• No results found

Styring av kvalitet – tre perspektiver knyttet til NOKUTs rolle

2 NOKUT – historikk, rammer og mulige rolleforståelser

2.2 Styring av kvalitet – tre perspektiver knyttet til NOKUTs rolle

Por ocasião da saída temporária da professora Nilza, a Escola de Música outra vez abre seleção para monitor. Essa seleção tinha por critério um profissional que, além da formação musical, tivesse conhecimento na área cênica/corporal.

A professora Olga Aranha foi aprovada na seleção, para atuar como monitora de piano e teoria da música no curso de instrumento; e piano e expressão corporal, no CIART, em 1974, aproximadamente. Ela conta que passou pouco tempo no Curso Elementar, concentrando sua atuação no CIART:

Eu fiz parte do Curso de Iniciação e para mim foi muito enriquecedor. [...] fiz concurso para o [Curso de] Iniciação Artística [falando com ênfase]. Muito embora tenha permanecido, por um período curto, dando aula de teoria e de piano, e depois só o Iniciação [...] eu fazia dança clássica, e podia dar uma ajuda na parte de expressão corporal, e sempre a gente estava se reciclando. (Olga, E1, p. 1).

Em 1975, ano em que foi instituído o Curso de Educação Artística na UFRN 23, as professoras Candinha e Olga fizeram o vestibular, ingressando na primeira turma do Curso, ambas na habilitação música. Sobre isto, a professora Olga lembra:

Quando apareceu o curso de educação artística no terceiro grau, eu fui fazer o vestibular e complementar minha formação pegando a área de música... Foi muito rico esse período, porque nós fomos a primeira turma, e pegamos professores como Cecília Conde e outros [...]. (Olga, E1, p. 1).

23 Resolução nº 72/75 – CONSEPE – 01/08/1975 diz respeito à criação do Curso de Educação Artística na

UFRN. Resolução nº 42/75 – CONSUNI – 06/08/1975 diz respeito à criação do Curso de Licenciatura em Educação Artística.

A seguir, destaco um diálogo sobre como foi esse Curso de Licenciatura para elas:

Olga: Por sermos da primeira turma, os professores vinham de fora, como Cecília Conde [Rio de Janeiro], Ana Mae Barbosa [São Paulo], Dolores Portela [Recife] e alguns de Natal.

Candinha: Dolores Portela veio para a Escola de Música para nos ensinar no 3º Grau... Vinha gente de fora, naquele primeiro ano vinha gente do Ceará, vinha gente da Bahia... Havia aqueles três meses, quatro, que era o módulo, eles davam aula para a gente e depois iam embora. [...] Nós que fomos da primeira turma fomos privilegiadas, porque nós pegamos o que tinha de melhor de professor de música que veio para a formação, como também de teatro, nós tivemos professores excelentes, também tivemos professor de metodologia do ensino excelente, ele era paulista e não era de música, era da matemática... alguma coisa com matemática... ele era fantástico (falando com ênfase)... foi um dos melhores professores que nós tivemos, como era o nome dele?...

Olga: Eu nem me lembro do nome. Ele tinha um método inovador...

Candinha: Ele criou um método para a gente, ele não conhecia música, mas ele criou um método de como você fazer planos de aula dentro de um sistema super moderno, e eu me lembro que isso para a gente foi muito legal, porque aquelas fichas tinham o formato que a gente depois utilizou na própria Escola com os alunos.

Olga: Como nosso professor de teoria da literatura, lembra? Candinha: É, é...

Olga: Era um cearense... e a gente hoje lê um livro diferente, com um olhar diferente...

Candinha: Ele nos ensinou a ler um livro não somente como um leitor comum, ele fazia você entrar na história, entendeu?

Olga: Ele não era de música, mas tinha tudo a ver, porque de todo jeito era literatura, né?

Candinha: A gente fazia a parte de literatura com as crianças, como também a gente criava... Então isso foi importante para a gente.

Olga: No início as disciplinas do tronco comum. A gente fez sociologia, psicologia, antropologia... eu e Candinha fizemos parte de uma turma diferente, essas matérias nós pagamos com alunos de outras graduações. Então, metade do Curso, as matérias de tronco comum a gente pagou com outros professores, porque a gente estudava de manhã, de tarde, porque ficava mais fácil para a gente.

Candinha: Ficava mais fácil para a gente porque a gente era casada e tinha filhinhos... para não ter que ficar saindo de noite...

Olga: E alguns professores da Escola de Música foram aproveitados, como Isméria, que nos dava aula de teoria, e padre Pedro com a regência... tudo o que não tinha em Natal vinha de fora, em regime modular. (Entrevista Coletiva, p. 2-3).

