CHAPTER TWO
2.6 Studies Related to Influences on Pupils/students Choices of Science, Mathematics and Technology subjects/activities
O trabalho de campo é a fase mais importante da pesquisa, pois norteia todo o seu andamento, levantando elementos que subsidiam as duas outras etapas: o laboratório e o gabinete. Os dados de campo é que determinam as técnicas e amostras a serem analisadas em laboratório e permitem a checagem do material cartográfico produzido em gabinete.
1.1.1 Reconhecimento da paisagem
Embora houvesse um bom conhecimento da região, fruto da pesquisa de mestrado desta autora (ALVES, 2010), e dos anos de vivência na área, ainda assim, foram realizados
dois campos. No nível de análise regional identificamos principalmente as formações geológicas, além de realizar um reconhecimentos de formas de relevo e solos.
Com a elaboração do mapa morfológico da área de estudo, foram realizados trabalhos de campo no compartimento em busca de afloramentos de rocha, reconhecimento das formas de relevo e, principalmente, da distribuição dos solos. Para a observação da distribuição dos solos, procuramos delimitar os mais vermelhos com textura de média a argilosa, e os solos vermelho-amarelados, um pouco mais arenosos. Além disso, foram observados os solos das depressões sem água, com água e intermitentes.
As observações de campo para a checagem das formas de relevo e dos afloramentos foram norteadas pelo mapa morfológico, confeccionado com o auxílio de fotografias aéreas e que será descrito junto com as técnicas de gabinete.
A percepção da distribuição dos solos no compartimento foi feita com a observação da coloração e textura dos solos nas estradas e com tradagens, de modo a permitir a delimitação dos solos mais amarelados. Nas depressões foi observada a variação dos solos com tradagens na alta, média e baixa vertente, apenas para uma caracterização geral e escolha das vertentes a serem trabalhadas com a análise estrutural. As amostras representativas de cada tradagem eram acondicionadas no pedocomparador para uma rápida identificação dos solos do compartimento.
1.1.2 Análise dos solos e das vertentes
As observações de campo nos permitiram escolher a depressão da lagoa Mandacaru para uma abordagem mais detalhada de seus solos, pois esta apresenta solos vermelhos e vermelho-amarelos de textura média, mudanças no solo de alta para baixa vertente, e materiais da acumulação ferruginosa.
Escolhemos trabalhar com a Análise Estrutural da Cobertura Pedológica (AECP) (BOULET et al., 1982), baseada na observação e análise das organizações verticais e laterais do solo, levando em conta a organização dos elementos e suas relações espaciais, em todas as escalas, fornecendo dados para a compreensão da gênese e a dinâmica das coberturas pedológicas e auxiliando o entendimento da evolução do modelado (BOULET et al., 1990). Trata-se de uma análise do solo que destaca as transições entre horizontes que são os setores onde as transformações ocorreram e ocorrem mais claramente. A disposição geométrica e a caracterização dos horizontes e transições permitem o entendimento dos processos envolvidos na transformação destas coberturas pedológicas. A forma da vertente deve ser comparada com a forma dos horizontes, de modo a identificar se as transformações ocorreram conjuntamente, e que processos pedológicos estariam coordenando estas mudanças.
Para caracterizar os horizontes presentes e suas relações espaciais foram realizadas tradagens nas duas vertentes escolhidas, sempre buscando um maior detalhamento das transições dos solos (BOULET et al., 1982). Em cada tradagem as amostras que apresentavam mudanças eram acondicionadas no pedocomparador para permitir uma rápida identificação dos setores que necessitavam maior detalhamento.
Para as tradagens foram utilizados um trado holandês e um trado mecânico. Este último foi utilizado apenas em dois pontos, um em cada vertente, para a observação dos horizontes mais profundos e, principalmente, para observar os horizontes existentes abaixo do volume encouraçado da topossequência Mandacaru. Enquanto o trado holandês demanda apenas uma pessoa para efetuar as tradagens, o trado mecânico necessita de pelo menos quatro pessoas devido ao seu tamanho e peso, e também devido à natureza do material em que foi utilizado.
