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Styring og kontroll i virksomheten

In document Årsrapport 2018 (sider 58-61)

Outro elemento que surge de maneira recorrente nos depoimentos de nossos entrevistados refere-se à participação em redes de relações sociais rentáveis ao contexto

educacional. Dizem-se rentáveis por possibilitarem o suporte às atividades escolares, obtenção de ajuda financeira, auxílio para a escolha de instituições de ensino de melhor qualidade, bem como o acesso a informações sobre o funcionamento do vestibular. A essa rede de relações, portanto, também compreendida como rede de apoio social, atribui-se o

conceito de capital social. Discutido por autores como Bourdieu (1998;2009), Coleman (1990) e Putnam (1993), limitaremos, majoritariamente, a nossa análise ao conceito desenvolvido por Coleman, uma vez que o conteúdo que emerge das entrevistas aponta, tal qual na perspectiva desenvolvida por esse autor, a leitura das relações sociais como

produtivas no sentido de possibilitarem certos ganhos que não seriam possíveis na sua ausência (COLEMAN, 1990). Coleman define capital social, portanto, como

conjunto das relações sociais em que um indivíduo se encontra inserido e que o ajuda a atingir objetivos que, sem tais relações, seriam inalcançáveis ou somente alcançáveis a um custo mais elevado. O capital social localiza-se não nos indivíduos, mas nas relações entre eles, e a existência de capital social aumenta os recursos à disposição dos indivíduos que encontram-se imersos em tais relações. (COLEMAN apud AQUINO, 2000, p. 24)

Essa rede de relações sociais, portanto, construída pelos indivíduos, possibilita ganhos, na medida em que se aumentam o grau de integração dos indivíduos e as expectativas de reciprocidade e comportamentos confiáveis, constituindo-se não somente em um bem individual, mas também em um bem coletivo. Assim, por exemplo, contar com a “confiança” de seus pares parentes, ou vizinhos converte-se, para os sujeitos e as suas famílias, em capital social.

Nesse sentido, aparecem as falas dos alunos Carlos, Mariana, Tiago e Andréa ao retratarem a influência de terceiros, os quais aparecem aqui na figura de amigos, vizinhos e parentes que foram cruciais para que nossos entrevistados ora tomassem conhecimento sobre a existência e acesso ao ensino superior, ora obtivessem suporte para a rotina escolar e para a escolha do estabelecimento de ensino.

[...] A de Viçosa Federal foi porque um conhecido meu tinha passado lá e falou que era muito boa assim. Foi recomendação de amigo. [...](Carlos, Ciência e Tecnologia de Alimentos.)

[...]E quando, eu lembro....no segundo ano uma amiga minha trabalhava na Universidade e eu já fiz o vestibular como treineiro quando eu tava no segundo ano. Por acaso. Eu tava passando na faculdade, era caminho e ela: “vamo fazer. Cê não quer fazer?” E eu nem sabia que eu podia fazer o vestibular no segundo ano. E eu ainda passei. Se eu quisesse eu podia....Foi uma amiga que mostrou isso. [...] (Mariana, Licenciatura em Letras)

[...](Mas, por exemplo, trabalhos, para casa? Como que era?) Humm...ninguém... Ou sozinho ou eu pedia minha vizinha. Ou grupo com os amigos. (Tiago, Ciências Biológicas)

(Mas o fato de você ter ido para o Industrial, tinha alguma ligação entre as escolas?) Não tinha nenhuma ligação não. A gente tinha que dormir até na porta,

porque era muito concorrido pra estudar lá. Porque era a melhor que tinha assim. (De segundo grau?) É. De segundo grau da cidade. (Devia ser super concorrido mesmo então...) É. A minha tia trabalha na Superintendência de Ensino. Ela que conseguia pra gente. Porque...Nossa! Era muito concorrido. Eu lembro que o povo ia dormir na fila mesmo pra conseguir vaga lá. A concorrência era feia, né? Porque todo mundo que...e a maioria do povo que ia do Industrial tinha saído.... porque no Industrial tinha de quinta até o ensino médio. Então, tinham as vagas dos alunos e poucas vagas pra quem era externo. E lá em Varginha, só o Afonso Pena que era até a oitava. Por isso que as maiorias das pessoas saíam de lá e iam pro Industrial. (Mariana, Licenciatura em Letras)

