IV. Sonatine for violin og klaver
4. Brytningstider
4.1. Komposisjon, krig og kvinnesak
4.1.1. Symfonikar, kvintettleiar, barnetime-arrangør
Neste capítulo apresenta-se a descrição da cooperativa que serviu ao Estudo de Caso, a segunda fase da pesquisa. A seguir analisam-se os dados oriundos de fontes primárias e secundárias com o objetivo de elaborar uma arquitetura de competências. Esta metodologia serviu para determinar os recursos e as competências organizacionais relacionadas ao direcionamento estratégico da Unimed Paulistana e envolvidas em maior ou menor grau com seu processo de verticalização.
9.1 Breve Histórico e Caracterização da Empresa
A Unimed Paulistana é uma cooperativa de trabalho médico sem fins lucrativos que presta serviços de assistência médica e gestão em saúde. Fundada em 1971, foi a quinta cooperativa de trabalho médico do Estado de São Paulo para atuar na capital e outros 25 municípios: Arujá, Barueri, Biritiba Mirim, Carapicuíba, Cotia, Caieiras, Diadema, Embu, Ferraz de Vasconcelos, Francisco Morato, Franco da Rocha, Guararema, Itapecerica da Serra, Itapevi, Itaquaquecetuba, Jandira, Mairiporã, Mogi das Cruzes, Osasco, Poá, Salesópolis, Santa Isabel, Santana de Parnaíba, Suzano e Taboão da Serra.
Ao longo das décadas de oitenta e noventa, a empresa enfrentou um período de estagnação, provocado por divergências políticas entre seus dirigentes e as Federações Estadual e Nacional. O Presidente da Unimed do Brasil ou Federação Nacional das Unimeds e fundador da primeira cooperativa médica do país, o Dr. Edmundo Castilho, propôs a criação de uma taxa de contribuição vinculada ao número de beneficiários das Unimeds, para prover as atividades das Federações Estaduais. Esta medida encontrou resistências na assembléia de cooperados da Unimed Paulistana e, em paralelo à decisão de não participar do recolhimento da contribuição, esta cooperativa passa a ser acusada de dificultar o atendimento de beneficiários de outras Unimeds. Na visão de alguns, o pretenso comportamento infringia as normas de intercâmbio estabelecidas pelo complexo.
Através de uma manobra jurídica, o Presidente da Unimed Brasil e um grupo de representantes da Federação das Unimeds de São Paulo conseguiram autorização do
INCRA, entidade que regulava atividade de qualquer cooperativa no país, para abertura de outra Unimed no município de São Paulo. Com isso, possibilitou-se o afastamento da Unimed Paulistana do sistema que, passou a contar com nova referência para intercâmbio de beneficiários em sua área de atuação: a Unimed São Paulo. (Entrevista com Diretor da Área de Intercâmbios, Junho, 2006). Em suas palavras:
“...um processo de disputa política se travava entre as lideranças do
sistema, transformando algumas assembléias democráticas em estruturas oligárquicas... Evito fazer juízos de valor mas, para muitos, a direção deste sistema tem sido privilégio de uns poucos.”
Ao mesmo tempo em que a Unimed Paulistana perde parte do diferencial competitivo de intercâmbio, atrativo para os clientes de planos empresariais, a Unimed São Paulo cresce em ritmo acelerado. Contribuiu para isso a iniciativa de oferecer “Contratos de Adesão”, modalidade de plano de saúde individual, mas contratada através de associações de classe como sindicatos com precificação atraente se comparada a um plano empresarial similar, e que ainda hoje não estão sujeitos à regulação da ANS. Por ser livremente negociados entre as partes, estes contratos podem ter muito ou pouco controle da utilização dos serviços médicos e, naquele caso, parece ter ocorrido a segunda opção. O período inflacionário permitia ganhos financeiros que compensavam desajustes operacionais e, para as fontes entrevistadas, a empresa não constituiu reservas que possibilitassem controlar riscos ou justificar alguns projetos. Em alguns anos a Unimed São Paulo já contava com quase trezentas mil vidas, havia montado estrutura de remoções aéreas e assumido financiamento do BNDES para construção de hospital na Zona Sul da cidade.