O diálogo acima mostra o cenário do primeiro curso superior de música no formato de Licenciatura Plena no Estado do Rio Grande do Norte. E a UFRN, não tendo ainda número suficiente de professores para lecionar no curso superior nessa época, realiza essa graduação com professores convidados, em regime modular. As professoras, vendo a oportunidade de se qualificarem, se dispõem a estudar. No diálogo acima é percebido o quão importante se mostrou o referido curso, que não só alterou suas percepções, como possibilitou a que elas pudessem levar para as crianças do Curso suas intenções e aprendizados (como será abordado no capítulo quatro).

Esses relatos sobre os cursos realizados pelas professoras entrevistadas revelam que a Escola de Música da UFRN desempenhou um papel importante em suas formações docentes, incentivando e respaldando24 participações em eventos dessa natureza em outros estados, bem como promovendo, na instituição, mini-cursos, palestras, entre outras atividades.

Sobre tais atividades, a professora Nilza recorda que, nos anos em que trabalhava na instituição (1966 a 1990),

[...] na Escola tinha a Semana da Música25, onde a gente fazia cursos de regência... todo ano tinha, e vinham professores de fora, vinham professores de história da música, de teoria musical, de flauta, de regência... então sempre tínhamos a oportunidade de enriquecer. (Nilza, E1, p. 3).

As lembranças da professora acerca da Semana da Música mostram que esta além da dimensão e programação artística, era um espaço em que diversas formações pedagógicas musicais aconteciam:

A direção da Escola trazia várias pessoas que estavam fazendo música no Brasil, então, tinha sempre nomes importantes que vinham para passar uma semana aqui e treinar professores. A gente não era obrigada a fazer, mas quem queria fazer... e nós como éramos sempre inquietas, nós fazíamos tudo, o que oferecesse a gente fazia, de linguagem musical a expressão corporal. Marco Caneca fazia aquele curso de musicoterapia [no Conservatório do Rio de Janeiro], e ele passava para a gente também coisas de expressão corporal... Elder [Parente] foi uma pessoa que trouxe muitas coisas importantes que fizeram com que a gente crescesse também. Já que não existia aqui uma escola com esse nível superior... onde a gente pudesse beber, a gente bebia... cursos, seminários... o que chegava a gente fazia... [...] Sempre nessas semanas vinham professores bons; nunca veio um que causasse decepção. (Nilza, E1, p. 3).

24 De acordo com os relatos, o apoio da Escola de Música da UFRN às professoras do CIART para participarem

de congressos e eventos fora da cidade de Natal/RN era administrativo, implicando na liberação das atividades acadêmicas.

25 A Semana da Música é um evento anual que acontece na Escola de Música desde 1968, aproximadamente,

A professora Nilza ainda lembra que, nessas Semanas, além dos cursos ofertados, havia apresentações musicais em que alunos, professores e bandas militares da cidade se apresentavam na Escola:

Ah... e tinha uma coisa interessante: além de ter esses cursos, tinham os concertos. Cada noite era um concerto diferente, um dia de alunos, outro de professor, outro dia era encontro de bandas. Então vinham bandas daqui da capital, e as bandas se apresentavam: Banda da Aeronáutica, do Exército, da Marinha... então as melhores bandas participavam dessas apresentações. Tinha apresentação do Madrigal, cada noite era uma história... e isso a gente ia assistir e convidava também as crianças e elas participavam. No início era somente música, mas depois passou a ter o teatro, a expressão corporal, devido às aulas que a gente fazia. (Nilza, E1, p. 3).

Corroborando com esse pensamento acerca da importância das formações oferecidas pela Escola de Música durante sua atuação no CIART, Nilza fez, por exemplo, o curso de canto com o professor Nino Crimer.

Cabe ressaltar que, para além dos cursos de formação ofertados pela Escola de Música, as colaboradoras relataram sobre outras formações, como é o caso da professora Fátima, quando menciona que teve aulas particulares com o professor Oswaldo de Souza, com quem também estudou canto, mais especificamente música brasileira.

A professora Candinha comenta que também realizou cursos na Escola de Música, durante o período em que ensinou no CIART:

A minha formação é de piano, eu estudei piano a minha vida inteira, mas, pela inquietude da gente e pela necessidade de trabalho com as crianças, eu também fiz flauta doce, com o professor de flauta Wascyli. Ele trouxe uma abertura muito grande, porque possibilitou a gente estudar flauta doce, e a gente começou a fazer um trabalho com crianças, e inclusive com professores. (Candinha, E1, p. 3).

Ainda sobre a importância dos cursos de formação na Escola de Música e fora dela pelo Brasil, a professora Olga discorre sobre o valor destes, mostrando nesse relato redes de formação tecidas na época:

Porque sempre que a gente podia a gente participava ou de treinamento ou de encontros, ou de congressos, não só em Natal, como no Rio de Janeiro, ou em Salvador, etc. E sempre a gente estava buscando até através de leituras, e quando tinha um método inovador, o professor Marco Caneca trazia muita coisa boa para a gente de Recife, de João Pessoa. O próprio Gerardo Parente, Elder Parente... (Olga, E1, p. 3).

Figura 2: Curso com o professor Gerardo Parente em 1971.