Em relação à influência de terceiros proveniente do meio familiar14, destacam-se, ainda, as interações estabelecidas entre primos e irmãos, que parecem ter propiciado e até mesmo iniciado a perspectiva da longevidade escolar. Pois, surgem nos relatos indícios que vão desde a identificação com o percurso escolar longevo e seu entorno, passando pelo suporte ao estudo preparatório para a entrada na universidade, além da orientação sobre as vivências acadêmicas.

[...](Mas você percebe porque você escolheu se espelhar neles?) Acho que pelo motivo deles terem sido talvez uma das primeiras pessoas próximas a mim a ver, ingressar numa universidade. Eu lembro de quando chegou o convite deles da graduação, deles com a beca e tudo mais. Aí eu falei assim: ah! Bacana também. Também acho que quero isso, sabe? Aí quando eu fiquei nessa coisa de muda de curso, aí eu conversei com eles: Ah! Eu tô em Educação Física, mas eu quero muito Biologia. “Ah! Então muda! Faz isso!” Eu lembro até uma vez que eu sentei pra almoçar com a minha prima, pra conversar sobre isso e...ela dando apoio e tudo mais. Aí quando eu falei que queria voltar pro curso, aí todo mundo já não foi tanto, não deu tanto suporte. Mas, tipo assim, eu sei que suportou, mas brincou criticando. Falando tipo é...”uai, mas agora você quer voltar? Porque cê quer voltar, isso não faz sentido.”(Isso seus primos?) Meus primos não. Me apoiavam também. Brincavam, falando assim: “mas cê também não sabe o que que cê quer, né?” Mas, eu falei não, agora eu sei que é Educação Física. “Então, vai.”(Tem um pouco esse papel de te apoiar, né? Talvez até de te orientar...) É. Eu lembro que no meu aniversário, a minha prima até me deu uma calça que dá pra fazer atividade física. Aí eu falei assim com ela: dá pra fazer as aulas práticas. E ela: “ foi nisso que eu pensei”. Eu falei: ah! Que bom.[...] (Tiago, Ciências Biológicas)

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A propósito, apesar de nos estudos iniciais sobre capital social, os autores não se dedicarem ao tema família (DONATI, 2003), recentemente, alguns pesquisadores (Cordaz & Salvini, 2004; Cox, 1995; Donati, 2003; Guizzardi, 2006; Prandini, 2003; Stanzani, 2003; Stranges, 2008), têm destacado a importância da família na conceituação e na construção do capital social. (PORRECA, 2008)

[...] E você fala que tem uma boa consideração por esses seus primos. Tem algum motivo específico, assim?) É...porque....é como se... é que fugiu a palavra que eu queria usar....mas é como se eu fosse focar ou basear, espelhá em alguém, sabe, em relação a estudo. Como eu não tive os meus pais pra puxar isso, acabou sendo esses meus primos. (Que moram do seu lado?) Na época morava. Agora, um tá morando na casa própria dele, com a esposa dele, lá em Cachoeira também. Uma mudou pra Mariana e agora eu tô aqui em Ouro Preto, né? Mas finais de semana eu costumo vê eles. Eles foram meus padrinhos de primeira comunhão. Então, sempre fui bem próximo deles. [...](Tiago, Ciências Biológicas)

