• No results found

4.1 Semi-strukturerte dybdeintervjuer

4.1.3 Suksess - og risikofaktorer

De acordo com Marcial e Grumbach (2005, p. 77), os condicionantes do futuro são os fatores-chave associados às variáveis. São eles que irão definir as incertezas críticas. No método GBN de Schwartz (1996), os fatores-chave são definidos como sendo as principais forças estreitamente relacionadas com o objeto em estudo. Conforme Buarque (2003, p.53), a atividade fundamental no processo de análise de cenários é a identificação dos condicionantes do futuro. Deve-se questionar: “O que está amadurecendo na realidade (processos de mudança e de conservação) que pode sinalizar e indicar as tendências do futuro?” (BUARQUE, 2003, p.53). O instrumento que deve ser utilizado para perceber essas mudanças, segundo Buarque (2003, p.53), é a análise histórica e diagnóstico, para levantar as latências que permitem gerar um comportamento futuro. Para Buarque (2003, p. 53), a identificação dos condicionantes do futuro pode ser realizada por meio de reflexão estruturada e da técnica de

brainstorming. Buarque (2003, p.53), também recomenda o estudo retrospectivo e

levantamento sistemático, com base em dados secundários, a partir de livros e artigos técnicos especializados (BUARQUE, 2003, p.53).

Para a determinação dos condicionantes do futuro, isto é, os fatores que influenciarão na elaboração dos cenários, foram utilizadas somente as variáveis que foram plotadas no quadrante I do plano motricidade-dependência. Como técnica para definir os condicionantes do futuro, foi realizado uma análise estruturada na pesquisa bibliográfica.

Após o levantamento dos condicionantes de futuro, foi necessário fazer uma análise para verificar a importância de cada condicionante. De acordo com Buarque (2003, p.54), os condicionantes do futuro são muito amplos e podem ter diferentes relevância (importância) e grau de incerteza. Para isso, busca-se delimitar os condicionantes, utilizando a matriz de impacto e incerteza, tomando como referência as variáveis de ligação (BUARQUE, 2003, p.54).

Para Buarque (2003, p.56), na análise qualitativa do impacto e da incerteza pode haver limitações, por não captar a intensidade que o condicionante manifesta. Pode haver condicionantes que possuem alta intensidade no presente, mas não representam ameaças para cenários futuros, e vice-versa. Desta forma, recomenda- se a elaboração da matriz em que a intensidade deve ser incluída (BUARQUE, 2003, p.56). Ainda segundo o autor (2003, p.56), para identificar os condicionantes que farão

parte da elaboração dos cenários, deve-se elaborar uma matriz considerando a intensidade, o impacto e a incerteza, conforme indicado na Tabela 3.

Tabela 3: Matriz Intensidade-Impacto-Incerteza

Condicionante Intensidade Impacto Incerteza Densidade

A 1 3 1 3 B 3 5 3 45 C 3 3 3 27 D 3 5 3 45 E 5 3 5 75 F 5 5 5 125 G 3 3 3 27 H 5 1 5 25 I 3 1 3 9 Fonte: Buarque (2003, p.57).

Os métodos GBN de Schwartz (1996) e Grumbach (2005), indicam a matriz de incerteza e importância, como técnica para classificação dos condicionantes (MARCIAL; GRUMBACH, 2005, p.81). No entanto, nesta matriz proposta, não estão incluídos o impacto e a intensidade com que o condicionante se manifesta.

Para a elaboração da matriz intensidade, impacto e incerteza proposta por Buarque (2003, p.56), foram utilizados pesos relativos. O Quadro 16 indica os pesos que foram atribuídos para a elaboração da matriz. A seleção de cada peso foi realizada considerando as informações contidas na pesquisa bibliográfica e na análise das variáveis. Multiplicando os três índices, obtém-se a densidade do condicionante, como indicado na Tabela 3.

Quadro 16: Pesos Atribuídos para Intensidade, Impacto e Incerteza

1 2 3 4 5

Intensidade Nenhuma Intensidade

Baixa

Intensidade Intensidade Média Intensidade Alta Intensidade Muito Alta

Impacto Nenhum Impacto Baixo Impacto Impacto Médio Impacto Alto Impacto Muito Alto Incerteza Nenhuma

Incerteza Incerteza Baixa Incerteza Média Incerteza Alta Muito Alta Incerteza

Fonte: Buarque (2003, p.54)

Os condicionantes que obtiverem valores de densidade igual ou acima de 50 serão selecionados para a elaboração dos cenários. Este valor de corte foi obtido considerando-se o Princípio de Pareto. De acordo com este princípio, 20% dos

condicionantes do futuro são responsáveis por 80% das incertezas do futuro (LACERDA; ENSSLIN; ENSSLIN, 2012, p.62). Levando-se em conta que 80% das combinações possíveis de densidade (multiplicação de intensidade x impacto x incerteza) estão abaixo de 50 pontos, e os 20% restantes estão acima, o valor de corte para a densidade é de 50 pontos. Os condicionantes do futuro que tiverem densidade acima deste valor serão os selecionados para a análise dos cenários. O Apêndice C indica, graficamente, como foi obtido este valor de corte.

Para Marcial e Grumbach (2005, p.87), os condicionantes selecionados são definidos como sendo as incertezas críticas para a elaboração dos cenários. Estes serão analisados, e as hipóteses para a construção dos cenários recorrerão sobre estes condicionantes.

Os condicionantes selecionados por meio da matriz de intensidade, impacto e incerteza foram a base para definição dos cenários futuros. De posse dos condicionantes, atribuem-se hipóteses de incertezas plausíveis de acontecerem no futuro. Os condicionantes (incertezas críticas), associados às hipóteses, compõem a análise de cenários futuros (BUARQUE, 2003, p.57).

Conforme Buarque (2003, p.57), a definição das hipóteses deve ser realizada por especialistas no objeto de estudo, a fim de garantir a pertinência com o tema e, principalmente, a sua plausibilidade. Buarque (2003, p.57) indica três recursos técnicos para definir as hipóteses. São eles: i) entrevistas estruturadas com especialistas; ii) brainstorming com técnicos especialistas; e iii) método Delfos (Delphi).

Segundo Buarque (2003, p.57), a técnica de entrevista estruturada requer perguntas estruturadas abertas, aplicada a especialistas na área em estudo. Para o autor, o brainstorming é uma técnica de pensamento livre, que busca captar as percepções dos especialistas sobre tendências e incertezas críticas. E o Método Delfos é um mecanismo de consulta a especialistas em tendências e incertezas críticas. Nesta técnica, é feito um questionário individual estruturado para também captar as percepções de cada especialista. São realizados relatórios e enviados novamente aos especialistas para nova bateria de questionamentos, a fim de assegurar que haja uma convergência de opinião para o objeto em estudo.

Para esta dissertação, foi utilizada a análise estruturada na pesquisa bibliográfica como técnica de definição das hipóteses. Depois de definidas as hipóteses de incertezas e os condicionantes do futuro, Buarque (2003, p.57) indica

como próximo passo a elaboração dos cenários, bem como a análise de consistência de cada cenário gerado.