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7. Conclusion

7.1 Summary of the Study

ampliar comunicação, interagir, expressar, conhecer gêneros orais

(idem, p.230)

Conhecer gêneros escritos familiarizar-se com a leitura, reconhecer a escrita do nome próprio e outros construir e avançar na hipótese de escrita.

Lembrando que o discurso como acontecimento vai se estruturando no tempo e no espaço, cabe retomar que havia uma construção na rede municipal sobre educação infantil e educação especial e, em cada uma delas, sobre a escolarização da língua materna como língua portuguesa inicialmente e, mais recentemente, também como Libras. A perspectiva do desenvolvimento infantil tinha um sujeito implicado. Quando o ensino fundamental comum é municipalizado, adere à instância nacional e à superficialidade conceitual na exterioridade do discurso quando reproduzido. E enquanto essa modalidade vai mapeando seu espaço na rede, paralelamente, a educação infantil e a educação especial seguem seus caminhos. Duas linhas paralelas de pensar e agir: a educação infantil procurando agregar a infância como categoria geracional às áreas de conhecimento cada vez mais modulares e parecidas

com as propostas nacionais para o ensino fundamental; e a educação especial, avançando na singularidade da questão da língua materna do aluno com surdez e a competência comunicativa de alunos com surdocegueira, deficiência intelectual e com condutas típicas que não compunham seu público alvo até então. Para compreender esse jogo de saber e poder, podemos parafrasear Larrosa (1994, p.16) e afirmar que o momento em que um conjunto de práticas institucionalizadas de manipulação técnica dos indivíduos se desdobra sobre a rede torna possível a objetivação dos sujeitos como objeto e dela própria em relação ao posto pelos PCN e a política do Fundef/ Fundeb51.

Tal objetivação do sujeito e da rede pode ser ilustrada pela análise da variação do verbo expressar nos objetivos do ensino de língua portuguesa na educação infantil – expressar-se – e no ensino fundamental e na educação especial – expressar.

Conforme o dicionário gramatical de verbos do português contemporâneo do Brasil52, o verbo é o ponto de partida na estruturação das frases. Os demais componentes nelas presentes arranjam-se em diferentes graus de coesão e dependência, interferindo em sua natureza sintático-semântica. Assim, para cada verbo especificam-se, em primeiro lugar, o número e a natureza dos papéis inerentes ao sentido básico do verbo e, posteriormente, mostra-se o arranjo estrutural em categorias de forma e de tipos funcionais. A caracterização de qualquer verbo começa pela descrição do sujeito. Assim, há três possibilidades para o verbo expressar:

51 Fundo de desenvolvimento do ensino fundamental e Fundo de desenvolvimento da educação básica, respectivamente. Políticas do governo federal decorrentes da LDB/96 que, em função da desvalorização para fins financeiros das etapas e modalidades outras que não o ensino fundamental comum, incentivaram a municipalização do ensino fundamental por todo o país e certo apagamento dos serviços educacionais até então existentes. Para maior aprofundamento, sugiro a leitura da dissertação de KLEIN,S.B., Ensino Fundamental de nove

anos no município de São Paulo: um estudo de caso. 233p. Dissertação de Mestrado.

Faculdade de Educação. Universidade de São Paulo, 2011, p.72

52 BORBA, F.S. Coord. Dicionário gramatical de verbos do português contemporâneo do

1. Indica ação com sujeito agente e complemento expresso por nome abstrato ou oração conjuncional. Significa revelar, fazer conhecer, tornar manifesto. Nesse caso, agente refere-se ao sujeito que desencadeia uma atividade;

2. Indica processo, na forma pronominal, com sujeito paciente e com complemento de modo; Significa tornar-se manifesto, manifestar-se. Aqui, paciente é o sujeito afetado pela mudança de estado, condição ou posição definida pela ação do verbo;

3. Indica ação, na forma pronominal, com sujeito agente. Significa comunicar-se, falar. (1991, p.733)

Podemos pensar que a intenção dos objetivos educacionais descritos pode não ser alterada com a presença do pronome se uma vez que ele pode ter sido omitido casualmente. Mas considerando que a ausência convoca a pensar gramatical e discursivamente, podemos perceber que sua presença desloca o sentido da ação verbal em relação ao sujeito; expressar-se desdobra-se em expressar algo . O pronome se será reflexivo quando o sujeito praticar a ação sobre si mesmo - expressar a si mesmo - ou fizer refletir sobre ele o expresso. O pronome se será reflexivo recíproco quando o sujeito praticar a ação sobre o outro e vice-versa - expressar algo para um outro, expressar algo de si para um outro , experienciar a expressão do outro.

Os sujeitos alunos podem ter sido posicionados como agentes ou pacientes em relação à língua, a si mesmos e às demais ações por eles praticadas no contexto escolar e fora dele. Dessa forma, a finalidade da escolarização da língua materna materializada no objetivo expressar (-se) pode estar relacionando a expressão humana à mera transcodificação da língua pelos alunos e educadores. Nesse caso, língua e aluno são objetos. Por outro lado, a finalidade pode desencadear uma relação intersubjetiva de sujeitos que se constituem na e pela linguagem nas relações sociais mediadas pela língua materna. A escolarização pode atuar na disciplinarização da linguagem e, portanto, do desejo, e, a partir dessa interdição, permitir que o sujeito ocupe a posição social que o grupo almeja. Quando vivenciado na infância, em qualquer uma das modalidades de ensino e, desde que sejam respeitadas a não linearidade do desenvolvimento humano e a necessidade de conciliar

diferentes tempos, espaços e ritmos de aprendizagem, o ensino de língua é pragmático apenas o suficiente para evitar o caos – a torre de babel – e seus estranhamentos, mas livre o suficiente para possibilitar o equívoco, o deslocamento de sentido que marca a subjetividade.

Como podemos ver abaixo, o exercício de unificar a proposta da rede, como discurso único, reproduz as prescrições e aproxima materialmente as ações expressar e expressar-se. Com isso, temos objetivos gerais de língua portuguesa, como o quadro a seguir:

Sistematização das ações relacionadas aos objetivos gerais da escolarização da língua materna na proposta curricular municipal:

LINGUAGEM ORAL/LIBRAS