Para manter-se no mercado, a Unimed Paulistana passou a negociar acordos bilaterais com Medicinas de Grupo e algumas Unimeds que atuassem em regiões onde possuísse beneficiários. Quando a Unimed São Paulo entrou em crise financeira, apesar das tentativas de aporte de capital da Unimed Seguradora, parte de seus clientes passaram a migrar, beneficiando entre outros a Unimed Paulistana. (Entrevista com Diretor da Área de Intercâmbios Unimed Paulistana, Junho, 2006). Na metade dos anos noventa, o Presidente da Federação Estadual oferece à Unimed Paulistana oferece a possibilidade de reintegração à entidade, à revelia da Federação Nacional. Naquela época, houve uma dissidência da Unimed Brasil, com a criação de outra entidade
representativa de terceiro grau, a Associação Central Nacional das Unimed, (ACNU). Posteriormente, e ainda na vigência de instabilidade política no sistema, a Federação Nacional das Unimeds cria operadora voltada ao segmento de planos corporativos, esperando capitalizar parte dos clientes que deixavam a Unimed São Paulo. Batizada de Central Nacional Unimed, oferecia planos para empresas com mais de trezentos funcionários, distribuídos em mais de dois Estados. Esta operadora localiza-se no município de São Paulo, onde há concentração de empresas de maior porte, e foca seus esforços comerciais na região, concorrendo diretamente com a Unimed Paulistana.
Atualmente, a Unimed Paulistana integra o maior sistema de saúde da América Latina com cerca de 12 milhões de clientes ou 26,5% dos beneficiários da Medicina Suplementar. Este sistema, com abrangência em 4.125 municípios ou 74,9% do território nacional, é composto por 376 cooperativas médicas, entre Singulares, Federações e a própria Confederação Nacional. As Unimeds locais, que atuam no âmbito dos municípios, são denominadas Unimeds Singulares, ou de primeiro grau. As cooperativas médicas de trabalho de um mesmo estado organizam-se em Federações Estaduais ou de segundo grau, cujas missões são: regular normas de intercâmbio de beneficiários entre as singulares, zelar pela manutenção doutrinária e definir outras ações sinérgicas na respectiva região. As Federações Estaduais, por sua vez, reúnem-se em uma Confederação Nacional ou de terceiro grau, órgão máximo de regulação do sistema.
Com 1 milhão e 7 mil clientes, é a quinta maior operadora de saúde do País. A Cooperativa conta hoje com 1.800 médicos cooperados e uma rede credenciada de 361 prestadores, sendo 98 hospitais, 130 clínicas e 133 laboratórios e centros de diagnósticos na Grande São Paulo.Em 2005, a cooperativa ampliou sua base de clientes em 10,5%, em relação ao ano anterior, e seu faturamento foi de R$ 1,155 bilhão, 24,67% superior ao faturamento de 2004. Nos últimos cinco anos, a Unimed Paulistana registrou um aumento de 320% em seu faturamento.
Em 2005, o conjunto das cooperativas obteve faturamento de R$ 12 bilhões e realizou mais de 58 milhões de consultas; 3,3 milhão de internações e 83 milhões de exames complementares. O Sistema Unimed possui 66 hospitais próprios e 3.596 credenciados, frente aos 6596 do país.
Neste mesmo ano, o faturamento da Unimed Paulistana foi de R$ 1,15 bilhão, representando um acréscimo de 420% em cinco anos. Neste período, o número de beneficiários ampliou-se de 494 para 974 mil. (Vide Gráfico abaixo).
GRÁFICO 3: NÚMERO DE CLIENTES E FATURAMANTO ANUAL DA UNIMED