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Synspunkter på nye tilskuddsordninger for EVU

In document NHOs Kompetansebarometer 2018 (sider 50-74)

A posteridade temporal polifônica evidencia o não-comprometimento do falante com o que está sendo dito. Isso ocorre devido a não certeza dos acontecimentos narrados por parte do falante, o qual, assim, põe a “responsabilidade” do episódio no autor da situação. E, relembrando Travaglia (1999), a posteridade temporal de caráter polifônico pode ser expressa pelo futuro do pretérito, como vemos no exemplo 72:

72. “... não sei quando entrou aqui o Pe. Diogo. Bem poderia eu informar-me do mesmo Pe., hoje vigário em Sobral.” (1ª Freguesia da Provincia, 1888)

Vejamos o que nos diz a tabela abaixo:

Tabela 06: Atuação da Modalidade na função temporal polifônica codificada pelo futuro do pretérito

Fatores Aplicação/Total Percentual

Irrealis 1 39/69 65%

Irrealis 2 8/140 5.7%

Irrealis 3 0/83 0.0%

Irrealis 4 2/53 3.8%

Vemos, então, que com um percentual de 65%, o fator modalizador irrealis1 (nível baixo de certeza; pressuposição; volição) aparece com o maior índice de atuação quando a função é a polifônica. A título de ilustração, temos o exemplo 73:

73. “Seria, porem, compatível essa maneira de vêr as cousas com as suas vistas, com os seus intuitos, com a sua consciencia?” (Ligeiras considerações sobre as lutas de 1824, 1864)

Assim, o uso do futuro do pretérito, no exemplo acima, indica que o autor da oração não se compromete com o que diz, sendo possível ao leitor interpretar que esse autor apenas lança a questão, sem ter qualquer elo com a mensagem proferida, ao mesmo tempo em

que questiona a possibilidade da situação, de fato, ser real.

Em segundo lugar, com 5.7% das ocorrências, temos o fator irrealis 2 (nível alto de certeza; verdade concretizada; polidez), em que os falantes, então, elegem o tempo verbal com ou sem os verbos modalizadores para expressarem a posteridade polifônica. No exemplo 74 temos o uso do modalizador poder:

74. “... não sei quando entrou aqui o Pe. Diogo. Bem poderia eu informar-me do mesmo Pe., hoje vigário em Sobral.” (1ª Freguesia da Provincia, 1888)

Com relação ao fator irrealis 3 (verdade possível de ser concretizada; ideia de possibilidade e condição) não houve dados para a análise, pois esse fator, ao perfazer um percentual de 0,0%, mostra-nos que, nessa função acima especificada, a modalidade irrealis 3 não foi significativa em detrimento as outras modalidades. Já o irrealis 4 (incerteza; possibilidade remota de ser uma verdade possível), com 3.8%, ilustrado em 75 resulta um índice pequeno do futuro do pretérito nessa modalidade.

75. “... nunca, talvez saber-se-ia o quao os afortunados na Provincia Real da cidade do Capitão Vasconcellos fossem estar ao accordo da governança daquelle logar.” (Registros Da Seca do anno de 1794 na capitania do Piauhy, 1782)

No exemplo acima, o usuário marca com o uso do futuro do pretérito e advérbios de dúvida sua incerteza em relação ao fato daqueles que vivem na Província do Piauí concordarem com o governo que ali se encontrava.

Tabela 07: Atuação da Estrutura Temporal na função temporal polifônica codificada pelo futuro do pretérito

Fatores Aplicação/Total Percentual

Anterioridade 11/38 28.9%

Simultaneidade 19/53 35.8%

Posterioridade 19/245 7.8%

Pelo exposto, concluímos que a simultaneidade é a mais codificada com o futuro do pretérito, aparecendo com 35.8%. Em seguida, temos a anterioridade, cujo percentual foi de 28.9% dos dados; e, em último, temos a posterioridade, com um índice de 7.8% do total das ocorrências. Isso quer dizer que o usuário da lingua, ao escolher o futuro do pretérito com a função temporal polifônica, expressa, preferencialmente, a noção de simultaneidade ao momento de referência em virtude do caráter polifônico que nos transmite a forma verbal em questão, pois uma das características é o “resguardar a face” para que não se sobreponha o comprometimento do falante com o enunciado proferido, enfatizando a dúvida de “como se vai realizar a ação de pagar as moedas” com uma interrogação para o receptor, como no exemplo 76 abaixo:

76. “... mas com que moeda pagaria os d’aquelle?” (A Vida de Antônio Rodrigues Ferreira, 1876)

A seguir, exporemos os resultados obtidos com relação à tipologia verbal codificada com o futuro do pretérito.

Tabela 08: Atuação do Tipo de Verbo na função temporal polifônica codificada pelo futuro do pretérito

Fatores Aplicação/Total Percentual

Accomplishment 0/9 0.0%

Estado 17/89 19.1%

Achievement 15/104 14.4%

Observamos que, com relação à noção aspectual, estado evidencia-se dos demais tipos de verbo, surgindo com 19.1% dos resultados encontrados. Assim sendo, podemos dizer que, na atuação da tipologia verbal na função temporal polifônica, codificada pelo futuro do pretérito, os verbos que indicam estado são preferencialmente aqueles escolhidos pelos usuários da língua para retratar uma postura de não comprometimento com o que está sendo proferido. Vejamos o exemplo 77:

77. “... E’ porque deve sel-o; é porque, si não fosse, seria universalmente acclamado (...)” (A Vida de Antonio Rodrigues Ferreira, 1876)

Logo após, vem os verbos que indicam achievement, com 14.4%, seguido dos verbos que indicam atividade 12.7%. Os verbos codificados pelo futuro do pretérito com a noção aspectual accomplishment não foram encontrados na codificação da função temporal polifônica, como mostra a tabela 06.

Como visto, a nossa hipótese foi confirmada, uma vez que cogitávamos que os verbos de estado eram aqueles que influenciavam mais o uso do futuro do pretérito no que diz à noção polifônica, uma vez que o sujeito exprime um estado no qual se encontra. Com relação aos resultados de achievement e atividade que são aproximados, cremos que esse fato deve-se por consequência das escolhas que o falante faz no momento em que vai caracterizar seu não-comprometimento com o que está sendo dito, uma vez que verbos dessas duas noções demonstram o “fazer por inteiro” da ação, a qual não reflete o uso do futuro do pretérito, que alega uma noção de possibilidade.

Tabela 09: Atuação do fator Século na função temporal polifônica codificada pelo futuro do pretérito

Séculos Aplicação/Total Percentual

XVIII 5/71 7.0%

XIX 41/212 19.3%

XX 3/53 5.7%

dezenove, com 19.3%, em que o uso do futuro do pretérito foi eleito para expressar a função

temporal polifônica; em seguida, vem o século dezoito, com 7.0% e o século vinte, com 5.7%. Assim, chegamos à conclusão de que, para a função temporal polifônica, houve um pico de uso dessa forma verbal no século XIX e tendenciou-se a diminuir seu uso, como podemos ver nos resultados acima. Isso confronta a nossa hipótese, a qual supunha que havia um equilíbrio na utilização do futuro do pretérito quando a função fosse temporal polifônica pelo fato de serem documentos formais.

Tabela 10: Atuação do fator Gênero Textual na função temporal polifônica codificada pelo futuro do pretérito

Gêneros Aplicação/Total Percentual

Documentos oficiais 40/293 13.7%

Cartas 0.4 0.0%

Discursos políticos 9/39 23.1%

Nos discursos políticos, há elevado índice de promessas, desejos e vontades a serem realizadas, por isso o uso do futuro do pretérito, para a função polifônica, é mais frequente nesses discursos. Nossa hipótese, que foi confirmada, supunha que o sujeito utilizasse mais o futuro do pretérito com função temporal polifônica nos discursos políticos, pelo fato desse gênero textual revelar o discurso vozes que possam indicar dúvida ao ouvinte.

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