• No results found

Dimaggio e Powell (1991) constatam que há muitos neo-institucionalismos: em economia, teoria institucional, ciência política, história e sociologia. Prevalece entre eles um ceticismo comum sobre temas centrais do processo social, e uma mesma convicção de que as modalidades institucionais e os processos sociais são variáveis determinantes. No entanto, para os autores, aproximações à raiz do institucionalismo em tão diferentes áreas não podem convergir para um único quadro de pressupostos e objetivos. Os autores verificam que o interesse pela análise teórica e metodológica contemporânea do institucionalismo, a partir dos estudos tradicionais da matéria, justifica-se pela capacidade de fornecer novas respostas para questões antigas. Como escolhas sociais são formadas, mediadas e canalizadas por arranjos institucionais? Constitui, ainda, uma reação à revolução comportamental que interpreta o comportamento coletivo, político e econômico, como consequência agregada da escolha individual.

O Neo-institucionalismo Econômico tem como principal unidade de análise os custos de transação. As instituições estabelecem critérios pelos quais as pessoas descobrem as preferências; reduzem incertezas ao prover recursos de dependência e eficiência nas trocas econômicas; e não apenas constrangem as opções. Evidenciam-se diferenças no próprio campo de estudo tanto para o tratamento aos custos de transação quanto para os pesos do Estado e da ideologia. Para os neo-institucionalistas econômicos, as estruturas de governança são modalidades sociais criadas para minimizar os custos de transação. Há um desejo das partes de economizar em custos de transação ao realizarem uma troca, em um mundo no qual a informação é cara, as pessoas comportam-se de forma oportunista, e a racionalidade é limitada (DIMAGGIO; POWELL, 1991). A nova economia institucional, em particular a que tem como foco a história econômica, afirma que "as instituições são regularidades em interações repetitivas, costumes e regras que estabelecem um conjunto de incentivos e

desincentivos para indivíduos" (NORTH, 1985, p. 231 apud DIMAGGIO; POWELL, 1991). A economia da organização concebe instituições como estruturas de governança, regime social, voltadas para minimizar os custos de transação (WILLIMISOH, 1985 apud DIMAGGIO; POWELL, 1991).

No campo da Ciência Política, o novo institucionalismo surge em reação às concepções comportamentais que trazem uma perspectiva social do contexto no qual os objetivos são perseguidos. A teoria positiva de institucionalismo em ciência política estuda instituições políticas domésticas; a teoria de regimes tem como foco as relações internacionais. A primeira preocupa-se com a forma como as instituições moldam os resultados políticos. A segunda verifica as condições sobre as quais ocorre a cooperação internacional, e tem caráter normativo cujos padrões de comportamento são definidos em termos de costumes e obrigações, que se aproxima à tradição sociológica. Os pressupostos de análise são: escolha racional, regras, procedimentos e modalidades. Cientistas políticos da tradição de escolha racional e teoria dos jogos consideram as instituições arcabouços de regras, procedimentos e modalidades, ou prescrições, sem excluir a possibilidade de as ações serem necessárias, proibidas ou permitidas (OSTROM, 1986; SHEPSLE, 1986 apud DIMAGGIO; POWELL, 1991). Os modelos de escolha pública considerados por Dimaggio e Powell (1991) destacam os mecanismos legislativos, a distribuição de poder para definir a agenda, a sequência de apresentação das propostas, e a atribuição de direitos de veto (SHEPSLE; WEINGAST, 1987; OSTROM, 1986; SHEPSLE, 1986, 1988 apud DIMAGGIO; POWELL, 1991).

Para a Sociologia, as instituições não refletem, simplesmente, as preferências e o poder das unidades que as constituem. Isso, também, é moldado por elas. Mais, ainda, as instituições são tanto atores quanto constrangedoras dos atores, e os interesses emergem em um contexto histórico, particular e normativo (DIMAGGIO; POWELL, 1991). O novo institucionalismo na teoria organizacional e na sociologia inclui: a rejeição ao modelo de escolha racional; o interesse por instituições como variáveis independentes; a perspectiva de explicações cognitivo-culturais; o interesse por unidades de análise supra-individuais que não produzam consequências diretas dos atributos ou motivos individuais. As explicações funcionais de economistas e cientistas políticos sobre a forma como as instituições representam soluções eficientes para problemas de governança são rejeitadas por sociólogos que observam a forma como as instituições complicam e constituem os caminhos para as soluções. Novos estudos em antropologia, história e teoria social confrontaram variáveis

funcionalista e individualista, para identificar como os significados são socialmente construídos e como ações simbólicas transformam a noção de agência. Sugerem, assim, que as preferências individuais e as categorias de pensamento, como o individuo, a ação social, o Estado e a cidadania, são moldados por forças institucionais (DIMAGGIO; POWELL, 1991).

