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Folha de Rosto... ...2 Folha de Aprovação... ...3 Dedicatória... ...4 Agradecimentos... ...5 Resumo em Vernáculo... ...6 Resumo em Inglês - Abstract... ...7 Lista de Anexos e Lista de Figuras... ...8 Sumário... ...9 Introdução... ...10 Contextualização... ...20

À guisa de biografia... ...23 Fortuna crítica... ...25 Capítulo I – O Sujeito Poético...37 O sujeito e a cidade... ...38 O sujeito e o tempo... ...47 O sujeito e o mundo... ...55 Capítulo II – Espaço Físico e Espaço da Emoção...67 Cotidiano e percurso... ...77 Antinomias dialéticas... ...84 Caminhar e escrever... ...91 Capítulo III – Leitura de Mundo e Formas de Expressão... ...97 Relação arte-realidade...103 Relações socioespaciais na obra poética...109

Imagens impressionistas na expressão verbal...111 Conclusão...120 Bibliografia...131 Sites consultados...140 Índice Geral...141 Anexos – A, B, C, D, E, F, G...S/P Figuras – 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12...S/P

EM LISBOA, COM CESÁRIO VERDE *

(Eugénio de Andrade)

Nesta cidade, agora me sinto

mais estrangeiro do que os gatos persas; nesta Lisboa, onde mansos e lisos os dias passam a ver gaivotas, e a cor dos jacarandás floridos se mistura à do Tejo, em flor também, só o Cesário vem ao meu encontro, me faz companhia, quando de rua em rua procuro um rumor distante de passos ou aves, nem eu sei já bem. Só ele ajusta a luz feliz dos seus versos aos olhos ardidos que são os meus agora; só ele traz a sombra de um verão muito antigo, com corvetas lentas ainda no rio, e a música,

o sumo do sol a escorrer da boca, ó minha infância, meu jardim fechado, ó meu poeta, talvez fosse contigo que aprendi a pesar sílaba a sílaba cada palavra, essas que tu levaste quase sempre, como poucos mais, à suprema perfeição da língua.

* ANDRADE, Eugénio de (1986). Em Lisboa, com Cesário Verde, em David Mourão- Ferreira (dir.), Colóquio/Letras, revista, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, no. 93, p. 97.

CESÁRIO VERDE *

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Quis chamente dizer o mais corrente Com precisão em lúcida esquadria Ser e dizer na justa luz do dia Falar claro falar limpo falar rente Porém nas roucas ruas da cidade A nítida pupila se alucina

Cães se miram no vidro da retina E ele vai naufragando como um barco Amou vinhas cearas e campinas Horizontes honestos e lavados Mas bebeu a cidade a longos tragos Deambulou por praças por esquinas Fugiu da peste e da melancolia Livre se quis e não servo dos fados Diurno se quis – porém a luzidia Noite assombrou os olhos dilatados Reflectindo o tremor da luz nas margens Entre ruelas vê-se ao fundo o rio

Ele o viu com seus olhos de navio Atentos à surpresa das imagens

*ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner (1986). Cesário Verde, em David Mourão Ferreira (dir.), Colóquio/Letras, revista, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, no. 93, p.94.

IMPROVISO *

(Manuel Bandeira)

Glória aos poetas de Portugal Glória a D. Dinis. Glória a Gil Vicente. Glória a Camões. Glória a Bocage, a Garett, a João de Deus (mas todos são de Deus, e há um santo; Antero de Quental). Glória a Junqueiro. Glória ao sempre Verde Cesário. Glória a António Nobre. Glória a Eugênio de Castro. A Pessoa e suas heterônimos. A Camilo Pessanha. Glória A tantos mais, a todos mais. - Glória a Teixeira de Pascoais.

* BANDEIRA, Manoel. Estrela da Vida Inteira. 12ª. Edição. Rio de Janeiro: José Olímpio Editora, 1986, p, 321.

O SIM CONTRA O SIM

(a Felix de Athayde)

(João Cabral de Melo Neto) *

Cesário Verde usava a tinta de forma singular

não para colorir

apesar na cor que nele há. talvez que nem usasse tinta, somente água clara,

aquela água de vidro

que se vê percorrer a Arcádia. Certo, não escrevia com ela, ou escrevia lavando:

revelava, enxaguava

seu mundo em Sábado de banho. Assim chegou aos tons opostos das maçãs que contou:

rubras dentro da cesta

de que no rosto as tem sem cor.

NETO, João Cabral. (Recife PE 1920 – Rio de janeiro RJ 1999). Poesia Completa. Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 1986.

FICÇÕES DE INTERLÚDIO *

III

Ao entardecer, debruçado pela janela,

E sabendo de soslaio que há campos em frente, Leio até me arderem os olhos

O livro de Cesário Verde

Que pena tenho dele! Ele era um camponês Que andava preso em liberdade pela cidade. Mas o modo como reparava nas ruas, E a maneira como dava pelas cousas,

É de quem olha para árvores, e de quem desce os olhos pela [estada por onde vai andando E anda a reparar nas flores que há pelos campos...

Por isso ele tinha aquela grande tristeza Que ele nunca disse bem que tinha,

Mas andava na cidade como quem anda no campo E triste como esmagar flores em livros

E por plantas em jarros...

PESSOA, Fernando. Ficções de Interlúdio/1: Poemas Completos de Alberto Caeiro, 6ª Ed. RJ: Nova Fronteira, 1980, p. 140.

Reprodução do “Retrato de Cesário Verde” , pintado por Columbano Bordalo Pinheiro.

Reprodução da capa de “ O Livro de Cesário Verde”, editado por Silva Pinto – 1887.

Reprodução da pintura “O Chora” - Óleo sobre tela, Rafael Bordalo Pinheiro.

Reprodução do Mapa de Lisboa, limite do incêndio de 1755 – Manuel da Maia. http//webcarta.net.cart/mapas; consultado em 7 de setembro de 2008

Reprodução de Textos diversos sobre o terremoto de Lisboa de 1755. webserver.com.lisboa.pt; consultado em 8 de dezembro de 2008.

Reprodução do Plano de Reconstrução de Lisboa, 1756 – Eugénio dos Santos Carvalho webserver.com.lisboa.pt; consultado em 7 de setembro de 2008.

Reprodução da Planta do centro da cidade de Lisboa antes do terremoto de 1755 e com os projetos dos novos arruamentos. Eugénio dos Santos Carvalho e Carlos Mardel (?) (circa 1760) CA354 – Instituto Geográfico Português - www.igeo.pt/images; consultado em 7 de setembro de 2008.

Reprodução de pintura do “Maremoto de Lisboa de 1º. de. Novembro de 1755” . Autor desconhecido. www.vanillanist.com ; bloguehistorico.wordpress; consultado em 21 de setembro de 2008.

Reprodução do Painel de Azulejos, Lisboa antes do terremoto de 1755 –– Autor desconhecido. www.e-cultura.pt/images; consultado em 2 de julho de 2008.

Reprodução da pintura “Gare de Saint Lazare” (1876) – Claude Monet – Musèe d’ Orsay, Paris. www.museedorsay.paris; consultado em 21 de setembro de 2008.

Reprodução de Foto aérea da Lisboa – www.skyserapercity.com; consultado em 7 de setembro de 2008.

Zé Povinho (1875), Bordalo Pinheiro.