No ensino médio em horas de estudo eu dedicava bem mais. No fundamental eu normalmente só estudava o que o professor tava dando, o que tava acontecendo na escola. No médio eu já comecei a pegar material de cursinho com meus primos e pegava coisas diferentes assim. (Mas o que eram essas coisas diferentes?) Pedia os meus primos, às vezes, material de cursinho, eles imprimiram várias provas do ENEM pra mim tá fazendo simulado e tal. (Eles moravam perto da sua casa?) Não. Em outra cidade. (Mas você tinha muito contato com eles?) Sim. De certa forma. É. Alguns finais de semana, nas férias. Eles deixavam esse material lá em casa. Foi um rodízio na verdade que a gente fez. Começou com a minha prima, quando ela resolveu fazer Medicina, que aí minha irmã quis acompanhar e aí minha prima passou material pra minha irmã, que passou pro meu outro primo, depois pro meu outro primo até chegar pra mim. Fui acompanhando. Tinha muita coisa que tava bem desatualizada. (Andréa, Direito)

[...] (Você mencionou a sua mãe, né, que fez o normal superior) Sim. Depois de mais velha. (E tem mais alguém?) Lá em casa foi uma coisa meio em cadeia, né? A minha prima ela tava, que é de uma situação financeira bem melhor, ela tava estudando pra Medicina. Aí minha irmã via ela com essa coisa e assim, não eu também vou fazer faculdade. No início meus pais achavam que ah...estudar é coisa pra rico. Você não vai fazer isso. Aí foi uma briga dela com eles. Ela estudando sozinha e tal até conseguir passar e chegar aqui.(Ela estudou aqui na Ufop também?) Também. (Sua irmã teve que fazer essa abertura de caminho, né? Você acha que pra você foi mais fácil dizer pra eles que você queria entrar pra Universidade?) Foi. Bem mais fácil. (E você teve apoio deles?) Sim. Com ela (irmã) já foi bem diferente. Eles já achavam que aquilo não ia acontecer jamais. (Você acha que teve uma resistência deles? Que ela não desse conta?) É. O discurso sempre era esse de que estudar é pra quem tem uma situação financeira boa. Aí, às vezes, ela tava estudando e eles já xingavam...que ela tava estudando pra quê, que não precisava estudar aquele tanto. Aí ela começou a trabalhar pra juntar dinheiro pra pagar a taxa. (Não tinha auxílio do governo?) É. Naquela época os vestibulares você pagava uma taxa. Aí ela começou a trabalhar pra pagar a taxa porque eles não queriam pagar pra ela fazer os vestibulares. Foi ela mesmo que fez essa quebra. (Andréa, Direito)

Quando e como a Universidade entra como projeto na sua vida?Ah...acho que foi na Formatura da minha irmã. A formatura dela foi a oportunidade que eu tive de vim a Ouro Preto e ver como é que as coisas funcionavam. Até então era só o que ela chegava lá em casa e falava, né? (Você já gostava?) Não. É. Aí que eu tive como ver como era, um pouco de... morar em república. O pessoal que tava em final de período, estudando bastante. Foi o que me motivou. (Andréa, Direito)

A influência de terceiros aparece, também, na figura do professor que, no relato abaixo, surge, não apenas como fonte de conhecimento sobre os mecanismos de acesso ao ensino superior, mas como agente emissor da notícia de aprovação para entrada na Universidade.

[...](Como é que você ficou sabendo do Sisu, Enem?) Isso foi uma professora de português que eu tive no....não sei se foi no primeiro ou segundo ano. Mas foi no ensino médio. É que num ano foi ela e nos outros dois anos foi uma outra. Mas foi essa que deu um ano só que ela informava a gente, explicava esse negócio de documentação pra entrar quando alguém passava. E foi ela que me avisou que eu tinha entrado na Educação Física. Eu tava mexendo no Facebook em casa, minha mãe lavando varanda e já tinha chamado um punhado de gente e eu tinha desistido. Então assim: ah! Não vou ser chamado mais. E ela continuava acompanhando. Tipo, ela olha todos os cursos, se tiver alguém que ela conhece, ela corre pra avisar. É bobeira uma pessoa perder uma vaga numa universidade por não ter visto o nome. Aí ela foi e me chamou no Facebook assim: “Parabéns! É...pela aprovação na Ufop.”[...] (Tiago, Ciências Biológicas)

[...] É...a professora de português que sempre ajudou nesse negócio de Enem, a ver Sisu, entender essas coisas assim, documentação....[...] (Tiago, Ciências Biológicas)

A fala do aluno Carlos, por sua vez, ilustra o que Coleman (1988) chamou de capital social extrafamiliar. Caracterizado pela inserção familiar numa rede ou numa comunidade fora do lar, no caso do nosso aluno, essa forma de capital social aparece por meio das relações externas da avó, possibilitando a ele um suporte financeiro para que pudesse permanecer na primeira faculdade a que se filiou.

