitos já descritos, foi também observado no teste de discriminação de dois pontos efeito significativo com relação à área da mão testada. Os participantes apresentaram maior taxa de acerto nas mensurações realizadas na primeira falange e menor na palma da mão independente da estimulação. Esses dois últimos resultados podem ser justificados pela representação sensorial da mão no córtex somatossensorial, onde se tem uma maior distribuição dos receptores sensoriais e dos campos receptivos nas pontas dos dedos.

Além disso, não foi verificado efeito significativo entre o teste realizado com 1 ponto e com 2 pontos com distância de 5mm. Para as demais comparações, foi observado efeito significativo. Em resumo, os participantes apresentaram maior taxa de acerto com a medida de 1 ponto e de 2 pontos com distância de 5mm. Também foi observado que o grau de dificuldade da tarefa esteve relacionado com a distância entre os pontos, sendo 2 mm associado ao pior desempenho seguido de 3 mm e 5 mm, respectivamente.

Os resultados observados são promissores, uma vez que esse foi o primeiro estudo que investigou os efeitos da ETCC em tarefas de discriminação tátil em deficientes visuais. Por fim, para melhor compreensão dos efeitos neuromodulatórios da ETCC observados no presente estudo, o desenvolvimento de novas pesquisas e novas comparações de efeito-tarefa relacionadas à percepção tátil de deficientes visuais e indivíduos com visão são necessários.

11. CONCLUSÃO

O presente estudo demonstrou que a ETCC anódica e catódica têm efeitos significativos na percepção tátil em deficientes visuais congênitos e em indivíduos com visão, quando aplicada no córtex somatossensorial primário.

Este estudo, por ser de caráter exploratório, abriu novos caminhos para o desenvolvimento de futuras pesquisas e também para a aplicabilidade clínica da ETCC. Pelo fato da ETCC anódica ter apresentado melhora no desempenho tátil, pode

ser possível que, em breve, com pesquisas subseqüentes, essa ferramenta possa auxiliar em tratamentos de distúrbios e de perdas sensoriais ou mesmo potencializar a aprendizagem de deficientes visuais na leitura Braille.

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