O novo institucionalismo adquire significado diferente à medida que se avança das perspectivas de economia e escolha pública para as teorias de regime e organização. Nas primeiras, as instituições são produtos da concepção humana, e decorrem de ações intencionais. Nas últimas, as instituições, apesar de configurarem o resultado da atividade humana, não são produtos de um trabalho consciente. O essencial das perspectivas econômica e de escolha racional é explicitar os arranjos institucionais como soluções adaptáveis para problemas de oportunismo, informação imperfeita ou assimétrica e racionalidade limitada (DIMAGGIO; POWELL, 1991).

A insatisfação com a abordagem de ator racional tem levado alguns estudiosos a desenvolver uma linha mais sociológica de pesquisa: uma perspectiva mais orientada a processos, na qual as instituições se constituem tanto como atores quanto atuam para restringi-los. E os interesses surgem em contextos históricos e normativos particulares. De fato, o novo institucionalismo em análise organizacional parte da homogeneidade de práticas e disposições que permeiam as atividades político-sociais. Assim, as instituições não apenas restringem opções: elas estabelecem critérios pelos quais as pessoas descobrem as preferências. Alguns institucionalistas em ciência política e economia reconhecem que as instituições são pouco flexíveis. E os arranjos institucionais restringem o comportamento individual ao tornar algumas escolhas inviáveis, excluir determinados cursos de ação, e restringir certos padrões de alocação de recursos (DIMAGGIO; POWELL, 1991).

As raízes do “novo institucionalismo” em estudos organizacionais, desenvolvidos por John Meyer, W. Richard Scott e Lynne Zucker, desde 1977, são traçadas a partir do “velho institucionalismo" de Philip Selznick e associados. No entanto, é possível verificar divergências substanciais entre as duas perspectivas. O velho institucionalismo foi estritamente político na análise de conflito de grupo e estratégia organizacional. Por outro lado, o novo institucionalismo, em geral, minimiza os conflitos de interesses dentro e entre organizações, ou percebe como organizações respondem a esses conflitos por meio do desenvolvimento de estruturas administrativas elaboradas. Embora as antigas e novas correntes concordem que a institucionalização restringe a racionalidade organizacional, elas identificam diferentes fontes de restrição. As antigas enfatizam a aquisição dos interesses

dentro das organizações como resultado de trade-offs políticos e alianças. As novas destacam a relação entre estabilidade e legitimidade e o poder de "entendimentos comuns que raramente são explicitamente articulados". Essas diferenças são refletidas no tratamento da estrutura organizacional nas duas tradições. Mas, as duas perspectivas compartilham de um ceticismo em direção aos modelos de ator racional de organização, e cada uma delas percebe a institucionalização como um processo estado-dependente que torna as organizações menos instrumentalmente racionais ao limitar a busca de opções. Ambas enfatizam a relação entre as organizações e os ambientes, e prometem revelar aspectos da realidade que são inconsistentes com a contabilidade formal da organização. Cada abordagem destaca o papel da cultura na formação da realidade organizacional (DIMAGGIO; POWELL, 1991).

Para Selznick (1996), o “novo institucionalismo” no estudo das organizações gerou tanto novas perspectivas quanto mudanças interessantes de foco. Mas o fato de “o velho” e “o novo” refletirem uma profunda internalização da sensibilidade sociológica indica que há fortes continuidades subjacentes. O autor acredita que uma perspectiva político-centrada, compreendida de forma adequada, requer não só uma análise sofisticada como também uma reconstrução teórica. Problemas de prestação de contas e resposta, burocracia pública e privada, regulação e autorregulação, gerenciamento e governança, entre outros, demandam uma nova compreensão da experiência administrativa, política, legal e moral. Como direção, Selznick (1996) propõe observar o pragmatismo da prática social, incluindo democracia e justiça; eficiência e efetividade.