A que/quem você atribui a sua chegada ao ensino superior? E a que outros elementos/aspectos? Olha, tirando a minha vó assim que me ajudou, tiveram os amigos dela lá assim, amigos nossos lá, eu ainda acho que pra começar, cê tá falando do ensino superior, né? Acho que foi mais o pessoal lá da terra lá que ajudou bem. Que minha avó era uma pessoa conhecida. Aí tinha muito amigos, até bem das perna demais, que ajudava muito no início. [...] (Do seu contexto mais próximo você fala da sua avó e dos amigos mais próximos. Eles te ajudaram como?) É minha avó. É no início ajudaram a pagar o curso. E deram muita força. (Carlos, Ciência e Tecnologia de Alimentos.)

Carlos parece retratar, igualmente, outra faceta do capital social em que se é possível obter benefícios mediante a participação em grupos que acabam por funcionar como redes de relações sociais importantes para a aproximação com o contexto escolar. No seu caso, em específico, a participação em grupos deu-se mediante a filiação ao programa Pró Jovem. Esse

que possibilitou um primeiro contato com a estrutura de uma universidade, apresentando-lhe essa realidade educacional que, talvez, na ausência do programa não tivesse acontecido.

[...]Eu tava lembrando aqui que, muitas vezes, eu nem falei antes não porque eu não queria não, mas porque eu não lembrava. Eu lembro de um programa que teve que chama Pró jovem, que ajudava a tirar as pessoas da rua assim. Que era um tempo que a gente passava lá que a gente não ficava ocupando com besteira. Era depois do horário de escola. E foi nele que eu conheci a Ufop. E foi muito antes deu (de eu) ir pra Viçosa. Ou seja, lá em Viçosa eu fui tão no escuro que eu não conhecia a UFV. Eu conhecia a Ufop. (Porque nesse programa eles falavam da Ufop?) Não. A gente veio aqui. Eles faziam muitas viagens, entendeu? (Você veio conhecer Ouro Preto?) Isso. Foi duas vezes. Uma a gente foi lá conhecer o Museu e na outra nós viemo aqui. Só que quando eu vim aqui eu pouco...eu lembro até que eu desci aquela escadinha que tinha ali. Só que eu andei muito pouco. Eu tinha operado o joelho na época. Aí esse lugar maravilhoso pra gente já andar, normalmente. De muleta, então. Melhor ainda. Só que hoje dá pra fazer associação mesmo que a Ufop não mudou nada mesmo não. Só que na época era diferente. Eu nunca tinha visto tanto prédio junto assim pra uma pessoa estudar. Foi a primeira vez. [...](Carlos, Ciência e Tecnologia de Alimentos.)

Em síntese, considera-se a formação de redes de relações tanto interna quanto externamente ao âmbito familiar como favorável à longevidade escolar. Pois, possibilitou, entre outras coisas, o contato positivo com o ambiente educacional por intermédio de relações que propiciaram o suporte para a execução de atividades escolares; a obtenção de ajuda financeira para manutenção dos estudos; o auxílio para a escolha de instituições de ensino de melhor qualidade; além do acesso a informações sobre o funcionamento e preparação para o vestibular. A posse do capital social nesses casos, portanto, parece influir até mesmo na constituição de disposições de futuro, uma vez que, a despeito do habitus de classe, a longevidade escolar passa a ser uma realidade projetada e compreendida como possível, em virtude dos ganhos advindos da rede de relações da qual se participa.

In document Årsrapport 2018 (sider 58-61)