1. Introduction and Thesis Problem 1 Introduction 1 Introduction
1.4 Sustainable development of petroleum resources
São vários os obstáculos que as crianças institucionalizadas encontram para uma integração escolar plena, quer seja as dificuldades no desempenho (motivadas por vários factores) e o posterior insucesso escolar ou a desmotivação derivada de uma má relação com colegas e professores (resultado de processos de estigmatização e exclusão), muitos são os factores que leva estas crianças a terem um fraco desempenho escolar não conseguindo se manter ao nível de um aluno considerado mediano.
Quando procurámos saber sobre o sucesso escolar dos jovens entrevistados, tentámos antes de mais saber se já tinha reprovado alguma vez e quais os motivos que levaram a essa ou essas reprovações. Procurámos também saber a Escola e o curso que frequentam, pois na perspectiva de Guy Avanzini (s.d cit. in Santos, 2009) o insucesso escolar pode assumir diversas configurações. Carlos Fontes (s.d cit. in Santos, 2009) admite o insucesso escolar como ou o abandono da escola antes do final do ensino obrigatório, ou as reprovações sucessivas, ou ainda a passagem do aluno para um ensino menos exigente. Neste sentido dos dez entrevistados apenas o E6 e o E10 frequentam o ensino regular, sendo que todos os outros optaram por planos de estudos mais adequados e adaptados às suas capacidades, como são o caso dos cursos de equivalência ao ensino regular. O E1 Já repetiu o oitavo ano do ensino regular e
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actualmente pensa que também poderá chumbar por faltas. Costuma ir à escola mas não gosta de ir as aulas pois acha que algumas são aborrecidas. Quanto ao E2 antes de entrar para o curso que actualmente frequenta tinha feito um interregno de dois anos, pois desistiu de estudar e começou a trabalhar num restaurante.
Segundo a teoria de Castro por estarem cansados de repetir anos “(…) muitas crianças destes meios optam pelo abandono sem concluírem a escolaridade mínima” (Castro, 1997:62. Apesar de só ter reprovado uma vez após uma mudança de escola no 1º ciclo, o jovem preferiu abandonar a escola pois não tinha consciente que era algo necessário para o seu futuro. Relativamente ao E3 reprovou três anos no ensino regular o que o fez optar por tirar um curso profissional. Na sua opinião o que falhou foi a falta de estudo porque a sua mentalidade era outra. O E4 até chegar ao 9º ano optou sempre pelo ensino regular, no entanto chumbou no 8º ano. Os principais motivos apontados para ter reprovado foram a desmotivação, o desinteresse, a maneira como os professores ensinavam e facto de ter seguido negativamente alguns colegas. Posteriormente no 9º ano ganhou um novo ânimo e conseguiu terminar o ensino regular, porém actualmente frequenta um curso profissional de equivalência ao 12ºano. Quanto ao E5 já reprovou dois anos e por isso fez um curso de equivalência ao 9º ano para desta forma conseguir seguir estudos e fazer outro curso de equivalência ao 3º ciclo. O E7 Já reprovou uma vez no 8º ano, por causa do seu comportamento. Segundo o entrevistado na altura não gostava da escola. O E8 antes de iniciar o curso que frequenta já frequentou um curso de electricidade, e anteriormente outro. Saiu do ensino regular já faz algum tempo. Já reprovou também por faltas e afirma que o motivo é o facto de ficar entretido com os colegas no café. O E9 Já reprovou duas vezes, e optou por entrar num curso CEF para poder passar o 9º ano. Relativamente às justificações para ter chumbado afirma que no 5º ano reprovou devido à mudança de escola e que no 9º foi devido a más companhias e à falta de interesse na escola. Por fim, o E10 já reprovou dois anos lectivos, devido à distracção. Afirma que ia as aulas mas que não conseguia acompanhar a matéria. A única excepção à regra é o E6 que até ao momento nunca reprovou.
Inquestionavelmente o insucesso escolar está presente no quotidiano de crianças e jovens institucionalizados. São vários os estudos que demonstram que os alunos institucionalizados, por diversas razões, têm dificuldades no desempenho escolar quando comparadas com crianças não institucionalizadas, o presente estudo vem também provar esta teoria. (Santos, 2009; Amado, 2003; Castro, 1997; Dell’Aglio et al., 2004; Mota et al., 2010, entre outros)
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Para Santos (2009) o insucesso escolar pode ser compreendido á luz de dois pontos de vista: por um lado o aluno estará numa situação de insucesso escolar se não cumprir de acordo com as expectativas do sistema de ensino o determinado para a sua idade e ano escolar. Por outro lado o insucesso escolar depende das metas pessoais de cada aluno, do que o próprio espera da escola e o que pretende alcançar futuramente. Neste sentido no presente estudo, apenas um entrevistado cumpre as expectativas do ensino para a sua idade, sendo que a maioria já ultrapassou a idade máxima para estudar, esta teoria de Santos e vários outros autores revela-se autêntica.
Quando se fala então de insucesso escolar há que ter em conta o meio social, o próprio individuo e a instituição escolar que o mesmo frequenta. Na óptica de Ana Benavente (1987, cit. in Santos, 2009) só conseguiremos deslindar as causas do insucesso escolar se tivermos em consideração estas três dimensões. Para a autora o insucesso escolar é geralmente “(…) o resultado de uma relação negativa entre os alunos e determinados meios sociais e a instituição escolar” (1976:18).
A E1 – E.T. afirma que a maior parte destas crianças têm grandes dificuldades de aprendizagem e que essas dificuldades muitas vezes se justificam pela grande desmotivação que têm. Afirma que muitas vezes os jovens encaram a escola como uma obrigação que têm de ir cumprindo. A entrevistada refere ainda que há muitos meninos que têm défices cognitivos e que nesse sentido não conseguem cumprir os ditos programas regulares quando isso acontece vão para um ensino especial, onde têm um currículo especial que eles cumprem sem dificuldade porque é adaptado as necessidades e as dificuldades que eles têm.
O E2-E.T. afirma que cerca de 40% dos utentes são alunos do ensino especial, desta forma quando se fala em sucesso escolar referimo-nos à forma como eles cumprem o programa que lhes é delineado, e esse programa normalmente eles cumprem porque são adaptados tendo em conta as dificuldades dos mesmos. Por sua vez os utentes integrados no ensino normal são muito fracos.
A E3-E.T. considera que quando os utentes entram no Abrigo na altura do 1º ciclo é muito mais fácil a integração dos mesmos, pois são bastante acarinhados pelo grupo de pares. Contudo com os jovens que estão a entrar na fase da adolescência a integração nas escolas é mais difícil, e o choque é maior. Normalmente estes jovens têm dificuldades de aprendizagem, de integração, desmotivação, falta de interesse e falta de expectativas.
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Como pudemos depreender 80% dos jovens entrevistados estão actualmente a frequentar cursos fora do ensino regular, com características um diferentes dos cursos regulares. Esta percentagem deve-se particularmente, ao facto de não terem sido bem sucedidos aquando o percurso pelo ensino regular. Segundo apreendemos com entrevista E3-E.T., os utentes que entram no Abrigo na mesma altura que iniciam o 1º ciclo têm mais facilidade de integração e de sucesso escolar. Contudo com o que pudemos apurar, mesmo os jovens entrevistados que entraram para o Abrigo por volta dos 6/7 anos têm uma trajectória escolar marcada por insucesso. A falta de motivação continua a ser apresentada como a maior dificuldade e o impeditivo a um desempenho escolar marcado pelo sucesso.