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2. TEORETISK GRUNNLAG

2.3. Substantivfrasar

2.3.3. Substantivfrasekjema for norsk

Adentrando no parto propriamente dito, quando o processo de dilatação completava-se, a parturiente geralmente era encaminhada para a sala de parto a fim de concluir o período expulsivo e o nascimento do filho. Nesse espaço, além da mulher e

149 do seu acompanhante, ficavam presentes geralmente o médico obstetra e o neonatologista e ainda alguém da equipe de enfermagem para auxiliar em qualquer necessidade.

O fato de a instituição receber alunos em processo de formação, comumente de enfermagem e medicina, tornava o número de pessoas nesse exíguo espaço bem maior. Houve uma situação em particular, durante a observação, que demonstrou a insatisfação de alguns membros da equipe com a quantidade de pessoas dentro da sala de parto. Nesse dia, encontravam-se aproximadamente 10 (dez) pessoas na sala, possivelmente tumultuando o momento do nascimento.

Era dia sem grandes mudanças e uma das parturientes entrou no período expulsivo e foi encaminhada para a sala de parto pela enfermeira de plantão. Esta profissional, ao entrar neste ambiente, admirou-se com tanta gente para participar do parto e pensando no direito da parturiente foi perguntar-lhe se ela permitia que esta quantidade de pessoas ficasse na sala de parto. Garantiu-lhe que se ela quisesse uma parte sairia, pois era seu direito escolher quem ficava neste momento e neste espaço. A paciente constrangida e até sem graça diante desta responsabilidade de decidir quem ficava e quem saía ficou inicialmente muda e depois respondeu não ter problema, que todos poderiam ficar (Relatório de observação – diário de campo).

Esse contexto contribuiu para gerar questionamentos quanto à ausência de pudor durante o trabalho de parto e a respeito da relação que ele apresenta com a submissão feminina ao poder da saúde. Quando essa dinâmica acontece, as mulheres deixam-se

150 levar pelo cotidiano, sem mostrar suas necessidades nem exigir seus direitos. Há também a crença de que nesse momento as dores estão mais fortes, fazendo com que muitas vezes as mulheres não estejam preocupadas com mais nada, a não ser com a possibilidade de livrar-se do incômodo. Então, para algumas delas, não faz muita diferença quem fica na sala de parto para participar do seu processo de parturição. O mais importante é deixar de sentir dor e que seu filho nasça o mais rapidamente possível.

Em sua estruturação física, a sala de parto era composta pelos equipamentos básicos, como mesa, instrumentais, focos, material para aspiração, medicamentos, entre outros. Além disso, era bem iluminada, provavelmente para facilitar a realização do procedimento técnico e a prestação dos cuidados imediatos ao recém-nascido.

A cama ginecológica era geralmente utilizada no momento do parto. Embora fosse comum o decúbito semielevado, a situação ainda era desconfortável, pela necessidade de empreender esforço expulsivo em sentido desfavorável à gravidade. A adoção dessa posição facilita o acesso ao campo de parto para o profissional que assiste ao processo, contudo não é a melhor forma para se “expulsar” um feto. Diversos autores, entre eles Diniz (2001) e o guia da OMS (1996), apontam a importância de uma posição fisiológica para parir. A força gravitacional e a necessidade de comodidade para a mulher devem coordenar esse momento, na perspectiva de tornar a parturição menos incômoda.

Os partos observados foram frequentemente intervencionistas. Além da utilização da ocitocina, práticas do tipo episiotomia e episiorrafia – justificadas para evitar lacerações perineais – eram comuns na rotina do serviço. A episiotomia e episiorrafia são os nomes técnicos utilizados para o processo de corte e sutura do

151 períneo para teoricamente facilitar a expulsão do feto ao final da dilatação. Essas ações, de acordo com as recomendações da OMS, são comprovadamente danosas ou ineficazes, não havendo a necessidade de utilização indiscriminada (OMS, 1996).

As formas de controle estabelecidas nas ações cotidianas foram um ponto que se destacou nesse momento. As interações tinham uma prática coercitiva e a colaboração desejada era obtida a partir da imposição do medo. O relato a seguir retrata essa dinâmica:

Em um outro dia, em um momento que iria acontecer um parto posicionei para assisti-lo. A parturiente estava em trabalho de parto e após mais ou menos 12 horas na unidade foi colocada na sala de parto para parir. Mesmo com uma acompanhante, a mulher se apresentava inquieta e incomodada com as dores e a posição na qual foi colocada. A acompanhante, provavelmente por não ter sido preparada para a vivência desta situação, não sabia o que fazer para dar apoio neste momento. Na sua inquietude, a parturiente começou a abrir e fechar as pernas, provavelmente pela dificuldade no controle dos membros, tanto pela posição, quanto pelas dores que estava sentindo. O obstetra começou a se inquietar e disse: “Não faça assim... se você fizer assim vai imprensar o seu filho...” (Relatório de observação – diário de campo).

Esse tipo de discurso favorece uma reflexão quanto às mudanças nas práticas e formas de acolhimento no fazer saúde. Tal reação do obstetra, de culpabilizar a mulher caso algo acontecesse com a criança, torna clara a forma como os discursos são construídos. O obstetra não se preocupou em orientar, mas em amedrontá-la, em fazê-la

152 sentir-se mais tensa. Assim, constrói-se um discurso prescritivo e gerador de medo, no qual as pessoas devem fazer as coisas de acordo com as recomendações e não conforme as necessidades de seu corpo. Desse modo, além da posição que provavelmente ela estava achando incômoda, ainda havia a falta de preparo para vivenciar esse nascimento.

Outra característica evidenciada nas ações desenvolvidas no período expulsivo era a mudança de ambiente realizada muitas vezes precocemente. Em alguns casos, a parturiente era mandada muito cedo para a sala de parto, ficando ainda um tempo considerável para que terminasse a expulsão. Associados a esse aspecto, a posição adotada e os esforços contínuos acabavam cansando-a e era comum na sala de parto ela queixar-se de que não tinha mais forças.

Além disso, durante o procedimento técnico, a mulher tendia a ser muito manuseada para exames diversos e toques sucessivos, procedimentos bastante incômodos. Esses procedimentos contínuos, em geral, relacionavam-se à permanência de estudantes de graduação do curso de medicina que, ávidos por aprender, desconsideravam, em parte, as necessidades femininas.

Agravava essa situação o fato de a temperatura na sala de parto ser geralmente muito baixa, gerando reclamações das mulheres, que tremiam de frio. Todavia, o conforto nesse momento parecia ter direção apenas para o médico obstetra, ficando a mulher invisível diante das necessidades desse profissional. Assim, quando durante o parto a temperatura da sala era elevada, esse profissional ficava logo reclamando de sentir muito calor, tendo sua solicitação atendida e o ar-condicionado colocado no máximo novamente (Relatório observação – diário de campo).

153 Situações desse tipo favorecem o entendimento de que a dinâmica das práticas na atenção ao nascimento ainda circundam em função do trabalho médico, desconsiderando os manuais e materiais técnicos que apontam para o resgate do poder e da autonomia feminina nesse momento (Brasil, 2001). Há ainda uma prática vigente que, fundamentando-se no médico como o centro do trabalho em saúde, desconsidera que os outros atores são importantes e que na nova lógica em conformação o atendimento deve ser centrado nas necessidades e bem-estar da usuária.