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Paper 3: The Storfjorden earthquake sequence: reactivation of

3. Synthesis

3.1. Synthesis of main findings and key implications

Actualmente, Portugal apresenta algumas fragilidades nomeadamente no sistema educativo, na formação, nas áreas tecnológicas e na pouca produção científica. Maria João Rodrigues, numa entrevista ao jornal Público, afirma relativamente a Portugal: “Esta dificuldade (de aumentar a escolaridade sobretudo da geração mais jovem) é expressão de uma dificuldade maior, mais enraizada na sociedade portuguesa, que é a de uma desvalorização cultural da importância do conhecimento e da educação…há uma lacuna no sistema nacional de inovação, onde faltam agentes institucionais para fazer a intermediação entre a actividade universitária e as necessidades das empresas”. Encontra ainda duas razões para a desvalorização social do conhecimento e educação e que são: ”Um défice histórico fortíssimo que começa a formar-se no século XIX, quando um conjunto de países europeus inicia a construção dos seus sistemas educativos. A segunda razão está no facto da questão não ter sido suficientemente prioritária nos últimos anos”. Diz ainda que “temos um problema de fundo para resolver. Por um lado, temos de inserir o nosso sistema universitário no espaço internacional, se queremos ter uma ciência de acordo com os padrões de excelência internacionais. Mas, por outro lado, essa progressão do ensino superior, que é fundamental, acaba por tornar mais difícil a interacção com o nosso tecido empresarial, que tem necessidades de tipo completamente diferente, muito mais voltadas para o desenvolvimento e a investigação aplicada.” Ou seja, o ideal seria que as empresas tivessem investigação aplicada e recorressem às universidades para investigação fundamental. Estando a universidade pouco voltada para interagir com as organizações em investigação adaptada aos interesses das mesmas, esta realidade poderá traduzir-se numa oportunidade de melhoria, mais do que uma condicionante de futuro, caso seja endereçada correcta e atempadamente.

Por um lado, duas tendências tornaram-se evidentes na economia global, na década de 90 e continuarão a fazer-se sentir no futuro: a emergência e rápido crescimento de economias de alguns países (principalmente a China e a Índia) e a emergência das tecnologias (Félix Ribeiro 2004). Por outro lado, a estas tendências juntam-se mais duas que embora já se tenham manifestado, acentuar-se-ão no futuro, e que são o envelhecimento da população e as preocupações ambientais. Na sequência destas quatro tendências, a que o autor referido

chama “forças motrizes”, iremos enfrentar um conjunto de desafios, cruciais para a inovação em Portugal e que são:

฀ Ser Digital – Aprofundar as transacções no “ciberespaço”;

฀ Ser Global – Inserir as organizações em redes mundiais ligando Portugal às rotas que geram inovação e riqueza;

฀ Ser Verde – Racionalização do consumo de energias fósseis, apostando na inovação tecnológica;

฀ Ser Flexível – Apostar no envolvimento dos indivíduos no mercado de trabalho, de uma forma diferenciada ao longo da vida activa;

฀ Gerir Riscos – Sofisticar os sectores financeiros para dar resposta às necessidades de investimento na protecção da velhice;

฀ Ser Competente – Maior aposta na qualificação dos recursos humanos; ฀ Ser Inovador – Centrar as estruturas produtivas do país em sectores com

maior valor acrescentado

A investigação sobre a GC em Portugal, nas empresas, é pouco frequente, o que faz com que seja raro encontrar dados para analisar. No entanto, de acordo com um inquérito realizado em 2004 pelo Observatório Nacional de Recursos Humanos (ONRH), as principais conclusões, publicadas no jornal “Diário Económico” de 07 Abril 2005, foram as seguintes:

฀ Diminuição relativamente a 2003 das seguintes características do trabalho: lealdade, qualidade, envolvimento no trabalho, reconhecimento, recompensa e inovação;

฀ Quanto maior o escalão etário, maior a insatisfação;

฀ Tanto as chefias, como os restantes colaboradores com menos de 1 ano de trabalho na empresa, estão mais satisfeitos do que os restantes.

Estes resultados são preocupantes na medida em que constituem uma dificuldade adicional para a concretização de uma eficaz GC. De facto com menor envolvimento e satisfação dos profissionais diminui a sua iniciativa e diminui igualmente a sua propensão para assumir os riscos associados à inovação e melhoria contínua. O que faz com que procurem novas soluções e desenvolvam uma partilha de conhecimento para a procura de novas oportunidades.

Retomando o estudo Statcan, verificou-se que empresas com mais de 50 trabalhadores justificam a GC com objectivos de eficiência. Por outro lado, as empresas mais pequenas demonstraram preferência pelo aumento de vantagem competitiva como aspecto crítico a atingir usando as práticas de gestão de conhecimento. Sendo Portugal um país de PME´s será de esperar que as empresas tenham uma maior preferência pelas vantagens competitivas em detrimento do aumento de eficiência, sendo importante adoptar as iniciativas de gestão de conhecimento a esta realidade.

Para a autora Ana Neves15 praticamente todas as empresas portuguesas desenvolvem algum tipo de iniciativa que se enquadre no âmbito da GC, embora muito poucas o façam de uma forma coordenada e organizada, ao ponto de se poder afirmar que dispõem de programas organizacionais de GC (Neves 2003). Apresenta ainda as principais razões que considera justificarem a hesitação das organizações portuguesas em avançarem na GC:

฀ Uma atitude passiva e de espera por parte das organizações portuguesas que preferem que sejam os outros a inovar, para depois copiar caso tal se verifique como vantajoso;

฀ Baixo nível de formação académica que resulta numa baixa capacidade de mudança:

฀ Formação académica de fraca qualidade que se repercute na qualidade dos colaboradores;

฀ Competitividade excessiva entre as pessoas, sem iniciativas de colaboração nem confiança mútua;

฀ Título sociais e de posição que dificulta a partilha e cria rigidez na comunicação entre colaboradores;

฀ Falta de bons exemplos de comportamento por parte das chefias; ฀ Subculturas com elevada rivalidade;

฀ Situação Económica difícil nos últimos anos e na Economia mundial em geral; ฀ Ênfase na tecnologia fruto de uma maior visibilidade desta em comparação com iniciativas de gestão de conhecimento genuínas;

฀ Preocupação com o curto prazo e fuga aos investimentos que só têm impacto no longo prazo;

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฀ Falta de métricas de avaliação das iniciativas e investimentos em gestão de conhecimento;

฀ Perfil das empresas portuguesas ser de pequena dimensão, onde existe pouca motivação para a GC e uma sensação de que se destinam apenas a grandes empresas.