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Ao falarmos da figura do professor devemos nos perguntar: Quem é um professor? Mosquera (2001) salienta que não podemos deixar de considerar que, em primeiro lugar, o mestre é um ser humano, dotado de idéias, capacidades, estruturas mentais e também com limitações. Como indivíduo, possui uma história, com experiências e modalidades distintas de aprendizagem, visíveis em suas concepções. Acreditamos que essa história seja fator motivador na escolha da profissão. O professor, também partilha com os alunos a necessidade de viver e de auto-realizar-se. Nessa caminhada procura obter um significado para a vida, definir uma posição.

Nesse sentido, cada aluno cria a imagem de quem é o professor, gera expectativas em torno do conteúdo a ser apresentado. Hoje a escola precisa de um profissional com conhecimentos amplos e recursos para constante reformulação de objetivos e metas, pensando criticamente na sua atuação. Complexidade e capacidade reflexiva para o questionamento reconstrutivo, capaz de modificar seu trabalho.

A entrevista com N.16 anos (A) salientou a importância da aprendizagem vincular e lúdica. A aprendizagem representa um processo de receber e dar, sentir e agir; envolve parceria, interação com o outro.

Segundo N.16 anos (A) “o estilo dele eu gosto muito, ele entra brincando com a gente, conversa com a gente...”.

O professor que faz vínculo com o aluno, conta história, brinca, mostra-se companheiro é reconhecido e admirado. Ficar junto “com e interagir com o aluno”, oportuniza um bem-estar e prazer. Para Fernandez (2001, p.61) “a aprendizagem é a apropriação, é a reconstrução do conhecimento do outro, a partir do saber pessoal”.

O professor tem uma representação social, em termos de autoridade, de conhecimento e responsabilidade. Desperta identificações no aluno e pode ser destacado pelo respeito, pela segurança ao explicar os conteúdos. As atitudes do professor podem demonstrar boa vontade, empenho e aproximação com o grupo. Estas características foram destacadas como importantes para que ocorra a aprendizagem.

J.17 anos (B) salientou que, quando o professor explica várias vezes demonstra interesse pela aprendizagem do aluno, permite que o mesmo tenha maior vontade para aprender, despertando a satisfação pela compreensão do conteúdo que está sendo trabalhado. Para esse aluno, o bom relacionamento está ligado diretamente à maneira e ao número de vezes que o professor explica determinado assunto: “Primeira coisa o professor deve ser mais amigo do aluno, depois melhorar a explicação, deve ver o lado do aluno, como ele aprende, observar nossas limitações, as formas de explicar, amizade, paciência até o aluno entender, muitas vezes o professor acha que vai perder tempo, pois tem outra matéria. O professor deveria se colocar no lugar do aluno, mostrar empatia”. Notamos que este aluno valoriza a paciência e empenho do professor. Este precisa ficar atento às perguntas dos estudantes, mas também do lado afetivo, estar próximo do aluno. Penso que a chave para o sucesso dos professores é construir uma atmosfera de respeito mútuo em sala de aula.

Na minha experiência de professora e aluna, destaco quando descobri o encantamento da Matemática. Foi em grupos de estudo na sétima série. Realizava encontros com alunos que possuíam dificuldades. Estes se sentiam seguros para perguntar. Meu professor ao saber, incentivou-me e isto foi muito gratificante, pois ao ensinar também aprendemos. Além de explicar com facilidade, também, obtinha excelentes notas nas provas e trabalhos. Mesmo jovem, sentia-me segura e foi vivendo esta experiência que decidi ingressar no Magistério, buscando maneiras diversificadas para ensinar e ao mesmo tempo aprender.

Noutro depoimento, a escolha profissional está diretamente ligada ao bom relacionamento com o professor e os resultados adquiridos nesta disciplina. N. 16 anos (A): “Bom para mim que o ensino da matemática faz muito bem, o meu objetivo é ser engenheiro”. [...] Eu tenho muita facilidade, gosto muito dos cálculos de multiplicação, gosto muito por esse motivo. [...] Tem um enorme importância na minha vida. “A matemática é muito significativa.” Interessante constatar que todo conhecimento é o resultado da relação do indivíduo com o mundo construído pela atividade social e histórica, as relações são mediadas tanto pelas relações sociais quanto pelas expectativas e metas pessoais.

Na minha experiência de professora e aluna, pude perceber que, quando nos atualizamos através de cursos, seminários, educação continuada construímos novos conhecimentos e processos diferenciados na organização do conhecimento. É evidente que somente a participação nesses eventos não garante o conhecimento. Através do questionamento reconstrutivo, é possível viabilizar a competência da aprendizagem, justificada por Demo (2002), quando diz ser o questionamento construtivo crucial no processo da construção do sujeito.

Tanto a relação pedagógica quanto a afetiva está impregnada da compreensão do outro. O professor deve ser capaz de ter senso de humor, não ter medo de sorrir. Esta atitude permite uma aproximação com os alunos e despertam admiração e vontade de aprender, conforme relata L. 17 anos (A): “Ele simplifica as fórmulas. As aulas é bem natural, não é aquela coisa chata da matemática. Ele não fica só na matemática, no monstro da matemática, Conversa coisas de nó. Comenta assuntos da matemática e também outro assuntos, é uma aula descontraída.” O depoimento elucida a importância de o professor valorizar momentos de descontração, o reconhecimento da afetividade como fato positivo para a aprendizagem, com equilíbrio entre a seriedade e o bom humor, aproximando aluno e professor sem comprometer o papel da docência.

Pontuamos que um dos grandes desafios do educador é respeitar as diferenças individuais, conforme depoimento do aluno D.17 anos (B): “Acho importante a relação, pois dá oportunidade ao aluno de aprender bem a matéria. Se tu não gosta do professor eu já não vou dar oportunidade dele me explicar, quando chegar perto da classe já vou pensar “ aquele chato”. Cabe aos educadores resgatar a beleza da Matemática, pois neste depoimento o aluno ao não perceber transforma a disciplina num “bicho-de-sete-cabeças”. O professor tem grande dificuldade em desmistificar essas dificuldades, pois o aluno comprova na escola o mito da dificuldade.