Durante a realização das tradagens foram analisadas a textura expedita e a cor de acordo com a Tabela de cores de Munsell (MUNSELL, 2010). Além disso, foram anotadas a presença e caracterização de material grosseiro, como fragmentos de rocha, nódulos e concreções. As observações foram efetuadas, em média, a cada 10cm nas tradagens com trado Manual, e 40cm com o trado mecânico, que correspondem à capacidade da caçamba existente na ponta dos trados. Cada amostra analisada foi guardada em saquinhos separados e identificados para posteriores conferências e análises, caso se julgasse necessário. As tradagens foram aprofundadas até o limite da resistência do material, que era maior na vertente Mandacaru que na vertente Grevílea.
O levantamento topográfico foi realizado com trena, metro graduado e clinômetro, permitindo obter a forma detalhada das vertentes. O levantamento das tradagens, juntamente com o levantamento topográfico, permitiu a elaboração gráfica do modelo bidimensional das topossequências, incluindo a geometria dos horizontes e a indicação das transições verticais e laterais. A escala horizontal é de 1:1.245, a escala vertical e do solo é de 1:248.
Decidimos trabalhar com duas vertentes na depressão da lagoa Mandacaru: uma que aproveitava a topossequência Mandacaru com solos vermelhos e vermelho-amarelos, levantada parcialmente por Alves (2010), com tradagens até 2m de profundidade em toda a vertente; e outra, que denominamos topossequência Grevílea, realizada na vertente oposta à topossequência Mandacaru, com solos vermelho-amarelos. Embora ambas apresentassem solos de textura média, os solos da topossequência Grevílea tendem mais para arenosos, enquanto os da topossequência Mandacaru tendem mais para argilosos.
Na topossequência Mandacaru, do topo da vertente (T10) até o ponto da T6, o solo é bastante homogêneo, assim como já observado por Alves (2010), que realizou uma série de tradagens intermediárias com 2m de profundidade e que estão assinaladas como S na
representação da topossequência. Estes dados nos levaram a concentrar as tradagens mais profundas apenas nas zonas de transição, além de realizarmos uma tradagem profunda no topo.
Na topossequência Mandacaru as expressivas mudanças existentes na zona de transição e a impossibilidade de realizar tradagens profundas devido à grande resistência do material, levou-nos a abertura de uma trincheira nessa área. Esse trabalho foi possível graças à Prefeitura Municipal de Maracaí, que disponibilizou uma retroescavadeira capaz de escavar até mesmo a couraça. Dessa forma, optamos por abrir uma trincheira mais longa nesta vertente (26m de comprimento e 2m de profundidade) para podermos delimitar claramente os horizontes e suas transições. Realizamos observações em toda a trincheira e escolhemos cinco perfis verticais representativos para descrição e coleta de amostras, e também de algumas amostras da couraça e do material friável existente entre as fissuras.
Na topossequência Grevílea o levantamento da topossequência e as condições da área de trabalho nos levaram a selecionar dois pontos para a abertura de trincheiras. Uma na média vertente, pois o solo possui as mesmas características que foram observadas à montante, e nesta área havia autorização para abertura de trincheira. Na trincheira da média vertente da Grevílea não foram observadas grandes variações, então foi descrito apenas um perfil vertical.
Na baixa vertente foi aberta outra trincheira que seria comparável com o trecho final da trincheira da Mandacaru. Este ponto foi escolhido por estar na área de transição de cores bruno-amareladas a acinzentadas, além de estar localizada em área não cultivada. Esta trincheira começou a desmoronar no setor mais amarelado, enquanto estava sendo aberta, ainda assim, foi possível descrever e coletar amostras de sua parte superior, mas antes de terminar a descrição e coleta de amostras, entre um campo e outro, a trincheira terminou de desmoronar.
Nas trincheiras foram realizadas observações detalhadas que permitiram uma melhor caracterização dos horizontes, de seus limites e de suas transições. Os horizontes foram descritos de acordo com as características morfológicas, dando especial destaque para as mudanças de coloração, textura e estrutura, que são as que mais se destacam na trincheira. Foram coletadas amostras deformadas para as análises químicas, físicas e mineralógicas para caracterizar os volumes descritos.